sexta-feira, 6 de abril de 2012

Nosso equilíbrio psíquico depende de nosso ajuste ao meio. E esse ajuste depende de nossa comunicação com o próximo.

O homem é um animal gregário. Suas greis são a família, a sociedade, o ambiente de trabalho. Relações Humanas é a ciência que estuda a convivência, nosso ajustamento dos diversos setores: o familiar (pais, filhos, irmãos, avós e outros parentes), o do trabalho (os chefes, os subalternos, os companheiros), o social (os amigos, conhecidos, relações diversas, grupos diversos). Saber conviver é uma arte que está inserida no contexto da Arte de Viver.
Relações Humanas é uma ciência nova num mundo velho. Velho como o tempo. Data, certamente, daquele dia em que Adão, Eva e a Serpente, formando o primeiro grupo, concordaram em torno do primeiro pecado. Depois, expulsos que foram do Paraíso, saíram por ali brigando - o primeiro conflito: "Foi você o culpado!" "Eu não, foi você..." Mas acabaram se ajustando - o primeiro armistício - pela necessidade que tinham um do outro.

Somos por índole egoístas, e Relações Humanas é, pois, um guia de comportamento que nos ensina a compreensão, o respeito, a participação, a atenção e o reconhecimento da dignidade humana. Nosso equilíbrio psíquico depende de nosso ajuste ao meio. E esse ajuste depende de nossa comunicação com o próximo. Carecemos do próximo, mas, como o próximo incomoda, gera-se o conflito - desejo de independência versus necessidade de agrupar-se.

"Há sempre um conflito entre o desejo do indivíduo de atuar livremente, sem levar os outros em conta, e a necessidade que ele reconhece de levar os outros em consideração. Uma comunidade seria impossível se cada um fizesse o que lhe apetece." - assim falou Ernest Jones, e isto bem confirma a sentença de que os nossos direitos terminam onde os dos outros começam.

As ciências das Relações Humanas estudam a convivência, a comunicação, este fluido magnético que aproxima as pessoas. É a ponte que liga um indivíduo a outro, um indivíduo a grupos, e os grupos entre si. As dificuldades na comunicação estão nos desajustes, nas divergências individuais, econômicas, sociais, políticas, religiosas, filosóficas, educacionais, etc. - que tornam, tantas vezes, desumanas as relações humanas.

Quem somos nós? Que é gente? Gente é um bolo, cujos ingredientes são: defeitos, qualidades, erros, acertos, fraquezas, boas intenções, etc. Variam as doses, mas todos temos esta mistura em nossa estrutura anímica. Herdados ou inoculados, formam a argila de que somos feitos.

As relações humanas são problemas ao longo de toda a vida, dada a diversidade de temperamentos dos indivíduos. Basta-nos pensar que cada um de nós é único, e não há dois indivíduos idênticos. Somos como as impressões digitais: todas parecidas, mas não iguais. Essa divergência de características morais, intelectuais, temperamentais, entre outras, cria barreiras entre indivíduos, mesmo quando se gostam, se simpatizam, se estimam.

Mas, onde houver respeito mútuo, haverá boas relações. Traçar uma linha divisória entre o que me devem e o que eu devo.

Na velhice, como em outra idade qualquer, existem problemas nas áreas de comunicação, de relacionamentos. Estes se agravam pela incompreensão, hostilidade, medo e revolta com que as pessoas adultas, os jovens e os próprios velhos encaram o envelhecimento. O fato é que, quando se vencem essas barreiras, e muitas são as pessoas que o conseguem, os grupos de relações e amizades, na família e fora dela, que não se impõem uma discriminação de idades, atam laços de profundo afeto, onde a interação se afirma entre pessoas de 8 a 80 anos.

É comum que isto aconteça nas sociedades e clubes de poetas, músicos, escritores e outras tantas atividades, artísticas ou não, nas quais um interesse comum é o núcleo em torno do qual todos se reúnem. Algumas sociedades culturais a que pertenço são exemplos frisantes dessa comunicação sem barreiras. Afinal a obra artística ou científica não se apresenta com rugas e pelancas.

No grupo familiar, o velho que não se deixa envenenar por sentimentos negativos de raiva, medo, revolta, intolerância, etc., mas, ao contrário, procure comunicar-se à sua volta, compreendendo e se fazendo compreender, pode marchar na vida galhardamente, até a mais avançada idade, sendo sempre querido e indispensável. E é assim que tantas pessoas de idade se sentem felizes, gozando a consideração e o carinho de seus descendentes. Não pela idade, mas apesar da idade, porque souberam preservar sua estima, porque sempre os respeitaram como pessoas, compreendendo seus direitos e aceitando seu modo de ser. "Os velhos morigerados, e tratáveis e humanos, carregam uma velhice tolerável; o caráter difícil e o amor rabugento são molestos em toda idade." - assim falou Cícero, o filósofo romano, o maior orador de sua época.

São as pessoas desprendidas de si que têm velhice exemplar. As outras, as egocentristas, as egoístas, têm, na medida de suas vaidades, a revolta, a inconformação que as faz exclamar: "Como é que pode? Eu também envelhecendo?" E essa concentração em sua aparência que o tempo altera, há de fazê-las infelizes, e por sua vez elas farão infelizes os que as cercam.

A característica mais importante que determina a personalidade normal é sua capacidade de adaptação ao meio e ajuste nas relações humanas. Também o grau de inteligência se mede pela melhor adaptação e aceitação das situações na vida.

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