segunda-feira, 3 de maio de 2010

1 - O que é o jornalismo

Segundo Luiz Beltrão e Newton de Oliveira Quirino, em Subsídios para uma teoria da comunicação de massa, o jornalismo é “o processo de produção de mensagens relativas a fatos, idéias e situações atuais, interpretadas à luz do interesse coletivo e transmitidos periodicamente à sociedade com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública no sentido de promover o bem comum”.

Embora existente desde os primórdios da vida social humana, o jornalismo com os atributos que hoje lhe são peculiares (atualidade, variedade, interpretação, popularidade, difusão coletiva e promoção) procede da difusão da tipografia, a partir do século XVI, consubstanciando-se com os diários impressos no seguinte século.
Beltrão e Quirino, dizem que:

“Com a implantação da sociedade de massa, ao jornalismo cabe informar e comentar qualquer fenômeno que ocorra, em determinadas circunstâncias, na natureza, nas relações sociais ou no mundo criado pelo homem. Não deve ser propósito específico dessa atividade, em sentido restrito, educar, persuadir ou entreter seus destinatários, uma vez que tais funções são próprias de outras atividades comunicacionais”.
As distorções sofridas pelo jornalismo, no decurso de sua história, são geradas pelo intento de restringi-lo a instrumento de educação, de propaganda ou de evasão, antes de apresentador do quadro da atualidade, sem cujo conhecimento a comunidade permaneceria alienada, sem condições de opinar e participar da ação construtiva da paz, do progresso e da ordem social.

No jornalismo, entre a ocorrência de um fato e a sua veiculação, é percorrido um caminho relativamente rápido, se medido em horas. Porém, ele é bastante tortuoso e complexo. A começar pelo fato de que a imprensa não vive apenas dos episódios ocorridos num determinado dia, mas também da discussão, do debate e da análise de acontecimentos ou situações atemporais – que estão acontecendo, e não simplesmente que aconteceram.

É muito provável que um jornalista que consiga responder com exatidão e o maior número possível de detalhes relevantes às seis questões fundamentais de cada acontecimento (o quê, quem, onde, como, quando, por que) produzirá um trabalho jornalístico no mínimo aceitável. Mas, no universo informativo atual, uma dessas seis perguntas deveria merecer prioridade sobre as outras: por quê. O porquê de um determinado fato envolve uma investigação profunda sobre seus antecedentes e uma razoável soma de conhecimentos sobre o tema que está sendo tratado. E é imperioso que a imprensa escrita se debruce sobre os porquês, na medida em que rádio e televisão têm limitações congênitas para invadir este terreno. A explicação para as limitações do rádio e da tv, podem dadas devido o jornal impresso permanecer e conter mais “espaço” para a produção na notícia. Nos outros veículos de comunicação (rádio e tv), isso não é possível devido eles se esvaírem no ar, não possibilitando um acompanhamento posterior, sem que sejam gravados. Entre as funções do jornalismo, há duas que mais se destacam: a função política e a função econômica. Por função política, entendem-se os meios de informação, em sua ação crescente, como instrumentos de direção dos negócios públicos, e como órgãos de expressão e de controle de opinião pública.
A cada dia são maiores as relações entre o Governo e os meios de informação coletiva. Convencidos de que a opinião pública pode ser controlada através de uma informação inteligente e bem dirigida, os diversos órgãos governamentais desenvolvem seus serviços informativos captando simpatias e fornecendo vasto material para repórteres, redatores e editorialistas.
Com o título “A falência de uma coalizão esdrúxula” o editorial de 27 de outubro trata da reforma política que poderia mudar os pilares da política brasileira e aborda a “esdrúxula” coalizão, ao qual o Partido dos Trabalhadores se submeteu para alcançar o cargo político mais cobiçado do país: a Presidência da República. Segundo o Valor Econômico, a falência de todo um sistema criado pelo PT, pode ter a explicação resumida em uma coalizão que não foi motivada por padrões éticos, mas sim, no que diz respeito à maior representatividade de votos. O erro, segundo o Valor Econômico, foi o PT, um partido de vários segmentos ideológicos com espectro voltado à esquerda, ter feito alianças com partidos políticos que têm o espectro ideológico voltado à direita e mais conservador e lançando a idéia de que a crise pode ter sido motivada por questões de cunho político-ideológico.
O último editorial, “Governo retoma iniciativa, mas paga um preço alto”, de 30 de outubro, mostra que o Governo como um todo e principalmente o presidente Lula estão fazendo muitos esforços para que não saiam enfraquecidos no pleito de 2006 e consigam afastar a possibilidade de impeachment, articulando a vitória de Aldo Rebelo (PCdoB–SP), para a Presidência da Câmara dos Deputados. A eleição de um “aliado histórico” cria mais afinidades ideológicas para os petistas do que o antigo “aliado político”, Severino Cavalcanti.
Com o trabalho, chegamos à conclusão que o jornalismo não é uma atividade profissional totalmente isenta, e que os jornais podem ser movidos por interesses que não só estejam de acordo com as normas éticas, mas financeiras e comercias, como é o caso do Valor Econômico, que tem por traz de si dois grandes grupos econômicos.

A partir disso, levamos em consideração: a) o que é escrito nos editoriais dos grandes jornais; b) qual é a idéia a ser trabalhada junto aos formadores de opinião; c) e os impactos que essas mensagem dos editoriais trazem para as classes sociais menos favorecidas.
Por estes motivos, devemos considerar que o Valor Econômico, ao ser voltado à elite capitalista, deve ser questionado em seus editoriais e apurarmos se realmente, seu jornalismo é um produto que está à venda, contribuindo para que os interesses capitalistas se sobreponham à ordem social e à ética.

No primeiro capítulo de nossa análise é feita uma abordagem teórica sobre o que é jornalismo e, quais podem ser as suas aplicações na política e na economia, além de o classificarmos como um instrumento da sociedade de massa, que contribui para o desenvolvimento social, político e econômico. Fazemos uma abordagem sobre o jornalismo voltado à economia e como ele pode nos influenciar a tomadas de diversas decisões. A abordagem sobre o jornalismo econômico se dá devido ao assunto principal desta monografia ser o periódico Valor Econômico, um jornal tecnicista e especializado em economia. Devemos reconhecer que o jornalismo de economia é um “instrumento do desenvolvimento econômico e social, que difunde diariamente uma enorme massa de informações sobre assuntos variados de interesse da sociedade e que interpreta os fatos econômico-financeiros”.

Por fim é abordado o editorial, não esquecendo que sua função é mostrar a opinião da própria empresa jornalística sobre determinado assunto.
No segundo capítulo, é feita uma abordagem sobre a política editorial do jornal Valor Econômico e os motivos pelos quais é movido. Devido a sua autodefinição como um jornal voltado para as classes sociais de maior poder aquisitivo e para um público mais abrangente e interessado em economia, ele se vê na condição de um veículo indispensável para reforçar as idéias de exploração entre as classes sociais produtoras e trabalhadoras. Declarando-se apartidário, desatrelado de governos, grupos econômicos, facções políticas, candidaturas e mantendo suas páginas abertas a representantes de diversas tendências ideológicas e políticas, o Valor Econômico entra em contradição ao afirmar que “seu compromisso ético é de ajudar a promover o desenvolvimento social e combater injustiças”.
No terceiro capítulo, é feita a análise crítica dos editoriais do jornal Valor Econômico, editados nos dias 5, 6, 12, 27, e 30 de outubro.

O primeiro editorial intitulado “Ações orquestradas para esvaziar as investigações”, há uma relação entre o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva e os constantes acontecimentos que movimentam o cenário político brasileiro, como as eleições de Ricardo Berzoini para a presidência do Partido dos Trabalhadores e de Aldo Rebelo (PC do B – SP), que é um “aliado histórico”, para a presidência Câmara dos Deputados. O Valor Econômico discute o corporativismo e o apoio que Lula ganhou na Câmara com a vitória do “aliado histórico”.

No segundo item deste capítulo, é feita a crítica do editorial de 6 de outubro, que tem como título a seguinte frase: “Avaliação política do governo é falha e lenta”. Neste editorial, o Valor Econômico aborda as questões referentes à ética e qual é o comportamento que deve guiar os políticos, para que não sucumbam diante da falta de moralidade. O foco central deste editorial está na situação do Governo, que passou a ter como aliado, Severino Cavalcanti (PP-AL), eleito presidente da Câmara dos Deputados e que perdeu seu mandato por estar envolvido em um esquema de propina e arrecadação ilícita de dinheiro.
O terceiro item avaliado tem como título “O PT e o direito da hereditariedade política”. Este editorial, de 12 de outubro de 2005, trata de uma questão muito ligada à política brasileira: o patriarcalismo e à hereditariedade política. Muito comum nos estados do Nordeste e nos antigos regimes oligárquicos, o patriarcalismo é representado, principalmente, pelos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL), na Bahia e por José Sarney (PMDB), no Piauí e no Maranhão. No entanto, a crítica se torna mais contundente, quando o Valor Econômico afirma que o patriarcalismo não é um “privilégio” somente dos políticos acima citados, mas quando se tornou “perigoso” para o Governo, quando o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), começou a influenciar na vida política de seu filho, Zeca Dirceu.

O Valor Econômico, ao citar o patriarcalismo em seu editorial, lembra que sua prática está associada a duas incoerências da política brasileira: o nepotismo e o clientelismo.

ANÁLISE CRÍTICA DOS EDITORIAIS DO VALOR ECONÔMICO

O trabalho analisa a postura de cinco editoriais do jornal Valor Econômico frente à crise política instalada no partido do Governo e mostra a relação entre o jornalismo e as esferas do poder econômico e político.

INTRODUÇÃO

A importância do jornalismo na sociedade contemporânea é imprescindível para compreendermos diversos processos políticos e econômicos dos quais somos dependentes. Como por exemplo, os motivos que levam ao aumento dos combustíveis, à desoneração ou aumento de impostos, à queda ou aumento da inflação, ou o que leva os políticos a tomar certas decisões na tentativa de mudança dos pilares da economia. Este discernimento, criado para o leitor através dos jornais, faz com que haja avanço na esfera social, dá confiabilidade e crédito para o jornalista e possibilita que o mesmo publique notícias decisivas para a tomada de posição dos leitores. Nesta lógica, os editoriais guiam a opinião dos jornais e encaminham seus leitores a uma posição sobre assuntos de grande relevância.
Desta forma, afirmamos que a população leitora brasileira, ao ler e compreender os editoriais, criará justificativas e argumentos para questionar os infratores da nossa recente democracia. Cabe à população leitora maior crítica e fiscalização sobre os meios políticos e tudo o que possa vir a corrompê-los. A partir disso não haverá discrepância entre os direitos dos cidadãos e os objetivos dos políticos que, em sua maioria, trabalham contra o interesse público, não respeitando a democracia e geralmente agindo contra os princípios éticos. O jornalista, por sua vez, enquanto agente fiscalizador do meio político, deve sempre combater a corrupção, agir como intermediador entre a esfera pública e a sociedade para que as normas éticas sejam cumpridas da forma mais coerente possível, através da cobrança de medidas transparentes que acabem com as desigualdades.
Mas como o profissional jornalista pode fazer isso? A questão é simples: ao escrever um texto, ou editorial, o jornalista deve ser consciente de quer suas palavras podem exercer muita influência e até mudar a opinião do leitor sobre determinado assunto. Por meio da persuasão, o jornalista deverá criar na consciência coletiva dos leitores, argumentos políticos e questionamento sobre os erros vindos de quem detém os poderes políticos e econômicos. Ao cumprir esta função, orientando-se pela ética e pela moral, o profissional alcançará seu objetivo de levar a verdade aos leitores, acima de tudo.

Baseado na ética e na verdade, esta monografia tem como objetivo principal a análise crítica dos editoriais do jornal Valor Econômico. Voltado a segmentos de leitores com orientação político-ideológica mais à direita e de razão conservadora, o Valor Econômico afirma, claramente, em suas páginas, que “oferece um panorama abrangente e confiável do que ocorre na esfera produtiva, capaz de auxiliar na tomada de decisões pelos agentes econômicos.” Aliás, esta proposta mostra-se indispensável às camadas sociais que detêm e exploram os meios de produção capitalista, porém inviável e de pouco alcance para a maior parte da população que constitui a base da pirâmide social.
Gerido e gerenciado por dois grupos econômicos (Grupo Folha e Infoglobo), o Valor é um jornal indutivo e intermediador dos interesses da elite econômica para a manutenção da ordem capitalista. Questiona-se o significado de um jornal que não é voltado para as classes mais populares, mas direcionado exclusivamente a segmentos da elite capitalista. Este jornal pode omitir denúncias de injustiça, de corrupção e de incompetência no trato dos assuntos públicos, em benefício próprio ou corporativistas?

A todas estas hipóteses, que foram levantadas, devemos reconhecer que a importância deste trabalho é a análise da linha editorial de um jornal que se diz defensor “do desenvolvimento do mercado de capitais”, independentemente de ser público ou privado. O jornalista deve levantar a bandeira da ética e, acima de tudo, defender o que é de benefício público e social.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Iguales


El fenómeno de la desigualdad
*por ADITAL, Gregorio Iriarte o.m.
16 de febrero de 2007

¿Por qué existe tanta desigualdad en el mundo...? ¿Por qué, actualmente, en vez de disminuir, va en un progresivo y deshumanizado aumento? ¿Cuáles serían las razones para que no puedan encontrarse soluciones al problema más injusto y lacerante de nuestra sociedad...?

Es el difícil cuestionamiento que nos planteamos desde el punto de vista tanto económico, como social y ético.

Los más graves problemas de la sociedad actual ¿no están, acaso, vinculados directamente al injusto desafío de la desigualdad económica y de la exclusión social...? ¿No es ello causa de la creciente emigración...? Cientos de miles de africanos intentan llegar, como sea, a Europa y otro tanto sucede con ese inmenso contingente de latinoamericanos que, cada vez en mayor cantidad, suspiran y luchan por llegar hasta EE.UU. Pero no sólo eso: las crecientes tensiones internacionales entre el Norte y el Sur, los resentimientos y frustraciones de los empobrecidos, la desesperación de los desocupados, el aumento de la agresividad e inseguridad ciudadana.... ¿no tienen que ver con la desigualdad creciente, tanto a nivel mundial, como dentro de cada país, sea rico o pobre...? Unas personas nadan en la abundancia y malgastan y derrochan su dinero en permanente y provocador despilfarro, mientras aumentan la pobreza y la extrema pobreza, tanto en el ámbito local, como a nivel mundial

Este fenómeno es tan complejo que, aún dentro de los países de ingresos más altos, las desigualdades aumentan. En EE.UU. un 17% de los empleados, a tiempo completo, ha quedado por debajo del umbral oficial de la pobreza, pero, a la vez, sólo tres norteamericanos (Bill Gates, Paul Allen y Warren Buffet, poseen 110.500 millones de dólares, una riqueza igual a todo lo que poseen 600 millones de personas de 42 países del Tercer Mundo.

Crecimiento económico no es igual a desarrollo equitativo

El diagnóstico acerca de las causas del incremento de las desigualdades dentro también de los países más ricos del mundo sigue sin aclararse.

Lo que sí se puede probar, fehacientemente, es que el mero crecimiento económico no conduce, por sí mismo, a superar la pobreza y la desigualdad.

La publicación "Flat World, Big Gaps" ( Un mundo plano, grandes disparidades), editada por el secretario general adjunto de la organización PNUD de la Naciones Unidas, afirma que, si bien la distribución de los ingresos individuales han mejorado ligeramente, gracias al crecimiento económico de China e India, sin embargo, la distribución de la riqueza, a nivel mundial, ha empeorado. Los índices de pobreza, desigualdad y exclusión social van en aumento a la par que la concentración de la riqueza.

Según este Informe, la globalización y el libre mercado no han ayudado a la reducción de la desigualdad y de la pobreza, como muchos creen.

La brecha económica que separa, a los países ricos de los países pobres, se ha profundizado. Este fenómeno se da también dentro de cada país, entre uno y otro sector, con muy pocas excepciones.

La creencia generalizada, de que la globalización y la liberación de los mercados son la clave para la reducción de la pobreza, es una falacia. Lo demuestran los siguientes datos: Todavía existen 1.000 millones de personas que viven con menos de un dólar por día, mientras casi la mitad de la población mundial (3.000 millones de personas) sobrevive con poco más de 2 dólares diarios.

Se constata que los dos grandes países de mayor crecimiento actual, como son China e India, también están experimentando un crecimiento acelerado de la desigualdad económica, cada vez más alejados de un desarrollo equitativo.

Algunos defensores, a ultranza, de la globalización llegan a afirmar que es inevitable que persista la desigualdad. Muchos de ellos la ven como algo útil y conveniente. Piensan que es necesario que haya una real concentración de la riqueza, ya que, según ellos, sólo los grandes capitales pueden generar, con sus inversiones, nuevas fuentes de trabajo. El reparto de la riqueza es una decisión posterior... Es lo que se denomina "la teoría del rebalse".

Sin embargo la experiencia de estos últimos años nos dice que las grandes fortunas se orientan, cada vez, más hacia la especulación y no así hacia la inversión y la generación de nuevas fuentes de trabajo.

Muchos economistas juzgan que la igualdad social que caracterizó al Japón de la posguerra ha sido uno de los factores más importantes de su notable desarrollo económico y social. Lo mismo se podría decir de Singapur, de Corea del Sur, de Taiwán....

Nunca tan pocos tuvieron tanto...

Nunca el mundo ha producido tantos bienes y tanta riqueza como en la actualidad. En los últimos 20 años, la economía mundial se ha quintuplicado, pero, a la vez, lamentablemente, las distancias entre pobres y ricos se han vuelto abismales.

Un Informe de Banco Mundial, divide a los países del mundo en cinco grupos iguales, de acuerdo a su riqueza. El grupo de países más ricos acapara una riqueza 150 veces superior a la del grupo más pobre. Este grupo privilegiado concentra el 86% de la riqueza mundial; el resto ( o sea el 80% de la humanidad) sólo es dueño del 14% de la riqueza. Lo más grave, sin embargo, es constatar que el 20% más pobre dispone apenas del 1,5% de dicha riqueza.

El PIB mundial alcanza actualmente a los 25 billones de dólares, de los cuales, los países que integran el grupo de los G7 son dueños de 17 billones, otros 5 países acumulan 1.000 billones, mientras 180 países tienen que partirse los 7 billones restantes.

Los más pobres entre los pobres

En el África Subsahariana han amentado los índices de pobreza, según el último Informe del "Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo" (PNUD): La esperanza de vida de estos países es inferior a la que existía hace 30 años. La edad promedio apenas llega a 46 años, es decir, 32 años menos que la de los países más adelantados,

América Latina no es la región más pobre del mundo, pero es la que tiene peor distribución de sus ingresos. Los pobres en América Latina son, actualmente, 205 millones de personas o sea el 38,5% de la población. El 14,7% de la población, o sea 79 millones de personas, viven en extrema pobreza, o sea, con menos de un dólar al día por persona.


Cochabamba (Bolivia) febrero del 2007

http://www.ciudadredonda.org/spip/article.php3?id_article=325

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Muralha, Guerreiros e Cidade Proibida convivem com neons em cenário de Blade Runner.

Quebra a cara quem chega à China imaginando encontrar em cada esquina prédios com a arquitetura típica ou gente comendo carne de cachorro e espetinho de escorpião. Para o bem ou para o mal, a China modernizou-se. As grandes cidades compõem um cenário mais próximo de uma Chicago do que daquele mostrado pelo premiado diretor de cinema chinês Zhang Yimou no clássico "Lanternas Vermelhas".

Pequim, por onde em geral os turistas começam sua visita à China, tem largas avenidas arborizadas, cercadas de álamos e jardins bem cuidados. A velha China existe, é claro, mas precisa ser procurada. Está tinindo e restaurada, por exemplo, à espera de 50 mil turistas por dia, na Cidade Proibida, palácio no qual viveram 24 imperadores durante cinco séculos, até 1911. Entra-se na Cidade depois de uma caminhada de arrepiar pela Praça da Paz Celestial.

A velha China, em Pequim, está também em alguns históricos "hutongs", bairros típicos do período imperial, com casas paupérrimas em torno de um terreno de uso comum. A partir da segunda metade do século passado, essas vilas deram lugar aos arranha-céus que hoje dominam a paisagem da capital chinesa. Alguns foram mantidos e fazem parte dos roteiros turísticos de Pequim. É como se o governo demolisse todas as favelas do Rio, construísse prédios em seu lugar e mantivesse algumas para mostrar a velha realidade a visitantes curiosos. Praticamente toda a Pequim, com 2 mil anos de história e 17 milhões de habitantes, foi demolida nas últimas três décadas, operação concluída nos anos que antecederam a Olimpíada de 2008.

A 50 km de Pequim está um trecho dos 8 mil km remanescentes da "Grande Muralha". É um passeio imperdível, mas a subida até o ponto mais alto do muro que serpenteia a montanha exige algum preparo físico. Ao chegar lá em cima, após ter subido uns 800 metros nas escadas e rampas do dorso da muralha, você poderá se surpreender com um senhor gordo, de bengala, ou com uma chinesa idosa, fazendo a caminhada de volta.
Mesmo a parte mais moderna da China ainda é hostil ao turista individual, por causa da barreira do idioma. Embora se estime que existam mais de 250 milhões de chineses estudando inglês, bilíngues ainda são raros nas ruas. A melhor opção, portanto, é mesmo comprar um pacote turístico, com ônibus na porta e guia - sim, é seguir um guarda-chuva.

A guia, com certeza, é uma funcionária do governo. Eva é o nome que ela, filha de um membro do Partido Comunista Chinês, adotou para facilitar o contato com os turistas ocidentais. Jovem e vaidosa, ela se confessa feliz porque a família ganhou um apartamento do governo em retribuição por 30 anos de serviços prestados pelo pai ao partido.

Antes de começar a descrever Pequim, Eva faz uma introdução sobre os 60 anos da República Popular da China, comemorados com grande festa em 1 de outubro. E ensaia uma autocrítica. Diz que a Revolução Cultural, nos anos 60 e 70, foi um período pouco democrático da Revolução liderada por Mao Tse-Tung. Mas a ressalva vem em seguida, no tom reverencial em que a maioria dos chineses trata o "grande timoneiro". A importância de Mao, para Eva, foi na unificação da China, porque ele pôs fim a 100 anos de guerras civis no país. Os elogios rasgados são mesmo ao período de abertura da China, com Deng Xiaoping, a partir dos anos 80. E o massacre da Praça da Paz Celestial? "Ah!, foi um episódio neutro, nem ruim nem bom", diz a guia.
A China, comprova o turista, é um país sempre em obras e os chineses adoram ter algum pretexto para fazer mais obras e gastar parte de suas reservas trilionárias. Até 2008, o motivo principal foi a Olimpíada de Pequim. Agora, em Xangai, é a Expo 2010. Há prédios sendo levantados por todos os lados, embora já tenham sido construídos 3.500 edifícios com mais de 20 andares desde o início dos anos 90. Às margens do Rio Huangpu, todas as instalações portuárias estão sendo remodeladas. À noite, um passeio de barco pelo rio expõe uma majestosa fileira de arranha-céus iluminados e coloridos: é o Pudong, o principal centro financeiro-comercial chinês, um cenário de Blade Runner misturado com Las Vegas. Lá está o Shanghai World Financial Center, um dos maiores edifícios do mundo, com 101 andares e 493 metros de altura, desenhado por Kohn Pedersen Fox no formato de um abridor de garrafas e concluído em 2007. Lá está também a Oriental Pearl Tower, a conhecida "Torre de Televisão", uma construção de aspecto espacial com um restaurante giratório a 265 m de altura e que atrai 3 milhões de turistas por ano. E ainda o Maglev, o trem que levita a 430 km por hora.

Na Xangai pré-Expo 2010, as obras não param, 24 horas por dia, sete dias por semana. E esse é o ritmo de trabalho na construção civil em toda a China. O turista mexicano Geraldo Fuentes hospedou-se no Ásia International Hotel, em Guangzhou (Cantão), a maior cidade do país, com 32 milhões de habitantes. Numa suíte no 39 andar, esperava tranquilidade. Mas deparou-se com as marteladas da construção de outro arranha-céu em sua janela na madrugada.

Como que a desafiar a crise global, até cidades menores entram no frenesi das obras. Na estância turística de Guilin - pequena para os padrões chineses, porque tem 700 mil habitantes -, na região noroeste da China, não há um quarteirão sem restaurações nas ruas e calçadas. No aeroporto, em centenas de cartazes e painéis espalhados por toda a parte, o jogador Kaká vende pastilhas Golden para a garganta, produto de uma fábrica local.