quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Aqui tem história – Por Antônio Padilha


Antônio Padilha Alonso é jornalista e escritor. Há 40 anos ele pesquisa a história dos municípios e as publica em formato de livros e revistas. A primeira revista de sobre a história de Ibiporã foi lançada em 1983. Consta de sua autoria livros biográficos de Maringá, Londrina, Ivaiporã e de obras sobre o futebol no interior do Paraná. Um de seus livros é o “Inesquecíveis F. C.”, que registra informações e fotos dos grandes ídolos do futebol interiorano de todos os tempos. 

A comunidade japonesa em Ibiporã

Neste junho de 2018, comemoram-se no Brasil os 110 anos da Imigração Japonesa. Esses heróicos e destemidos imigrantes enfrentaram ao chegarem uma dura realidade, bem diferente das propostas. Como sacrifícios, suor e lágrimas, superaram as adversidades. Com o passar dos anos, os imigrantes transmitiram aos descendentes a necessidade de obterem a ascensão social. A grande preocupação dos pais passou a ser a de dar estudos aos filhos. E estes foram valorizando cada gota de suor derramado pelos pais no trabalho árduo para obterem os recursos necessários para o custeio dos estudos. E assim, de geração em geração foram avançando nos conhecimentos culturais, científicos e técnicos exigidos na evolução profissional. As comunidades japonesas deste imenso Brasil se orgulham dos profissionais que atuam com competência, responsabilidade e honestidade em tudo o que fazem. Em Ibiporã não é diferente, dos mais expressivos é o número de profissionais reconhecidos tempo pela alta capacidade.

Um pouco da história

O primeiro agricultor de origem japonesa formou sua propriedade na Água das Abóboras em 1934, foi Massayoshi Horikawa. Na sequência, entraram as famílias Shiguero Fuji, Hideo Fuji, Yasuro Ronden, Hideo Fuji e outros. O segundo núcleo foi formado na localidade Taquara do Reino, com as seguintes famílias: Seikino Fujioka, Shozo Hashimoto, Yagoto Adati e Shigueo Ishihara. Em 1938, foi fundada a Associação de Jovens da Água das Abóboras, tendo como presidente o jovem Terukio Horikawa. Em 1939, foi fundada a Associação de Jovens da Taquara do Reino, presidida por Yagoro Adati. Em 1941, foi criada a Associação Japonesa de Moradores (unificando Água das Abóboras e Taquara do Reino).
Em 1950, o pioneiro Hajime Nakamura, inicia o movimento que resulta na fundação da Associação Japonesa de Ibiporã, unificando as duas associações da área rural e a associação da cidade. O primeiro presidente foi Hajime Nakamura. Em 1952, foi fundada A Associação de Moços da Associação, presidida por Nobuaki Komura. Em 8 de novembro de 1953, surgiu a denominação ACEI (Associação Cultural e Esportiva de Ibiporã). Nessa data foi realizado o 1º Undokai e na sequência, em 6 de janeiro de 1956, era instalada a biblioteca. Em 1957 foi lançado o jornal Seinnen-kai (Ao Ba).
Em 1º de junho de 1957, ocorre a 1ª Exposição Agrícola de Ibiporã.
Em 1958, a primeira grande festa da comunidade em comemoração aos 50 anos de Imigração Japonesa no Brasil. O primeiro presidente com o nome ACEI foi Kansaku Shimomura, o segundo Sugeo Kataoka.
Em 1962, através do Decreto Lei 08/62, assinado pelo prefeito Gervásio Fernandes, a ACEI recebe o terreno para a instalação do campo de esportes e inicio da construção da sede. Em 6 de janeiro de 1964, a ACEI recebe a escritura pública. Em 15 de fevereiro de 1966, o professor Keitaro Ampo, inicia as aulas de língua japonesa na escola da associação.
Em 1967, a ACEI doa um jardim japonês para o município (gestão do prefeito Ciro Ibirá de Barros). Em 1968, ampliação da sede na gestão do presidente Katsuhiko Kono. Em 8 de agosto de 1968é eleita a Miss Acei, a jovem Hideko Noda. Em 1º de agosto de 1971 é inaugurada a nova sala de aula, com a professora Eiko Sakamoto.
Em 15 de setembro de 1975, a realização do 1º Bom Odori.
Em 20 de setembro de 1975, a inauguração da cancha de futsal.
Em 8 de junho de 1976, a honrosa visita do Embaixador, Kenzo Yamashita.
Em 12 de setembro de 1977, a inauguração da cantina da Sede Social.
Em 15 de fevereiro de 1978, a fundação do Fujin-Kai (Associação de Senhoras), tendo como presidente Hissako Okamoto.
Em 20 de fevereiro de 1978, jantar de despedida do estimado Juiz de Direito, Hiroshi Endo.
Figuras de realce na história: Kansaku Shimomura foi comerciante (Casa da Lavoura), radialista de programas nipônicos, vereador e presidente da Câmara dos Vereadores. Contabilista da Prefeitura por mais de 20 anos, foi responsável pela co-irmandade de Ibiporã com Aso (Kumamoto-Ken).
Kanemitsu Hisashi Kazahaya foi presidente da ACEI, ACEIBI e comerciante (Casa Kasahaya).
Luiz Karimata é médico veterinário, foi professor da UEL e da Escola Agrícola Manoel Ribas. Vereador por 25 anos, ele também presidiu a ACEI por quatro gestões.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Maio de 68 completa 50 anos (Por Aldo Moraes)


“E eu digo sim/E eu digo não ao não/E eu digo: É proibido proibir” (trecho da emblemática canção de Caetano Veloso, inspirada nos gritos de maio de 68, em Paris)”
Há exatos 50 anos, em maio de 1968, o mundo era sacudido por manifestações estudantis que se desdobraram por vários países adequando os gritos em torno de cada realidade e transformando os rumos da sociedade, da política e da cultura. Além da França, Estados Unidos, Alemanha, Tchecoslováquia, México e Brasil tiveram manifestações.
Tudo começou com uma grande onda de protestos que teve início com manifestações estudantis para pedir reformas no setor educacional na França. O movimento cresceu tanto que evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou o governo do então presidente, Charles De Gaulle.
Uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima à capital, fez que em 2 de maio de 1968, a administração decidisse fechar a Universidade e ameaçando expulsar vários estudantes acusados de liderar o movimento contra a instituição. As medidas provocaram a reação imediata dos alunos de uma das mais renomadas universidades do mundo, a Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu os estudantes com violência e durante vários dias Paris virou cenário de batalhas campais. A reação brutal do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês anunciou seu apoio aos universitários e uma influente federação de sindicatos convocou uma greve geral para o dia 13 de maio. No auge do movimento, quase dois terços dos trabalhadores cruzaram os braços. Pressionado, em 30 de maio De Gaulle convocou eleições para junho.
Maio de 68 foi um momento importante na luta pela liberdade e pelos direitos humanos e repercutiu com obras no cinema (como o filme Baiser volés, de Truffaut; Mourir d’aimer, de André Cavatte e Tout va bien, de Godard, para citar alguns exemplos); na música (a letra de Street fighting man, dos Stones fala dos protestos na visão da sonolenta Londres; Sinfonia de Luciano Berio inclui slogans gritados nas passeatas; Vangelis lançou álbum em 1972 que continha áudios das manifestações e transmissões de rádios) e na literatura, o livro The Merry Month of May (1971), de James Jones, conta a história de um expatriado norte-americano que se vê acidentalmente em meio aos protestos.
No Brasil, em plena ditadura militar, o clima social já vinha tenso e em março de 1968, o estudante Edson Luis de Lima Souto foi morto com um tiro, no prédio da UNE, no Rio de Janeiro, durante conflito de universitários com a polícia militar. Em abril, uma bomba destrói a entrada do jornal O Estado de São Paulo e em 15 de maio, outra bomba explode na porta da Bolsa de Valores de São Paulo.
No campo cultural, em 1967 os festivais de música retratavam a política e as novidades estéticas e se consolidam como movimento a partir do lançamento do disco Tropicália (Caetano, Gil, Tom Zé, Mutantes) no ano seguinte. Vaiado com É proibido proibir, Caetano faz um discurso indignado (“É essa juventude que quer tomar o poder?”) e tem os microfones cortados. Duas das fontes de inspiração para o Tropicalismo, o filme Terra em Transe, de Glauber Rocha, e a peça O Rei da Vela, montada por Zé Celso Martinez, são de 1967. Em janeiro, estreou a peça Roda Viva (de Chico Buarque), também com direção de Zé Celso Martinez, cujo elenco é agredido em julho de 68.
“1968, o Ano que não terminou”, de Zuenir Ventura é um dos livros que retratam esse período junto com “1968 - o Diálogo é a Violência: Movimento Estudantil e Ditadura Militar no Brasil”, de Maria Ribeiro do Valle e “Em Busca do Povo Brasileiro - Artistas da Revolução, do CPC à era da TV”, de Marcelo Ridenti. O ano termina com vaias à canção Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, e com Geraldo Vandré torturado e perseguido pelo sistema.


Jataizinho amplia para 95% o serviço de coleta e tratamento de esgoto

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Jataizinho (SAAE) ampliou a rede coletora de esgoto em mais 875 metros lineares. A obra executada na Rua Caetano Munhoz da Rocha, paralela a BR 369, vai do Viaduto até o fim da Rua Piquiri. Ela absorveu 70 novas ligações e amplia para 95% a taxa de coleta e tratamento de esgoto na cidade. Segundo a Diretora Presidente do SAAE, Miriam Tarosso, há uma cobrança do Ministério Público em relação ao saneamento. “Coleta e tratamento de esgoto representam melhores índices na saúde pública. Jataizinho é privilegiada ao alcançar os 95%. Muitas cidades buscam estes números. Nós alcançamos e temos a meta de chegar a 100%. Os 5% restantes estão no Conjunto Vista Bela, que aguarda a documentação para começar os estudos de ampliação de rede. Após isto, o desafio está em algumas chácaras às margens do Rio Tibagi”, salienta. Ela também parabeniza o trabalho da prefeitura, que teve dificuldades referentes à documentação e quanto a derrubada de uma chaminé, que posteriormente os donos do terreno autorizaram o serviço e a passagem da rede.
A Diretora Presidente do SAAE observa que a rede de esgoto valoriza os imóveis, além de eliminar o esvaziamento de fossas, algo de elevado custo. “Saneamento é saúde e nas fossas encontramos ratos, baratas, cobras, bactérias e demais situações que ocasionam doenças. Localidades que não tem esgoto tratado podem ter dificuldades ligadas à saúde da população”, cita.
O SAAE ressalta que ao implantar o esgoto, a população não deve jogar óleo na pia da cozinha e lixo na patente, como absorvente, palito, fralda, papel higiênico e demais objetos. A rede é dimensionada para água e ao jogar objetos estranhos no esgoto, o morador e seus vizinhos são penalizados devido os entupimentos. “Caso haja irregularidades na ligação, o morador deve ligar na Prefeitura para normalizar. Quanto às dúvidas, elas podem ser esclarecidas no telefone 32591172, onde o atendimento de 24 horas por dia. Destinar corretamente o lixo é um exercício de cidadania, bom senso e reflete valores morais”, pontua.



A veracidade da vida e morte de Frei Timóteo pode ser comprovada perante documentos como registro e certidões lavradas em cartório, como por exemplo, o registro de óbito do próprio Frei Timóteo. O texto, manuscrito do original, que se encontra em Cartório de Jataizinho, é possível observar a grafia e a etimologia do português referente ao fim do século 19. É importante ressaltar, que a transcrição do registro se encontra na linguagem original.
                                             
Francisco Alves da Silva       
Nº 33
            Aos vinte e um dias do mez de Maio de mil oito centos e noventa e cinco, nesta Freguesia do Jatahy. Districto de Juízes Districtal do Jatahy. Municipio de Tibagy. Estado do Paraná, compareceu em meu cartório Ezequiel Jose Pires Martins Ferreira, casado com quarenta e sete annos de idade residente em São Pedro de Alcantara e, declarou que no dia desoito do mesmo mes e anno pelas cinco horas da tarde falleceu em São Pedro de Alcantara, Frei Thimoteo de Castello Novo, com setenta annos, mais ou menos de idade: deixa de dar nomes de pai e mãe; por falta de conhecimento. A morte foi de Bronchite cronica, e foi sepultado e reverenciado Frei no capelão desta Freguesia. E por mim lavrei este termo e com que commigo assigna o declarante. Eu, Manoel José de Ramos, escrivão interino escrevi.

Escrivão interino do Juiz Districtal
Manoel José de Ramos
Ezequiel J ͤ. P. Martins


SAUDAÇÃO AO FREI TIMÓTEO


Ó Frei Timóteo, vulto venerado
Que as capuchinhas hostes viestes ornar!
Só não terás humanas loas, quando
O dia eterno a todos aclarar.

Eu Te Saúdo, filho genuíno
Do Rouxinol da lírica de Assis
“Da vida toda a Deus fizestes o hino,
Amaste ver o próximo feliz”.

Eu te saúdo, herói dos bandeirantes
Sumido nos sertões da Vera Cruz,
Buscando não safiras, mas diamantes...
Mas, almas para o reino de Jesus.

Eu Te saúdo, arauto do Evangelho
Na trajetória rubra de teus pés!
Do amor e do martírio cais no prélio
Mas vives de teus feitos através...

Eu Te saúdo, Apóstolo do selvagens
Raptado à galeria dos heróis
Do Paraná - criança, ilustres pajens
Da fé do pátrio amor, gentis faróis!


Eu Te saúdo, em nome das florestas,
Das águas e planaltos e alcancis
Que viram na mudeza de horas mestas
A luz e teus sorrisos de rubis!

Eu Te saúdo, ó pai dos Coroados
A quem levaste o verdadeiro Deus!
Os dias do degrêdo são passados...
Descansa “Coroado” lá nos céus!

Padre Frei Rufino M. de Varginha
Capuchinho

O Cemitério Frei Timóteo

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Youssef El Kadri, administrador do Cemitério Frei Timóteo, em Jataizinho, cita que os restos mortais de Frei Timóteo estavam enterrados desde 3 de agosto de 1895 na capela da fazenda de Antonio Ciappina, localizada na margem esquerda do Rio Tibagi, numa área pertencente à Ibiporã. Questionado se o frei deixou parentes no Brasil, El Kadri não soube dizer, porém afirmou ser constante a visita de fiéis, pioneiros e indivíduos que procuram manter a lembrança de Frei Timóteo. “Há relatos que a professora Adélia Antunes providenciou o traslado dos ossos em 1940 para o atual cemitério, criado em 1939. O túmulo do Frei Timóteo foi pago pelo ex-prefeito Antônio Brandão de Oliveira, sendo que ele também colocou o busto em bronze na praça, em frente à igreja. O local, ponto de encontro e de festas, também leva o nome de Frei Timóteo. Ambas as situações aconteceram em meados dos anos 60. Após a criação do cemitério, muitas famílias enterraram os restos mortais de pioneiros que estavam sepultados em propriedades rurais”, declara.
El Kadri trabalhava no ramo funerário desde 1971 em Ibiporã, quando em 1981 recebeu o convite do ex-prefeito Evilásio Rangel Cordeiro para prestar o serviço na cidade. Já em 1970 a situação era caótica e o local não comportava o sepultamentos. Os terrenos e as ruas eram desalinhados, não havia jazigos para sepultamento, ossuário, banheiro e capela. O prazo da exumação vencia e os corpos não eram retirados das covas. Por conseqüência os novos enterros eram sobre os existentes. Há muitos sepultamentos repetidos e alguns caixões estão próximos ao solo. Com a reorganização entre 1998 a 2013, foram realizados todos os alinhamentos possíveis e construídas 58 ruas, calçadas, implantada a energia elétrica, vinte torneiras, capela, banheiro e ossuário de 32 metros com separação e classificação de ossos. Há cerca de 50 terrenos ocupados de forma rotativa e uma fila para comprar jazigos, porém isso não é permitido e o comercio de túmulos ocorre somente em caso de morte. “Fui convidado pela Câmara Municipal para dar sugestões. É impossível construir outro cemitério devido questões ambientais. O município é cercado por rios e deve-se preservar o solo e os lençóis freáticos. Além disso a construção de um novo cemitério tem custo elevado, como preparo de subsolo, terraplanagem e depósito de lixo”, diz El Kadri, que catalogou quase todos os sepultamentos. No entanto, os mais antigos não estão registrados, pois no passado os falecidos eram sepultadas em locais diferentes, como propriedades rurais. Hoje são mais de 7428 sepultamentos ordenados desde 1964.
Em busca de uma solução, o prefeito Dirceu Urbano cita que há desde 2016 a intenção de ampliar o espaço. Ao procurar documentos para entregar ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná) no intuito de fazê-lo, descobriu que o terreno de 12798m² era do Estado do Paraná. “Juntamos a documentação e reivindicamos o terreno, que foi cedido no final de 2107. Em breve será construída mais uma capela, duas salas de velório e ampliaremos em mais 470 metros o local para edificar novos túmulos. Uma das possibilidades é usar o terreno ao lado, hoje pertencente à rodoviária”, cita o prefeito, que comemora a conquista para Jataizinho.


Para comemorar os 123 anos da morte de Frei Timóteo, a Paróquia Imaculada Conceição, junto com Prefeitura de Jataizinho e a Rádio Comunitária Nova Geração, fizeram diversas atividades, como a revitalização do Distrito de Frei Timóteo, a edificação de um mausoléu e uma capela onde estão os túmulos da pioneira Adélia Antunes e dos padres José Cerdan e Frei Timóteo. O padre José de Lima, atual pároco do município, tenta manter presente na memória de Jataizinho a figura ilustre do Frei Timóteo.
Nascido na Itália, em Castelnuevo Magra, no dia 6 de fevereiro de 1823, Frei Timóteo foi ordenado sacerdote em 18 de janeiro de 1848. Em 16 de janeiro de 1851 ele chega ao Brasil, no Rio de Janeiro. Na época a capital do Império era aturdida por um surto de febre amarela e o Frei Timóteo assistiu aos doentes no lazareto de Santa Izabel até 22 de agosto de 1952. Neste ano, o bispo de São Paulo, Dom Antônio Joaquim de Mello, ao conhecer os dotes sacerdotais do frade, pediu-o para lhe ajudar na diocese, onde foi pároco de Santa Bárbara e Monte Mór. Somente em 6 de dezembro de 1854 que ele chega a Jataí, onde se dedica a catequese dos índios até 18 de maio de 1895. Há cerca de 123 anos, após ter vivido meio século no Brasil e governado no Paraná o aldeamento de São Pedro de Alcântara por 40 anos, 5 meses e 12 dias, o frei veio a falecer.
Padre Lima ressalta que Frei Timóteo tem muita importância na questão dos aldeamentos indígenas e na Colônia Militar do Jataí. Os índios catequizados faziam diversos trabalhos relacionados à edificação da colônia, na agricultura, além de serem exímios canoeiros que transportavam mantimentos, viveres, armas e soldados, principalmente para as batalhas da Guerra do Paraguai, entre 13 de dezembro de 1864 a 1º de março de 1870.
Desde quando chegou a cidade, o padre Lima estuda a vida de Frei Timóteo. Ele cita que o povo carrega muitas histórias e há documentos, não apenas aqui, mas também no Rio de Janeiro, que comprovam a veracidade do Frei na região. “Essa história, vivida na comunidade deve ser valorizada por conta de Jataizinho ser o berço da colonização do Norte do Paraná. O potencial para o turismo é grande, não apenas no aspecto rural e ecológico, mas porque não o religioso, como acontece nas rotas religiosas e santuários da região? Há uma dimensão mística e religiosa a partir dos santuários e peregrinações. E, para se criar algo de novo, não basta apenas vocação, mas também atitude. Muitos religiosos visitam o túmulo de Frei Timóteo, sendo que os fiéis demonstram uma crença muito grande e, por isso o sonho de fazer o mausoléu e a capela, de modo simples, mas para homenagear o Frei, além de ser um local onde a população visite nossos intercessores Adélia Antunes e José Cerdan, que muito rezavam em vida e porque não, ainda rezam e intercedem por aqueles que aqui estão conosco”, afirma.
É importante citar que Frei Timóteo ajudou a construir nossa comunidade religiosa. Após ele vieram os padres José Cerdan, Frei Jerônimo, além dos bispos Sérgio e Donizete, antigos párocos em Jataizinho. Padre Lima, como sacerdote, leva em consideração o patrimônio da paróquia no sentido de valorizar a comunidade e assim ter mais efeito o trabalho de evangelização. “Celebrar Frei Timóteo não é apenas relacionado ao âmbito religioso, mas representa a cultura do município”, pontua.  


A influência africana no português brasileiro (Por Aldo Moraes)


Por cerca de três séculos, estima-se que mais de cinco milhões de homens, mulheres e até crianças africanas foram retirados à força de suas famílias, atravessaram o Oceano Atlântico em navios negreiros e viraram escravos em solo brasileiro. Oficialmente, a escravidão só terminou quando a Lei Áurea foi publicada em 13 de maio de 1888. A imigração forçada obrigou os africanos a adotarem o Brasil como nação.
A proveniência dos escravos percorria toda a costa oeste da África, passando por Cabo Verde, Congo, Quíloa e Zimbábue. Dividiam-se em três grupos: sudaneses, guinenos-sudaneses muçulmanos e bantus. Os sudaneses dividiam-se em três subgrupos: iorubas, gegês e fanti-ashantis e seu destino geralmente era a Bahia.
Já os bantus, grupo mais numeroso, dividiam-se em dois subgrupos: angola-congoleses e moçambiques e tinha como destino Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo. Os guineanos-sudaneses muçulmanos dividiam-se em quatro subgrupos: fula, mandinga, haussas e tapas. Também tinham a Bahia como destino.
Assim em constantes atos de resistência e adaptação, o negro preservou e fundiu sua tradição religiosa, cultural e hábitos sociais com a dos portugueses e dos indígenas. Isso contribuiu com a língua falada no Brasil, na culinária, música, dança e religiosidade. De Norte a Sul, o uso da língua mostra que a influência africana é muito presente e ao mesmo tempo natural.
Para termos uma idéia sobre o reconhecimento desta contribuição, em 1789, no primeiro dicionário do idioma português, o autor Antônio Morais e Silva já identificava várias palavras de origem africana, como batucar, cafuné, malungo e quiabo, então de uso corrente entre os brasileiros.
Em 1933, um jovem chamado Renato Mendonça, publica “A influência africana no português do Brasil”, que surpreende por examinar 350 palavras de origem africana no uso do português brasileiro. A influência africana enriqueceu a fonética, a semântica, a morfologia e o ritmo das frases, fundamental para uma língua genuinamente brasileira. Ao longo do século XX, a sociologia fundamentou o alcance do africano na vida brasileira e o livro “Casa Grande e Senzala” (Gilberto Freyre) é um bom exemplo disso.
Há também pratos deliciosos e típicos da culinária nacional que tem sua origem na África, como o abará, vatapá (ambos de origem iorubá), acarajé (no continente africano é conhecido como akara, e especificamente no norte da Nigéria é chamado de kosai. No Gana, por sua vez, a iguaria é conhecida como koose), angu (vem da palavra àgun do idioma africano fon da África Ocidental, onde a palavra se referia a uma papa de inhame sem tempero) e caruru, considerado um prato afro-indígena, pois "Caruru" procederia do termo africano kalalu. Outra possibilidade é que seja substantivo de etimologia tupi, caá-riru, a erva de comer.
Termos tão utilizados na música nacional como agogô (sino em iorubá); atabaque; batuque (termo africano do landim batchuque); berimbau (de origem bantu); ganzá ou canzá valorizam nossa identidade cultural, seja na linguistica como em nossos ritmos.
Outras palavras e expressões tão comuns no dia a dia como canga, bunda, cachimbo (do quimbundo kixima), caçula (do quimbundo kazuli, o último da família), quitanda; samba, xingar, zebra e moleque (do abundo muleque, menino) são de origem africana e mostram como a influência negra foi decisiva quando ao se integrar aos vocábulos português e indígena, ajudou a formar a imensa diversidade e riqueza cultural do Brasil.




O Distrito de Frei Timóteo, em Jataizinho

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Ao abordar a localidade Frei Timóteo do passado, não se pode esquecer o presente e das pessoas que lá vivem como Evanir Neves Moreira, de 79 anos. Nascida em Tomazina, no Rio Grande do Sul, quando ela tinha 14 anos, seu pai, José Neves, chegou a Jataizinho para trabalhar como lavrador num carro de boi, indo depois viver em Frei Timóteo. Na época, Evanir e a família plantavam café, algodão, arroz e milho. Posteriormente conheceu Afonso Pereira, aonde vieram a se casar. “Em meados de 1953 Frei Timóteo era um distrito com uma população razoável, sendo que havia a possibilidade de Jataizinho ter estabelecido seu núcleo populacional aqui. O distrito era desenvolvido e possuía máquina de arroz, cartório, campo de futebol, farmácia, muitas casas e comércios variados, como por exemplo, a venda e o açougue administrado pela família de Afonso Pereira. A estação de trem, que ainda existe, funcionava com transporte de cargas e passageiros, fazendo o percurso de Ourinhos a Londrina, sendo este o deslocamento usual na época para Ibiporã e Jataizinho. Era comum andar de trem e esse transporte era melhor do que o ônibus, raros na época. Quando instalaram uma linha de ônibus, ela fazia o percurso de Jataizinho a Uraí”, relata.
Apesar do tempo, ainda persiste na memória de Evanir Neves a igreja católica, que era grande e estava onde hoje é um morro coberto de árvores, na parte oposta a estação de trem. Não apenas a igreja ficava no local, mas parte da antiga localidade de Frei Timóteo. Nesta da igreja havia muitas festas num período que a eletricidade não era tão acessível como hoje. A iluminação era abastecida por geradores e quando acabavam as festas, desligavam-se as máquinas e todos ficavam no escuro.
Outra memória de Evanir Neves foi o antigo cartório, que estava na fase final, mas registrava casamentos, óbitos e nascimentos. Apesar de encerrado, toda a documentação existe e se encontra guardada no Cartório de Jataizinho, localizado na Avenida Presidente Getúlio Vargas. Foi neste período áureo, que os irmãos Amador tinham uma farmácia e seu marido comprou, de um japonês, o terreno onde a família vive até hoje. “Havia no terreno muitas casas de madeira, especificamente de peroba. Entre as casas havia a igreja evangélica Congregação Cristã do Brasil, que funcionava desde quando eu tinha 14 anos. Já a igreja católica, algo inusitado aconteceu: ela foi retirada do morro e colocada próxima a estrada. Ambas eram muito freqüentadas”, cita.
Em meio aos acontecimentos, um fato marcou o distrito: um assassinato movido pela paixão. Evanir recorda que moravam na localidade dois policiais e uma família, onde existiam duas irmãs gêmeas de 15 anos, sendo uma delas muda. “Um destes policiais começou a namorar uma das gêmeas, a que não era muda. No entanto houve uma discussão em Frei Timóteo e os policiais bateram muito num cidadão. O pai, que ficou chocado com tamanha agressão, decidiu se mudar. Mas, de madrugada, o policial pulou a janela do quarto e matou a garota muda, pensando que fosse a namorada. O assassino desapareceu e nunca mais se teve noticias dele. Esta é uma história triste, presenciada por todos de Frei Timóteo e que talvez marque o inicio em que a população começou a abandonar a localidade”, lamenta.
Sirlene Moreira, um dos onze filhos de Evanir Neves se recorda do acontecimento. Atual presidente da localidade, ela atua como agricultora, comerciante do bar local e também é pescadora. “Na região moram em torno de vinte famílias, sendo que a maior parte trabalha em Londrina. Quem vive aqui na área rural trabalha mesmo com agricultura ou criando pequenos animais como porcos e galinhas”, diz Sirlene, que se orgulha em atuar como pescadora profissional. “Eu e meu ajudante vamos de carro a Represa da Água Doce em Sertanópolis, onde pescamos de rede ou de vara com molinete. Quanto aos peixes, eles são vendidos aqui mesmo na localidade”, diz Sirlene. Apesar dos 50 anos, ainda paira em sua memória os jogos de futebol, onde havia um time exclusivamente feminino e as festas da igreja católica, que distribuía muitos prêmios, como as três bonecas que ela ganhou do saudoso Antonio José Vieira.

Em relação a estação de trem, em Frei Timóteo, ela foi inaugurada em 1932, sendo parte da Estrada de Ferro São Paulo – Paraná. Ela foi comprada pelos ingleses da Cia. de Terras do Norte do Paraná. Isto se comprava através da imagem onde está escrito P & W MacLellan, a empresa que construiu a ponte próxima a Estação de trem de Frei Timóteo. P & W MacLellan era um importante empregador do trabalho em Glasgow, no Reino Unido, com um próspero comércio de exportação. Fundada em 1811, a empresa passou por uma grande expansão em 1871 com a inauguração da Clutha Works na MacLellan Street, em Kinning Park. Clientes de seus produtos, muitos dos quais sobrevivem hoje, como em Jataizinho, foram encontrados em todo o mundo e não se limitaram ao Império Britânico. A empresa finalmente parou de negociar em 1979.


A prática da autoridade e respeito na educação dos filhos é fundamental numa sociedade. Conforme Zygmunt Bauman, as relações são “liquidas”, ou seja, não tem muitas bases e estruturas, sendo as incertezas e angústias muito próximas dos anseios e expectativas das futuras gerações.
Cabe a família internalizar, através da educação, diálogo e bons exemplos, valores sociais e morais que levem em consideração o respeito e comprometimento para agregar à ética, no intuito da criança conhecer regras e normas estabelecidas nas relações sociais e no convívio com pessoas fora da relação familiar, como na interação social da escola, clube ou comunidade. O papel de ensinar e impor autoridade a transformará num adulto consciente que respeite os semelhantes, além de criar possibilidades de maior sucesso devido à maior compreensão e interpretação de normas e padrões sociais vigentes.
Por fim, entende-se a autoridade e o respeito como fatores de sociabilização. A escola, apesar do papel formal que cumpre, não pode exclusivamente exercer o tal ação, sendo que os pais têm fundamental importância na formação do caráter, algo ligado ao respeito, moral, ética e valores.