segunda-feira, 3 de maio de 2010

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O jornalista, ao veicular suas idéias e análises nos jornais, não está livre de “erros”, pois são opiniões subjetivas. Visto isto, mais especificamente no caso do Valor Econômico, ele deve ficar atento ao que o público leitor pretendo ler e com que expectativa de opinião, porém, nunca fugindo dos preceitos declarados pela linha editorial do próprio jornal. O editorial, por mostrar a opinião do jornal, sempre estará municiado de informações que se apegam aos valores, afinidades ideológico-partidárias ou financeiras de quem representa a empresa jornalística, ou seja, o editor. Sejam estes valores mostrados de forma explícita ou implicitamente. Sendo assim, o Valor Econômico, ao retratar as bases, o desenrolar das crises e, principalmente, os efeitos e defeitos da política brasileira, não estará isento de críticas adversárias, como qualquer outro jornal, mas torna-se suspeito por declarações e tendências políticas manifestadas durante a abordagem de determinados assuntos. Por estar dirigido a um público elitizado, comprometido com o capitalismo e que age conforme os interesses do sistema capitalista, sem dar valor a questão social mais geral, podemos desconfiar do que é publicado pelo Valor Econômico, pois, do contrário, corre-se o risco de ter uma opinião manipulada e controlada, de acordo com os objetivos editoriais pré-estabelecidos. E isto é o que deduzimos a partir de nossa análise, enquanto proposta do jornal Valor Econômico, ou de capacitar seus leitores que venham a compartilhar dessa mesma opinião conservadora.
Chegamos a essa conclusão, podendo afirmar que o Valor Econômico é um jornal movido e motivado por interesses não muito abrangentes e direcionados a um seleto grupo ao qual é ligado política e ideologicamente. Por isso, o leitor, ao observar uma crítica num jornal voltado à elite, deve procurar saber quais são os motivos que levam o jornal a tal crítica e se a mesma pode somente afetar seus “inimigos” e isentar totalmente seus aliados. O jornalista e leitor sempre deveriam agir como verdadeiros fiscais dos jornais e do Poder Público para que não houvesse injustiças com os menos favorecidos. Infelizmente isso não ocorre. No caso do Valor Econômico, o que pudemos notar em suas páginas, e mais especificamente em seus editorias, é que não há esse tipo de interesse em converter um público leitor a um público crítico-social. O jornal não trabalha com essa finalidade de formação e/ou capacitação política mais transformadora. Para acrescentar mais argumentos à idéia, não podemos esquecer de citar que práticas imorais adotadas por lideranças políticas e abordadas pelo Valor Econômico, como a corrupção, o patriarcalismo, as alianças “esdrúxulas”, que constituem o poder político representativo, entre outras ações, não podem passar em branco sem as devidas punições aos contraventores. Por isso, acreditamos que o jornalismo, no seu dia a dia, por meio de seus profissionais, seria a melhor forma de contribuir com a sociedade civil, acrescentando conhecimentos mais organizados, proporcionando uma formação cultural diferenciada, ainda que implicitamente, através de suas páginas e editoriais. Com isso, a impunidade não tomaria conta da Administração Pública e veríamos, pelas páginas dos jornais, todo um comportamento ético seguido por todos. Sem, é claro, não se deixando levar pelas “paixões” políticas, mas levando em consideração o jornalismo ético e as medidas coerentes que dariam mais respeito ao mesmo. A análise crítica de editoriais abre um leque de perspectivas quanto ao trabalho a ser desenvolvido pelo jornalista e as responsabilidades a ele atribuídas. Devido à questão ética que domina os debates, a população, independente do jornal, podia criar mecanismos de participação para permanecer omissa e passiva diante das dificuldades e da imoralidade em que se encontra nosso atual sistema político. Mesmo assim, com o fácil acesso à discussão, são cada vez maiores as possibilidades de mobilização e de tomadas de posição para as devidas profilaxias contra a impunidade. Porém, para que isso se torne realidade, o jornalista e os editoriais, jamais deveriam omitir a verdade e procurar não se associar a um segmento ideológico-partidário, ou econômico. Municiado disso (da verdade e da dissociação), o jornalista deveria mostrar aos seus leitores, as conseqüências que as medidas tomadas por quem está no poder, seja na esfera política ou econômica, causaria em sua vida. Devido o editorial ser a parte do jornal que tem mais responsabilidade sobre a opinião atribuída, devemos sempre prestar atenção e sermos críticos quanto ao que é escrito. Como dito antes, a falta de isenção dos jornais e orientação editorial movida por interesses (políticos ou econômicos) dá ao leitor a sensação de que não há ética e nem compromisso, mas sim a colocação de um interesse em primeiro lugar. No caso do Valor Econômico, um jornal elitizado, as perspectivas são as mesmas, devido o jornal estar voltado para as elites econômicas, ser um árduo interventor do capitalismo e não levar em consideração a questão social, mas sim a do lucro, que se mostra através da exploração dos trabalhadores mais pobres. O jornalista, em meio à esta desfavorável situação, em que os valores econômicos têm mais respaldo do que os valores sociais, deveria questionar a posição do jornal, o que é veiculado e o que isso mudaria em termos de concepção do leitor, que, geralmente acaba confiando naquilo que é passado pelo editorial. A partir disso, seria avaliada a seriedade do jornal e em que ele contribuiria para a conscientização política e social dos cidadãos. Portanto, ao leitor dos jornais, caberia a conscientização, de que o jornalismo e os editoriais não trabalham com a isenção, mas são movidos por interesses próprios, como, por exemplo, o capitalismo.

Em relação aos editoriais, eles abordam as questões políticas atuais que mobilizam e criam transformações no país. A partir disso, concluímos que os editoriais são de extrema importância no jornalismo, desde que trabalhados com seriedade e compromisso ético, para que não sejam injustos ao mostrarem, em suas páginas, uma opinião contrária aos interesses públicos mais gerais. Além disso, não podemos nos esquecer que os editoriais, ao veicularem uma idéia, criariam na sociedade argumentos que serviriam ao debate da opinião pública. Por isso, ao desmoralizar um político ou inferir inverdades, ele estaria lançando no debate algo que não seria relevante e que somente tiraria o crédito de quem não fosse seu aliado, independente sua linha ideológico-partidária.

Concluindo, vimos no jornal Valor Econômico, um veículo que exerce muita influência sobre os meios políticos e econômicos. Tudo usado em benefício da própria organização e de quem compartilha de seus objetivos políticos, financeiros e administrativos. Este tipo de comportamento deixa claro a total falta de seriedade do Valor Econômico, enquanto veículo de comunicação desprovido do caráter social, prejudicando, em última instância, o jornalismo e comprometendo toda a categoria profissional. Os profissionais que se permitem atuar neste tipo de imprensa, acredita-se, por conseqüência, estarão desenvolvendo um trabalho totalmente inócuo em relação às expectativas sociais mais gerais.

3.5 – “Governo retoma iniciativa, mas paga um preço alto”

O Valor Econômico, no editorial de 30 de outubro, diz que o Governo, ao eleger Aldo Rebelo (PC do B – SP), para a Presidência da Câmara dos Deputados, mostrou que está muito “vivo” e acaba de vez com as possibilidades da oposição impetrar um pedido de impeachment do Presidente Lula. Além disso, conseguiu eleger ao cargo mais alta da Câmara, um “aliado histórico” da esquerda, que têm concepções ideológicas bem diferentes de Severino Cavalcanti.
Porém, o editorial afirma que a vitória do Governo não foi fácil, acabando por fim, numa diferença de apenas 15 votos:

“O segundo turno da disputa entre um candidato entre um candidato do Governo, Aldo Rebelo, e um contra ele José Thomaz Nonô, mostrou uma oposição diferente. Jogando agora contra uma ação mais articulada do governo no Congresso, a bancada oposicionista, sem o apoio do baixo clero, perdeu a eleição, mais conseguiu dividir a Câmara praticamente ao meio – foram apenas 15 votos de diferença entre s dois candidatos. Atribua-se ao Executivo a mudança de qualidade da ofensiva oposicionista: o PT e o Governo, ao longo dos últimos sete meses de crise, ofereceram a ela discurso e coesão”.

A partir da citação acima, concluímos que a oposição ganhou muita força neste período de crise, mas mesmo assim, não conseguiu vencer o Governo na eleição. NO entanto, o Valor Econômico, conclui a idéia, afirmando quer tal vitória só foi capaz, devido a aliança com o “baixo clero” (deputados de pouca representatividade mas que têm uma grande quantidade de votos) e pelo clientelismo. Pois, ao prometer a liberação de verbas a quem o apoiasse, o Governo utilizou-se da prática pouco ética. “Mas um fato tem que ser destacado da prescrição genérica de se abolir o clientelismo. Aldo Rebelo tem a obrigação, agora, de dar ao país garantias de que os mandatos dos deputados envolvidos em corrupção não entraram nas negociações. Afinal, Rebelo tornou-se parte da história ao testemunhar espontaneamente em defesa do deputado José Dirceu (PT-SP) na Corregedoria. A efusiva alegria dos deputados sob investigação, inclusive o próprio Dirceu, com a sua vitória, potencializa as dúvidas. Para afastar suspeitas, Rebelo terá de agir, nos processos contra esses parlamentares, com rigor dobrado. Será sua maior prova de independência em relação ao Executivo.”

3.4 – “A falência de uma coalizão esdrúxula”.

O editorial de 27 de outubro trata de uma questão política de essencial valor para o PT: Uma reforma política poderia moralizar a política brasileira, mas, segundo o Valor Econômico, não acabaria com o problema interno do Partido dos Trabalhadores, que passa por dificuldades em diversos segmentos. O problema se agravaria, caso o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, que estancou a perca de credibilidade, junto ao eleitorado, tentasse a reeleição. Ele teria pouco apoio do partido, da base eleitoral e do Congresso Nacional.

A questão se aprofunda, quando o Valor Econômico questiona a dissociação do presidente do partido. Devido as irregularidades financeiras das campanhas e por brigas internas, há o distanciamento de Lula do partido. Mas, em contra partida, as mesmas facções que lutam internamente pelo poder, desfrutam do carisma e da popularidade do presidente, que tem a sua imagem acima de tudo o que está acontecendo, criando o mito de ser até agora intocável. A tudo isso, o editorial do Valor Econômico, diz que a culpa não é do PT, mas de uma coalizão “esdrúxula” entre a esquerda radical do PT e os espectros ideológicos mais a direita, que são seus aliados. Visto isso, a aliança motivou o PT a se perder a sua ideologia em favor da Governabilidade. No entanto, segmentos do PT, que são movidos e orientados por questões ideológicas, causaram o imobilismo na administração pública,. ao se confrontarem com setores dos aliados de ultra-direita, que não concordavam com a aplicação de suas idéias e vice-versa.

Devemos até concordar com afirmação e a análise do editorial do Valor Econômico. Lembrarmos que somente a colisão que não for movida por interesses é que dará certa na democracia brasileira. No ponto da reforma administrativa, os partidos políticos deveram ficar mais atentos quanto as alianças que constituem os poderes e lutar para que não haja a verticalização nacional no pleito de 2006.

Desta forma, os escândalos de corrupção em Brasília, motivaram os debates sobre a reforma política-partidária. A reforma prevê acertos na conjuntura política, como fidelidade partidária, lista fechada para votações (que aumentaria o fracionamento partidário devido a regionalizações), e financiamento para eleições conforme a porcentagem de representatividade e o fim da verticalização, que acaba de uma vez por todas com as alianças “esdrúxulas”. Se a crise política que se abateu sobre o governo Lula se circunscrever à questão da corrupção política, serão poucas as chances de avanço civilizatório, social e econômico. Não basta que sejam apuradas as responsabilidades e efetuada a profilaxia pertinente. É necessário ampliar o escopo da reflexão, abordando a precariedade do sistema de governança baseado na coalizão e a baixa qualidade do sistema político-partidário.
O jornalista que for mais afundo na questão e prestar atenção nos fatos, concordará que a turbulência que vêm sofrendo os políticos no Brasil, está ligada ao financiamento de campanhas políticas e as alianças que constituem o poder. Enquanto o problema não é resolvido, cabe aos jornais, fiscalizar os atos dos políticos, como arrecadações, doações, contribuições e alianças. A transparência deixaria os meios de comunicação mais informados quanto a irregularidades ou acordos políticos e econômicos que criarem situações duvidosas. Além disso, a reforma, segundo alguns segmentos que fazem parte das maiorias, dizem que a reforma serviria como alternativa para mudar o ambiente político e acabar com legendas de aluguel. Porém, ao citar isso, acreditamos que a medida vêm a prejudicar os partidos que têm menor representatividade, como o PSTU e o PSOL, que têm uma militância mais engajada com as questões sociais e não são ligados a burguesia, grupos econômicos, empresários e banqueiros. Deve-se avaliar que o presidente está conseguindo controlar a crise e administrar o país, com a reforma administrativa e ministerial. Porém, cabe também ao PT, que não está no mesmo caminho do presidente, “enxugar” a máquina, com a extinção de cargos públicos, ministérios e secretarias e a reconstrução da imagem do Governo e da criação de uma agenda, com metas até o fim de 2006 e que abrigaria objetivos eleitorais.
Deduzimos também, que a prática de alianças que enfraqueceu o discurso petista, foi o que deu espaço para a corrupção, que segundo Zancanaro consiste em:
“Apoderar-se de um poder cedido, em usá-lo como se fora propriedade sua. A corrupção envolve a usurpação de mais poder do que aquele previsto e devidamente conferido pela ordem vigente. Sob esse aspecto, nenhum Estado pode considerar-se antecipadamente imune a corrupção. Nos Estados racionalmente organizados, a ação político-administrativa encontra na lei clara e objetiva os seus devidos limites. Quando tais limites são extrapolados de forma indevida, a forte carga de arbítrio pessoal que invade a ação político-administrativa dos Estados patrimoniais pode conduzir impunemente os seus agentes a apropriação de prerrogativas inerentes ao mando e aos atos deles decorrentes como se fossem propriedade privada. A indefinição dos limites do mando pode levar as mais variadas formas de corrupção”.
Além disso, citamos que, a corrupção também pode ser decorrente de três graves problemas da política brasileira: 1) o uso desmesurado de verbas estatais e cargos públicos como alicerce entre as relações do Executivo com e Legislativo; 2) o troca-troca partidário como forma de garantir o apoio do Governo; 3) falhas vinculadas ao financiamento nas campanhas, que possibilita a “compra” de políticos. .
A garantia de cargos em favor da coalizão é um dos motivos do desgaste do presidente. Uma das soluções para acabar com isso, seria o corte de 2/3 dos cargos comissionados, reduzindo e reordenando as funções. Para que o candidato ao cargo ocupasse a função, ele deve ter um bom currículo e, exercer funções técnicas. Seriam profissionais derivados dos meios acadêmicos, vinculados a sociedade civil e vindos do mercado, com novidades gerênciais para a administração publica. Sugerimos que outra parcela destes 2/3, seria ocupado por pessoas ligadas ao partido político e a aliança eleita. Com isso, seriam garantidas as propostas de campanha e esses funcionários comissionados passariam por uma sabatina para saber sua responsabilidade junto ao que é público. A medida é contrária a política de distribuição de cargos, conforme a coalizão e resolveria o problema da ingerência, devido os pretendentes aos cargos terem boa qualificação. Para a construção de uma democracia séria, acredita-se que os gestores sejam proporcionalmente divididos por setores e não dependam do jogo político que desfavorece a minoria. Além dum programa de fidelidade partidária. Além do mais, a falta de afinidade ideológica e programática, em última instância, seria a responsável pela adoção de práticas pouco transparentes dos aliados (PL. PP e PTB). Ao explicar a engenharia que move o meio político, acredita-se que o Governo, para exercer a governabilidade, não deveria ser prender a qualificação ideológica, mas trabalhar o aspecto ético junto aos seus aliados.
Por fim, não devemos nos esquecer, que o prestígio do presidente ainda continua alto. O motivo mais lógico é a identificação com o povo, já que Lula foi um operário oriundo das classes sociais mais desfavorecidas. Isso não desestimula as pessoas e dá ao eleitor a sensação de proximidade ao presidente, que por sua vez, se mostra preocupado e indignado com os problemas e procura fazer algo para mudar. Uma situação nunca experimentada antes pela população.

3.3 – “O PT e o direito da hereditariedade política”

Este editorial, de 12 de outubro de 2005, trata de uma questão muito ligada a política brasileira, o patriarcalismo e a hereditariedade política. Muito comum nos estados do Nordeste e nos antigos regimes oligarquicos, o patriarcalismo hoje é representado, segundo o Valor Econômico, pelos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que têm seu neto, Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), como deputado federal e sub-relator da CPI dos Correios e, José Sarney (PMDB-PI), com os filhos Roseana Sarney e Sarney Filho.

O Valor Econômico cita que:

“O regime democrático reinaugurado em 1985, com a posse de um civil, José Sarney, na Presidência da República, mostrou que nada havia mudado no reino dos oligarcas. Um deles, inclusive, ocupasse a Presidência: Sarney consolidou seu poder estadual em 1966, quando foi eleito governador do Maranhão e depôs a oligarca anterior Vitorino Freire. A família Sarney ainda hoje domina o Estado. Sua filha, Roseana Sarney é senadora e, seu filho, Sarney Filho, foi deputado e já ocupou a pasta de ministro. Sarney e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) são considerados os últimos oligarcas à moda antiga. ACM, que se consolidou na política destronando o anterior, Juraci Magalhães, ex-interventor do Estado Novo, é ainda o dono incontestável da política baiana. Preparou seu filho Luís Eduardo Magalhães como seu sucessor, mas ele morreu jovem. Agora investe no deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto”.

O Valor Econômico, ao criticar a prática do patriarcalismo, nos lembra que o regime militar, acabou e destituiu diversas famílias que realizavam a prática. No entanto, reconhece que não somente as velhas elites ou antigas oligarquias exercem a prática, mas também o Partido dos Trabalhadores começou a adotar isso, quando José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, incentivou seu filho, o Zeca do PT, a seguir o mesmo caminho, candidatando-se à prefeito de Cruzeiro do Oeste, um cidade do interior do Paraná, ao qual José Dirceu exerceu muita influência. .

Segundo o Valor Econômico, o Partido dos Trabalhadores, ao adotar à pratica, que é muito próxima do clientelismo, errou como os mesmos partidos ao qual ele sempre combateu.

“O PT, que durante pelo menos uma década discutiu a conveniência de se ‘institucionalizar’, inaugura a sua entrada na política hereditária. Criado como um partido de militância, a mobilidade interna, isto é, a possibilidade de acesso a cargos de direção e de disputa a cargos eletivos, dependia da representatividade do grupo interno ao qual o candidato a político pertencia e à sua representatividade a algum setor social. O deputado José Dirceu (SP), um dos maiores responsáveis pela crise ética e de identidade que se encontra hoje, introduziu a família como vetor de acesso à política, através do filho Zeca do PT”.

No entanto, não podemos esquecer à crítica referente ao patriarcalismo que corrompe as esferas públicas do poder e afeta os dois segmentos partidários e ideológicos. No caso de ACM Neto, ele pode ser a maior representação, ao ser o neto do senador Antônio Carlos Magalhães e os filhos de José Sarney também estão na mesma esfera. Desta forma, observamos que há erros graves contra a democracia, tanto no PT, quanto na organização do PFL e do PMDB, que adotam a prática da hereditariedade e patriarcalismo na política.
O jornal Valor Econômico, afirma que:

“A política brasileira, constituída à imagem e semelhança de uma sociedade patriarcal, incorporou como regra um estranho direito divino à hereditariedade. Isso é comum nos pequenos municípios, onde uma mesma família domina a política local e torna-se proprietária do aparelho partidário que lhe dá guarida. Quando o seu domínio é questionado, toma de assalto outro partido. Essa parcela de poder municipal pode alimentar com a mesma lógica, um partido estadual: nada impede que os grupos locais dominados por familiares se aliem a grupos que dominam o Estado. Aliás, essas famílias dependem de outras instâncias de poder, estadual e federal, para como depositárias do dinheiro público, alimentarem suas clientelas e mantê-las sob seus domínios. Isso, não é uma prerrogativa municipal, mas é uma lógica intrínseca à política brasileira”.

O editorial do Valor Econômico, ao reconhecer a prática desmedida em nosso país, toma parte da isenção e reflete os aspectos aos quais estamos condicionados a viver. Ao retratar a prática dos políticos como ACM e Sarney, ele nos traz a tona um problema a ser contornado e uma situação em que os eleitores devem prestar mais atenção. Pois, na democracia, é o voto representativo que determina as instâncias políticas e a divisão do poder. Por isso, a prática do patriarcalismo, é questionada e vista como algo que pode criar situações em que a corrupção pode contaminar a política. Pois, como dito no texto de 12 de outubro, o patriarcalismo está relacionado diretamente com a prática do clientelismo, para a manutenção do poder. Por outro lado, o Valor Econômico reconhece que José Dirceu, ao colocar o filho Zeca Dirceu na política, usou-se do mesmo expediente tão questionado anteriormente pelo PT. Mas, a qual lógica devemos nos orientar e seguir? O jornalismo, independente da linha editorial a ser seguida, deve ser muito crítico em relação a este tipo de prática política. Apesar de vivermos em uma democracia, a situação do patriarcalismo, pode dar argumentos, que no futuro possam justificar o nepotismo, que é o emprego de parentes no serviço público, através de nomeações. Tanto o PT, mas principalmente as velhas oligarquias do Nordeste, deveriam tomar cuidado para que um futuro “escorregão” não transformassem a prática eleitoral, que se baseia na democracia, não se transforme em um “cabide de empregos”, que se constrói a partir do nepotismo, clientelismo, trafico de influências e patriarcalismo, molde central da nossa discussão.

Portanto, devemos concluir, dizendo que: O Valor Econômico, ao criticar o patriarcalismo, independente de qual seja a esfera política e ideológica, contribui para a formação crítica de seu leitor, que não é conivente com as práticas suspeitas a qual está submetida a política brasileira. Ao condenar os políticos e citar suas práticas, coloca um ponto de vista e compara duas situações, independente de quais sejam suas linhas partidárias.

3.2 – “Avaliação política do governo é falha e lenta”

No editorial de 6 de outubro de 2005, o Valor Econômico aborda as questões referentes a ética e qual é o comportamento que deve guiar os políticos. O jornal cita, que devido ao quadro de instabilidades ao qual, quem está inserido na vida política é obrigado a viver, as posições e determinações a serem tomadas, nunca serão as mesmas e sempre estarão subjetiveis as transformações de opiniões. Toda esta relação está ligada a posição do Governo Petista diante de uma crise, suas mudanças de opinião, devido a situação política e, principalmente, os fatores que o levaram a apoiar o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-AL), que apesar de ser um grande aliado do Governo, teve sua imagem desgastada, devido estar envolvido em um esquema de propina que pedia dinheiro para a renovação de um contrato de concessão a um empresário que administrava um restaurante na Câmara.

No entanto, a maior crítica do jornal, está no modo em que o Governo vê toda a crise. Passando-se por “desentendido”, Lula e o Governo não se preocupam com as acusações, ou tentam mostrar que os problemas não são com eles, mas com os outros. Desta forma, parece que o Governo tenta “enganar” ou até mesmo se omitir do que está acontecendo, para que no futuro, não seja associado com os culpados, mesmo que eles sejam do seu partido e o ajudou a se eleger. Ou então que toda a culpa caia sobre os aliados, que precisam do apoio do presidente, mas neste momento, de muitas dificuldades, não encontrar a ajuda necessária. Desta forma, o Valor Econômico acredita que aos poucos, o Governo e seus aliados vão se desfragmentando e mudando de opinião para que não saiam enfraquecidos. A idéia vai de acordo com o início do editorial, que afirma que na política, nada ;e constante, mas tudo pode mudar devido a situação:

“O ex-deputado Magalhães Pinto, conspirador do golpe militar de 1964 e dissidente do regime ao seu final, lançava mão de uma imagem para definir a política: ‘Política é como nuvem: você olha e vê um formato, mas quando olha de novo já vê outro’, dizia. Nos momentos de crise política, então, a volatilidade é extrema: pode ir do céu de brigadeiro a uma chuva torrencial. Talvez por essa capacidade de auto transformar-se e, em alguns momentos, adquirir dinâmica própria que responde a processos, mas não à vontade dos atores políticos, a política exige habilidade para a adequação aos ventos que mudam o seu rumo. A manutenção de um padrão de comportamento em situações em que os ventos sopram na direção contrária é uma suprema habilidade política”.

Assim, ao avaliarmos que o editorial trata das intempéries a qual está submetido os políticos, mas se esquece de citar que o envolvimento têm uma causa muito simples: a corrupção que está instalada na esfera pública, é a principal causa dos problemas. O Valor Econômico, deveria estar ciente de quem nem sempre a corrupção envolve dinheiro, mas está no ato de corromper, assediar e outras atividades que podem ser consideradas como ilícitas. Segundo Antônio Frederico Zancanaro, em A corrupção político administrativa no Brasil:

“Numa perspectiva de senso comum, diz ‘imaginamos sempre que corromper uma autoridade significa pagar a essa autoridade para que faça ou deixe de fazer determinada coisa em sua capacidade oficial’. Essa idéia pode não estar correta. E exemplifica afirmando que há casos de corrupção nos quais os objetivos em jogo podem ser meramente eleitorais, sem envolvimento de recursos econômicos imediatos. Mesmo assim, assevera o autor, a corrupção jamais deixará de constituir-se num estigma indesejável no seio de qualquer sociedade politicamente organizada, quer o sistema de dominação esteja fundado sobre pressupostos racionais. Qualquer expediente, portanto, que fira a ordem estabelecida, conhecida a socialmente aceita, com o objetivo de auferir lucros ou benefícios privados indevidos através do uso de prerrogativas do poder cedido dentro do Estado caracteriza-se como corrupção”.

Deste modo, o jornal deveria classificar Severino Cavalcanti, independente que faça parte da bancada de apoio ao presidente, como corrupto. Ao pedir suborno para a renovação da concessão do restaurante e se aproveitar da condição e do cargo que ocupa, Severino foi justamente repreendido e punido por um ato ilícito. O ato, mostra que o Governo está perdendo forças e que precisa tomar medidas de apoio, para que na fique enfraquecido.

O Valor Econômico, ao trazer a opinião da oposição ao Governo em seus editoriais, contribui para a manutenção da democracia, no entanto, deve-se sempre ficar a tento para que estas mesmas reações da oposição, não se possam confundir com o atrelamento a interesses financeiros. Como no sétimo parágrafo, que diz o seguinte:

“A oposição tem mantido uma postura melhor nesse momento. O discurso, nesse caso, é pela preservação da instituição parlamentar. Emite sinais de que não usará o episódio para tomar o poder no Congresso, nem polarizará com o governo quando a unidade dos partidos nele representados é fundamental para resolver uma crise chamada Severino. Tem acenado inclusive com um nome petista para o cargo, desde que com posições independentes do governo e trânsito em todos os partidos. Para que as articulações das pessoas interessadas em restabelecer a dignidade do Legislativo dêem resultado, é preciso que Severino tenha um único gesto digno desde que assumiu a presidência da Câmara: renunciar ao cargo de representante dos deputados federais. É importante para a democracia que essa transição não seja feita ao arrepio da lê”.

No trecho acima, notamos que há muita interferência do jornal nas questões que predominam no Congresso. Ao citar que Severino Cavalcanti deveria renunciar, O Valor Econômico se usou do expediente da tentativa de induzir o presidente a renunciar. A renuncia, acabaria de vez com as suspeitas, mas o colocaria (Severino) na condição de inocente. Deste modo, caso houvesse uma nova eleição, ele seria reeleito. A crítica correta, seria a de criticar Severino e promover um debate sobre a questão: se houve propina, quais forma os motivos que o levaram a aceitar. Sendo assim, haveria um julgamento justo e no caso do réu ser culpado, ele cumpria sua pena, que é o cerceamento de seus direitos políticos. Desta forma, não seremos coniventes com a corrupção e contribuiríamos para que o julgamento justo e ético fosse feito para o aliado do Governo, sem subterfúgios que o deixassem impune.

3.1 – “Ações orquestradas para esvaziar as investigações”.

Com este primeiro editorial, do dia cinco de outubro, o jornal Valor Econômico, tenta fazer uma relação entre o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, com os constantes acontecimentos que movimentam o cenário político brasileiro. Ao abordar que o presidente, ao conseguir eleger Ricardo Berzoini e o Campo Majoritário, para a presidência do Partido dos Trabalhadores e, eleger o deputado paulista do Partido Comunista do Brasil, Aldo Rebelo, para a Presidência da Câmara, o Valor Econômico traz a tona a discussão a respeito do corporativismo e do apoio que Lula pode ganhar na Câmara, dentro do partido e, principalmente, o ganho de força do presidente que daria motivos para que as investigações das CPI’s não tivessem tanta força contra ele e seus aliados. O jornal lembra que o maior favorecido com as mudanças ocorridas no cenário político, não é diretamente Lula, mas o Partido dos Trabalhadores, que se articulou novamente e, busca forças para não sucumbir às investigações.

Além do mais, não podemos nos esquecer, que é o Governo, que vêm realizando manobras para que as investigações não se aprofundem. No caso citado, consta que o Governo e seus aliados, atrapalham as investigações, ao não possibilitarem que sejam quebrados os sigilos bancários dos investigados. Isso é uma vergonha, que deveria ser cessada.
Segundo o Valor, caso a crise política se acentue, com as denúncias da CPI dos Bingos, o PT pode perder muitos cargos e poder nas eleições de 2006. Por isso, sua intenção, segundo o jornal, é esvaziar e desgastar as CPI’s e as investigações, para que nada de concreto ou mesmo, comprometedor, seja provado. Junto a isso, o Valor diz que em muito as CPI’s não vêm realizando seus trabalhos como deveriam ser, se tornam instrumento político partidário e que possivelmente acabaram em “pizza”, ou seja, deixam impunes os corruptos.

Devemos acreditar que afirmação é incorreta, ao lembrarmos que vários parlamentares já tiveram seus mandatos cassados, como o pivô da CPI dos Correios, Roberto Jefferson (PTB-RJ) e outros parlamentares já renunciaram, como Valdemar da Costa Neto (PL-SP).
Quanto ao editorial em si, ele nos traz a idéia central, que há a perca da credibilidade das investigações, através do aparelhamento do partido político do Governo, pelo Estado, para que haja impunidade e os corruptos saiam ilesos das investigações. O editorial, formulado desta maneira, requer uma análise mais profunda. A partir do momento que se cria e narra fatos, para nos dar maior entendimento, pode-se as vezes manipular uma idéia, ou quem sabe, até exagerar, para que a notícia tenha mais relevância e chegue com mais força aos leitores. Desta forma, deve-se pensar o limite que o jornalista pode opinar sem ferir a moral dos que trabalham nas esferas públicas, ou seja, as fontes. Desta forma, não devemos nos esquecer que ao escrever um editorial, jamais poderemos ser movidos por segmentos ideológicos, aspirações ou preferências. Mas sim, devemos nos orientar pelo diferencial ético. Assim, nosso jornal terá mais credibilidade e os leitores, que, ao lerem o editorial, poderão acreditar em quem escreveu e, principalmente, levar em consideração a idoneidade e isenção do que está escrito.
A análise do editorial de cinco de outubro, revela que o Valor Econômico, ao ser um jornal voltado para um público segmentado e elitizado, deveria trazer a tona, as notícias com mais relevância e criticas a respeito de um assunto tão polêmico, que é o da corrupção institucionalizada e das CPI’s. Ao ser conivente e menos crítico com a ação partidária que dará menos força e crédito as investigações, o Valor Econômico mostra que é independe do Governo e que pode até ajudar o mesmo. Sua posição correta, seria de criticar e fazer uma matéria contra a ação partidária que força o enfraquecimento das investigações. O jornalismo nunca deve dar apoio a medidas que venham usurpar e denegrir a ética de nosso Estado. Mas sempre ser combativo e crítico, a tudo aquilo que venha prejudicar o cidadão brasileiro.

O sétimo parágrafo diz o seguinte:

“Corre-se o risco de que as CPI’s que pararam o país por quatro meses legitimem à lamentável prática política de financiamento dos partidos com dinheiro ilícito, que no limite pode submeter as decisões políticas a financiadores que, se não querem mostrar a cara, estão à margem da lei ou querem obter benefícios da máquina governamental sem serem percebidos”.

Apesar da crítica contundente ao jornal, que deveria ser incisivo nas apurações e mais crítico ao Governo, ao desmascarar a corrupção, devemos citar que ainda existe no editorial, a idéia que se mostra contra a arrecadação ilícita de dinheiro por parte dos partidos políticos. Ao consideramos que a crítica se estende a todos os partidos, o jornal não está tomando parte para ninguém e cria parâmetros que vão além da notícia ao ser mais profundo na análise e na crítica.

Contudo, devemos concluir a sub-capítulo, dizendo que apesar das investigações feitas pelo Ministério Público, Polícia Federal pelo Congresso Nacional, o Valor Econômico, devido ao grau em que chega aos seus leitores, deveria conferir e dar mais peso as investigações. Isso seria feito através de críticas mais contundentes em seus editoriais e a cobrança mais justa contra os que dilapidam o que é público. Sem se apegar a ideologias ou a interesses de mercados, o jornalismo tem toda a isenção necessária para a atribuição e exercício de suas funções, como a liberdade para fazer as críticas sem poder, no futuro, ser reprimido ou sofre retaliações. Quando o caso específico, ou editorial, é referente as esferas do Poder Público, a isenção e o desapego a ideologias são fatores que determinam o grau crítico e a veracidade da crítica.

3 – Análise dos Editoriais

Como dito anteriormente, o objetivo deste trabalho, é a análise crítica dos editoriais do jornal Valor Econômico. Devido o Valor Econômico ser voltado a um público mais segmentado e elitizado, as críticas serão baseadas em fatores como a inserção na população e quais são as propostas dos editoriais. Os dias analisados são todos do mês de outubro e se compõe da seguinte maneira: 5; 6, 12; 27; e 30.

2 – O Valor Econômico

Quando se apresentou ao público pela primeira vez, em 2 de maio do ano 2000, o Valor Econômico resolveu explicitar aos leitores quais princípios deveriam guiar seu comportamento editorial. Voltado para as classes sociais de maior poder aquisitivo, o Valor “oferece um panorama abrangente e confiável do que ocorre na esfera produtiva, capaz de auxiliar a tomada de decisões pelos agentes econômicos”. Algo indispensável para as camadas sociais que detêm e exploram os meios de produção capitalista, mas dispensável para os que não têm condições financeiras e possibilidades de construir algo voltado para o capital. Criado pelo Grupo Folha e pela Infoglobo, que dividem igualmente o seu controle acionário e que são as empresas que mais detêm e controlam os meios de comunicação brasileiro, o Valor mostra que pode ser indutivo e movido pelos dois grupos e ser intermediador dos interesses das empresas, a qual o grupo mantêm contratos de publicidade. Voltado a elite econômica, e ao público mais amplo interessado em economia e negócios, o Valor Econômico contribui para a manutenção da ordem capitalista ao criar artifícios para que a elite econômica possa se sobressair, aumentar seus rendimentos e o lucro. Devido a quantidade impressionante de notícias exclusivas ou dadas em primeira mão a respeito de negócios ou de política econômica, o Valor Econômico mostra seu potencial e poder econômico ao colocar vários repórteres em locais de extrema importância na busca da notícia. Devido a sua influência, ele pode estar mais ligado e influenciar diversos assuntos, sejam eles voltados a economia ou política. Esta influência pode ser negativa, caso o jornal comece a interferir nos assuntos ligados a população mais pobre, que se sente desprotegida diante de uma ação do jornal. Ao publicar análises originais, profundas e plurais de analistas de peso e respeito público, como as do deputado paulista Delfim Neto (PP-SP), o Valor Econômico cria artifícios para que pessoas diretamente ligadas à política e que possam defender interesses escusos, possam ter mais influência e defender interesses de origem duvidosa. São estas mesmas pessoas que podem omitir, não divulgar e denunciar a injustiça, a corrupção e a incompetência no trato dos assuntos públicos, em benefício próprio ou corporativista. No seu primeiro editorial, em 2 de maio, do ano 2000, o jornal disse que defenderia “com vigor o desenvolvimento do mercado de capitais”. Tanto tem feito isso, em suas páginas, ao defender e publicar matérias a respeito dos possíveis “benefícios” que as privatizações podem trazer ao nosso Estado. Não é preciso ser nenhum exper., para saber que são as privatizações que desmontam o aparelho estatal que serve de auxílio ao povo e que os beneficiam ao cobrar taxas baixas. Com as privatizações o bem público é dilapidado em benefício de uma elite capitalista que não está interessada no bem estar social, mas somente na exacerbação injusta de seus lucros e o crescimento de seu patrimônio. Nem que para isso os mais pobres padeçam e fiquem miseráveis. Esta contradição é vista, quando o jornal diz que têm o “compromisso de ajudar a promover o desenvolvimento social e combater injustiças”, mas prega a prática irresponsável do lucro e do capitalismo com as privatizações. O objetivo de “sempre valorizar a figura do empreendedor” é algo a ser colocado em dúvida. Não para desmerecer o Valor Econômico, mas o questionamento se refere a forma e, qual empreendedor é valorizado. Voltado aos grandes empresários, banqueiros e industriais, o Valor Econômico pode se esquecer e não dar a devida atenção ao médio e pequeno empresário, que são as pessoas que mais contratam e acabam deslocados e ficando sem a promoção da mídia, devido a não participarem da grupo seleto a que chamamos de elite. A comprovação da idéia acima está no “Anuário 1000 Empresas de Valor”, que como o nome já diz, dá destaque somente as 1000 maiores empresas. O Valor Econômico esquece que o nosso mercado é maior e mais abrangente, pois classifica e dá visibilidade somente para as vendas das 1000 maiores empresas que atuam no país; os 50 maiores bancos; as 100 maiores seguradoras; e as companhias que mais se destacarem em 27 setores de atividades. A promoção, associação e a valorização das entidades são vistas quando o Valor Econômico cria a parceria com a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. A Escola, ao orientar e escolher as “maiores”, mostra que ter poder decisão direto sobre as escolhas a serem tomadas pelo jornal e mudar o pensamento de seus leitores. Declarando-se apartidário, desatrelado de governos, grupos econômicos, facções políticas, candidaturas e mantendo suas páginas abertas a representantes de diversas tendências ideológicas e políticas, o Valor Econômico pode entrar em contradição ao afirmar as idéias acima e ser elitizado e voltado as classes sociais mais abastadas e dar pouca importância para os acontecimentos que mais podem beneficiar as camadas mais populares. Ou então piorar a situação, ao omitir ou não publicar em suas páginas, algo que realmente interesse ou que beneficie os mais pobres, como a diminuição dos preços ou a quebra de um cartel. O Valor Econômico, ao ser uma empresa produtora de informações econômicas em todos os formatos e em todas as mídias, influência diretamente os que querem investir seus capitais, seja na indústria, agropecuária ou em finanças. Acima de tudo, produz notícias relevantes, antecipa negócios e aponta direções e tendências na política e no comportamento econômicos do país. Por isso, deve-se tomar cuidado, devido a tamanha interferência. Não se sabe se pode ser positiva ou negativa, mas entende-se que para o jornalismo isso não é benéfico, pois cria a sensação de que existe um quarto poder e que ele está aí para nos guiar, independente de qual seja a lógica ou os interesses. Há ainda nessas palavras, a possibilidade de inserção, nem que seja de forma sutil, a manipulação das informações em benefício do privado. Apesar de toda à crítica feita ao Valor Econômico, deve-se reconhecer que o jornal participa ativamente da política brasileira e desempenha o papel de fiscalizador das esferas públicas do poder. Além disso é um jornal bem desenhado, com um projeto gráfico bem elaborado. No entanto, o Valor Econômico, ao trazer um noticiário financeiro ‘hard’ e ser algo diferenciado, poderia ter mais responsabilidade social junto ao que publica e dar mais vazão para que as classes sociais mais pobres não fossem tão exploradas e exprobradas como são.

1.2 - O editorial

O jornalismo, principalmente o impresso, tem múltiplas maneiras de expressar sua orientação e de expor sua opinião a respeito da política nacional e internacional, administração, ideologia e acontecimentos diversos. A linha de conduta – que é a substância do próprio veículo de comunicação – manifesta-se desde a redação de simples notas em colunas, em páginas inteiras, ou, no editorial, o ponto de vista oficial da empresa. Evidencia-se: a filosofia da empresa na escolha do serviço das agências de notícias; no valor atribuído a determinadas matérias; no silêncio em torno de acontecimentos e pessoas; e nos comentários menores.

Não há restrições para os assuntos que possam ser abordados no editorial, mais conhecido, popularmente, como artigo de fundo. Deve, porém, ser escrito em linguagem acessível, que demonstre cultura e grande força de argumentação. Tanto podem ser analisadas as prováveis conseqüências de um projeto de lei apresentado ao Congresso, como a determinação do governo de desvalorizar a moeda ou mesmo um plano municipal que vise o alargamento das ruas. O bom articulista que tiver uma ótima linguagem e vocabulário aprimorado, transformará em excelente editorial, qualquer assunto que venha abordar. O que ele escrever será o pensamento do jornal, quer o artigo esteja assinado pelo diretor, pelo redator responsável ou pelo profissional que exerça o cargo de confiança atribuído.

Segundo Luiz Amaral, “a situação conjunta de todos esses meios é chamada de posição. O jornal parte dos fatos, com reportagens e sustenta sua opinião com editoriais, tópicos, sueltos, nos quais satiriza, elogia, condena homens e idéias, sempre de forma clara e lógica, a fim de atingir com mais facilidade as diversas classes de leitores.” A força do editorial está ligada à conduta do jornal. Para que pese, tem que ser publicado num jornal que pese. Um mesmo editorial poderá ser nulo se publicado num jornal de escândalo ou num semanário inexpressivo. Porém produzirá efeitos profundos se estampado num diário respeitado.

É o editorial que dá o tom de nobreza à página e valoriza, com a sua presença, tópicos e notas ali publicados. Pode aparecer na página de rosto, como na segunda ou quarta página. Para facilitar a leitura e chamar mais a atenção do leitor, vem em tipos maiores e derrama-se por duas, três, quatro colunas, de acordo com o tamanho e o tipo de diagramação da folha. Sua fonte são os acontecimentos do dia, no campo nacional e internacional e de preferência aborda assuntos que estão mais próximos aos leitores.

Amaral diz que “a feitura do editorial não contém regras fixas. Tanto pode partir do informativo para o deliberativo, como do deliberativo para o explicativo. No entanto, não é aconselhável citações fastidiosas, o excesso de erudição, o amontoamento de cifras e o tom doutoral”. Além disso, acredita-se que o ataque pessoal é o pior defeito de um editorial e logo se conhece o mau editorialista, quando este procura esse caminho. Desta forma, exige-se de um editorialista, integridade, independência e seriedade.

Segundo Mário Erbolato, em Jornalismo Especializado,

“A tarefa do responsável por um jornal está condicionada à missão pública da imprensa. Fixada uma orientação, é preciso seguí-la à risca, usando honestidade e imparcialidade e sem depender de favores. Além disso, a humildade e a coragem, estão entre as principais qualidades do verdadeiro jornalista. Humildade para reconhecer os limites de sua própria capacidade e coragem para dizer o que pensa”.

Desta forma, o editorial deve ajudar o leitor a compreender a complexidade das notícias, mas sem força-lo em suas conclusões. Há os que lêem os artigos de fundo e não concordam com o jornal, embora cheguem a elogiar os editoriais pela clareza do texto. O artigo de fundo precisa comentar construtivamente, mas nunca adotar uma política de “panos quentes”, ou de simples narração, sem tomar partido.

Para a conclusão, apresentamos dez qualidades, que segundo Erbolato , o editorialista deve possuir:
1º - Estar bem informado.
2º - Especializar-se nos assuntos sobre os quais escreve.
3º - Ser imparcial nas opiniões.
4º - Rever as suas conclusões, se porventura a evolução dos acontecimentos comprovar que houve erro em editorial anterior.
5º - Ter facilidade para discernir, para saber qual assunto é mais importante.
6º - Dominar os estilos narrativo e argumentativo.
7º - Explicar bem os fatos.
8º - Dar os antecedentes.
9º - Usar sempre a primeira pessoa no singular e não no plural.

1.1 – O jornalismo de economia?

Os primeiros jornais com função política – os chamados jornais de opinião – apareceram com a Revolução Francesa e nela desempenharam papel relevante. Eram jornais caros para a época e seus leitores evidenciavam, ao comprá-los, boa situação financeira. No Brasil, os primeiros jornais eram de opinião. O Correio Braziliense, o primeiro jornal a circular no Brasil e de Hypólito da Costa, era movido por interesses, mas pregou contra o absolutismo e em favor das liberdades políticas e das instituições civis.

Hoje, acredita-se que o Jornalismo Econômico assume um papel de grande importância na sociedade. No inicio, a editoria era mais simples, quando publicava matérias resumidas e de interesse restrito: cotações de moedas estrangeiras; valores de gêneros alimentícios; informes sobre falências e concordatas; e outras notas esparsas. Atualmente, os jornais divulgam temas econômicos, mais extensos, isto é, não só aquelas informações anteriores, mas também, tudo quanto, de certa forma, possa refletir-se sobre a coletividade, com repercussões de caráter financeiro ou que provoque restrições de hábitos de compra e venda.

O jornalismo de função econômica é um instrumento do desenvolvimento econômico e social. Difundindo diariamente uma enorme massa de informações sobre assuntos variados e de interesse à sociedade, o jornalismo tem contribuído para o desenvolvimento da indústria e do comércio, como para melhorar as relações sociais, de um modo geral.

Com noticiário e interpretação dos fatos econômico-financeiros, o jornalismo oferece ao homem de negócios um panorama diário do mercado que lhe facilita a ação, abre perspectivas para o desenvolvimento de suas empresas e proporciona bases para melhor relacionamento com a clientela. Tão importante é hoje essa função para o empresariado, que nenhum homem de negócios inicia seu dia de trabalho sem antes tomar conhecimento de tudo o que saiu publicado sobre sua atividade específica e sobre o mercado em geral. O clipping é feito antes da chegada dos responsáveis pela empresa e produzido, cada dia mais, por funcionários especializados, capazes de discernir numa massa enorme de informações, aquilo que interessa diretamente à organização em que trabalha.
Erbolato, diz que

”As notícias sobre assuntos financeiros ajudam a obter o conhecimento e a informação das quais se necessita à respeito da maneira como pode funcionar o sistema econômico de uma nação. Em uma sociedade livre, o papel do jornalismo econômico não é diferente de seu papel no governo e na política: informar e estimular a discussão dos cidadãos, ainda quando isso provoque uma diferença salutar de opiniões”.

Portanto, podemos considerar que o jornalismo, especificamente o impresso, é uma das ciências da Informação Coletiva ou da Comunicação Coletiva. Luiz Amaral, em Técnicas de jornal e periódico, diz que, ao assumir a condição de ciência, o jornalismo toma contornos acentuados e bem visíveis, e pode ser definido como “o estudo do processo de difusão coletiva, com características específicas de atualidade, periodicidade e recepção coletiva”.