quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Dicas de combate ao desperdício

*Talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa, entre outros, contém fibras e podem ser usados em refogados, no feijão e na sopa.
*Não jogue fora os talos do agrião - eles contém muitas vitaminas. Limpe, pique e refogue com tempero e ovos batidos.
*As folhas de cenoura são ricas em vitaminas A e devem ser aproveitadas em bolinhos, sopas ou picadinhas em saladas.
*A água do cozimento das batatas concentra todas a vitaminas. Aproveite-a, juntando leite em pó e manteiga para fazer purê.
*As cascas da batata, depois de bem lavadas, podem ser fritas em óleo quente e servidas como aperitivo.

Receitas práticas e simples

Fanta Caseira

INGREDIENTES
4 cenouras grandes;
1 copo de suco de limão;
casca de 1 laranja;
3 litros de água;
Açúcar e gelo (a gosto).

MODO DE PREPARO: Bata no liquidificador as cenouras com 2 copos de água. Coe e reserve o resíduo. À parte, bata o suco de cenoura, o suco de limão e a casca de laranja. Coe e acrescente o restante da água, o açúcar e o gelo
DICA: O resíduo é aproveitamento para sopas, docinhos, no arroz, etc.
Valor Nutritivo: Carboidratos; vitamina A e C.


Bolinhos de talos vegetais (de espinafre; brócolis; folhas em geral e legumes)

INGREDIENTES
3 xícaras de talos de vegetais;
1 cebola picada;
2 dentes de alho amassados;
1 xícara de leite;
4 colheres (sopa) de farinha de trigo;
sal (à gosto).

MODO DE PREPARO: Faça um refogado com a cebola, alho e os talos de vegetais picados. Depois, acrescente a farinha misturada com o leite e deixe cozinhar mexendo sempre, até formar um creme espesso. Tempere a gosto. À parte, leve ao fogo o óleo para aquecer e depois faça os bolinhos e frite-os no óleo quente. Os bolinhos podem ser passados em ovo batido e na farinha de rosca.
Valor nutritivo: Fibras, vitaminas, minerais, proteína e carboidrato.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ave que simboliza o Paraná está ameaçada de extinção

A gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), ave típica da fauna do Paraná, é encontrada em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, sudeste de São Paulo, leste do Paraguai, nordeste da Argentina e Mata Atlântica. Segundo o professor Luiz dos Anjos, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a ave ajuda no reflorestamento das florestas de araucárias, no entanto, devido à depredação ambiental, a vulnerabilidade e ameaça de extinção crescem aos poucos.
Luiz dos Anjos explica que a relação conhecida por mutualismo, entre a gralha e a araucária rustifórmica (pinheiro), acontece durante o inverno, quando o pinhão, semente da araucária, é seu principal alimento. "Quando a gralha pega o pinhão e voa para outra árvore para se alimentar (ela nunca fica no mesmo local onde pegou o alimento), coloca o pinhão nos galhos do pinheiro e o segura com as garras, abrindo-o em seguida. Muitas vezes, o pinhão escapa e cai no chão. Quando isso ocorre, a semente é absorvida pelo sub-bosque denso que existe ao redor da árvore. A gralha-azul volta ao pinheiro e busca outro pinhão, preferindo não ficar vulnerável a predadores", diz. O fato dela voltar a araucária para buscar outro pinhão contribui para a dispersão acidental da árvore.
Luiz dos Anjos diz que o pássaro que simboliza o Estado do Paraná, desaparece de várias regiões, devido à proliferação da espécie depender de grandes áreas de florestas. "Por causa do constante processo de desmatamento, as populações diminuem junto com as chances de sobrevivência". O professor alerta que a gralha-azul se enquadra, em termos de conservação, como vulnerável, pois o número da população já inspira preocupação quanto à manutenção ao longo do tempo. Para reverter o quadro, áreas remanescentes de florestas de araucárias devem ser mantidas e é necessário um censo para se ter idéia de eventuais planos de manejo e repovoamento a serem desenvolvidos.
Quanto aos predadores, a gralha-azul não tem muitos, devido ao seu porte avantajado, (do bico à cauda mede de 30 a 40 centímetros). A predação pode ser de pequenos mamíferos, como o quati, que tem acesso a ovos e ninho. Quando adulta, aves de rapina são os principais predadores. Uma característica da espécie é a vivência em grandes bandos, onde os indivíduos defendem-se uns aos outros e beneficia o período reprodutor, quando outras três aves ajudam o casal a proteger e cuidar do ninho. O ciclo de vida, da gralha-azul, varia de 12 a 15 anos e a solidificação de ovos ocorre uma vez por ano com geração de três a cinco ovos

A lenda da Gralha-Azul

Era madrugada, o sol não demoraria a nascer e a gralha ainda estava acomodada no galho amigo onde dormira à noite, quando ouviu a batida aguda do machado e o gemido surdo do pinheiro. Lá estava o machadeiro golpeando a árvore para transformá-la em tábuas. A gralha acordou. As pancadas repetidas pareciam repercutir em seu coração. Num momento de desespero e simpatia, partiu em vôo vertical, subiu muito além das nuvens para não ouvir mais os estertores do pinheiro amigo. Lá nas alturas, escutou uma voz cheia de ternura:
- Ainda bem que as aves se revoltam com as dores alheias. A gralha subiu ainda mais, na imensidão. Novamente a mesma voz a ela se dirigiu:
- Volte avezinha bondosa, vá novamente para os pinheirais. De hoje em diante, Eu a vestirei de azul, da cor deste céu. Ao voltar para o Paraná, você vai ser minha ajudante e plantar pinheirais. O pinheiro é o símblo da fraternidade. Ao comer o pinhão, tirá-lhe primeiramente a cabeça, para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca. Nunca esqueça: antes de terminar o seu repasto, enterre alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que a podridão não destrua o novo pinheiro que dali nascerá. "Do pinheiro nasce a pinha, da pinha nasce o pinhão... Pinhão que alegra nossas festas, onde o regojizo barulhento é como um bando de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheiros do Paraná. Seus galhos são como braços permanentemente abertos, repetindo às auras que o embalam o meu convite eterno: Vinde a mim todos..."
A gralha por uns instantes atingiu as alturas. Que surpresa! Onde seus olhos conseguiam ver seu próprio corpo, observou que estava todo azul. Somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Sim preto, porque ela é um corvídeo. Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu, voltou célere para os pinheirais. Tão alegre ficou que seu canto passou a ser um verdadeiro alarido que mais parece com vozes de crianças brincando.

"O plantador de pinheiros", escrita em 1925 por Eurico Branco Ribeiro, no livro "A sombra dos pinheiros".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Jesús MalVerde

Esse foi Jesús Malverde. A imagem do Santo tem cabelos, olhos, sobrancelhas e bigodes negros. Veste uma camisa branca e traz um lenço escuro atado ao pescoço. É o santo protetor dos narcotraficantes e seus milagres nunca foram reconhecidos pela Igreja. MalVerde tem três capelas que honram sua memória. Uma em Cali, na Colômbia; outra em Culiacán, no México e a terceira em Los Angeles.
A lenda conta que Jesús Malverde foi um bandido que viveu no final do século XIX na serra de Sinaloa (México) e sua cabeça teria um preço. Um caçador de recompensas atirou em sua perna, mas ele se refugiou nas montanhas. O ferimento gangrenou e quando não havia esperanças de salvar sua vida, pediu a um de seus companheiros que lhe entregasse ao Governo de Porfírio Diaz, cobrasse a recompensa e utilizasse o dinheiro para ajudar os pobres.
No dia 3 de maio se comemora o dia desse santo bandoleiro e a capela de Culiacán se enche de fiéis e devotos do Robin Hood mexicano. É o "patrão" dos pobres e dos deseperados. Acima de tudo, é um santo que muitos rezam em sua memória e encomendam sua sorte. A capela de Malverde, em Culiacán, a primeira das três, é no mesmo sítio em que o bandoleiro foi enforcado, em 1909 e há poucos metros do Palácio do Governo do Estado de Sinaloa. É uma construção caótica e abrigada em apenas 100 metros quadrados e com pequenas salas. Ao redor do busto de Malverde, aparecem muitas fotos e dezenas de placas, sendo que a maioria contém erros de ortografia. "Gracias por ayudarnos asta Arizona", reza uma delas, que está rodeada de bilhetes e notas de cem dólares cravadas na parede a modo de oferenda. Ela foi erguida com doações de fiéis, é aberta 24 horas por dia e recebe três mil pessoas por mês.
Não existem provas reais que ele existiu, como certidão de nascimento, registro de passagens por prisões ou hospitais, notícias em jornais sobre seus roubos ou um atestado de óbito. No cemitério, também não há lápide, mas os fiéis preferem ignorar os fatos.

domingo, 2 de dezembro de 2007

A urbanização influência nos fatores sócio-econômicos de uma comunidade?

Bairro muda a fama de violento a partir de ações dos moradores e com a chegada da urbanização

Assaltos, roubos e homicídios eram comuns no dia-a-dia do Jardim São Jorge, bairro localizado na região norte de Londrina. Por isso, o bairro era notícia freqüente nos noticiários de jornais, rádios e TV´s. A fama que perseguia os moradores desde o início da ocupação da área era tanta, que chegou ao ponto de nem conseguirem empregos na cidade. Mas isso mudou a partir de meados de 2003, com a chegada da urbanização ao local. O asfalto e os benefícios que ele proporcionou, mexeu com o brio da comunidade que decidiu se unir, por intermédio da associação de moradores local e também “sanear” a fama do São Jorge, que atualmente tem cerca de 4,5 mil habitantes.
Augusto Corrér, presidente da Associação dos Moradores do Jardim São Jorge, lembra que a onda de violência era tamanha que os caminhões que faziam entrega de bebidas e gêneros alimentícios só entravam no bairro sob escolta policial ou em companhia de comerciantes locais, pois a possibilidade de serem assaltados, em plena luz do dia era grande.
Segundo Corrér, os assaltos e furtos a residências, comércio e ônibus que faziam a linha do bairro eram freqüentes. “Percebemos que a situação chegou a um ponto insustentável quando os ônibus deixaram de entrar no bairro, pois os motoristas e cobradores tinham medo de serem assaltados. Foi a partir daí que a associação convocou os moradores para reuniões para tratar da questão e convencê-los de que a responsabilidade e o zelo pelo patrimônio devem ser feitos pela comunidade”. diz.
Com isso, os moradores decidiram se engajar para diminuir a violência no bairro. Entre as estratégias, a denúncia de crimes e a identificação de criminosos para a Polícia. “Vários infratores se mudaram ou foram presos. Criou-se um código de ética e de postura, em que o cidadão, o pai de família, não precisava ficar preocupado em deixar sua residência sozinha e não mais encontrar sua TV, na volta. Hoje em dia, o lugar é de muito respeito”, diz Corrér.

Exemplo – O capitão Roberto de Moura Rocha, comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, lembra que o Jardim São Jorge tinha muitos problemas e liderava o número de chamadas recebidas pela PM, “chegando ao ponto de serem registrados de dois a três homicídios por semana e altos índices de furtos. A organização e a cobrança dos moradores em assembléias coibiram a ação dos infratores. Por isso, o conceito do São Jorge hoje é muito bom”, diz. O capitão Rocha comenta ainda que muitos bairros em outras partes de Londrina, que contam com melhor infra-estrutura e padrão socioeconômico mais elevados, estão enfrentando crescentes problemas na área de segurança. Por isso, o militar recomenda que essas comunidades deviam seguir o exemplo do São Jorge.

Estamos no céu, diz comerciante

O comerciante Severino Tavares da Silva montou o Mercado Tavares no bairro, desde a sua fundação, em 1999, na rua Rita Pereira. Hoje, sente-se à vontade para relembrar os dias difíceis do início do negócio, quando tinha que ficar atento para evitar assaltos ao estabelecimento e a fornecedores.
“Olha, o pessoal do leite mal encostava aqui e já tinha assaltante esperando. Mas eu não deixava eles roubarem não. E graças a Deus, nunca roubaram nada aqui”, garante, lembrando-se que o bairro justificava a fama de violento. “Só haviam duas empresas que faziam a entrega dos nossos pedidos. Lógico que com a segurança da Polícia ou mesmo dos comerciantes. Hoje, os caminhões de mais de 30 empresas entram no bairro na maior tranqüilidade. O São Jorge está um paraíso”, diz.
Severino credita à chegada do asfalto a debandada dos ladrões do bairro. “Eles foram embora, porque a comunidade se uniu contra a violência e, assim, acabamos com a bandidagem que existia aqui. Hoje podemos dizer que estamos no céu”, diz com alívio.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O enxadrista



O vira-latas com seus olhos caninos observa o movimento das ruas. Não é um incognita e seu repouso chama a atenção dos transeuntes que passam apressados, em marcha e atraso, para mais uma jornada de trabalho. Pacientemente ele observa e espera o tempo passar sem a pressa humana do dia-a-dia. Logo viram pretensos jogadores para uma partida de xadrez numa descompromissada quinta-feira à tarde. Concentrado e com sua visão fixada no horizonte, imagina e retrara uma futura jogada para a próxima peça que será mexida por um atemporal oponente. É a jogada que decidirá a partida com um xeque-mate. Não sabe ele, que o destino do rei, da rainha e do bispo, estão ao seu alcance, na simples mudança de uma peça de xadrez.

O galo - Parte I


José Alves Camargo de Pompeu, conhecido como Zé Pompeu, era um sujeito muito pobre que vivia de pequenos biscates. Sua vida sempre foi assim e sua mulher reclamava muito de que ele nunca trazia o suficiente para dentro de casa. Devia arrumar um emprego fixo. Apesar das dificuldades, não era preguiçoso e ia muito à igreja pedir a Deus que o ajudasse a arrumar um bom emprego que garantisse o sustento da esposa. Para ele, Matilde era a pessoa mais importante do mundo. Ele a conhecera no salão de beleza que ele freqüentava. Namoraram três anos e há cinco estão casados.
Pompeu achava a vida ingrata por não lhe ter dado condições para sustentar a família. Matutava uma maneira de conseguir dinheiro suficiente para tirá-los do aperto, comprar móveis novos e montar um salão para Matilde, que até hoje trabalha no mesmo lugar.
Os dias passavam e Pompeu nada conseguia, além de serviços que lhe rendiam o suficiente para uma semana. Ainda assim, sonhava em comprar um carro novo ou roupas no shopping para Matilde. Queria dar luxo e conforto à sua companheira e, por não conseguir, achava-se um fracassado. Em seus devaneios, acreditava que poderia melhorar sua condição humana.
Numa noite, sonhou com o capeta. Ele era muito feio e tinha o rosto desfigurado. Estava envolto numa capa preta, cheirava a enxofre e tinha dois chifres que pareciam cornos de zebu. O demo, que um bafo forte, fez a seguinte proposta para o coitado:
- Pompeu, se você quiser ser um cara rico, faça um pacto comigo. Vá de preto à feira de domingo e arrume, para mim, um galo e uma galinha preta que ponha ovos marrons e choque cinco pintos. Depois, pegue a galinha, corte o pescoço e beba seu sangue comigo. Depene a danada e a coloque numa encruzilhada com um maço de velas pretas, uma garrafa de pinga, pipoca, um maço de cigarros e carne de rabanada. Quando fizer isso, abrirei todas as portas e caminhos. Você ganhará muito dinheiro e terá tudo que quiser. Mas não se esqueça, se voltar atrás, algo de ruim o atormentará para sempre. Sua vida será um purgatório e quando morrer, queimarás no fogo do inferno. E aí, aceita o pacto comigo?
Pompeu, ensopado em suor, acordou estupefato às três horas da manhã. Matilde perguntou o que havia acontecido e ele respondeu que teve um pesadelo. No outro dia, numa sexta-feira, ela foi para o salão e Pompeu ligou para um amigo, o Jeca Marica, dono de uma chácara, e lhe perguntou se ele tinha um galo e uma galinha preta. Marica riu e perguntou se Pompeu queria fazer despacho ou macumba. Enrubescido, disse que ia satisfazer a vontade da mulher, que estava com desejos de comer frango com polenta. Esclarecido o mistério, o amigo pediu para Pompeu se dirigir a chácara para escolher as aves. Antes de sair, pensou se isso era certo e imaginou se tudo aquilo não passava de alucinação os devaneios.
- Será que a cobiça e a ganância levam o homem a fazer pactos e ficar frente-a-frente com seus piores inimigos?, pensou.

O galo - Parte II

Titubeou mais uma vez. Mas, na sua mente surgia a imagem de Matilde que se matava cortando cabelo e tirando unha encravada de clientes antipáticas e gordas. Juntou o pouco dinheiro que tinha e foi à chácara. Ao chegar, foi recebido calorosamente por Marica, que o esperava no portão. Marica, ainda desconfiado, perguntou ao amigo por que as penas das aves tinham que ser pretas. Só venderia se soubesse o motivo. Tinha medo que o amigo estivesse envolvido com a magia negra. Ao saber, Pompeu deu uma gargalhada bem alta e, encabulado, explicou que as galinhas caipiras dão melhor caldo para polenta e que as penas tinham que ser daquela cor devido à coloração esverdeada, isso dava um tom diferenciado.
- Vou fazer um cocar. As penas da cauda do galo são maiores e as da galinha são mais fortes e resistentes. Se juntar os dois tipos, o artesanato fica mais realçado, disse ao amigo.
Explicada mais uma vez a situação, os dois se dirigiram ao poleiro. Lá, mais de 50 espécies de galos, galinhas e pintinhos das mais diferenciadas cores, tamanhos e raças. Tinha galinha d água, caipira, angorá, de granja, andaluza, galinzé, pedrês, preta e perdiz. Quanto aos galos, viu de briga, águia e índio. Para que o pacto fosse consumado, Pompeu, com a voz firme, perguntou se as galinhas pretas botavam ovos marrons.
- Qualquer galinha caipira bota ovos marrons.
Ironicamente e com um sorriso nos lábios completou:
- Se a gazela que lhe der botar ovos de ouro, você terá que devolve - lá.
Pompeu escolheu uma galinha caipira bem pretinha e um galo de briga com as penas pretas esverdeadas e a cauda vermelha. Amarrou as aves, uma em cada lado dum cabo de vassoura, perguntou a Marica o preço e disse que seria o convidado de honra para o caldo com polenta. Marica riu e avisou que não precisava pagar pelas aves, mas que a promessa para o jantar deveria ser cumprida. Antes de sair, questionou como e quando a galinha botava ovos.
- É preciso dar milho ou ração. Não se esqueça de fazer um cercadinho para não escaparem.
Pompeu foi embora e em casa, Matilde se assustou com a novidade. Contou que Marica havia lhe convidado para tomar café e que aquele foi um presente devido os muitos anos de amizade. Sem desconfiar das artimanhas malignas que planejava, ela nem ligou.
Ele fez o cercadinho improvisado com caixas de madeira e os soltos lá dentro. Pegou uma espiga de milho, esbugalhou e lançou os grãos para as aves que futuramente seriam sacrificadas. Após isso, Pompeu deitou-se na cama e começou a pensar em tudo que compraria com a grana propiciada pelo capeta. Um carro, roupas novas, uma casa com piscina e o salão para Matilde. Fechou os olhos e sobressaltado, num piscar viu que era noite. Saiu na janela. Estranhamente, a galinha botou e chocou cinco ovos com pintinhos amarelos. Apressadamente os ordenou numa fileira e em sua mesa já lhe aguardava a sacola com carne, cachaça, cigarros, velas e pipocas que foram compradas na tarde anterior. Na cintura, duas peixeiras virgens e afiadas para cortar a cabeça dos animais e duas taças para brindar o sangue com o demo. Nosso protagonista andou até uma encruzilhada, espalhou tudo no chão e à meia-noite acendeu uma vela preta. Em seguida, cortou num só golpe, a cabeça do galo, tendo a galinha e os pintinhos como testemunhas oculares. Com o sinistro pacto consumado, pegou o corpo da ave, já sem vida, e derramou seu sangue na taça. Quando levava a boca o copo transbordante de sangue quente, escutou um cacarejado e, assustado, viu a cabeça do galo picando seu pé.
- Só pode ser obra do diabo. Esse bicho vai me perseguir e minha alma queimará no enxofre do inferno.
Quase desmaiou, mas o galo não parava de picar seu pé. Nesse momento, uma voz lhe pergunta o que acontecia.
- De quem é essa voz? É o demo? Ele vai me levar para o inferno. O que faço agora?
Num sobressalto, Pompeu levanta-se. Não percebeu que tinha cochilado e viu que na verdade, a galinha saiu do cercado, entrou pela janela e picava seu pé, como se quisesse chamar sua atenção. Enquanto isso, o galo cacarejava para o amanhecer e sua mulher lhe chamava para ver os dois ovos que a galinha botou no chão do quarto.
Aquele seria o primeiro desjejum propiciado pelas aves.