domingo, 14 de junho de 2015

Núcleo Setorial de Assessoria de Imprensa.

          A idéia do Núcleo Setorial de Assessoria de Imprensa surgiu no ano passado em Santa Catarina. A princípio, a jornalista Andréia Monclair, da ALIA Comunicação, que participou de várias reuniões, diz que o foco da assessoria está no rádio, televisão e nos veículos impressos. Até um certo período, não se sabia o que era assessoria, eram poucas as universidades que ofereciam a disciplina e quando as empresas se formaram, foi quando muitos profissionais experientes saíram da mídia diária e migraram para as assessorias. 

          Hoje, em Londrina, 40% da categoria trabalham ou possuem uma empresa de assessoria. No Brasil, o número de profissionais pode chegar a 1/3. Apesar do aprimoramento ser caro, o projeto surge para cobrir as vagas no mercado de trabalho e com a intenção de gerenciar negócios através da apresentação de um plano de comunicação para as empresas e também fortalecer a categoria na discussão de pisos e mercados. Monclair afirma que o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio ao Empreendedor), criou o projeto Empreender, que dá estrutura de cursos e capacitação para diversas profissões, convida para discussões. 

          O Núcleo Setorial de Assessoria de Imprensa de Londrina surgiu em abril deste ano e conta com 17 jornalistas, além de receber convidados para as reuniões, dois treinamentos e pretende montar um grupo de mídia trainee. Outra medida foi o levantamento das empresas que possuíam assessorias, através destes dados, foram distribuídos questionários para pesquisa. O resultado foi que a comunicação das empresas com a mídia e o mercado vêm crescendo e muitos empreendedores e empresários viram a necessidade das suas empresas criarem contatos. Com o princípio de que o jornalismo de redação é diferente das assessorias de comunicação e que o jornalista não pode ser o porta-voz da empresa, mas sim atribuir esta atividade a algum diretor, Monclair afirma que a assessoria deve ser ética e manter os princípios do jornalista, sendo que a transparência é o princípio básico para a construção da rede.

40 anos de jornalismo.

          Quem é de Londrina já ouviu falar no jornalista Nelson Capucho, profissional há 30 anos e aluno da 1ª turma de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina, onde pode escrever no antigo Panorama. Jornalista, poeta e escritor, Capucho editou o bem humorado “O Popular”, coordenou a 1ª campanha política de Nedson Micheletti à Prefeitura de Londrina e hoje edita o site de notícias Londrix. Muito experiente, Capucho lembra que José Trajano foi seu primeiro editor, quando fechavam o jornal, iam tomar cerveja e voltavam para pegar a edição “quentinha”. A partir da experiência da observação da competição entre os jornais, ele descobriu que o leitor gosta de ter as notícias o quanto antes em suas mãos, entretanto, apesar desta ânsia, os jornais, a cada ano, vêm perdendo público e a tiragem vêm diminuindo.

          Sua peculiaridade em contar os fatos é tão grande, que ele se lembra que a cobertura esportiva, hoje feita com auxilio de rádio, televisão e internet, não era nada parecida com a de hoje. Nos domingos, quando havia partidas de futebol, a cobertura era feita somente com um repórter, um fotógrafo e o motorista, que se deslocavam longas distâncias para cobrir o furo. Em relação a literatura e a poesia, começou a escrever e a mostrar aos amigos, até que publicou o livro “Vida Vadia”. Com a busca da inspiração através de pequenos fatos, desenvolveu matérias que tiveram muita repercussão na cidade, como a estória da “Loira do banheiro”, na UEL, o do “Chupa-cabra”, que chupava o sangue dos animais. Porém, uma das que mais marcou sua carreira foi a do “Lobisomem do Jardim Tókio”, que povoou a imaginação popular durante muito tempo.

          Como correspondente do jornal carioca “O Globo”, cobriu junto com José Maschio, da Folha de São Paulo, o seqüestro de duas moças em Minas Gerais e que teve o desfecho na barreira de São Paulo com o Paraná, no Rio Paranapanema. Ainda neste período, acompanhou o assalto a uma agência do Banco do Brasil em Goioerê, na época em que surgia o laptop. Seu empenho foi tanto, que foi surpreendido pelos ladrões, que o intimidaram quando fazia um link de um orelhão (Capucho ligou para o banco, quando o assaltante atendeu, mandou desligar porque a linha seria usada para as negociações).

          Mas a fase que mais lhe marcou foi quando fundou o jornal “O Popular”, quando saiu da Folha de Londrina. Capucho percebia que as classes mais baixas não liam jornal porque pouca coisa lhes interessava. A partir desta idéia, criou um novo formato, mais “pop”, que ia de encontro com a linguagem popular. Na época o jornal fez muito sucesso e era bem aceito. Entretanto, Capucho afirma que o jornal foi prejudicado por não ter um Departamento Comercial organizado, apesar disso, em um ano e nove meses que circulou, “O Popular” passou de “pop” para “cult”, com circulação de 5000 exemplares, em 8 a 12 páginas nas sextas-feiras. Sua equipe era formada por jornalistas como Rodrigo Souza Grota, Loriane Comelli, Cláudio Yuge e Arthur Boligian, que hoje dirige a “Folha Norte”. Eles se reuniam na redação aos sábados de manhã para discutir as pautas e durante a semana produziam o jornal. Durante o período, Capucho não foi processado, mas se lembra de uma determinada vez em que Jaime Lerner, ex-governador do Paraná, veio a Londrina inaugurar uma obra. Grota fez várias perguntas sobre diversos escândalos, até que Lerner o expulsou da sala e disse “Fecha a porta Rafael”, referindo-se ao ex-vice Governador Rafael Greca. A frase teve tanto impacto, que foi a manchete da semana. 

          Hoje, Capucho é editor da Londrix, empresa que presta serviços de comunicação para a Sercomtel, antes dirigido por uma empresa de Curitiba. Com uma equipe composta por sete pessoas, a Londrix tem capacidade para montar uma webtv. O sucesso do site é tanto, que ele afirma que muitas pessoas copiam notícias da agência. Capucho encerrou dizendo que além da agência, ele se dedica a escrever mensagens para celular, que chegam a ter no máximo 148 caracteres.

Presentes no Paraná, índios Kaingangs ainda resistem a ocupação dos não índios.

Operário das Letras: Como você observa a Cultura Kaingang hoje:
Aparecido Marcolino: A Cultura Kaingang perdeu muito devido à civilização branca. Eles ainda trabalham na agricultura, mas devido à ocupação das terras pelos não índios, a sociedade se misturou e houve uma perda grande. Porém, as lideranças indígenas mais jovens, resgatando a cultura. Sou um deles e coordeno o Resgate, um projeto que resgata o que foi perdido através de constantes rupturas.

OL: Como é ser Kaingang?
AM: Kaingang é uma tribo e o nome significa índio. Também somos denominados “Coroados”. Se vejo um índio guarani, na minha língua afirmo que ele é um kaingang, ou seja, um índio. Tenho orgulho e não vergonha de ser indígena.

OL: O que é feito para o resgate da cultura indígena e como é a recepção?
AM: Procuramos os mais velhos para nos ensinarem o fazer o correto. Eles a conhecem. O aprendizado da cultura oral é transmitido às crianças e geralmente elas são convidadas para se apresentar em diversos lugares. As crianças sabem dizem o que representa aquilo que fazem.

OL: Como é a agricultura hoje?
AM: A fartura que existia há anos, não há mais. Os exemplos são as caças e a pesca. Plantamos arroz, feijão, mandioca e milho. Ainda não plantamos soja, mas estamos nos adaptando às novas tecnologias.

OL: Qual é a relação do índio com a soja?
AM: Estamos aprendendo o cultivo. Temos índios aprendendo e se dedicando aos estudos da soja. Em alguns anos ela fará parte de nossa economia.

OL: Como é tratada a questão das terras indígenas?
AM: Quando alguém me faz esta pergunta fico pensando. Pela lei, fizeram um decreto em 1775 que nos denominam povos indígenas. Após este decreto, fomos classificados como invasores de terras. Suponhamos que índio invada essas terras? Ele invadiu o que era dele já. No entanto não fazemos isto. Estamos tentando descobrir o que foi perdido. Quem sabe daqui alguns anos, resgatamos o que se perdeu. Lutamos por isto. Os índios de hoje são diferentes daqueles do passado, pois freqüentam universidades e estão inseridos em diversos ramos, como direito e política.

Adriano Francisco da Cruz faz estagio voluntário na Ação Social de Londrina. Ele desenvolve um projeto que atende a população Kaingang do Apucaraninha.

OL: Como é trabalhar com os Kaingangs?
Adriano Francisco: É uma experiência boa por eu ser aluno de Ciências Sociais. A antropologia estuda os povos indígenas, mas teoricamente. Quando se une a teoria, associada a trabalhos etnográficos sobre a comunidade indígena e se começa a conviver, seu conhecimento é enriquecido através da junção prática e teoria. A partir do contato com os não indígenas, se observa inúmeras teorias clássicas indígenas. Vejo mudanças e a questão da resistência indígena. Aparente eles afirmam que deixam de ser índios, ao mesmo tempo que resistem à mudança. A resistência está presente no fato da cultura ser dinâmica e cada vez mais recria as formas tradicionais no presente. A junção da teoria com a pratica é pura antropologia.

OL: Como o kaingang faz isso?
AF: A língua é um exemplo, onde a usam na Reserva do Apucaraninha. Eles são bilíngües e tem a preferência pelo kaingang. Coordeno a escolinha de futebol, feita no intuito de prevenir o alcoolismo, situação grave nas terras indígenas. Quando participamos de campeonatos e há torcida presente, eles se comunicam em kaingang. Isto ocorre entre os jogadores. Isso é bem forte. Há outras situações que se deve observar antropologicamente. O futebol é o maior exemplo: ao jogar futebol, ele reforça sua cultura, afirmado ser kaingang.

OL: Como é o kaingang?
AF: A condição é crítica devido não possuírem os recursos de antigamente. Então, vivem na miséria por falta de alimentos. Muitas desejam obter uma televisão, porém não tem apego ao material. O que se nota é a questão familiar, muito forte entre eles e o fato de nunca negarem alimento. Por mínima que seja a alimentação que possuem e por mais miseráveis que estão neste sentido, sempre que houver uma refeição eles convidam outros afim de compartilhar. São costumes tradicionais que mantém os laços de família. Este não apego aos bens materiais é que determina a cultura.

OL: Como fazem para sobreviver?
AF: Vivem da agricultura de subsistência, pensões, aposentadorias e venda de artesanato, sendo que a maior renda vem deste último. Alguns trabalham na FUNAI e FUNASA. Porém, mesmo sendo funcionário da FUNAI, tem uma família grande para sustentar, cerca de dez a quinze pessoas.

OL: Há estimulo para o crescimento da população indígena?
AF: Há cinco anos existiam cerca de 750 pessoas nas terras indígenas do Apucaraninha. Hoje são mais de 1500. O agravante é que a maior parte são crianças. A Marlene de Oliveira, que atua na Secretaria de Ação Social, desenvolve ações coordenadas para dar suporte a estas crianças. A escola é um exemplo, onde fazem a educação conforme a cultura kaingang. Os professores são índios e há duas não índias, mas que são bilíngües. Quanto à questão de saúde há acompanhamento pelas Unidades Básicas de Saúde e consultas todos os dias. Um dentista, um médico, uma enfermeira e três auxiliares de enfermagem vão à reserva, além dos agentes de saúde indígenas, que acompanham as crianças. Ainda existe o alcoolismo, onde se aplica, nas escolas, para alunos e professores, oficinas, folders, cartilhas e palestras. A escolinha de futebol é um grande começo.

OL: Como é o trabalho da FUNAI?
AF: A FUNAI quer “lavar as mãos” em relação ao atendimento dos kaingangs. A reserva de Londrina, comparada a outras, é privilegiada por conta da Prefeitura, que encaminha cestas básicas e nos ajuda a fazer documentos. Quando o índio é acolhido há despesas com água, luz e manutenção. O dever de tudo isto é da FUNAI devido a jurisdição sobre o índio. A política indianista deixa a desejar. Várias leis e questões, do estatuto, não são cumpridas. Os índios perderam muito, mas aos poucos reconquistam. A demarcação de terras é um dos primeiros passos.

O índio Renato Crine Caiene, afirma que os kaingangs da Reserva do Apucaraninha, têm conhecimento e uma história. “As comunidades indígenas do presente se diferem das que existiam no passado. A quantidade e animais nas matas e de peixes nos rios é bem menor. As aldeias foram destruídas e a quantidade de terras disponíveis é bem menor e pouco preservada. Cultura e conhecimento são poucos também. Dizemos para nossos filhos preservar. O que conhecemos, transmitimos para eles. Preservar a cultura é algo que ninguém pode tirar. É um direito e cada um tem o seu”.

OL: Quantas famílias existem na reserva?
RC: Não faço idéias, mas há cerca de 1500 pessoas vivendo na reserva. São índios que vivem e trabalham em função da agricultura. O índio tornou-se um cidadão e tem direitos iguais. Deve-se construir a mentalidade de nos tornarmos lideranças. Sou da associação e luto pelos direitos da comunidade. Nossa população está aumentando e isto é uma preocupação. A terra é pequena e daqui alguns anos não haverá espaço para a agricultura. Por isto a demarcação. O índio é um cidadão e precisa de maior atenção de todas as esferas políticas. Temos o direito ao voto e direitos iguais.

OL: Como é ser kaingang?
RC: Nasci no Apucaraninha. Minha mãe é kaingang e meu pai xoklen. Tenho dois “sangues”. Ser índio é uma história muito longa, devido as tradições que conheço. O índio é da terra e o primeiro brasileiro foi um índio. Infelizmente se tem a idéia que o índio é um ser primitivo que vive no mato. Ele é uma pessoa que têm direitos, é um ser humano. O preconceito deve acabar e se criar uma nova visão. Os índios preservam a cultura, trabalham com artesanato e agricultura. Eles vêm para a cidade vender e negociar o artesanato. Mas, devido a simplicidade, sofrem inúmeros preconceitos. Para enfrentar isto tem que ser fortes. O índio, pela sua natureza é livre. Eles desejam viver livres como na aldeia, porém a cidade não permite isto. Tamanho é o preconceito, que chamam a policia, mesmo que não estejam fazendo nada de errado. Isto é preconceito. Outro preconceito se refere ao fato de muitos dizerem que o índio não faz nada. Mas isto não é verdade. Na verdade faltam recursos para trabalharmos e alimentação. Às vezes não há sementes para o plantio. Ou, quando existe a semente não há dinheiro para comer. Qualquer serviço, se não houver recursos para comida, ele não é executado. A barriga também dói.

OL: O índio comia muita caça?
RC: Antigamente sim. Havia caça, frutas e pinho. Este era assado, misturado com carne e peixe. Mas hoje não existe. Está devastado. Os que existem nas aldeias estão preservados.

OL: O que pode ser feito para poder melhorar?
RC: O Governo do Estado, junto ao Governo Federal e prefeituras devem elaborar um projeto para melhorar a qualidade de vida. O mesmo deve estimular o trabalho e a produção de comida. No Paraná são em torno de 34 aldeias, entre kaingangs e guaranis. É difícil o índio trabalhar na cidade, devido o grau de instrução e o preconceito. O índio tem que preservar uma cultura e viver outra. Por isto, encontra inúmeras dificuldades culturais, principalmente no que se relaciona a língua. Nem que seja uma pessoa formada, ele sempre será um índio e carregará cultura e tradições. Isto é impossível de ser retirado, de qualquer nação.


O índio na política.

          O povo indígena, historicamente manejou os recursos naturais, provocando poucas perturbações ambientais até a chegada dos conquistadores europeus. Reduzidos em população e sempre sujeitos a frentes de expansão econômica seguem em busca de um lugar nos projetos de futuro nos países onde sobrevivem. Estima-se que na época do descobrimento cinco milhões de índios habitavam o território brasileiro. Hoje, o número gira em torno de 350 mil índios. No dia 3 de outubro se realiza as eleições para eleger candidatos a vereadores e a prefeito, muitos indígenas que vivem em aldeias na região de Londrina, como em Tamarana, Santa Amélia e São Jerônimo da Serra, irão se candidatar ao cargo de vereador para aumentar sua representatividade junto ao legislativo e lutar por melhores condições para suas aldeias. 


          Um pensamento comum entre os indígenas é que, na de ocracia, ninguém melhor que o índio para representar sua comunidade. Na Colômbia, existe uma lei que diz que deve haver um número limitado de vagas para o Senado e a Câmara para os não-índios, isso para que os indígenas alcancem, um maior grau de representatividade. Mario Juruna foi exemplo para o povo indígena. Filho do cacique Xavante Apoenã, nasceu na aldeia próxima a Barra do Garças (MT) em 1942. Seis anos depois, sua tribo foi contatada pela primeira vez, pela expedição do sertanista Chico Meirelles. Após viajar por boa parte do Brasil, na década de 70, passou a percorrer os gabinetes da Funai em Brasília, lutando pela demarcação xavante. Foi então que se tornou famoso: jamais era visto sem seu gravador, "para registrar tudo o que o branco diz". Juruna foi eleito deputado federal pelo PDT (1983-1987). Sua presença no Congresso Nacional teve uma repercussão enorme no país e no mundo. Ele foi responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio, uma das poucas comissões da Câmara Federal, o que significou a elevação do problema indígena ao reconhecimento formal.

Projeto de Publicação - Planejamento Gráfico de revista cultural.

Projeto de publicação e planejamento gráfico de revista.

Revistas Culturais são voltadas ao público que gosta e consome cultura. Linguagem simples e chamativa, com muitas imagens e cores fortes, características do gênero. Abordagem de temas culturais, que mostrem o universo dos artistas, seus trabalhos e divulgação de material da industrial cultural. A publicação estimula o público sem grandes dificuldades, devido à abordagem dos temas serem feitos de uma forma simples, sem complicações visuais e editoriais. Proporcionando retorno financeiro maior num espaço de tempo menor.

Determinação de Público: A revista tem como público as camadas mais cultas e com o nível de escolaridade maior, além de buscar pessoas que estejam engajadas com arte. A revista também busca uma grande fatia das classes A, B e C. Isso ocorre devido ao seu conteúdo editorial. Já em relação ao preço, a mesma está no mesmo patamar de outras revistas das editoras concorrentes, objetivando assim, uma igualdade no mercado. Portanto, é possível que a publicação tenha preço popular e de fácil alcance. Essa forma de publicação consegue grandes tiragens, que por conseqüência aumenta o valor das vendas publicitárias.

Objetivos de Publicação: Divulgar acontecimentos que não são notícias para outros tipos de publicação. Fatos que mostrem a cultura como algo que molde à vida do ser humano. Pode-se citar como exemplos manifestações artísticas e culturais, movimentos de artistas, publicações e exposições de livros, exposições e feiras artísticas, oficinas, teatro, música, arte, etc. Geralmente esses acontecimentos estão relacionados a centros urbanos e metrópoles de grandes regionais do país. Explorá-los para que sejam uma demonstração da produção cultural será algo excelente para a divulgação da cultura e a nova criação de conceitos. Mostrar a vida de artistas populares e eruditos, além de seus trabalhos. Essa forma de abordagem é possível enquanto houver interesse do público, não levando em conta o fato de ser ou não notícia, mais sim a consideração em relação ao trabalho apresentado.

A publicação será constituída de três editorias, sendo elas:

Geral: Estarão contidas notícias relacionadas a acontecimentos gerais que ocorrem no país e no mundo. Temas relevantes que não podem ficar de fora da revista. O direcionamento das matérias será leve e simples, utilizando recursos gráficos para a boa interpretação e para que a leitura seja mais dinâmica. .

Fatos: Editoria destinada aos acontecimentos da semana. Nesta editoria estará à parte mais atualizada e factual da revista. Portanto, a exploração dos fatos e acontecimentos da semana, sejam todos mostrados, para que isso venha se tornar interesse do público que quer algo a mais em sua agenda cultural, além de poder saber o que é noticia na cultural.

Cultura e Artes: Editoria leve e descontraída. Nela caberão notícias relacionadas à cultura de uma mais abrangente e mais diversional. Serão mostrada a vida dos artistas, fotos de obras de arte e shows; Exposições e entretenimento. Ainda terá uma matéria onde a revista entrevistará um personagem, que mostre suas características aos leitores.

Proposta de publicação:

Aspectos administrativos :
Manutenção : Tendo em vista que a revista será voltada ao publico em geral, não tendo um caráter regional, mais sim de abrangência expandida, os recursos que sustentarão a impressão, reportagem e demais setores, serão provenientes de verbas publicitárias e patrocínios de empresas que trabalham na “Industria Cultural”. Anúncios classificados e venda avulsa e para assinantes. Uma pequena verba seria destina pelo Estado, já que a revista publicará várias propagandas e campanhas publicitárias que tenham caráter institucional.

Circulação: Será distribuído em todo país e em locais que falem a língua portuguesa, como Portugal e Guiné Bissau.

Distribuição: A distribuição será terceirizada. Feita por distribuidoras que já trabalhem com produtos da mesma editora. .

Recursos humanos: Quatro Jornalistas: três repórteres que fazem a pauta, fotografia e matéria. Um jornalista será o editor. A diagramação ficará por conta dos repórteres.

Linha editorial: Revista Cultural, voltado ao público engajado culturalmente. Linguagem simples e com fotos chamativas. Abordagem de temas culturais que estejam na pauta da semana.

Principais fontes de informação: Artistas, Músicos, Compositores, Veículos de Imprensa/Mídia, Shows, Disque Redação e demais pessoas interessadas em contribuir.

Sobre duas rodas: A bicicleta é o meio de transporte mais popular que existe Criada em 1818, ela é fonte de renda, diversão e saúde.

          A primeira bicicleta foi inventada em 1818 na Inglaterra pelo alemão Barão Karl Von Drais, onde duas rodas eram ligadas por uma peça de madeira e o ciclista impulsionava-se apoiando os pés no chão. No Brasil a invenção chegou em 1898 e se tornou uma prática muito popular.

          Alessandro Silva Garcia é quem diz. Com uma bicicletaria na Avenida Saul Elkind, Alessandro é mecânico de bicicleta há 10 anos. Hoje com 22 anos, ele se lembra quando aos 12 anos pediu para aprender o ofício a partir de consertos de aros e remendo de pneu. A partir daí pegou prática e experiência numa montadora de Curitiba e montou uma sala na Saul Elkind. Alessandro diz que o ofício é conhecido por mecânico de bicicleta e consiste em consertos em geral e acessórios, desde o remendo até a montagem completa da bike, sendo os mais solicitados a centragem do aro e regulagem dos freios. Alessandro diz que a maioria dos clientes é da Zona Norte e que entre os consertos, que chegam aos 70 por semana, vão desde a cross até a popular Barra Circular e que com a chegada do verão a procura pela bicicleta é maior, inclusive para quem vai trabalhar. Dentro da bicicletaria Alessandro é auxiliado por Vander Eduardo Schitkoski, 19 anos, que aprendeu a profissão há um ano e nove meses, sendo compensadora e humilde. Apesar do pouco tempo, sua dedicação é tanta, que ele disse que o primeiro projeto de bicicleta foi feito pelo francês Mede de Sivrac, em 1790, era o celerífero, que em latim significa transporte rápido.

          Outra pessoa que trabalha com bicicletas é Ailton José Francisco, de 34 anos, da Bike União. Com uma oficina no Jardim dos Estados há quatro anos, seu trabalho não consiste somente em consertos, mas se ramificou para a borracharia e motopeças. Com o trabalho em família, trabalhando junto com a esposa Claúdia, 29, e o irmão Gilvan Mendes, 28 anos, que diz que a profissão é o seu ganha pão e que a conhece desde criança. Ailton, que antes era caminhoneiro, começou com uma pequena porta, como quem não queria nada, diz que hoje o trabalho é a principal fonte de renda.

          A esposa de Ailton, Cláudia Francisco, ajuda a família fazendo vários serviços, como um remendo ou na regulagem e troca de freio. Ela afirma que que já fabricaram a bicicleta dupla e a motorizada, sendo que a dupla foi para uma pessoa de Rolândia que tinha problemas de saúde e não conseguia andar sozinho. A pessoa foi a loja, escolheu as peças, personalizou a pintura. No mesmo dia que a bicicleta ficou pronta ele foi para Rolândia pedalando junto a um amigo. Com muita saída de bicicletas novas e usadas, outra especialidade de Ailton é a fabricação de bicicletas motorizadas a partir de quadro comum, mas com motor de mobilete ou walk machine.

          No Cincão, uma das bicicletarias mais conhecidas é a do Professor, apelido carinhoso ganho por José Roberto Gomes, 50 anos, professor de Educação Física até 1994. Mas antes disso, em 1991, José montou uma bicicletaria no Aquiles Stenguel para ajudar os filhos e complementar a renda. Muito preocupado com a saúde proporcionada a partir da prática do esporte, Professor aprendeu a mecânica de bicicletas a partir da curiosidade. Como seu pai tinha um mercado, era ele quem consertava as cargueiras quando havia algum defeito, tanto que no seu estoque atual é possível encontrar uma velha cargueira. Outro fato que marcou o professor, foi quando em sua juventude, morava em Faxinal e viu uma bicicleta feita com quadro de madeira compensada. Hoje com serviços de montagens, manutenção e reforma, e com a maioria da clietela formada por operários, ele acredita que o exercício da profissão está difícil. Apesar disso não desanima e coloca e engenhosidade em prática. Tanto que a encomenda da bicicleta dupla, que é feita a partir de dois quadros de Barra Circular é comum para ele.

          Pensando na qualidade de trabalho, ele afirma que a diferença do preço nas peças é muito grande, entretanto é essa diferença que determina a qualidade. Perguntado sobre a vedete das bicicletas, Professor disse que quem ganha disparado é a Barra Circular, seguida de perto pela freestyle. Entre as fábricas mais conhecias estão a Caloi e a Monark, porém com a tercerizaram da linha de montagem, essas marcas desapareceram do mercado. Entretanto, ele diz que a tecnologia está tao avançada, que as melhores bicicletas são todas feitas de fibra de carbono.

          Melhor do que o ônibus, a bicicleta: Benedito Sebastião da Silva, nos seus 56 anos de idade, diz que a vida toda andou de bicicleta. Morador do Jardim Paraty, ele usa a Barra Circular Monobloco Olé 70 para ir a todos os lugares. A bicicleta, segundo Benedito, foi criada em comemoração ao Rei Pelé, que ajudou a Seleção Brasileira na conquista do Tri em 1970, no México, tem aro 28 e o freio é com varão de ferro. A mesma, que segundo ele só viu tres iguais em Londrina, carrega uma cópia da Taça Jules Rimet pintada próximo ao banco e tem mais de 34 anos.
A saíude do aposentado é tanta, que duas vezes por semana vai a Cambé, numa média de 45 minutos: “compensa mais ir de bicicleta porque demora menos e não custa nada, além de no calor eu colocar um chapéu na cabeça e ir encontrar os amigos”.

          Cuidado, a atenção é essencial, diz Vágner: Morador do Vivi Xavier, Vágner Miguel dos Santos, 14 anos, possui uma JNA, que a utiliza para serviços domésticos e principalmente para se divertir com os amigos. Sua prática mais comum é ir ao Centro ou ao Igapó nos finais de semana. Apesar da distancia, ele acredita que o cuidado e o respeito ao transito é essencial, além da necessidade de ser feita em Londrina ciclovias e o motorista ter consciencia de que o bicicleteiro deve ter espaço na rua.

          De Londrina a São Bernardo do Campo em cima da bike: Quando o letrista Boanerges Pereira da Silva, de 48 anos, começou a andar de bicicleta por diversão, não imaginaria que a prática o levaria tão longe. Morador da rua Cegonha, no Violin, Boanerges começou a andar de bicicleta por turismo, depois com o aumento das distancias a prática se tornou um esporte. A 1ª vez que saiu de bicicleta foi aos 18 anos, quando foi a Bela Vista do Paraíso, para visitar alguns amigos. Os fatos são tantos, que ele se lembra, como se fosse hoje, quando aos 21 anos foi a São Jerônimo da Serra, na casa duma ex-namorada. Ele saiu de Londrina às 4 horas, chegou em São Jerônimo ás 10h30, até que chegou em Londrina às 22h30. Nestas aventuras sobre duas rodas, Boanerges já foi a Telêmaco Borba, Castro e Tomazina, porém a viagem que o mais marcou foi em 1995, quando foi a São Bernardo do Campo, no ABCD Paulista. Difícil e demorada, ele a planejou com antecedência. A viagem durou quatro dias e meio, ficando por lá durante cinco dias.

          Com uma placa na traseira, identificando-o que era de Londrina e a preocupação de segurança com farol, pisca e retrovisor, era comum as pessoas o pararem-no na estrada e perguntar se estava pagando promessa, ele todo sorridente dizia que não, mas sim que estava praticando um esporte. Entre Londrina e São Bernardo, o caminho era repleto de paisagens como montanhas, rios e florestas.
Com a viagem interrompida pela chuva, Boanerges ficou tres dias em Sorocaba devido a chuva, entretanto, quando chegou na casa de seus parentes em São Bernardo, eles não o reconheceram. Primeiro ele chegou no portão e bateu palma, seu irmão foi ao seu encontro e não o reconheceu, então Boanerges tirou o óculos e o capacete a aí sim seu irmao lhe deu um abraço e disse: “você é maluco mesmo”.

O que é transgênico? Muito é debatido, mas há pouco esclarecimento.

          Hoje em dia é debatido nos veículos de comunicação a questão dos alimentos transgênicos, porém pouca coisa é esclarecida. Medidas que impedem a exportação de soja transgênica e a retenção de cargas é notícia constante nos jornais. Mas porque tanto medo?
         
          Segundo Alexandre Lima Nepomuceno, do Departamento de Fisiologia Vegetal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, transgênico é a planta ou organismo que tem genes de outras espécies, mas não através do cruzamento natural, mas pela ciência. “É como se um gene do elefante fosse colocado na grama e o gene da grama no elefante”, enfatiza Nepomuceno. O cientista diz que todo transgênico é um organismo modificado, mas nem todo organismo modificado é transgênico, isso porque o transgênico é a combinação de genes de espécies diferentes, no caso, a planta pode receber um gene animal. Nos organismos modificados a espécie é alterada geneticamente, mas isso é feito entre as mesmas espécies, como grama e grama. Parece assustador, mas é tecnologia de última geração.

         Essa tecnologia, segundo o cientista, resolve muitos problemas na agricultura e na vida do ser humano. Um exemplo é o da insulina, que desde os anos 70 tem produção transgênica. Antes, a matéria prima era retirada de animais mortos, fato que causava problemas. Com o avanço da tecnologia, foi possível a recombinação do DNA e se codificou a insulina humana através da introdução do DNA numa bactéria. Hoje esta bactéria é criada em tonéis para a obtenção da insulina.
A 1° planta transgênica foi criada num laboratório dos Estados Unidos em 1994, era tomate que tinha frutos que demoravam para amadurecer, fazendo o tomate durar mais tempo. Nepomuceno, disse que não houve polêmica entre os americanos, porém do ponto de vista comercial a proposta foi inviável.
No atual contexto a soja transgênica mais comercializada é a RR (Rand up Ready) da Monsanto, que utiliza o herbicida glifosato, desenvolvido com o gene CP4EPSPS duma bactéria de solo resistente a aplicação de veneno contra insetos e erva daninha.

          O que é debatido entre pesquisadores e cientistas, é que a tecnologia está na mão de grandes empresas que criam monopólios, devendo o Estado investir mais em ciência e tecnologia para gerar competição. Atualmente a Embrapa produz onze espécies de soja transgênica, que depende apenas da aprovação da Lei de Biosegurança para serem comercializadas (ver box). Outra novidade é a parceria com a estatal japonesa Jircas, que desenvolve soja resistente a seca a partir da arabidopsis chaliana, espécie de erva daninha que foi a primeira planta que teve o DNA seqüenciado. Além disso, está em estudo uma espécie de feijão resistente ao mosaico dourado, praga que dizima plantações.

          Nos Estados Unidos, 80% da soja é transgênica, na Argentina o percentual pode chegar a 99%, tanto que a soja transgênica plantada no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, é oriunda da Argentina. Tal justificativa para o plantio nesses países é de que o herbicida glifosato é biodegradável e diminui a contaminação do agricultor e do meio ambiente. Porém, para plantar a soja RR da Monsato, o agricultor é obrigado a pagar R$1,20 de royaltes a Monsanto por saca de 60 kilos (atualmente a saca é vendida a R$34,50). Neste caso, o produtor analisa de compensa ou não, já que a única diferença é que a soja da Monsato, quando aplicado o glifosato é mais resistente a erva daninha. Segundo Nepomuceno, o período recomendado para plantar soja é a partir de 15 de novembro, com colheita prevista para março e abril.

          Se não passar pela Lei de Biosegurança, transgênico é rejeitado

          Segundo Nepomuceno a Lei de Biosegurança consiste em análises de diversas características de saúde, alimentar e ambiental que não prejudiquem ou cause risco ao ser humano, animais e meio ambiente. A mesma indica que a pesquisa pode ser feita no Brasil. O conflitos entre a Lei de Biosegurança e a Lei Ambiental é evidente, pois a modificação genética implica em mudanças que não são conservadoras e que altera as características originais do produto. A China por exemplo, país de onde vem a soja, impõe restrições aos transgênicos por considerar que o alimento geneticamente alterado pode acabar com as características e particularidades da soja orgânica.

A dona da história.

          Ligue a TV no domingo a noite e verá as loas ao cinema brasileiro serem tecidas pelo vozeirão de Cid Moreira, no novo quadro cinéfilo Cena Mágica. Agora espere pelo plim-plim e será anunciada uma nova sessão semanal de cinema genuinamente tupiniquim, é o Intercine Brasil. Antes disso, em programas globais, você já deve ter visto os atores em cartaz nas salas de cinema do Brasil comendo pizza no dominical enfadonho, brincando com o papagaio da loira, ouvindo na madrugada o gordo entrevistador falar sem parar, babando em uma tarde de sábado pelo requebrado da playboy do mês, brincando sorridentes no programa vespertino da “mamãe do ano”, batendo um papo cabeça lá pelas altas horas do sábado e, para fechar, virando piada sem-graça na noite de terça-feira. Realmente o cinema brasileiro passa por um grande momento, mas de qual cinema estamos falando? Não será acaso algum se o próximo filme brasileiro que você for ver no cinema tiver o selo Globofilmes.

          Quantos dos últimos filmes nacionais que você assistiu tinham como protagonistas o galã e a mocinha daquela novela de sucesso? E quanto aos diretores, você já reparou como estão polivalentes, dirigindo tanto a sétima arte quanto o folhetim das oito? Pare e note como as tramas da telona agora assemelham-se às da telinha, com desencontros de casais, amores juvenis, humor fálico-escatológico, melodramas piegas com panos de fundo pseudo-excitantes e, como que transportado diretamente do último capítulo, um “foram felizes para sempre” de desfecho. Em meio a crise financeira que assola todos os setores da grande mídia, a maior empresa de comunicação do país viu na retomada da produção cinematográfica a salvação da lavoura. Valendo-se de sua força política, tecnológica e econômica, a Globo vem buscando monopolizar o cinema brasileiro, transformando-o em uma extensão de sua produção televisiva
.
          Bombardeado por todos os lados, o público assiste a versão da dona da história. É convencido a cada filme lançado de que cinema brasileiro e Globo Filmes são sinônimos, e pior, sinônimos de qualidade. Um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, a mega-empresa carioca arroga-se o poder de escolher o que é bom ou não para ser visto. Como colosso da indústria cultural, segue piamente suas normas: padroniza, para melhor lucrar, o conteúdo assistido por milhões de pessoas, transformando-os em consumidores apáticos de seus conteúdos unidimensionais. Ë assim com o material televisivo e segue esse caminho o cinema. Aos que não se incluírem nesse novo padrão Globo de qualidade cinematográfica, restarão as dificuldades de patrocínio e financiamento, as restrições à distribuição e divulgação, a indiferença do público em relação a linguagem estética diferente, o fracasso de bilheteria. Enfim, o ostracismo para a grande massa, uma sala de exibição em algum circuito independente no centro velho de São Paulo.

          No mês de agosto, o Ministério da Cultura pôs em discussão o anteprojeto que pretende transformar a ANCINE (Agencia Nacional de Cinema) em ANCINAV. (Agência Nacional do Cinema e Audiovisual). Com o objetivo de regulamentar uma área que a família Marinho considera seu feudo, os ataques à proposta do MinC foram virulentos. No Jornal Nacional, como sempre mais timidamente, “especialistas” da área foram ouvidos, e, obviamente, posicionaram-se contra a proposta, denunciando o “dirigismo cultural” e o “intervencionismo governamental” do anteprojeto. O Jornal da Globo foi mais direto em seu ataque. Arnaldo Jabor, como que num desabafo editorial, classificou a proposta de autoritária e o governo federal de “democrático de dia, soviético à noite”. O impresso O Globo trouxe como manchete sobre o assunto “Projeto está eivado de dispositivos autoritários, quando não obscuros", recorrendo também ao expediente do governo stalinista contra os defensores da liberdade de expressão e mercado. A Rede Globo, infelizmente a maior formadora de opinião do país, demonstrou no episódio todo seu poder político, e deixou clara a mensagem: dirigismo cultural do governo não, dirigismo cultural global, com certeza.

          Esses movimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla do conglomerado midiático: provar que ela, e somente ela, é responsável pela produção, promoção e divulgação do que classifica como cultura brasileira. Satisfeita sua ambição, o Brasil só poderá, então, ser visto em suas telas, ouvido por suas vozes, lido em suas páginas. O seminário “Conteúdo Brasil”, promovido pela empresa em fevereiro deste ano e alardeada como uma fantástica iniciativa pela defesa da cultura nacional nos dão uma pista sobre o propósito global. Uma outra pista são as propagandas institucionais da TV Globo. Tome, como exemplo, a propaganda que parabeniza seus “astros”. Depois de homenagear seus contratados, sempre “um do maiores talentos da cultura brasileira” , finalizam com “a Globo acredita que a cultura brasileira fica mais forte quando grandes empresas se unem a grandes talentos” Oras, todos sabemos quem é a grande empresa e quem são os grandes talentos. Peremptória para nossa discussão, a vinheta, acompanhada do logo maior, traz sua mensagem: “Brasil, a gente vê por aqui”.

          A cereja do bolo está guardada. O filme brasileiro concorrente ao Oscar é Olga, capítulo de trama das oito travestido em película cinematográfica. O clima ufano-nacionalista está sendo preparado. O risco é grande. No momento de júbilo, poderemos ter Galvão Bueno narrando a entrega das estatuetas douradas. Uma lágrima correrá dos lindos olhos azuis de Camila Morgado enquanto o narrador histérico berra seu antológico “acabô, acabô, acabô, acabô ... .Ë amigos, “haja coração”


Texto antigo sobre a Casa do Estudante. Ela foi demolida e funciona dentro do Campus, na UEL.

Foi com muita luta e movimento estudantil que teve início a história da Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (CEUEL). Criada em 1975, graças ao apoio do DCE, que conquistou verbas junto ao MEC e a Procuradoria do Estado do Paraná para a compra do patrimônio físico da casa, ela resiste bravamente até os dias de hoje.

A moradia passou a funcionar no local do restaurante e pensionato do Colégio Filadélfia de Londrina, na Avenida JK. Seu suporte financeiro foi dado pela arrecadação do RU, que se localizava ao lado da casa. A administração do restaurante era responsabilidade dos próprios estudantes que lá moravam.
Um ano depois, com a pressão da ditadura militar, o DCE da UEL foi fechado. Assim a CEUEL, uma entidade autônoma e sem fins lucrativos, fica sozinha na direção da casa, que sobrevive vários anos graças à relação de dependência mútua entre ela e o RU.

No entanto, no final da década de 80, o país havia saído do "milagre econômico" e enfrentava uma inflação crescente. Isso tornou difícil para os estudantes o planejamento dos gastos futuros do RU. A casa passou, então, por muitas dificuldades financeiras, o que acabou interferindo em sua estabilidade administrativa.

A fim de amenizar os problemas, em 1987, UEL e CEUEL firmam um convênio, no qual a Universidade compromete-se a subsidiar verbas necessárias para o RU. Mas, com o fim do convênio nos anos 90, a situação da casa agravo-se novamente. Então, o Governo Estadual emite um decreto que interfere no fornecimento de subsídios ao RU e na política administrativa entre CEUEL e UEL, o que piora cada vez mais a situação dos moradores. Por isso a Universidade volta a fazer contratos mensais com a casa por mais alguns anos, até a suspensão completa do convênio.

A situação fica mais insustentável ainda com o fechamento do RU em 1991, provocando o fim dos recursos para a Casa do Estudante e a geração de muitas dívidas. Diante desse quadro o Conselho de Administração da UEL toma a decisão de vender os imóveis da CEUEL e RU e destinaria essa verba para a construção do novo Restaurante Universitário no campus. Os moradores da CEUEL decidiram resistir, baseados na justificativa de que apesar do terreno da casa ser da UEL, as construções pertencem ao DCE e a CEUEL.

Assim começam as pressões para os estudantes abandonarem a casa, tanto que até cortaram o fornecimento de energia elétrica, fato que levou a diversas movimentações de estudantes e da comunidade externa. A UEL, para amenizar o conflito, decide não vender o imóvel, mas sim cedê-lo em um contrato de comodato à CEUEL e ao DCE, o que quer dizer que a partir disso ela não destinaria mais nenhum recurso à casa. Saber que o risco da venda havia terminado, pelo menos por algum tempo, já causou algum alívio aos moradores.

O DCE ressurgia enfraquecido, e assim a CEUEL assumiu seu caráter administrativo autônomo como uma ONG. Algumas reformas superficiais são feitas em 1994, a universidade passa a assumir as contas de água e energia. A CEUEL mantém-se financeiramente através do aluguel do prédio desativado do antigo RU, e, alguns moradores chegaram a realizar suas próprias festas nesse espaço para arrecadar verbas. Diante da ocorrência de alguns incidentes durante essas festas e do desgaste da estrutura do local os moradores são obrigados a alugar um espaço no terreno para dois outdoors, um quiosque e a servir como estacionamento.

Há, em 2000, novas propostas para a construção de uma Casa do Estudante no campus, reacendendo a polêmica da venda da casa. Mas, segundo a CEUEL, não é necessária a venda do imóvel antigo para a construção de uma nova moradia. Dois anos mais tarde aconteceram problemas com relação ao processo seletivo para a entrada na casa e a falta de vagas na mesma. Isso obriga a UEL a reformar o antigo RU para que servisse de abrigo também, assim a Casa passou a hospedar 62 moradores e o Anexo RU reformado 10.

Com a defasagem do Estatuto de Regimento Interno da Casa, que é o mesmo desde o início, tornou-se muito difícil administrar a CEUEL. Somando-se a esse problema à outros como: a necessidade de reforma ampla na estrutura física, o presidente da Casa, em 2003, pede a institucionalização da CEUEL, ou seja, a UEL assumiria toda a responsabilidade legal referente à Casa.

Esse processo dá seus primeiros passos até que um laudo de vistoria técnica formado por engenheiros e arquitetos condena o prédio, fato que inviabilizou o processo seletivo para a casa no início de 2004. Mas, mesmo assim, os moradores decidiram em assembléia aceitar mais 14 novos hóspedes. Agora há um impasse, pois o prédio é declarado inabitável e o orçamento necessário para sua reforma quase financiaria a construção de uma nova casa com o dobro de vagas, então o que fazer com os 72 estudantes que lá vivem?

Bolsas de auxílio moradia foram oferecidas pela universidade, no valor de 150 reais, no entanto, os estudantes recusaram-nas, justificando que isso dissolveria a instituição CEUEL, e esta faz uma contra proposta: a UEL providenciaria um imóvel que oferecesse condições de moradia para todos os estudantes até a construção da nova casa, ou a reforma do antigo prédio.

Então, em agosto desse ano, a UEL manifesta a decisão de alugar um imóvel para abrigar os moradores da CEUEL até que a casa do campus esteja pronta. Os estudantes aguardam o aluguel do imóvel e a construção da nova Casa do Estudante na UEL, uma das promessas da atual reitora da universidade.

SITUAÇÃO ATUAL: Os recortes de jornal que decoram a Sala de Estudos da CEUEL foram um curioso panorama sobre a história da Casa. Notícias das décadas de 70, 80 e 90 misturam-se e confundem-se, muitas vezes com as mesmas manchetes, geralmente relacionadas às promessas de novas verbas para a Casa ou, com mais freqüência, ao fechamento da mesma.

Problemas na instalação elétrica e no encanamento, rachaduras, vazamento dos sanitários, superlotação, são apenas alguns dos problemas que os moradores da CEUEL enfrentam diariamente. "Nós temos pessoas vivendo em condições sub-humanas. Existem absurdos acontecendo aqui dentro", diz Danilo Ramos Meira da Silva, presidente da Casa.

Além dos problemas de caráter estrutural da Casa (reformas, manutenção, compra de produtos e materiais de uso coletivo), há a necessidade da reformulação no Estatuto e no Regimento Interno da CEUEL, que foram feitos em 1974. "Existem leis no Estatuto que já não funcionam e existem as que ainda são válidas. Mas eu não posso puxar do Estatuto só as leis que me interessam. Ou eu uso todas as leis, ou eu não uso nenhuma", explica Danilo.

Todos estes problemas somados à busca por uma melhor qualidade vida levaram à alternativa da institucionalização, que traria uma maior estabilidade administrativa para que a casa pudesse se reorganizar e ao mesmo tempo conservar uma certa autonomia interna.

As negociações entre a UEL e a Casa são amigáveis, diferentemente do ocorrido em épocas passadas. Grande parte desta boa relação, Danilo credita a atual conjuntura do País e da Universidade. "O governo atual é petista e tem todo aquele discurso populista. A reitora (Lygia Pupato) é petista. O discurso dela dentro da Universidade é outro, diferente dos antigos reitores. Por exemplo, em 91, quando o reitor quis tirar o pessoal daqui, foi guerra. (...) a reitoria estava contra os estudantes. Agora não. Desde o início das negociações, a administração vem com aquele discurso, estamos preocupados com o bem estar de vocês dentro da casa '. A intenção deles era criar um auxílio moradia, a nossa intenção não era esta. Então surgiu a idéia do aluguel do imóvel". Danilo ainda lembra que a reitora é uma figura política e sua imagem associada à uma administração insatisfatória poderia ser prejudicial às suas pretensões futuras. "A administração está evitando escândalos o tempo todo. Não foi necessário brigar, ameaçar chamar a imprensa. Eles sabem que é fácil transformar a Casa em um escândalo. Eles dizem que vão alugar a casa, ceder às nossas propostas e aos nossos argumentos".

Outra situação que talvez possa tomar novos rumos com a administração petista é a da construção da nova Casa do Estudante no Campus Universitário. Ë possível que as medidas populistas abranjam também esta lenda urbana da cidade de Londrina. A previsão é de que a nova Casa demore em torno de dois anos para ser construída. Entretanto, Danilo ressalva que esta questão ainda encontra-se "... na esfera abstrata da reitora conseguir verba para construir a Casa".

COTAS: A recente implantação de 40% de cotas (20% para negros e 20% para estudantes de escolas públicas) deveria trazer a discussão de outro problema que afeta a CEUEL : a política de assistência estudantil. Deveria, mas dificilmente traz.

A euforia em torno da aprovação da medida é tanta que poucos questionam se a UEL realmente tem estrutura para comportar tal sistema. "A assistência estudantil prevê auxílio moradia, alimentação gratuita, bolsa trabalho e tratamento médico digno. A UEL não tem isto. Não tem condições de receber o sistema de cotas. As pessoas acham isso lindo, 'ai tem cotas, que legal'. Mas a Universidade não está preparada. A reitora quis implantar as cotas para ter sua imagem ligada a medidas democráticas, ao discurso populista de inserção das massas no ensino público que qualidade. Uma nova política de assistência estudantil deveria ser implantada junto com as cotas, mas ela nem existe".

Outro agravante da implantação do sistema de cotas na UEL é o fato dele ter sido aprovado de maneira "atropelada". Não houve discussão entre os universitários, os CAs não tiveram tempo para consultar os estudantes, o DCE não teve tempo de discutir, nem de deliberar nada. Para Danilo, isto ocorreu porque as cotas não vieram de um apelo popular e sim de interesses dos administradores da Universidade. "Diferentemente da Bahia, onde as cotas vieram da massa para a instituição, as cotas da UEL vieram de cima para baixo. Veio do alto escalão da UEL, impondo por cima dos estudantes, sem dar tempo para eles discutirem nada", argumenta Danilo.

A situação atual da Casa do Estudante ilustra o descaso com que a UEL trata sua política de assistência estudantil. Vale lembrar que a Universidade está eticamente proibida de selecionar pessoas para residir na Casa, uma vez que ela foi considerada inabitável pelo laudo de vistoria expedido em março passado. Assim, fica a dúvida de como a UEL pretende lidar com esta situação, a partir do ano que vem, quando a implantação das cotas provavelmente acarretará em uma maior demanda por políticas de assistência estudantil.

Por enquanto, a administração da UEL não tem nada de concreto. Questionado sobre o assunto, Jairo Queiróz, pró-reitor de graduação, disse por telefone, que a UEL ainda está em negociação com a Secretaria do Ensino Superior para a obtenção de verbas que seriam destinadas a ajudar os estudantes mais carentes, sejam eles selecionados pelo sistema de cotas ou não. Segundo ele, ainda não há previsão de quantos serão assistidos pelas verbas e o novo programa de assistência estudantil será divulgado apenas no início do próximo ano letivo.

Cotas na UEL. Texto antigo, que estava na gaveta. Veja como foi a conquista, em 2004:

          Após várias discussões sobre a política de cotas, a Universidade Estadual de Londrina, implantará no vestibular de Janeiro de 2005, a política de 40% de vagas para estudantes que cursaram o ensino médio integralmente nas escolas públicas. Isso representa 1.204 vagas das 3.010 disponíveis. Metade das vagas, 20% do total, será para alunos negros e pardos (será levada em consideração a documentação do candidato). Esse percentual se aproxima do índice da população negra em Londrina, que é de 23%, conforme dados do IBGE. No Paraná a população negra e parda chega a 21%. A justificativa da UEL é refletir na universidade a realidade da população. Atualmente Londrina abriga 85% dos alunos do ensino médio em escolas públicas e 15% em particulares. No vestibular, 43% dos aprovados são de escolas públicas e representam 2/3 dos cursos menos concorridos. Nos cursos mais concorridos a representação não passa dos 10%. A adoção de cotas no ensino público é algo que realmente pode mudar a concepção da educação em nosso país. Poucas são as pessoas oriundas de escolas públicas que conseguem ingressar na universidade, concluir o curso e tirar diploma que lhe dê possibilidades de garantir dignidade.

          No Brasil, esta iniciativa vem de encontro com as necessidades das populações pobres e carentes. Muitos setores da burguesia, que tem filhos em colégios particulares e que tem possibilidades e condições financeiras de matriculá-los na universidade particular, afirmam que o aluno da escola pública pode prejudicar a qualidade do ensino com sua carência, sendo obrigado a comprar material, tirar xerox, tomar lanche e ir ao estágio. Muitos justificam o absurdo de que o pobre não consegue acompanhar o colega que tem condições financeiras.

          A discriminação e o preconceito são reflexos da sociedade controlada pela minoria que observa para si mesmo, esquecendo-se das reformas essenciais para o país acabar com a pobreza, injustiça e desigualdade. A atitude da Universidade Estadual de Londrina é algo que pode mudar a concepção do ensino e dar oportunidade para a pessoa que quer estudar, mas não tem condições financeiras para freqüentar a Universidade particular. Segundo a Resolução nº 78/2004, o artigo 3º, inciso III da Constituição Federal, que define como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. O sistema de cotas da UEL está baseado em compromissos internacionais formados pelo Governo Brasileiro com o Plano de Ação Durban, produto da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, xenofobia e intolerância correlata, no qual governos e organizações da sociedade civil, de todas as partes do mundo, se reuniram no ano 2000 na África do Sul e se comprometeram com a elaboração de medidas globais contra o racismo e discriminação racial.

          A medida irá vigorar por sete anos e foi aprovada em 23 de julho deste ano. Dos 45 conselheiros presentes com direito a voto, 31 votaram a favor da proposta. Outras universidades estaduais e federais, como a Universidade de Brasília e a Federal da Bahia aplicaram cotas para aumentar a representação do negro e diminuir a exclusão social com bons resultados e buscando diminuir a situação de inferioridade por que passa a maioria dos estudantes brasileiros. .

          João Lino, de 53 anos é integrante do Conselho da Comunidade Negra. Desde o primeiro momento defende as cotas e entende que é através de medidas como essa ajudam a construção da sociedade passando da questão jurídica. As cotas não ferem a constituição, mas promove a igualdade e ajuda na formação da institucionalização e na luta para arrumar o passado, corrigir as injustiças e reorganizar o país.

          Kabengele Munanga, antropólogo da Universidade de São Paulo, diz que cotas para pobres, negros, índios e pardos, parte para questões de desigualdades no trabalho, saúde, lazer, política e esporte. A partir da educação se cria possibilidades para acabar com a pobreza e desigualdades sociais. Os países desenvolvidos investem muito na educação. Nos países da África, Ásia e América Latina, as taxas de escolaridade e de vida são baixas, implicando na exclusão social. Nos anos 50 a Índia conheceu o sistema de cotas para legisladores, conselheiros públicos e universidades. Nos Estados Unidos, a luta dos movimentos afro-americanos, como os Panteras Negras, movimentou o cenário do país. A partir dessas lutas criaram-se práticas para inclusão. Em 1960, apenas 3% da população negra frequentava as universidades, hoje o percentual é de 33%. Além dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Inglaterra implantaram as cotas.