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Após dois
anos de intenso trabalho, foi recentemente publicado o livro “Henrique Aragão –
Esculturas Públicas”, resultado da monografia na Escola de Belas Artes, em
Curitiba, da artista plástica e mestre em Antropologia Social, Isabela Catucci.
A obra, o primeiro resgate histórico do seu trabalho, reúne fotos, textos de
autores, poemas e cronologia, tem o objetivo de apresentar um panorama da
produção de Aragão, onde ele descreve o processo orgânico criativo de
suas obras, “um trabalho que não advêm da inspiração”, segundo o mesmo.
Além
do livro, foi publicada a cartilha pedagógica “Um voo sobre a arte de Henrique
de Aragão”. Direcionada ao público infanto-juvenil, a cartilha escrita por
Benedita de Fátima Ribeiro, Isabelle Catucci e Terezinha Sueli Pelisson, tem
ilustrações e design gráfico de Olavo Tenório e está sendo distribuída em todas
as escolas paranaenses. “Se não trabalharmos com as crianças iremos perder o
futuro. O que se vê hoje são crianças atrás das drogas e do crack, numa
sociedade que perdeu os valores e é focada no consumismo”, afirma.
Erradicado
em Ibiporã e reconhecido mundialmente, Aragão (já falecido) se mostra contente
com a repercussão de seu trabalho e principalmente com a internet dar a
possibilidade de maior visibilidade. “Com mais de 80 anos, recebo em casa,
todas as semanas, jornalistas de vários lugares que desejam falar sobre meu
trabalho, contribuindo para a formação artística e cultural”, disse o artista
plástico antes de falecer. .
Além do livro e da cartilha, também foi
montada uma exposição fotográfica com algumas de suas obras, a qual já passou
por Curitiba, Londrina, Ibiporã e na Biblioteca Pública de São Paulo.
Sobre Henrique Aragão
Nascido em Campina Grande, na
Paraíba, em 1932, iniciou sua formação artística em Recife, onde participou de
1951 a 1959, do Salão de Artes Plásticas do Museu de Pernambuco. Em
1960, viajou à Europa, frequentando ateliês, igrejas e catedrais na Itália. Lá,
participou de cursos livres de artes, enquanto trabalhava para um jornal
religioso. Expôs pinturas abstratas em Thiene, Sicília, Cervínia e Zermatt,
Itália e Suíça.
Quando retornou a São Paulo, pintou
painéis para um banco em 1961. Entre 1961 e 1964, iniciou a produção de arte
sacra, com encomendas de obras e ornamentos para capelas e igrejas de São
Paulo, Recife e Rio de Janeiro. A convite do bispo Dom Alberti, decora a Igreja
de Apucarana e através do apoio de políticos e amigos, a partir de 1965, iniciou
a fundação, em Ibiporã, da Casa de Artes e Ofícios Paulo IV, assumindo a
direção em 1969.
Na Casa
de Artes mantém ateliê, galeria de arte, iniciando um movimento cultural, com
cursos de artes, enquanto produz esculturas para o Norte do Paraná,
distribuídas em espaços públicos, igrejas e acervos privados.
Ensinou sua técnica vitral em
Ulm na Alemanha; em 2007, participou como palestrante em encontros de artistas na
Lapa e; em 2010, realizou palestras na Itália. Nesta trajetória, fez diversas
exposições individuais e coletivas, participando como Conselheiro de Cultura,
jurado de salões de arte e recebeu a comenda “Paxe Labor” por seu trabalho
artístico. Sua produção de arte tornou-se relevante no contexto nacional, sendo
reconhecido como artista representante da região norte do Paraná.
Instalou, desde a década de 1970,
diversas obras em espaços públicos. Dentre as esculturas representativas, pode-se
citar o “Movimento ao Desbravador”, de 1970 em Maringá; o monumento “O
Passageiro, de 1989 em Londrina” e diversas obras instaladas
no Museu de Esculturas ao Ar Livre de Ibiporã, desde 1990.
Henrique Aragão morreu aos 84 anos,
em 25 de agosto de 2015.
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