domingo, 14 de junho de 2015

O que é transgênico? Muito é debatido, mas há pouco esclarecimento.

          Hoje em dia é debatido nos veículos de comunicação a questão dos alimentos transgênicos, porém pouca coisa é esclarecida. Medidas que impedem a exportação de soja transgênica e a retenção de cargas é notícia constante nos jornais. Mas porque tanto medo?
         
          Segundo Alexandre Lima Nepomuceno, do Departamento de Fisiologia Vegetal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, transgênico é a planta ou organismo que tem genes de outras espécies, mas não através do cruzamento natural, mas pela ciência. “É como se um gene do elefante fosse colocado na grama e o gene da grama no elefante”, enfatiza Nepomuceno. O cientista diz que todo transgênico é um organismo modificado, mas nem todo organismo modificado é transgênico, isso porque o transgênico é a combinação de genes de espécies diferentes, no caso, a planta pode receber um gene animal. Nos organismos modificados a espécie é alterada geneticamente, mas isso é feito entre as mesmas espécies, como grama e grama. Parece assustador, mas é tecnologia de última geração.

         Essa tecnologia, segundo o cientista, resolve muitos problemas na agricultura e na vida do ser humano. Um exemplo é o da insulina, que desde os anos 70 tem produção transgênica. Antes, a matéria prima era retirada de animais mortos, fato que causava problemas. Com o avanço da tecnologia, foi possível a recombinação do DNA e se codificou a insulina humana através da introdução do DNA numa bactéria. Hoje esta bactéria é criada em tonéis para a obtenção da insulina.
A 1° planta transgênica foi criada num laboratório dos Estados Unidos em 1994, era tomate que tinha frutos que demoravam para amadurecer, fazendo o tomate durar mais tempo. Nepomuceno, disse que não houve polêmica entre os americanos, porém do ponto de vista comercial a proposta foi inviável.
No atual contexto a soja transgênica mais comercializada é a RR (Rand up Ready) da Monsanto, que utiliza o herbicida glifosato, desenvolvido com o gene CP4EPSPS duma bactéria de solo resistente a aplicação de veneno contra insetos e erva daninha.

          O que é debatido entre pesquisadores e cientistas, é que a tecnologia está na mão de grandes empresas que criam monopólios, devendo o Estado investir mais em ciência e tecnologia para gerar competição. Atualmente a Embrapa produz onze espécies de soja transgênica, que depende apenas da aprovação da Lei de Biosegurança para serem comercializadas (ver box). Outra novidade é a parceria com a estatal japonesa Jircas, que desenvolve soja resistente a seca a partir da arabidopsis chaliana, espécie de erva daninha que foi a primeira planta que teve o DNA seqüenciado. Além disso, está em estudo uma espécie de feijão resistente ao mosaico dourado, praga que dizima plantações.

          Nos Estados Unidos, 80% da soja é transgênica, na Argentina o percentual pode chegar a 99%, tanto que a soja transgênica plantada no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, é oriunda da Argentina. Tal justificativa para o plantio nesses países é de que o herbicida glifosato é biodegradável e diminui a contaminação do agricultor e do meio ambiente. Porém, para plantar a soja RR da Monsato, o agricultor é obrigado a pagar R$1,20 de royaltes a Monsanto por saca de 60 kilos (atualmente a saca é vendida a R$34,50). Neste caso, o produtor analisa de compensa ou não, já que a única diferença é que a soja da Monsato, quando aplicado o glifosato é mais resistente a erva daninha. Segundo Nepomuceno, o período recomendado para plantar soja é a partir de 15 de novembro, com colheita prevista para março e abril.

          Se não passar pela Lei de Biosegurança, transgênico é rejeitado

          Segundo Nepomuceno a Lei de Biosegurança consiste em análises de diversas características de saúde, alimentar e ambiental que não prejudiquem ou cause risco ao ser humano, animais e meio ambiente. A mesma indica que a pesquisa pode ser feita no Brasil. O conflitos entre a Lei de Biosegurança e a Lei Ambiental é evidente, pois a modificação genética implica em mudanças que não são conservadoras e que altera as características originais do produto. A China por exemplo, país de onde vem a soja, impõe restrições aos transgênicos por considerar que o alimento geneticamente alterado pode acabar com as características e particularidades da soja orgânica.

A dona da história.

          Ligue a TV no domingo a noite e verá as loas ao cinema brasileiro serem tecidas pelo vozeirão de Cid Moreira, no novo quadro cinéfilo Cena Mágica. Agora espere pelo plim-plim e será anunciada uma nova sessão semanal de cinema genuinamente tupiniquim, é o Intercine Brasil. Antes disso, em programas globais, você já deve ter visto os atores em cartaz nas salas de cinema do Brasil comendo pizza no dominical enfadonho, brincando com o papagaio da loira, ouvindo na madrugada o gordo entrevistador falar sem parar, babando em uma tarde de sábado pelo requebrado da playboy do mês, brincando sorridentes no programa vespertino da “mamãe do ano”, batendo um papo cabeça lá pelas altas horas do sábado e, para fechar, virando piada sem-graça na noite de terça-feira. Realmente o cinema brasileiro passa por um grande momento, mas de qual cinema estamos falando? Não será acaso algum se o próximo filme brasileiro que você for ver no cinema tiver o selo Globofilmes.

          Quantos dos últimos filmes nacionais que você assistiu tinham como protagonistas o galã e a mocinha daquela novela de sucesso? E quanto aos diretores, você já reparou como estão polivalentes, dirigindo tanto a sétima arte quanto o folhetim das oito? Pare e note como as tramas da telona agora assemelham-se às da telinha, com desencontros de casais, amores juvenis, humor fálico-escatológico, melodramas piegas com panos de fundo pseudo-excitantes e, como que transportado diretamente do último capítulo, um “foram felizes para sempre” de desfecho. Em meio a crise financeira que assola todos os setores da grande mídia, a maior empresa de comunicação do país viu na retomada da produção cinematográfica a salvação da lavoura. Valendo-se de sua força política, tecnológica e econômica, a Globo vem buscando monopolizar o cinema brasileiro, transformando-o em uma extensão de sua produção televisiva
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          Bombardeado por todos os lados, o público assiste a versão da dona da história. É convencido a cada filme lançado de que cinema brasileiro e Globo Filmes são sinônimos, e pior, sinônimos de qualidade. Um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, a mega-empresa carioca arroga-se o poder de escolher o que é bom ou não para ser visto. Como colosso da indústria cultural, segue piamente suas normas: padroniza, para melhor lucrar, o conteúdo assistido por milhões de pessoas, transformando-os em consumidores apáticos de seus conteúdos unidimensionais. Ë assim com o material televisivo e segue esse caminho o cinema. Aos que não se incluírem nesse novo padrão Globo de qualidade cinematográfica, restarão as dificuldades de patrocínio e financiamento, as restrições à distribuição e divulgação, a indiferença do público em relação a linguagem estética diferente, o fracasso de bilheteria. Enfim, o ostracismo para a grande massa, uma sala de exibição em algum circuito independente no centro velho de São Paulo.

          No mês de agosto, o Ministério da Cultura pôs em discussão o anteprojeto que pretende transformar a ANCINE (Agencia Nacional de Cinema) em ANCINAV. (Agência Nacional do Cinema e Audiovisual). Com o objetivo de regulamentar uma área que a família Marinho considera seu feudo, os ataques à proposta do MinC foram virulentos. No Jornal Nacional, como sempre mais timidamente, “especialistas” da área foram ouvidos, e, obviamente, posicionaram-se contra a proposta, denunciando o “dirigismo cultural” e o “intervencionismo governamental” do anteprojeto. O Jornal da Globo foi mais direto em seu ataque. Arnaldo Jabor, como que num desabafo editorial, classificou a proposta de autoritária e o governo federal de “democrático de dia, soviético à noite”. O impresso O Globo trouxe como manchete sobre o assunto “Projeto está eivado de dispositivos autoritários, quando não obscuros", recorrendo também ao expediente do governo stalinista contra os defensores da liberdade de expressão e mercado. A Rede Globo, infelizmente a maior formadora de opinião do país, demonstrou no episódio todo seu poder político, e deixou clara a mensagem: dirigismo cultural do governo não, dirigismo cultural global, com certeza.

          Esses movimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla do conglomerado midiático: provar que ela, e somente ela, é responsável pela produção, promoção e divulgação do que classifica como cultura brasileira. Satisfeita sua ambição, o Brasil só poderá, então, ser visto em suas telas, ouvido por suas vozes, lido em suas páginas. O seminário “Conteúdo Brasil”, promovido pela empresa em fevereiro deste ano e alardeada como uma fantástica iniciativa pela defesa da cultura nacional nos dão uma pista sobre o propósito global. Uma outra pista são as propagandas institucionais da TV Globo. Tome, como exemplo, a propaganda que parabeniza seus “astros”. Depois de homenagear seus contratados, sempre “um do maiores talentos da cultura brasileira” , finalizam com “a Globo acredita que a cultura brasileira fica mais forte quando grandes empresas se unem a grandes talentos” Oras, todos sabemos quem é a grande empresa e quem são os grandes talentos. Peremptória para nossa discussão, a vinheta, acompanhada do logo maior, traz sua mensagem: “Brasil, a gente vê por aqui”.

          A cereja do bolo está guardada. O filme brasileiro concorrente ao Oscar é Olga, capítulo de trama das oito travestido em película cinematográfica. O clima ufano-nacionalista está sendo preparado. O risco é grande. No momento de júbilo, poderemos ter Galvão Bueno narrando a entrega das estatuetas douradas. Uma lágrima correrá dos lindos olhos azuis de Camila Morgado enquanto o narrador histérico berra seu antológico “acabô, acabô, acabô, acabô ... .Ë amigos, “haja coração”


Texto antigo sobre a Casa do Estudante. Ela foi demolida e funciona dentro do Campus, na UEL.

Foi com muita luta e movimento estudantil que teve início a história da Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (CEUEL). Criada em 1975, graças ao apoio do DCE, que conquistou verbas junto ao MEC e a Procuradoria do Estado do Paraná para a compra do patrimônio físico da casa, ela resiste bravamente até os dias de hoje.

A moradia passou a funcionar no local do restaurante e pensionato do Colégio Filadélfia de Londrina, na Avenida JK. Seu suporte financeiro foi dado pela arrecadação do RU, que se localizava ao lado da casa. A administração do restaurante era responsabilidade dos próprios estudantes que lá moravam.
Um ano depois, com a pressão da ditadura militar, o DCE da UEL foi fechado. Assim a CEUEL, uma entidade autônoma e sem fins lucrativos, fica sozinha na direção da casa, que sobrevive vários anos graças à relação de dependência mútua entre ela e o RU.

No entanto, no final da década de 80, o país havia saído do "milagre econômico" e enfrentava uma inflação crescente. Isso tornou difícil para os estudantes o planejamento dos gastos futuros do RU. A casa passou, então, por muitas dificuldades financeiras, o que acabou interferindo em sua estabilidade administrativa.

A fim de amenizar os problemas, em 1987, UEL e CEUEL firmam um convênio, no qual a Universidade compromete-se a subsidiar verbas necessárias para o RU. Mas, com o fim do convênio nos anos 90, a situação da casa agravo-se novamente. Então, o Governo Estadual emite um decreto que interfere no fornecimento de subsídios ao RU e na política administrativa entre CEUEL e UEL, o que piora cada vez mais a situação dos moradores. Por isso a Universidade volta a fazer contratos mensais com a casa por mais alguns anos, até a suspensão completa do convênio.

A situação fica mais insustentável ainda com o fechamento do RU em 1991, provocando o fim dos recursos para a Casa do Estudante e a geração de muitas dívidas. Diante desse quadro o Conselho de Administração da UEL toma a decisão de vender os imóveis da CEUEL e RU e destinaria essa verba para a construção do novo Restaurante Universitário no campus. Os moradores da CEUEL decidiram resistir, baseados na justificativa de que apesar do terreno da casa ser da UEL, as construções pertencem ao DCE e a CEUEL.

Assim começam as pressões para os estudantes abandonarem a casa, tanto que até cortaram o fornecimento de energia elétrica, fato que levou a diversas movimentações de estudantes e da comunidade externa. A UEL, para amenizar o conflito, decide não vender o imóvel, mas sim cedê-lo em um contrato de comodato à CEUEL e ao DCE, o que quer dizer que a partir disso ela não destinaria mais nenhum recurso à casa. Saber que o risco da venda havia terminado, pelo menos por algum tempo, já causou algum alívio aos moradores.

O DCE ressurgia enfraquecido, e assim a CEUEL assumiu seu caráter administrativo autônomo como uma ONG. Algumas reformas superficiais são feitas em 1994, a universidade passa a assumir as contas de água e energia. A CEUEL mantém-se financeiramente através do aluguel do prédio desativado do antigo RU, e, alguns moradores chegaram a realizar suas próprias festas nesse espaço para arrecadar verbas. Diante da ocorrência de alguns incidentes durante essas festas e do desgaste da estrutura do local os moradores são obrigados a alugar um espaço no terreno para dois outdoors, um quiosque e a servir como estacionamento.

Há, em 2000, novas propostas para a construção de uma Casa do Estudante no campus, reacendendo a polêmica da venda da casa. Mas, segundo a CEUEL, não é necessária a venda do imóvel antigo para a construção de uma nova moradia. Dois anos mais tarde aconteceram problemas com relação ao processo seletivo para a entrada na casa e a falta de vagas na mesma. Isso obriga a UEL a reformar o antigo RU para que servisse de abrigo também, assim a Casa passou a hospedar 62 moradores e o Anexo RU reformado 10.

Com a defasagem do Estatuto de Regimento Interno da Casa, que é o mesmo desde o início, tornou-se muito difícil administrar a CEUEL. Somando-se a esse problema à outros como: a necessidade de reforma ampla na estrutura física, o presidente da Casa, em 2003, pede a institucionalização da CEUEL, ou seja, a UEL assumiria toda a responsabilidade legal referente à Casa.

Esse processo dá seus primeiros passos até que um laudo de vistoria técnica formado por engenheiros e arquitetos condena o prédio, fato que inviabilizou o processo seletivo para a casa no início de 2004. Mas, mesmo assim, os moradores decidiram em assembléia aceitar mais 14 novos hóspedes. Agora há um impasse, pois o prédio é declarado inabitável e o orçamento necessário para sua reforma quase financiaria a construção de uma nova casa com o dobro de vagas, então o que fazer com os 72 estudantes que lá vivem?

Bolsas de auxílio moradia foram oferecidas pela universidade, no valor de 150 reais, no entanto, os estudantes recusaram-nas, justificando que isso dissolveria a instituição CEUEL, e esta faz uma contra proposta: a UEL providenciaria um imóvel que oferecesse condições de moradia para todos os estudantes até a construção da nova casa, ou a reforma do antigo prédio.

Então, em agosto desse ano, a UEL manifesta a decisão de alugar um imóvel para abrigar os moradores da CEUEL até que a casa do campus esteja pronta. Os estudantes aguardam o aluguel do imóvel e a construção da nova Casa do Estudante na UEL, uma das promessas da atual reitora da universidade.

SITUAÇÃO ATUAL: Os recortes de jornal que decoram a Sala de Estudos da CEUEL foram um curioso panorama sobre a história da Casa. Notícias das décadas de 70, 80 e 90 misturam-se e confundem-se, muitas vezes com as mesmas manchetes, geralmente relacionadas às promessas de novas verbas para a Casa ou, com mais freqüência, ao fechamento da mesma.

Problemas na instalação elétrica e no encanamento, rachaduras, vazamento dos sanitários, superlotação, são apenas alguns dos problemas que os moradores da CEUEL enfrentam diariamente. "Nós temos pessoas vivendo em condições sub-humanas. Existem absurdos acontecendo aqui dentro", diz Danilo Ramos Meira da Silva, presidente da Casa.

Além dos problemas de caráter estrutural da Casa (reformas, manutenção, compra de produtos e materiais de uso coletivo), há a necessidade da reformulação no Estatuto e no Regimento Interno da CEUEL, que foram feitos em 1974. "Existem leis no Estatuto que já não funcionam e existem as que ainda são válidas. Mas eu não posso puxar do Estatuto só as leis que me interessam. Ou eu uso todas as leis, ou eu não uso nenhuma", explica Danilo.

Todos estes problemas somados à busca por uma melhor qualidade vida levaram à alternativa da institucionalização, que traria uma maior estabilidade administrativa para que a casa pudesse se reorganizar e ao mesmo tempo conservar uma certa autonomia interna.

As negociações entre a UEL e a Casa são amigáveis, diferentemente do ocorrido em épocas passadas. Grande parte desta boa relação, Danilo credita a atual conjuntura do País e da Universidade. "O governo atual é petista e tem todo aquele discurso populista. A reitora (Lygia Pupato) é petista. O discurso dela dentro da Universidade é outro, diferente dos antigos reitores. Por exemplo, em 91, quando o reitor quis tirar o pessoal daqui, foi guerra. (...) a reitoria estava contra os estudantes. Agora não. Desde o início das negociações, a administração vem com aquele discurso, estamos preocupados com o bem estar de vocês dentro da casa '. A intenção deles era criar um auxílio moradia, a nossa intenção não era esta. Então surgiu a idéia do aluguel do imóvel". Danilo ainda lembra que a reitora é uma figura política e sua imagem associada à uma administração insatisfatória poderia ser prejudicial às suas pretensões futuras. "A administração está evitando escândalos o tempo todo. Não foi necessário brigar, ameaçar chamar a imprensa. Eles sabem que é fácil transformar a Casa em um escândalo. Eles dizem que vão alugar a casa, ceder às nossas propostas e aos nossos argumentos".

Outra situação que talvez possa tomar novos rumos com a administração petista é a da construção da nova Casa do Estudante no Campus Universitário. Ë possível que as medidas populistas abranjam também esta lenda urbana da cidade de Londrina. A previsão é de que a nova Casa demore em torno de dois anos para ser construída. Entretanto, Danilo ressalva que esta questão ainda encontra-se "... na esfera abstrata da reitora conseguir verba para construir a Casa".

COTAS: A recente implantação de 40% de cotas (20% para negros e 20% para estudantes de escolas públicas) deveria trazer a discussão de outro problema que afeta a CEUEL : a política de assistência estudantil. Deveria, mas dificilmente traz.

A euforia em torno da aprovação da medida é tanta que poucos questionam se a UEL realmente tem estrutura para comportar tal sistema. "A assistência estudantil prevê auxílio moradia, alimentação gratuita, bolsa trabalho e tratamento médico digno. A UEL não tem isto. Não tem condições de receber o sistema de cotas. As pessoas acham isso lindo, 'ai tem cotas, que legal'. Mas a Universidade não está preparada. A reitora quis implantar as cotas para ter sua imagem ligada a medidas democráticas, ao discurso populista de inserção das massas no ensino público que qualidade. Uma nova política de assistência estudantil deveria ser implantada junto com as cotas, mas ela nem existe".

Outro agravante da implantação do sistema de cotas na UEL é o fato dele ter sido aprovado de maneira "atropelada". Não houve discussão entre os universitários, os CAs não tiveram tempo para consultar os estudantes, o DCE não teve tempo de discutir, nem de deliberar nada. Para Danilo, isto ocorreu porque as cotas não vieram de um apelo popular e sim de interesses dos administradores da Universidade. "Diferentemente da Bahia, onde as cotas vieram da massa para a instituição, as cotas da UEL vieram de cima para baixo. Veio do alto escalão da UEL, impondo por cima dos estudantes, sem dar tempo para eles discutirem nada", argumenta Danilo.

A situação atual da Casa do Estudante ilustra o descaso com que a UEL trata sua política de assistência estudantil. Vale lembrar que a Universidade está eticamente proibida de selecionar pessoas para residir na Casa, uma vez que ela foi considerada inabitável pelo laudo de vistoria expedido em março passado. Assim, fica a dúvida de como a UEL pretende lidar com esta situação, a partir do ano que vem, quando a implantação das cotas provavelmente acarretará em uma maior demanda por políticas de assistência estudantil.

Por enquanto, a administração da UEL não tem nada de concreto. Questionado sobre o assunto, Jairo Queiróz, pró-reitor de graduação, disse por telefone, que a UEL ainda está em negociação com a Secretaria do Ensino Superior para a obtenção de verbas que seriam destinadas a ajudar os estudantes mais carentes, sejam eles selecionados pelo sistema de cotas ou não. Segundo ele, ainda não há previsão de quantos serão assistidos pelas verbas e o novo programa de assistência estudantil será divulgado apenas no início do próximo ano letivo.

Cotas na UEL. Texto antigo, que estava na gaveta. Veja como foi a conquista, em 2004:

          Após várias discussões sobre a política de cotas, a Universidade Estadual de Londrina, implantará no vestibular de Janeiro de 2005, a política de 40% de vagas para estudantes que cursaram o ensino médio integralmente nas escolas públicas. Isso representa 1.204 vagas das 3.010 disponíveis. Metade das vagas, 20% do total, será para alunos negros e pardos (será levada em consideração a documentação do candidato). Esse percentual se aproxima do índice da população negra em Londrina, que é de 23%, conforme dados do IBGE. No Paraná a população negra e parda chega a 21%. A justificativa da UEL é refletir na universidade a realidade da população. Atualmente Londrina abriga 85% dos alunos do ensino médio em escolas públicas e 15% em particulares. No vestibular, 43% dos aprovados são de escolas públicas e representam 2/3 dos cursos menos concorridos. Nos cursos mais concorridos a representação não passa dos 10%. A adoção de cotas no ensino público é algo que realmente pode mudar a concepção da educação em nosso país. Poucas são as pessoas oriundas de escolas públicas que conseguem ingressar na universidade, concluir o curso e tirar diploma que lhe dê possibilidades de garantir dignidade.

          No Brasil, esta iniciativa vem de encontro com as necessidades das populações pobres e carentes. Muitos setores da burguesia, que tem filhos em colégios particulares e que tem possibilidades e condições financeiras de matriculá-los na universidade particular, afirmam que o aluno da escola pública pode prejudicar a qualidade do ensino com sua carência, sendo obrigado a comprar material, tirar xerox, tomar lanche e ir ao estágio. Muitos justificam o absurdo de que o pobre não consegue acompanhar o colega que tem condições financeiras.

          A discriminação e o preconceito são reflexos da sociedade controlada pela minoria que observa para si mesmo, esquecendo-se das reformas essenciais para o país acabar com a pobreza, injustiça e desigualdade. A atitude da Universidade Estadual de Londrina é algo que pode mudar a concepção do ensino e dar oportunidade para a pessoa que quer estudar, mas não tem condições financeiras para freqüentar a Universidade particular. Segundo a Resolução nº 78/2004, o artigo 3º, inciso III da Constituição Federal, que define como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. O sistema de cotas da UEL está baseado em compromissos internacionais formados pelo Governo Brasileiro com o Plano de Ação Durban, produto da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, xenofobia e intolerância correlata, no qual governos e organizações da sociedade civil, de todas as partes do mundo, se reuniram no ano 2000 na África do Sul e se comprometeram com a elaboração de medidas globais contra o racismo e discriminação racial.

          A medida irá vigorar por sete anos e foi aprovada em 23 de julho deste ano. Dos 45 conselheiros presentes com direito a voto, 31 votaram a favor da proposta. Outras universidades estaduais e federais, como a Universidade de Brasília e a Federal da Bahia aplicaram cotas para aumentar a representação do negro e diminuir a exclusão social com bons resultados e buscando diminuir a situação de inferioridade por que passa a maioria dos estudantes brasileiros. .

          João Lino, de 53 anos é integrante do Conselho da Comunidade Negra. Desde o primeiro momento defende as cotas e entende que é através de medidas como essa ajudam a construção da sociedade passando da questão jurídica. As cotas não ferem a constituição, mas promove a igualdade e ajuda na formação da institucionalização e na luta para arrumar o passado, corrigir as injustiças e reorganizar o país.

          Kabengele Munanga, antropólogo da Universidade de São Paulo, diz que cotas para pobres, negros, índios e pardos, parte para questões de desigualdades no trabalho, saúde, lazer, política e esporte. A partir da educação se cria possibilidades para acabar com a pobreza e desigualdades sociais. Os países desenvolvidos investem muito na educação. Nos países da África, Ásia e América Latina, as taxas de escolaridade e de vida são baixas, implicando na exclusão social. Nos anos 50 a Índia conheceu o sistema de cotas para legisladores, conselheiros públicos e universidades. Nos Estados Unidos, a luta dos movimentos afro-americanos, como os Panteras Negras, movimentou o cenário do país. A partir dessas lutas criaram-se práticas para inclusão. Em 1960, apenas 3% da população negra frequentava as universidades, hoje o percentual é de 33%. Além dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Inglaterra implantaram as cotas.

Os politiqueiros.

Ainda não estamos no período eleitoral, mas é incrível! Quando chega esta época, os problemas sociais se tornem fáceis de resolver. A massa que é tratada como “povão”, em sentido pejorativo e ignorada pela elite, como os personagens da novela que fazem apologia ao modo de vida da classe ociosa, isto é, sempre há um executivo bem sucedido que aparece como herói e esculacha a plebe.

Voltando aos aspectos concretos da classe dominante, a massa desfavorecida se torna virtuosa e glorificada pelas virtudes da simplicidade e humildade, sendo “os que nunca desistem”. A moralidade e a ética reinam em todos os discursos, criando harmonia numa sociedade em constante conflito. A ilusão a partir da retórica, é que o capitalista tem poder sobre os oprimidos, conformados, excluídos e miseráveis de espírito. Na sociedade atual o conflito entre a burguesia e o proletariado tem pouca dimensão, tendo a guerra dos excluídos pouco caráter político no sentido da sociedade justa que utiliza meios que remetem a barbárie e demonstra contradições da sociedade hora latente, hora selvagem.

Os políticos, mesmo os que nasceram na virtuosidade do povo, criam intrigas pelo poder. Integrantes de grupos de poder econômico aparados pela máquina do estado, brigam pela perpetuação e definição dos nossos destinos e potencialização das virtudes do povo. Estes grupos não são homogêneos e a competição entre si fecha as possíveis brechas aos excluídos e oprimidos. É possível mostrar que um torneiro mecânico se torne líder perante aristocratas europeus e heróis de resgate dos Estados Unidos. Os que têm maior chance na disputa demagógica é formada e financiada pelas “castas” econômicas, enquanto a ordem vigente é questionada pela retórica ou por projetos mirabolantes, como a reconstrução de Londrina apresentada pelos futuros “chefes comunitários”, ficando reduzidos em segunda ordem à miséria social, política, econômica e cultural.

Somente a geração de empregos diretos com incentivos fiscais, ou doações de terrenos duvidosas, para atração de empresas, não resolve os problemas sociais. Discursos de Responsabilidade Social, propagandas institucionais e filantropia, não acabam com o cerne da miséria social. Debates e discussões não são feitos, como a vinda dum hipermercado a Londrina ou a construção dum teatro municipal. A voz do pobre diz que a melhor saída seria a vinda dum hipermercado que o tirasse do desemprego e lhe desse oportunidade de trabalho, sendo que o teatro é supérfluo, sendo “coisa para rico”. Entretanto, não é questionada a qualidade dos empregos, a exploração dos trabalhadores, sabe-se que muitos empresários passam por cima de direitos trabalhistas e dão pouca dignidade aos funcionários. O teatro traz qualidade de vida e é utilizado na capacitação cultural das classes mais baixas. Portanto, os empregos são necessários para qualidade de vida, mas é necessário que dêem dignidade e potencializem o espírito criativo do homem, além de gerar renda. Os discursos são unidimensionais, onde a qualidade de vida é emprego e educação. O velho modelo positivista é cego para a criatividade e diz que segurança é questão de policia.

Não se vê a transformação política privilegiando a autonomia do indivíduo e a constante participação coletiva e cultural tendo em vista projetos que incentivem a criatividade das massas, transformação educacional que impulsione o lúdico. A visão completa da realidade não é unidimensional, linear e parcelar, contendo apenas tecnicismo e emerso na ordem que reprime e massifica, ou seja, a criação dum bando robótico. No lugar disso deve haver transformação econômica introduzindo modos de produção que incentive a solidariedade, igualdade e fraternidade. Incentivar propriedades coletivas que não sejam estatizadas e burocráticas.

O discurso parece utópico, mas o futuro prefeito não tem capacidade para isso? Já existem projetos que privilegiam alguns pontos citados, como economia solidária, modelos de educação (não só para crianças) e propriedades coletivas.

O que se sabe é que o futuro é incerto, a miséria social indica crescimento a taxas crescentes. Os candidatos que estão para se eleger dividem-se entre a corrupção descabida e propostas populistas, ignóbeis e paliativas, num continuísmo comum dos políticos. A questão está no que queremos para cidade, as mudanças são possíveis, mas parecem desacreditadas e impossíveis de serem colocadas em prática pelos líderes.

Independente do vencedor, é necessário não pestanejar e se organizar para fazer frente à miséria e a barbárie. Os estudantes devem ser mais participativos no movimento. Porém muitos questionam: “...mas eu não sou daqui, não vejo importância no futuro prefeito da cidade”, é por isso, por falta de consciência política que a corrupção corrompe o sistema.

Mercado Editorial.

          Dizer que o brasileiro não possui o hábito de ler já se tornou lugar comum. Essa triste realidade é, porém, fácil de se comprovar. O Brasil tem hoje cerca de vinte milhões de leitores, ou seja, apenas 11% da população tem acesso à leitura. Segundo dados da Unesco, mais de mil municípios brasileiros não contam com acervo público de livros e, de acordo com pesquisa feita pelos professores Fábio Sá Earp, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e George Kornis, da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), a quantidade de livros vendidos no país caiu pela metade desde 1995. Além de tudo, temos de ouvir que a cidade de Buenos Aires possui mais livrarias que todo o Brasil. Lenda ou não, é um sinal de que por aqui o livro é deixado em segundo plano.

         O problema do livro no Brasil são vários. Não há bibliotecas disponíveis para todos e quando elas existem, seus acervos nem sempre são atualizados e de qualidade. A leitura é incentivada em campanhas esporádicas de governos e setores da sociedade civil organizada, não se tornando política permanente de educação nas escolas. A pedagogia de estimulo à leitura na idade escolar é muitas vezes frágil, criando desde a infância o desapego pelos livros. Falta ainda para o Brasil políticas de incentivo a cadeia de produção livreira, que abrangesse os produtores de matéria-prima, os criadores, os editores e os livreiros.

          A Universidade Estadual de Londrina conta com sua própria editora e como tal acompanha os debates sobre a questão do livro no Brasil. Para falar mais sobre a editora, que realizou a primeira Feira do Livro de Londrina, e também sobre o mercado editorial e seus problemas, a professora Patrícia de Castro Santos, diretora da EDUEL na atual gestão, concedeu entrevista ao O Posições:

Qual a situação da EDUEL hoje?
A EDUEL vem crescendo nesses dois anos, que é período da nossa administração aqui. Já conta muitos títulos publicados, foi finalista nesse ano do prêmio Jabuti na área de teoria e crítica literária, maior prêmio de literatura concedido na América. Então para gente foi bastante importante. Enfim, a editora vem publicando e vendendo bem, o que é bom sinal, porque o que estamos fazendo está interessando; tendo prêmios, é o reconhecimento da qualidade, não só a parte comercial, mas de qualidade; conseguindo fazer eventos importantes, a feira é um evento importante; com lançamentos concorridos.

Qual a média livros publicados pela editora nos últimos anos?
A média desse ano está sendo de 3 a 4 livros/mês, que é uma média boa para as editoras universitárias. Não é a média da EDUSP (Editora da Universidade de São Paulo), a EDUSP é bem maior, mas é a média da editora da UNICAMP, da UFMG...

Os livros publicados aqui têm alcance nacional?
Têm um alcance nacional. Hoje temos uma rede de distribuição bastante grande, que atinge o Brasil todo com um pouco menos de eficiência no Norte e Nordeste, por uma questão de custo: o preço do frete é muito alto.

Quais os critérios para a publicação de livros pela editora, são mais professores, mestres e doutores?
O critério não é de titulação do proponente, o critério é de qualidade da obra indicada. A obra é apreciada pelo conselho editorial, que indica, caso seja aprovado nessa primeira consulta, um assessor para fazer um parecer externo, o que chamamos de parecer ad hoc. Todas as obras recebem dois pareceres. Com base nos pareceres o conselho decide se pública ou não.

A receita da EDUEL é reinvestida no desenvolvimento da editora?
Ela é reinvestida 100% na própria editora. A editora hoje conta com um número grande de estagiários. Desses, 10 recebem uma bolsa-estágio através do convênio entre a editora e a fundação. Tem investido em cursos para seus profissionais e para seus estagiários, então o investimento não é só no profissional da editora, mas também no estagiário, na medida do possível é claro. E têm equipamentos, reformas de espaço, adequação, fizemos agora reforma da livraria para atender melhor o público, para que as pessoas se sintam mais confortáveis no espaço do livro.

Os livros da EDUEL atingiram um patamar de qualidade. Eles têm um acabamento bom, um papel especial, mas ao mesmo tempo custam caro, de 25 a 35 reais em média. Isso não torna um pouco proibitivo o livro para uma camada mais ampla de leitores?
O problema do preço no Brasil não é porque o livro tem ou não tem qualidade. O problema do preço do livro no Brasil é o mercado. E o que estou chamando de mercado? O Brasil tem 20 milhões de leitores, para um país com nossa dimensão e população é muito pouco. Então o que acontece? Nenhuma editora hoje consegue fazer grandes tiragens. Onde você consegue diminuir o custo, o preço? Na quantidade. Você dilui o custo por uma quantidade muito maior. Há no livro um custo fixo. O papel não é fixo, mas eu tenho um custo de produção, que pouco importa se eu vou imprimir um ou um milhão, aquele custo é o mesmo. Este custo fixo, se eu tiver uma tiragem grande, eu vou diluir nessa tiragem e o preço cai. Se a minha tiragem for pequena esse custo vai ser diluído por uma tiragem pequena e o preço sobe
Agora, eu acho que essa coisa do livro caro é místico. Místico no sentido de senso comum, porque tão caro quanto o livro é o cd, o dvd, o ingresso de cinema, quer dizer, os bens culturais no Brasil são caros.

Daí entraríamos em outra questão, que é a cópia de livros. Como vocês, que fazem parte do mercado editorial, vêem isso?
Cópia de livro é crime.

Cópia de livro é crime, assim como cópia de cds é crime, cópia de dvd’s é crime, mas é muito difundida porque muitas pessoas não têm acesso a esses bens e fazem a cópia.
Isso é um círculo vicioso, porque na medida em que você tira cópia você não amplia o potencial comprador, então as tiragens continuarão sendo pequenas e o custo fixo será dividido, diluído, em uma tiragem menor. Junto com isso, e aí eu vou falar do livro, não há uma política de incentivo ao livro. Agora vai ser aprovada a Lei do Livro, mas a política de incentivo no Brasil é para o livro e só, ela não é para o livreiro, por exemplo. O Brasil tem mais editoras do que livrarias. O livreiro paga todos os impostos, o livreiro paga impostos como quem revende carros, então não é só o editor. Falta uma política de incentivo para o livreiro e ao lado disso você tem a questão da valorização do livro. O livro é caro? Você gastou trinta reais por uma coisa que você vai ter pela vida inteira. Você compra uma calça por trinta reais e ela dura três meses, um ano, mas a calça por trinta reais é barata na concepção de todo mundo

Então não seria um problema do livro, e sim um problema de leitores?
É um problema de cultura, uma questão de cultura. 

Mas para se começar a atingir um público leitor maior não teria que se partir de um patamar mais baixo, vendendo livros a preços mais populares para se conquistar o público leitor?
Acontece que o livro não brota dentro da editora, ele tem um custo. Quer dizer, o livro universitário já tem um custo subsidiado, ele é mais barato que qualquer livro, deveria ser mais barato que na Companhia das Letras ou que na Cosac e Naif. Onde é que eles conseguem chegar no nosso preço? A tiragem deles é maior porque eles atingem um público maior porque o público para o qual essas editoras trabalham é mais amplo que o das editoras universitárias, que trabalham para o público acadêmico, muito embora nossos livros não sejam livros para serem lidos só por que está na universidade, Isso é uma mística também..

Dentro da universidade, por exemplo, você tem uma biografia extensa. Cada curso tem uma biografia básica e não dá para se comprar todos os livros. É aceitável a cópia nesses casos?
Você está falando com uma editora e eu vou dizer pra você que para mim cópia de livros é inaceitável. Sempre foi

Aí seria uma questão de mercantilização da cultura, se é aceitável ou inaceitável?
Não concordo com você. Eu acho que quem produz o livro, quem publica, é a produção dele, ele tem o direito autoral. Porque você não pode fazer um carro da Ford no quintal da sua casa, igualzinho. Isso se chama espionagem industrial

Mas conhecimento e bem industrial têm o mesmo valor?
Mas bem industrial é conhecimento. Ele não brotou, alguém pensou isso. É o conhecimento do engenheiro, é patente.

O livro, principalmente dentro da universidade, onde a função é divulgar conhecimento, tem a mesma função de um bem?
Você tem hoje medicamentos genéricos e mesmo assim você paga por eles. Porque há alguém que cria e a função dessa pessoa no mundo é o que ela faz como atividade para sustentação, é isso, é produzir esse conhecimento. Quem é que vai sustentar essa pessoa se tudo que produzir não merece receber por isso? Quem é que vai pagar água, luz, telefone, roupa, comida, enfim?

Bibi Ferreira tem uma frase que é “não me peça para dar a única coisa que tenho pra vender”
É. Todo o resto é vendido. Porque o carro não brotou, o carro é conhecimento também. Eu peguei esse exemplo da Ford, mas é o carro, é a patente, é tudo isso. Essa é a produção do “cara”, é o que ele tem. Você tirar de um músico o direito dele receber pela música que ele faz, ele vai viver do que? Ele além de ser músico vai ter que ter outra coisa para sobreviver, porque sobre a música que ele faz, ele não tem direito? O artista plástico também. Quer dizer que isso não é profissão, ele não merece ser remunerado por isso? Você como jornalista será remunerado. Todos que estão aqui estão procurando uma profissão e ninguém aqui vai trabalhar de graça, porque o escritor vai trabalhar de graça, o artista plástico, o músico?

Você disse que o acabamento, ele não afeta o preço, mas um papel de menor qualidade não seria mais barato, não no mercado editorial, mas num projeto para aumentar o público leitor? Uma editora universitária não teria como fazer um projeto assim? O Governo do Paraná há alguns anos atrás fez alguns livros que tinham capa mole e papel jornal e eram vendidos a 3, 4 reais.
Tudo subsidiado, não tem livro que custe isso, mesmo que eu faça o livro em papel jornal o livro não vai custar 3, 4 reais. Esse custo está sendo subsidiado. Não estou aqui discutindo se isso é bom ou ruim, estou te dizendo que não existe livro a esse preço. Isso é impossível. Há algum subsidio por trás desse livro

Então, qual o caminho?
Eu acho que o caminho é, primeiro, ter uma política de incentivos.

À leitura, ao livreiro?
A tudo, ao processo, ao livro. E o livro envolve o que? O livro envolve o produtor, o livro envolve o autor, o livro envolve a indústria que está ao lado do livro, que é a industria gráfica, a indústria do papel e o livreiro. A política do livro tem que levar em conta todos atores que estão envolvidos com o livro. Eu acho que essa é a primeira questão para nós ampliarmos o público leitor, e por conseqüência diminuir o custo do livro. A segunda coisa é desmistificar essa coisa de que o livro é caro. O bem cultural no Brasil que é caro não é o livro. O espetáculo da Maria Rita custa na arquibancada trinta reais, por uma hora e meia de espetáculo.

O livro seria caro por ser deixado em segundo plano?
Sim

Nossa cultura valoriza mais a tv, o cd?
Eu acho que tem que valorizar. Não estou dizendo que o show da Maria Rita é menos importante que um livro. Acho que é tão importante quanto, o cd é tão importante quanto o filme que você vai assistir. Agora, nada disso é caro, o livro é.
Não vou discordar de você, até porque sinto dificuldades na hora de comprar todos os livros que quero, mas acho que é uma desculpa fácil, eu não leio porque o livro é caro é uma desculpa fácil. Você não lê porque o livro é caro, mas têm bibliotecas. Quem quer ler, lê. E a questão do livro tem outra coisa que cria dificuldades com os jovens: o livro exige dedicação exclusiva. Você não lê fazendo outra coisa. Você ouve música, faz uma série de coisas, mas livro você tem que se desligar do resto e se dedicar a ele, inclusive o teu corpo, porque livro você segura, não da pra sentar e olhar. Livro você tem que ler, você tem que segurar, você tem que folhear. Ele exige uma coisa que essa moçada mais nova tem dificuldade porque é mais agitada, é mais ligada, sintonizada em várias coisas ao mesmo tempo, não sei se tem essa disposição. Daí esse discurso fácil de que eu não leio porque o livro é caro. Acho que precisa parar um pouco e pensar porque efetivamente eu não leio. Porque a moçada tira xerox e não lê nem a xerox que tira. Então não é questão do livro, do preço do livro. Esse é o discurso mais fácil, e que cabe a gente que trabalha com livros desmistificar.

Á tempo: Há casos de sucesso no mercado de livros
A editora L&PM conseguiu ter sucesso mesmo vendendo livros baratos. Sua edição LP%M Pocket, de livros de bolso, tem preços acessíveis graças a uma estratégia de produção e logística. A editora foi inclusive, tema de uma tese de mestrado defendida na USP (Universidade de São Paulo) por Lívio Lima de Oliveira.


O que é Reforma Universitária?

          Muito e pouco, tem-se falado sobre reforma universitária. Com certeza, em algum momento, você já ouviu sobre ela e provavelmente não sabe o que significa. A palavra reforma nos traz a idéia de melhoria e quando se trata de ensino, tendemos sempre a concordar que ela é necessária.Basta olharmos a própria UEL onde, passados mais de seis meses, ainda há falta de professores. A escassez de docentes é um dos inúmeros problemas enfrentados pelo ensino superior no Brasil. A insuficiência de recursos atrasa e sucateia as universidades públicas e quem sofre com isso é a sociedade, afinal, o conhecimento produzido no campo acadêmico, em tese, deveria ser voltado para o bem social. Assim, fica evidente que é necessário uma mudança, mas aí surge uma dúvida: por que alguns são contra e outros a favor da tal reforma?

          Em primeiro lugar é preciso entender o que é a reforma, para se poder tomar uma posição em relação a ela. O que se tem de concreto da proposta do governo federal é um documento elaborado pelo Grupo de Trabalho Interministerial, que sugere medidas para o enfrentamento da crise do ensino superior brasileiro.E, são algumas dessas sugestões que têm causado polêmica e repúdio por grupos da sociedade.
          
     O grande ponto de discussão é a questão da autonomia financeira das universidades.Tal documento sugere uma maior liberdade na captação de recursos por parte das instituições,o que quer dizer que elas ficam livres para parcerias com o setor privado.Porém, críticos afirmam que isso é uma forma do governo se isentar da responsabilidade de financiar a educação, que é um direito garantido pela Constituição. Também se discute a possível subordinação do conhecimento ao mercado, uma vez que seriam seus membros que o estariam financiando. Analisando o contexto atual de nossa sociedade, não é muito difícil imaginar os rumos que a educação tomará. Tomemos por base outros setores que embarcam nas exigências impostas pelo mercado, adaptando seus objetivos e ideais ao mundo globalizado. A cultura de massas e a imprensa são exemplos atuantes dessa subordinação.

          Esse é só o primeiro ponto criticado, outras propostas também foram duramente combatidas, principalmente no que se refere à insuficiência de vagas e na forma como o governo federal quer solucionar o problema.Sabemos que o aumento das verbas destinadas às universidades proporcionaria o aumento da oferta de vagas, porém o governo afirma que isso no momento é inviável, pois o compromisso em atingir o superávit primário compromete amargamente o orçamento público. Entretanto, como solução, é apontado o ensino a distância, que aumentaria em 500 mil o número de alunos nas instituições públicas, atingindo as metas determinadas pelo Plano Nacional de Educação.Porém, reduzir o ensino a um curso do tipo “faça você mesmo” é inadmissível, ainda mais quando associado ao programa “Universidade Para Todos”, o PROUNI, que prevê a isenção de impostos as instituições particulares em troca de bolsas de estudos a estudantes carentes. Isso pode ser considerado um desvio de verbas públicas, já que o dinheiro desses impostos poderia ser revertido para o ensino público, que nesse caso é notoriamente melhor que o privado O PROUNI foi aprovado através de uma medida provisória. Segundo o ministro Társio Genro o projeto era de urgência, pois, 87 mil alunos terão o beneficio das bolsas ainda no próximo ano. Os donos das universidades particulares agradecem, afinal, sairão de crise de inadimplência que ameaça o setor privado.

          A atitude de imposição do PROUNI, que ainda estava sendo discutido, contraria a disposição afirmada pelo Estado em discutir abertamente com a sociedade. É esse o ponto que cria divergências no movimento estudantil. A UNE é a favor da reforma, alegando que o ensino superior tem que ser melhorado, entretanto, não concorda com todos os itens inseridos no projeto oficial ,mas sugere modificações e apresenta o seu modelo de reforma, acreditando na eficiência do diálogo com o governo. Já outras organizações afirmam que essa negociação é impossível, que interesses do governo e dos estudantes são antagônicos e como a mudanças no projeto não ocorrerão, a solução é a total negação e luta contra a reforma.

         Respeitando-se ambas as posições, algo é certo:essa reforma precisa ser discutida de uma forma mais ampla. A alienação no meio acadêmico é geral, e a omissão decorrente dela é preocupante.O ensino superior brasileiro mostra-se deficiente e pode se tornar ainda mais debilitado se subordinado a interesses de mercado. E, é contra isso que devemos lutar, em busca de um ensino de qualidade e gratuito. Se conquistaremos isso estando ao lado ou contra o governo é uma escolha que devemos fazer depois do esclarecimento e debate dentro da própria universidade.É necessário levar essa discussão para as salas de aula e cobrá-la dos órgãos que nos representam como os C.As e DCE. A mudança que queremos somente será conquistada através de nossa mobilização e não com a indiferença e apatia com a qual estamos acostumados a assistir os mandos e desmandos do Estado.


Posição da UEL: A princípio a Universidade é a favor da Reforma. Isto ficou claro na entrevista concedida ao DCE pela reitora Lígia Puppato.

DCE: O governo ao propor a Reforma Universitária, se dispôs a discuti-la com a sociedade, tanto acadêmica quanto a civil.Porém, isso na prática não está acontecendo. Tanto é, que houve imposições como o Programa Universidade Para Todos, o PROUNI, aprovado na forma de medida provisória. Mas o debate foi proposto. Aqui na UEL, o que foi feito ou será feito para levar essa discussão aos estudantes?

Lígia: Eu acho que essa é a discussão mais importante que nós temos hoje no país. Nós vamos ter agora um debate que a Universidade está promovendo sobre Reforma Universitária. Vamos trazer pessoas do MEC, estamos chamando pessoas do movimento dos docentes, enfim, as visões em diferentes parâmetros sobre isso. Eu acho de extrema importância que toda a comunidade faça essa discussão.Acho que o governo federal já fez algumas discussões, eu ,inclusive, já participei de um encontro da Associação Nacional dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais no Rio de Janeiro. Participei também de uma discussão com o Ministro da Educação aqui na Universidade Federal do Paraná ,há alguns meses atrás. É lógico que quando você vai fazer uma reforma é uma coisa polêmica, você vai ter visões diferentes e não vai contemplar todo mundo.

DCE: Com os debates a respeito da Reforma, têm-se questionado a função da universidade, que seria produzir conhecimento voltado para o bem social ou conhecimento como um bem de consumo?Alguns críticos dizem que essa Reforma é mais um meio de se adequar o ensino à lógica do mercado. Já outros dizem que é uma possibilidade de ampliação da educação. Na visão da UEL, a Reforma atende qual objetivo?

Lígia: Eu acho que está ampliando.Para mim, o ponto significativo ,que vai ter peso com a Reforma, é inserserssão da universidade na sua comunidade.Eu acho que a universidade tem que ser uma mescla de várias coisas, por exemplo, ela tem que ser o local , onde se faz pesquisa básica, e também tem que continuar existindo a pesquisa de inovação tecnológica. E a hora que você discute a inovação tecnológica, logo, você tem que tomar cuidado com isso,mas você também tem que estar associado ao mercado. A universidade tem que estar preocupada em atender a demanda por tecnologia que no país é usada pelo mercado, mas não é só isso; ela também tem que ter como diretriz a sua contribuição na melhoria das condições sociais do país. Eu acho que essas três coisas fazem parte da nossa missão, elas estão presentes e nós temos que ter isso como foco de uma instituição completa, que faz ensino, pesquisa e extensão

DCE: Mas com as PPPs, parcerias público privadas, que estão sendo contempladas na Reforma Universitária, a pesquisa básica e a pesquisa de extensão, voltada para a comunidade, não seriam deixadas a um nível abaixo,para ser contemplado mais a pesquisa voltada para o mercado?

Lígia: Eu acho que não. No meu ponto de vista, as PPPs não tem nada haver com essa Reforma Universitária,

DCE: Mas o documento aponta outras formas de financiamento

Lígia: O que deixa claro, no documento que eu tenho acesso, é que o Estado tem que financiar a Universidade. Outra questão,é quando você fala dos financiamentos das agências financiadoras de pesquisa . Eu acho que há uma outra concepção , que hoje é muito bem contemplada nesses três eixos, ensino, pesquisa e extensão.Eu acho que os financiamentos têm que dar conta desses três eixos,desse foco ,porque nós estamos pensando no desenvolvimento do país.E esses três se complementam e têm que estar presentes.

DCE: Essa reforma está sendo fatiada no Congresso e uma das medidas adotadas foi o PROUNI, que vai comprar vagas nas universidades privadas.Não estaria acontecendo assim, um desvio do dinheiro, que poderia ser investido nas universidades públicas, para comprar vagas nas particulares?

Lígia: Eu acho que tem a questão do ideal e do possível. Porque, hoje o Brasil, mesmo dentro da América Latina , é o país com o menor percentual de jovens na universidade. São 9%, dos quais 70% estão nas instituições privadas e 30% nas públicas. As universidades públicas, de uma maneira geral, ficaram abandonadas nesses últimos anos. Há uma demanda enorme de jovens que querem e têm o direito de entrar na universidade.Então dos debates que eu participei, eu acho também, que o foco do governo tem que ser aumentar as vagas nas universidades públicas, só que isso não vai ser feito agora, isso é um projeto a médio e longo prazo.Você num primeiro momento desafoga essa demanda que é imensa, mas ao mesmo tempo não pode descuidar da preparação, de estar jogando dinheiro nas instituições públicas, para que a médio e longo prazo, essas vagas sejam ofertadas,como é uma das diretrizes da Reforma . Eu acho que são questões paralelas, veja bem , se você esperar mais quatro anos , são quatros gerações que estão aí , sem qualquer possibilidade de ensino público.

DCE: Um dos projetos para aumentar as vagas nas universidades públicas seria o sistema de ensino a distância. Isso não prejudicaria a qualidade do ensino?

Lígia: Eu acho que sim. Mas, infelizmente, isso é uma coisa que não tem volta. Eu participei de um congresso mundial em Cuba, no começo do ano, que discutia o ensino superior no mundo, logicamente, voltado para a América Latina. E a avaliação de todo mundo que estava lá, os mais diferentes países, é que para superar essa demanda pelo ensino superior, que existe nos países latinos como um todo,não há possibilidade de você corrigir isso em curto prazo, a não ser pelo ensino a distância.

DCE: Mas vale a pena?

Lígia: Pois é, há um ano e meio atrás nós aqui da UEL achamos que não valia a pena ,mas você tem que começar também a refletir e estudar sobre isso. A gente tem que ter informação, quanto mais eu participo de discussões, tanto nacionais quanto internacionais, todas as argumentações que eu ouço são nesse sentido.Eu acho que é uma preocupação que nós temos que ter, uma reflexão, eu digo que é um mecanismo que não tem volta baseado nas discussões que estou fazendo. Hoje, a maior parte das universidades públicas do Brasil já têm ensino a distância. Aqui no Paraná, a Universidade Federal do Paraná e as Universidades de Ponta Grossa e Maringá já têm o ensino a distância. Nós estamos como uma ilha e acho que daqui a pouco, vai haver uma cobrança da sociedade como um todo, para que isso aconteça. É uma situação que nós temos que refletir sem perder o foco da situação ideal.

DCE: De uma forma geral a UEL aprova a proposta da Reforma Universitária?

Lígia: Sim, dentro dos parâmetros que eu te falei, e que eu acho que são os pilares que norteiam a Reforma, pilares que a gente sempre brigou, como o bem público,a autonomia didática e financeira, a inclusão social, a mudança no sistema de avaliação e permanência. Agora obviamente, são pilares que nós precisamos saber no detalhamento como isso vai ficar.

DCE: Mesmo correndo o risco de acontecer como na Reforma da Previdência , na qual existia o ideal e o possível.Mas depois, o que foi aprovado não foi nem o ideal nem o possível ?

Lígia: Mas nós não vamos querer isso .Isso que estou te falando está escrito. Autonomia e financiamento , avaliação, estrutura de gestão, isso está num documento e esses são pilares de documentos redigidos e a gente vai brigar por isso. Se for isso que está escrito, a gente consegue avançar, se não for que pena, porque eu acho que nós estamos em um momento de repensar toda a universidade. Mas qual é a situação ideal? Hoje, é uma reflexão.O profissional que nós formamos hoje, tem que ter uma visão global daquilo e não uma visão direcionada, como era antigamente. Todos nós, em qualquer mudança que sejamos submetidos ,é natural que existam resistências , só que o novo também tem que ser refletido.Tem que haver muita discussão sobre isso, por isso ,eu digo ,não sou totalmente a favor ou totalmente contra, nós temos que mudar, isso para mim é muito claro, e como nos vamos fazer isso...?

DCE: E a posição que os alunos escolherem, a UEL vai levar em consideração ou não?

Lígia: A minha proposta é que a universidade como um todo discuta isso, os alunos junto com os docentes, porque a universidade somos nós que fazemos. Essa troca de idéia e reflexão tem que existir de todo mundo. Todos nós estamos envolvidos no processo. Por isso,vamos fazer os debates e uma ampla divulgação, para que o maior número de pessoas participem. e discutam, para que a gente possa contribuir com o debate nacional. Para que as coisas aconteçam se possível da melhor maneira possível e do jeito que a gente acredita.

Por dentro da Universidade: saiba um pouco sobre a EDUEL

A Universidade Estadual de Londrina possui sua própria editora. Desconhecida para muitos alunos, a EDUEL (Editora da Universidade Estadual de Londrina) localiza-se no próprio Campus Universitário. Com média de 4 livros/mês, seu volume de publicação equipara-se ao das editoras da UNICAMP (Universidade de Campinas) e UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Os livros publicados pela EDUEL chegam hoje a todas as regiões do Brasil. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste a editora têm cobertura de quase 100%, e nas regiões Norte e Nordeste, onde a distribuição é menos eficiente devido ao alto custo do transporte, está presente fundamentalmente nas livrarias universitárias .

Segundo a diretora da EDUEL, professora Patrícia de Castro Santos, a editora vem crescendo, vendendo bem, recebendo prêmios, realizando eventos importantes, enfim, tendo seu trabalho reconhecido e até recebendo prêmios da Academia Brasileira de Letras. Na área de eventos, a diretora cita a Primeira Feira do Livro de Londrina, realizada pela editora em agosto. Para Patrícia, o objetivo maior da feira é estabelecer em Londrina um grande evento literário, já que o município possui dois eventos culturais de grande porte nas áreas de música – o Festival de Música de Londrina - e teatro – o Festival Internacional de Londrina – mas nenhum na área de livros.

Com mais livros publicados e realizando mais vendas, a receita da editora tende a aumentar. Essa receita é reinvestida 100% na própria editora. A diretora menciona a compra de equipamentos, reformas na estrutura física e adequação de espaços, como a realizada na livraria da EDUEL para atender o público universitário.

A quem interessar possa, a professora Patrícia diz que os critérios de publicação da editora não são os de titulação do proponente, mas sim de qualidade da obra indicada. Ou seja, nem só professores, mestres e doutores podem ter seus livros publicados pela EDUEL. Porém, como toda editora universitária, o livro precisa possuir caráter acadêmico.

Análise comparativa: Valor Econômico e Gazeta Mercantil.

Análise comparativa: Valor Econômico e Gazeta Mercantil.

Pré-projeto da Atividade Acadêmica
3 NIC 096-Trabalho de Conclusão de Curso
Discente Marcelo Souto Severino
Comunicação Social – Jornalismo


Sumário

1 - Tema
2 - Formulação do problema
3 - Introdução
4 - Justificativa
5 - Objetivos da pesquisa:
5.1 – Geral
5.2 - Específico
6 - Procedimentos Metodológicos
7 - Referenciais Teóricos
8 - Cronograma  
9 - Referências Bibliográficas    

1 – Tema
- Análise comparativa dos dois principais jornais de economia que circulam no Brasil: Valor Econômico e Gazeta Mercantil
- Área de Concentração: Jornalismo
- Linha de Pesquisa 1: Jornalismo Especializado – Mídias Impressas, audiovisuais e interativas
- Palavras-chave: Jornalismo e jornal.

2 – Formulação do problema
Qual é o interesse das matérias e temas abordadas pelos jornais?
O que isso representa para a sociedade e com eles podem ajudam na melhoria da mesma?
Quem são os leitores de Valor Econômico e Gazeta Mercantil e porque lêem estas publicações?
São importantes para seus negócios, desenvolvimento de emprego e capital?
Os jornais, como fonte de informação, ajudam o leitor a melhorar seus investimentos ou na concorrência com outras empresas?

3 - Introdução
“O jornalismo é essencialmente pragmático. Acima de nosso saber apriorístico e nossos juízos de valor, tão importantes para o jornalista, a verdade jornalística a ser trabalhada e transmitida em cada momento é sempre a verdade contingente, que decorre da verdade dos fatos, de cada nova observação e não de uma crença. A reportagem é o exercício de busca dessa verdade dos fatos e por isso ela é central no jornalismo. É preciso sempre ver o que há além da mera aparência desses fatos; contextualizar, interpretar e analisar os fatos. Para isso, quanto mais conhecimento melhor.” (Kucinski, 1996, p 21)

O jornalismo é peça fundamental na cobertura de negócios, empresas, finanças e tecnologias, pois usa o conhecimento para organizar mecanismos do capital. Quando o jornalista consegue deslindar esses mecanismos, ele passa a entender a mecânica do setor.

Na cobertura de políticas de governo e dos problemas macroeconômicos, é essencial o conhecimento das relações mais importantes entre as variáveis econômicas,. Deve-se saber, por exemplo, qual a relação entre taxa de câmbio e taxa de juros, ou entre taxa de juros e nível de atividade econômica. Saber por quê uma elevação da taxa de juros pode levar a uma valorização da moeda ou por que juros mais altos podem esfriar a atividade econômica. Cada uma dessas relações se desdobra em outras, de segunda ordem, com efeitos menores, em geral no sentido contrário.

4 - Justificativa
O Jornalismo Econômico ajuda os leitores a ter mais clareza sobre medidas do Governo; variação de preços; inflação e deflação; mercado de ações; moedas estrangeiras; juros e rendimentos da poupança; geração de emprego; etc. Enfim, várias situações que interferem e influenciam no “bolso” do consumidor podem ser explicados pelo Jornalismo Econômico e essas duas publicações são as que mais satisfazem por serem diárias e cobrirem especificamente a economia.

Vários jornalistas sentem deficiência nos currículos de seus cursos, que não trazem conhecimento sobre economia. Como resultado, o espaço do jornalismo econômico é ocupado por economistas e sociólogos, que não se referenciam pela ética do jornalismo, além de muitos jornalistas tornarem-se autodidatas para cumprir esta ocupação.

Ávidos por informação, muitas pessoas se conectam com redes de dados mundiais e buscam a informação nos veículos impressos, para que seus negócios tenham mais rentabilidade. No Brasil, o Valor Econômico e a Gazeta Mercantil, publicam diariamente, notícias que podem orientar a melhor forma de investimento e aplicação de capitais, além de cotações que ajudam tanto o empresário que trabalha com o dólar, ou o agricultor que irá vender sua colheita.

O jornalismo econômico cria vantagem aos mercados centrais em relação aos periféricos, pois o acesso ao grande volume de informações dá a investidores, agricultores e empresários, ganhos absolutos e predomínio dos fluxos e mercados financeiros. Um exemplo bem simples: Segundo o jornal Valor Econômico, de 20 de junho (página B12), o preço mínimo da arroba (15 kilos) do Boi Gordo, com pagamento a vista, estava cotado em R$ 53,01, em São José do Rio Preto/Barretos, no interior de São Paulo. A mesma arroba e forma de pagamento do produto Boi Gordo, é possível ser encontrada no dia 20 de junho, por R$ 46,99 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. É uma diferença de R$ 6,02, que multiplicada por milhares de arroba, tem uma diferença significativa.

Segundo o site do Valor Econômico (www.valor.com.br), “a revolução causada pela Era da Informação e pelos jornais democratizou a informação, ao baratear produções, facilitar seu acesso e principalmente: gerar investimentos de expansão que criam novos empregos”.

Em relação aos motivos pessoais que levam o autor a desenvolver este trabalho, é pelo interesse no assunto jornalismo econômico e pela abordagem que os jornais trazem aos leitores. Esta afirmação é devido a análise do assunto ser de extrema importância no desenvolvimento do capital e da sociedade, pois sem o jornalismo, estaríamos fadados ao subdesenvolvimento e principalmente a não transmissão do conhecimento para as futuras gerações, além da informação ser essencial para existência da sociedade moderna.

Em relação ao jornalismo econômico, se espera que esta especialidade crie mais leitores, pois com a Era da Informação, existe a tendência cada vez maior de se criar meios para desenvolver a sociedade e a comunicação. A economia é uma delas. Devido ao desenvolvimento econômico, é possível maiores taxas de emprego, rendimento, salários, educação, e outros fins que dão ao jornalismo econômico assuntos que não interessam somente a quem está inserido neste mercado, mas aos que querem conhecer mais sobre futuras viabilidades do trabalho e o que se espera da industrialização e informatização dos meios.

Sobre o Valor Eonômico: O Valor Econômico S/A, recentemente completou cinco anos de existência se consolida como o mais influente jornal de economia do país, com mais cem jornalistas compondo a redação, que reúne uma das mais especializadas equipes de articulistas nacionais e internacionais, da imprensa brasileira. Lançado em 2000 pelos grupos Folha e Globo, o Valor pretendia ser um jornal moderno, dinâmico e de fácil compreensão, sem perder a profundidade e a precisão técnica que o seu público-alvo exigia. A proposta editorial e a seriedade no trato com as notícias também possibilitaram a conquista de diversos prêmios para o veículo e seus colaboradores. Nos cinco anos de história do Valor, já são cerca de 40 prêmios conquistados. Também foram vários os furos de reportagem com impacto nacional e internacional. Do ponto de vista publicitário, o jornal passa por um bom momento - sua receita deste ano deve superar em cerca de 30% a 40% a do principal concorrente. Como reflexo da boa penetração do Valor, as mais importantes companhias abertas do país o escolheram como o principal jornal para a veiculação de seus balanços e outros atos legais. A tiragem do jornal, atualmente, supera a casa dos 60 mil exemplares, dos quais 50 mil fazem parte da carteira de assinantes. Esses números são validados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC). Estimativas do Ibope apresentam um número de 200 mil leitores diários, considerando cerca de 3,6 leitores/edição. Com amplitude nacional, principalmente no eixo São Paulo/Rio de Janeiro/Brasília, o jornal já pode ser encontrado na Argentina desde o começo de 2005. O próximo passo é a entrada no Chile. (Fonte: www.valor.com.br).

Sobre a Gazeta Mercantil: Fundado em 1920 e publicado pela Editora JB S.A., se consolida no sistema extraindo do noticiário político cotidiano a informação econômica e de negócios voltada para o estímulo do desenvolvimento de uma economia capitalista de livre mercado. O aquecimento da economia e o grande volume de negócios e moeda estrangeira em, circulação abre um espaço no mercado editorial brasileiro para um jornal de negócios a exemplo do que ocorre nos países industrializados.

No princípio aparece como um jornal de negócios, com obrigação de prestar serviço ao empresário. A exemplo dos similares estrangeiros, a Gazeta institucionaliza a sub-setorização de matérias-primas, finanças, indústria, agricultura, etc. Consolidado como jornal de negócios, a Gazeta Mercantil passa a editar outras publicações especializadas na área de economia, como balanço financeiro dos bancos e do mercado de capitais, as maiores e melhores empresas da economia. (Fonte: CONSTANTINO,
Luciana Monte. Jornalismo Econômico no Brasil e Mercosul – p. 26 e 27).

Hoje a Gazeta adotou a estratégia de privilegiar matérias de marketing e negócios. Valoriza menos do que os outros a macroeconomia. Difere dos concorrentes, por exemplo, ao não publicar em manchete a decisão do Banco Central de reduzir juros. Quase sempre a manchete econômica dos outros jornais merece na Gazeta uma chamada menor. Em compensação, exige dos repórteres especialização e fontes de informação nos setores mais variados de economia. (Fonte: CALDAS, Suely. Jornalismo Econômico – p. 43 e 44)

5 – Objetivos da Pesquisa – Geral e Específico
5.1 – Geral: Mostrar a importância de cada jornal e as pautas abordadas diariamente. O trabalho será a análise comparativa das mesmas matérias publicadas por ambos, mas com ênfase na questão do desenvolvimento que eles podem ajudar a transformar. As amostras servirão para direcionar a pesquisa e como orientação para descobrir a relevância dos assuntos tratados e a importância para o leitor. Na conclusão deve se chegar a importância do que é abordado pelos mesmos. 5.2 – Específicos: Especificar e descobrir qual é o interesse das matérias e temas abordadas pelos jornais, pois devido ao seu público ser segmentado, os dois veículos tratam de assuntos específicos e de linguagem especializada. Há o interesse de mostrar como eles podem ajudar na melhoria da sociedade, pois as informações contidas, são de extrema importância para quem trabalha no meio econômico, como auditores, contadores, economistas, etc. A busca pelos leitores e o motivo que os levam a ler os jornais também são de grande importância, já que é visto que o conteúdo é importante para empresários e o crescimento do capital.

Explicar da forma mais concisa como o jornalismo econômico e a economia é abordada pelos jornais, pois são raras as análises de conteúdo destes jornais. Muitas vezes o jornalista, ou até mesmo o leitor, fica desorientado devido a quantidade de informações e o grau de dificuldade por elas apresentadas. Por isso, a ampliação do conhecimento sobre o assunto e maior embasamento através de análise comparativa, dão ao autor do trabalho maiores possibilidades de entendimento. Além da análise de conteúdo e redação de matérias relacionadas a economia, darem possibilidades de se chegar a conclusões sobre um assunto muito difícil, mais de muita importância para todos os segmentos sociais. É importante dizer que o conteúdo do jornalismo econômico, deve ser feito de forma simples, com discernimento para expressar melhor as informações no mundo globalizado. É importante dizer que os jornais, como fonte de informação, ajudam o leitor a melhorar seus investimentos e são fortes instrumentos na concorrência com outras empresas.

6 – Procedimentos Metodológicos
A pesquisa será baseada nos seguintes instrumentos:
- Bibliografia e sites relacionados a economia;
- Análise de conteúdo no período de uma semana (20 a 24 de junho), dos jornais Valor Econômico e Gazeta Mercantil;
- Entrevista com jornalistas especializados e busca de leitores para questionários.
A partir deste material, será feito um levantamento sobre a análise comparativa que constituirá o projeto e as possíveis respostas para as perguntas formuladas pelo problema.

7 – Referenciais teóricos
John Hohenberg, autor de “O Jornalista Profissional: Guia às práticas e aos princípios dos meios de comunicação de massa”, da Editora Interamericana, é professor Emeritus of Journalism na Columbia University Graduate School of Journalism, onde foi Meeman Distinguished. Professor de Journalism na University of Tennesse (1976-1977), Gannett Visiting professor of Journalism na University of Kansas (1977-1978) e conferiu o Pulitzer Prize durante 22 anos. Recebeu em 1974 o prêmio da Society of Professional Journalism/Sigma Delta Chin, por sua excepcional atuação como professor de jornalismo, tendo recebido também dois prêmios, da mesma sociedade, por dois livros que escreveu. Em 1976 foi agraciado com o Pulitzer Prize Special Award, pelos serviços que prestou ao jornalismo americano. Trabalhou como jornalista por mais de 20 anos em Nova York, Washington e em outros países.

Hohenberg diz que o jornalismo econômico causa impacto em um considerável número de pessoas, baseando-se em princípios como o aumento no custo de vida, nova estatística de desemprego, inesperada flutuação nos impostos e mudança dramática em indicadores econômicos. A grande importância disto, é que estas mudanças são acompanhadas por colunistas econômicos e interpretes de negócios e finanças, que ajudam na divulgação da economia e dão lugar ao jornalismo econômico nos jornais.

Mário Erbolato, autor de “Jornalismo Especializado – Emissão de textos no jornalismo impresso”, é jornalista e professor titular de Introdução às técnicas de jornalismo e jornalismo comparado do curso de Comunicação Social da Pontifícia Universidade de Campinas. Atuou como redator de “O Estado de São Paulo”, em Campinas e publicou diversos livros, como: Técnicas de Codificação em Jornalismo (Redação, captação e edição no jornal diário); Jornalismo Gráfico: Técnicas de Produção e Jornalismo Especializado: Emissão de textos no jornalismo Impresso. Autor de extrema importância no jornalismo, Erbolato diz que a transmissão do conhecimento no jornalismo não é tarefa atribuída a profissionais experimentados, exige-se que haja experiência aliada ao magistério, atributos que não lhe faltam. Além disso, seus livros falam sobre como abordar assuntos que figuram na imprensa diária e a ética profissional que deve predominar em cada terminologia, formas recomendáveis para texto final e o conhecimento para redigir sobre diversos assuntos. O 13 capítulo, que aborda Economia e Finanças, Erbolato afirma que “o papel do jornalismo econômico não é meramente informativo, mas contribui para impulsionar o progresso, fazendo análises e emitindo sugestões”. O autor vai mais longe ao dizer que ”o jornalismo econômico é o que mais se amplia, já que declarações de integrantes do Congresso Nacional ou das Assembléias Legislativas, a respeito dos fatos ou medidas oficiais que atinjam o comércio, a indústria ou a agricultura e mesmo alterações nos sistemas de poupança, que sejam proferidas nas tribunas parlamentares ou externadas em entrevistas, não são mais entregues a editoria de política, mas ficam entremeados aos demais textos das páginas econômicas”. Em relação às regras do jornalismo econômico, o autor nos dá a idéia de que o jornalista deve reduzir qualquer assunto técnico à altura da compreensão do leitor comum e manter a explicação, se possível com exemplos ou hipóteses.

Elcias Lustosa, autor de “O texto da notícia”, nasceu em Sobral, no Ceará, em 1947, é jornalista e professor de jornalismo com passagens pelo rádio, TV e assessorias de imprensa. Trabalhou na Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Correio Brasiliense e Voz do Brasil. Hoje é supervisor do Espaço Cultural da Câmara dos Deputados. O livro “O texto da notícia”, foi feito depois de seis anos de pesquisa e baseado em textos de sala de aula. Ultrapassando os velhos e repetidos chavões de objetividade absoluta e imparcialidade total da imprensa, o autor parte do pressuposto que a informação é um bem de consumo sujeito às leis e ao regime do mercado que a faz circular, condicionando, deste modo, a história e as formas dos meios de comunicação.

Sobre a “Notícia Econômica”, abordada no 20 capítulo, Lustosa é claro, igual a alguns autores já citados, em afirmar que o texto econômico causa enorme dificuldade de entendimento, sendo o principal problema enfrentado pelo redator de economia. Esta afirmação se baseia devido a utilização excessiva de números no esforço de traduzir fenômenos econômicos. Outra idéia importante, é que os fatos econômicos sempre indicam situações que afetam a vida das pessoas, pois divulgam fenômenos ou medidas governamentais relacionadas com bens ou ganhos de uma parcela ponderável de pessoas. Por exemplo: o aumento do imposto de renda, representa redução nos ganhos dos assalariados, assim como o aumento da gasolina, que gera mais gastos em transportes e reduz indiretamente os salários.
Nilson Lage, autor de “A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística” é jornalista, professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina desde 1992. Trabalhou no Diário Carioca, Jornal do Brasil, Última Hora, O Globo, Bloch Editores e na Televisão Educativa do Rio de Janeiro, entre outros. Também trabalhou nas assessorias de comunicação da Estrada de Ferro Central do Brasil, Caixa Econômica Federal e Eletrobrás. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e de instituições particulares. Lecionou, na UFSC, nos cursos de pós-graduação em Lingüística (do qual se afastou em 2002) e em Engenharia de Produção (área de Mídia e Conhecimento), nos cursos de graduação em Jornalismo e em Comunicação e Expressão Visual.

Entretanto, Lage passa bem longe do didatismo nas 183 páginas de “A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística”, que são diretas e claras como uma matéria bem escrita, e não deixam nenhum dos pontos principais escaparem à atenção do leitor. Está tudo lá, desde uma breve viagem pelos primórdios da profissão de repórter até os tempos do computador e da internet, passando por tópicos como elaboração de pautas, fontes de informação e teorias da comunicação, técnicas de entrevista e a ética na profissão.

Lage diz que “no momento em que a reportagem se transforma e se amplia, com a entrada em cena dos computadores, da internet e bancos de dados, é conveniente a reflexão sobre a atividade do jornalista”. O autor também diz que “pretende mostrar numa progressão didática, as técnicas básicas da reportagem, comentá-las, revelar alguns recursos eficientes na busca da verdade”. No capítulo que trata a “Reportagem especializada”, Lage afirma que ciência e tecnologia são forças produtivas fundamentais e por isso, há ligação constante e necessária entre jornalismo científico e jornalismo econômico: “A tecnologia é o conhecimento desenvolvido para materializar-se em módulos: dominar a tecnologia de um produto significa conhecer seu processo de produção”. concorrência entre unidades produtivas obriga ao emprego de tecnologia, que Tanto que, a permite o acréscimo de produtividade, criando handcap positivo na concorrência. Dispor de tecnologia mais eficaz significa ter condições competitivas melhores. Esse tipo de fenômeno (envolvendo tecnologia, trabalho e produto) é normalmente coberto pelas editorias econômicas. Com isso, a área de cobertura econômica se ampliou, que por tradição, estava centrada nos setores oficiais de planejamento e economia, nos mercados de capitais e de commodities e nas entidades de empresários. Hoje isso mudou e a cobertura econômica é mais abrangente.

Bernardo Kucinski autor de O “Jornalismo Econômico”, nasceu em São Paulo em 1937, é professor de jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. O livro, publicado pela Edusp, recebeu o prêmio Jabuti em 1997 e aborda temas como desemprego, inflação, ética no jornalismo econômico, assuntos relacionados à economia do país e conceitos básicos de linguagem acessível e correta. Dedicado especialmente a estudantes de jornalismo, pode ser útil também a estudantes de economia e a jornalistas inseridos no mercado de trabalho. O texto é fruto de revisão crítica do autor, de muitos anos de cobertura e análise da economia e política brasileira, e também de sua experiência como professor de Jornalismo Econômico da USP. Além de sugestões para leitura nessa área, no fim de cada capítulo, o livro traz, no final, um guia de acesso a informações econômicas na internet.

Após a análise de Jornalismo Econômico, chega-se a conclusão que os problemas do jornalista de economia é a precariedade do seu conhecimento quanto as teorias econômicas. O jornalista se move devido a cultura e se desconhece as relações econômicas, tende a tirar conclusões sem fundamentos. Para isso, o antídoto contra essas deficiências é a busca pela informação. Por isso, o jornalismo econômico obriga à aquisição contínua do conhecimento.

Sidnei Basile, autor de “Elementos de Jornalismo Econômico”, é professor de Jornalismo Econômico da Faculdade Cásper Líbero desde 2000. Advogado, cientista social e diretor-superintendente das revistas Exame e Você S.A., além de professor de Jornalismo Econômico da Fundação Cásper Líbero, Basile trabalhou quatro anos na Folha de São Paulo e 18 anos na Gazeta Mercantil, entre outras empresas, em 34 anos de profissão.

O livro surgiu quando o autor foi convidado para lecionar, assim foi obrigado a preparar suas aulas. Para facilitar, ele as escrevia e enviava por e-mail aos alunos. O livro “Elementos de Jornalismo Econômico" está dividido em três partes: os valores e a relevância do jornalismo econômico para a sociedade; as técnicas deste tipo de jornalismo; e o futuro das atividades na área.
Temas polêmicos também são abordados no livro, como é o caso da abertura da mídia ao capital estrangeiro e a ética na cobertura de economia. No capítulo "Jornalismo para o mercado ou para a cidadania", Basile trata da importância de um jornalismo voltado para a utilidade pública. Tanto que para o autor, o fato de não se ter noção sobre fatores que influenciam a vida das pessoas acaba gerando crises sociais. Nesse contexto, o valor da informação é dar significado a notícia econômica.
Suely Caldas, autora de “Jornalismo Econômico”, da Editora Contexto, é diretora da sucursal de O Estado de São Paulo no Rio de Janeiro. Vencedora de dois prêmios Esso, já trabalhou em O Globo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil, Exame e Visão. No Estadão, assina uma coluna de economia aos domingos. Lecionou jornalismo na PUC-RJ nos anos 80. Ex-presa política nos anos 70 integrou a direção do Comitê Brasileiro pela Anistia. Caldas mostra no livro a rotina, a apuração dos fatos, a relação com as fontes, os indicadores macroeconômicos e a difícil tarefa de conseguir explicar ao leitor como as decisões do Banco Central têm influência sobre o preço do pão. Caldas também aborda algumas reportagens célebres, como a da falência do Banco Nacional e faz uma breve história do jornalismo econômico, desde a época do getulismo, até os nossos dias, com o crescimento do mercado financeiro. A autora dá respostas a dúvidas sobre o jornalismo econômico e ajuda a entender a notícia não como algo abstrato e técnico, mas como um produto fabricado por um grupo de profissionais. Critica a pauta dos assuntos econômicos, ela descreve a importância da relação de confiança que o repórter deve ter com suas fontes e aponta os perigos dos exageros, quando jornalistas esquentam as notícias, para aumentar a repercussão.

Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, autor de “O Jornalismo Econômico no Brasil depois de 1964”, é graduado em Jornalismo, História e Política e fez mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília. Foi correspondente em Londres durante dois anos, onde se ocupou essencialmente da cobertura do mercado econômico e financeiro. Com a Nova República, Salassié foi convidado para exercer o cargo de Coordenador de Comunicação do Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário, cargo que ocupou até o final da gestão do ex-Ministro Nélson Ribeiro.
O livro “O Jornalismo Econômico no Brasil depois de 1964”, propõe-se a estudar o desenvolvimento do Jornalismo Econômico no Brasil, a sua consolidação na década de 70 e o seu papel ideológico.

José Paschoal Rossetti, faz em “Introdução à economia”, uma síntese didática do conhecimento econômico. Através de sua acurada percepção, ele reconhece e destaca s grandes desafios econômicos da atualidade que, se equacionados, levarão a um mundo substancialmente modificado. Com a primeira edição publicada em 1969, “Introdução a Economia” está na 17 edição e conta com a atualização necessária para quem estuda economia. Quanto a Rossetti, ele é pesquisador e professor da Fundação Dom Cabral, instituição associada a PUC-MG. É consultor de empresas para análise prospectiva do ambiente internacional e do país. Foi professor titular dos Departamentos de Economia das Universidades Mackenzie, PUC-SP, PUC-Campinas e da FAESP-FGV. É autor e co-autor de diversas obras sobre economia e política econômica.

8 – Cronograma
O cronograma da Atividade Acadêmica Obrigatória 3 NIC 096 (Trabalho de conclusão de curso) está planejada assim:
- 30/06/05 – Entrega do projeto;
- 08/08/05 a 09/09/05 – Leitura da bibliografia apresentada e orientação;
- 12/09/05 a 04/11/05 – Elaboração e análise comparada de conteúdo dos jornais Valor Econômico e Gazeta Mercantil;
- 10 a 19/11 – Entrega do TCC na secretaria.

9 – Referências
HOHENBERG, John. O jornalista profissional: guia às práticas e aos princípios dos meios de comunicação de massa. Rio de Janeiro: Editora Interamericana, 1981
ERBOLATO, Mário. Jornalismo Especializado: Emissão de textos no jornalismo impresso. São Paulo: Editora Atlas, 1981
LUSTOSA, Elcias. O texto da notícia. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1996
LAGE, Nilson. A reportagem: Teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística. Rio de Janeiro: Editora Record, 2003
KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo Econômico. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996
BASILE, Sidnei. Elementos do jornalismo econômico. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2002
CALDAS, Suely. Jornalismo Econômico. São Paulo: Editora Contexto, 2003
QUINTÃO, Aylê-Salassié Filgueiras. O Jornalismo Econômico no Brasil depois de 1964. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1987
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. São Paulo: Editora Atlas, 1997

Trabalho de Jornalismo: análise da editoriais.

          Este trabalho é antigo, da disciplina de Técnicas de Pesquisa, Entrevista e Reportagem III. Ele aborda como grandes jornais trabalham manchete e conteúdo editorial, de acordo com Luis Beltrão.

Confira o resumo:

          Em relação à estrutura, “O Dia” apresenta todas: título, introdução, discussão e conclusão. O título “Mortes em excesso”, chama a atenção do leitor por abordar a morte de 18 pessoas que estavam envolvidas no tráfico de drogas no Rio de Janeiro. A introdução aborda o fato de policiais estarem envolvidos nas mortes e o comentário de Anthony Garotinho, Secretário de Segurança, dizendo que as pessoas não deveriam ter tomado esse caminho. A discussão faz crítica referente à maneira com que a policia tem agido, seguindo a trilha da eliminação de bandidos. Por fim a conclusão cita que tal atitude, só vem gerar o ódio da população. Portanto a maneira com que o editorial aborda a escalada da violência no Rio de Janeiro surge efeito e faz críticas a policia, que realiza matanças e assusta a população. O mesmo atende ao leitor uma maior atenção e concentração e se constitui no gênero que aborda um assunto de natureza social e de interesse local.

          O “Jornal do Brasil” tem em sua estrutura, os quatro modelos apresentados por Luis Beltrão. O título “De volta ao passado” é composto de poucas palavras, é inciso e expressa a opinião do jornal, sendo que o conteúdo do editorial aborda a forma com que o MST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, está agindo em diversas partes do país: invadindo propriedades privadas produtivas e desobedecendo a lei. A introdução faz referências a forma arbitrária e violenta que o movimento vem agindo. Em relação à discussão, a edição de 8 de maio de 2004 do Jornal do Brasil, adota o critério de que o MST agiu ilegalmente ao invadir a Fazenda Viracel, no Sul da Bahia. A Fazenda é utilizada para reflorestamento da Mata Atlântica e é geradora de energia e celulose através de uma plantação de eucaliptos. O jornal cita que “O MST mostrou-se atrelado a um projeto da reforma agrária que é uma volta ao passado: a aquisição da posse pela violência”. O editorial encerra com a conclusão afirmando que tal atitude só vem a comprometer o desenvolvimento do Brasil e reafirma a idéia do título, de que o governo “não pode comprometer seu futuro numa guinada de volta rumo ao passado”. Portanto o resultado do editorial é crítico ao MST. O movimento, que prega a distribuição de terras e a reforma agrária, vem agindo de forma violenta e inconsciente, invadindo terras produtivas e reservas ambientais que são intocáveis.

          Já o editorial de “O Globo” é estruturado conforme os quatro modelos propostos pelo autor. O título “Pelo mercado”, tem o período de frase curto que atrai a atenção de leitor. A introdução aborda a forma que o capitalismo, que num certo período da história esteve em crise, deu ao Brasil através da estatização, medidas de cunho socialista para atenuar tais problemas. A discussão se atém a forma com que o Brasil adotou a estatização para se desenvolver. Por último, o editorial oferece a conclusão que assume uma exortação ao governo, de que o saudosismo em relação ao período em que se estatizava o país. Segundo o editorial, o governo deve dar mais atenção com fundamentos sólidos da economia, como a inflação baixa e o equilíbrio fiscal. Portanto, o editorial do jornal “O Globo” surge efeito e exorta o atual governo que deveria e preocupar mais com medidas econômicas.