segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A variação lingüística diacrônica no Norte Paranaense nos anos de 1930 a 1936, com a materialidade histórica de jornais e documentos públicos


A pesquisa aborda “A variação lingüística diacrônica no Norte Paranaense nos anos de 1930 a 1936, com a materialidade histórica de jornais e documentos públicos”. O trabalho se fundamenta no fato da língua se modificar no tempo e no espaço, condicionada a diversos fatores internos e externos de ordem sociocultural, histórica, regional, situacional e entre outras que contribuem para as mudanças. A materialidade histórica a partir de jornais e documentos públicos permite um estudo aprofundado e com referências a partir de acervo. O corpus também permite descrever uma narrativa linear sobre os acontecimentos históricos do período, que consistem numa disputa de terras e que tem como personagens pioneiros e figuras que ajudaram a constituir a história local. Outro ponto de grande valia é a confecção de um glossário com aproximadamente 500 palavras que sofreram transformações na escrita e grafia, como os exemplos de “officio”, “acto” e “accordo”.

Problemática
Segundo Ferdinand Saussure, em “Curso de Lingüística Geral” (2004, p. 247), “a lingüística diacrônica acompanha o curso do tempo”. O autor (2004, p 89) complementa: “O tempo, que assegura a continuidade da língua, tem outro efeito: o de alterar mais ou menos rapidamente os signos lingüísticos. O signo está em condições de alterar-se porque se continua. O que domina, em toda alteração, é a persistência da matéria velha; a infinidade ao passado é apenas relativa. Eis porque o principio de alteração se baseia na continuidade”. Portanto, temos como problemática o estudo das palavras que sofreram transformações no período do tempo, observadas seus usos no período compreendido entre 1930 a 1936. Como base temos a materialidade histórica de documentos e exemplos do glossário.
Outra problemática, que não compreende o campo lingüístico, mas social, histórico e jornalístico, está na pesquisa dos acontecimentos do período e que darão subsídios para uma narrativa acerca da colonização do Norte Paranaense. O trabalho aborda a lingüística estruturalista, no entanto, a investigação sobre a história, visa enriquecer a monografia quanto à narrativa e produção textual. Esta proposta se encaixa na Pós Graduação em Língua Portuguesa devido haver no currículo a disciplina de Produção Textual.

Objetivos
Mostrar a variação da língua no decorrer do período histórico e resgatar a memória do Norte Paranaense. Através de referências históricas, acervo de documentos públicos, mapas e jornais de 1930 a 1936, a pesquisa segue três linhas de estudo e busca o resultado único: a investigação da variação lingüística diacrônica na região Norte do Paraná; subsídios para a colonização local através da narrativa, uma vez que os personagens do processo e jornais são Mábio Palhano e Osvaldo Ramalho, que viveram em Jataizinho. Mábio Palhano era um engenheiro curitibano que veio a região de “Jatahy” e São Jerônimo da Serra na época, em troca de terras, para demarcar terrenos e construir ruas. Mas devido aos conflitos de terras e a Revolução de 1930 que culminou na Era Vargas, o mesmo, junto com sua família foram expulsos de forma violenta e a “mão armada” de “Jatahy”; criar um glossário com aproximadamente 500 palavras e tendo por referencia o léxico do período, além de explicar a transformação e as variantes na língua que causaram as mudanças.
Jornais e documentos são referenciais e nos dão embasamento e materialidade histórica para estudarmos léxico e variação lingüística diacrônica. Para o mesmo é preciso senso de observação, imparcialidade e não distorcer fatos, principalmente no que tange a narrativa de 1930 a 1936, se deve cultivar a honestidade ao descrever a história que coincide com os anos iniciais de Londrina. Vale citar que são poucas as referências acerca da região e do que acontecia antes da fundação das cidades do “Norte Novo”. O que temos e é ensinado nas escolas foi a atuação da Companhia de Terras do Norte do Paraná e o período posterior. Ou seja, além do glossário e a variação diacrônica, o trabalho contempla a memória histórica e lingüística local e contribui nos três aspectos citados anteriormente: estudos da linguagem, glossário, além do resgate, construção e preservação da memória. O trabalho não é apenas relevante a Londrina, mas ao Estado do Paraná, pois dá subsídios para estudarmos uma nova visão de como pode ter ocorrido à colonização local, além de criar referências e fontes para ampliar o estudo da língua portuguesa local e reforçar a identidade cultural.

Metodologia
O trabalho consiste nos estudos da língua no período através de manuscritos e jornais, tem como metodologia a transcrição de textos e com base um processo que envolve disputa de terras. O corpus tem anexas cartas, ofícios e declarações repletas de exemplos. A segunda metodologia fundamenta-se, concomitante a transcrição, a identificação de palavras que sofreram a variação e como conseqüência a formulação do glossário. Por fim, o autor da monografia tem nos documentos uma base para construir a narrativa linear baseada nos fatos históricos a partir de jornais e documentos.
Os corpora da pesquisa constituem documentos datilografados e manuscritos e específicos das cidades de Jatahy (atual Jataizinho), São Jerônimo da Serra e Curitiba. A organização do material e estudo se deu a pedido da Rádio Comunitária Nova Geração de Jataizinho, onde o discente presta serviços relacionados à produção jornalística, área na qual tem formação acadêmica pela Universidade Estadual de Londrina. Conforme Vanessa Lini, em “A Escrita de Manuscritos Paranaenses e Portugueses do Século XIX e a Relação com o Português Brasileiro” (p. 41 e 42), “a escolha de trabalhos com manuscritos justifica-se pelo alto teor histórico que eles representam. O documento manuscrito é considerado a mola mestra da História e possibilita o resgate de dados da escrita da época e evidenciam características próprias dos períodos da língua”.

Teoria base
Quanto ao livro “As grandes teorias da lingüística – Da gramática comparada à pragmática”, de Marie Anne Paveau e Georges Élia Sarfati, por conta da formação em Comunicação Social e Jornalismo, obtive dificuldades para localizar um capitulo adequado. Por conta disto e da liberalidade em relação ao conteúdo, busquei subsídios no “Curso de Lingüística Geral”, de Ferdinand de Saussure, publicado em 1916 e versão impressa de 2004. Outra referência foi o Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do Titulo de Mestrado, “A Escrita de Manuscritos Paranaenses e Portugueses do Século XIX e a Relação com o Português Brasileiro”, de autoria de Vanessa Lini. Saussure é um dos idealizadores do estruturalismo, que possui relação direta com a diacronia, estudo que tem ligação direta com a monografia. Nesta obra ele examinou como a linguagem se relaciona no presente e como era no passado. O termo que determina isto é sincronia e diacronia. Após diversas leituras, observei que ele focou seus estudos não apenas no uso da linguagem (o falar), mas também no sistema de linguagem (escrita e signos).
No caso de Vanessa Lini, sua abordagem trata a língua na sua diversidade quanto às variações lingüísticas, além de fornecer subsídios de como deve ser o trabalho relativo a manuscritos.

Considerações finais
A pesquisa “A variação lingüística diacrônica no Norte Paranaense nos anos de 1930 a 1936, com a materialidade histórica de jornais e documentos públicos”, busca três eixos de compreensão e terá como resultado o glossário, que dará subsídios para futuros pesquisadores observarem como era a composição de algumas palavras no período; a pesquisa lingüística que tem o foco na diacronia e; por fim a narrativa histórica, que busca enriquecer os estudos acerca da história do Norte Paranaense.

Resenha: A escrita de manuscritos Paranaenses e Portugueses do Século 19 e a relação com o “Português Brasileiro”

Resenha do trabalho de conclusão de curso apresentado no Departamento de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial a obtenção do título de Mestre. O trabalho é uma autoria de Vanessa Lini e teve na banca examinadora as Doutoras Joyce Elaine Almeida, Vanderci de Andrade Aguilera e o Doutor Ataliba de Castro, da Universidade Estadual de São Paulo. A dissertação de Mestrado toma como ponto de partida a investigação da Língua Portuguesa no Século 19 e se embasa nos registros escritos Paranaenses e Portugueses. O mesmo tem o intuito de observar fenômenos relacionados com as características próprias do português brasileiro, analisar e comparar a língua escrita do Século 19 em dois contextos: Paranaense e Português, no intuito de observar semelhanças em relação às características descritas nos aspectos fonéticos, sintáticos e morfológicos presentes nos dois corpora que estabelecem relação com o português praticado no Brasil, além de observar traços conservadores do português de séculos passados.
O termo manuscrito significa escrito à mão e constitui um tipo de registro escrito de textos com suma importância para o resgate histórico no que diz respeito a escrita e a história da língua. Os documentos revelam a escrita de uma época e trazem à tona argumentos propostos, léxico, dados históricos, lingüísticos, sociais e culturais. O trabalho está inserido no projeto “Para a História do Português Paranaense”, coordenado pela Professora Doutora Fabiane Cristina Altino, que desenvolve pesquisas e estudos sobre temas relacionados à gramática e tradições discursivas. È importante citar que o trabalho usa como fonte de pesquisa documentos manuscritos e propõe investigar a língua do século 19 a partir da análise de registros escritos paranaenses e portugueses, além de observar fatos lingüísticos considerados peculiares ao português do Brasil e fenômenos que aconteciam em séculos passados na escrita.

            A língua na sua diversidade através da variação lingüística: A diversidade cultural social e econômica da sociedade brasileira evidencia a heterogeneidade da língua portuguesa no Brasil. A língua se modifica no tempo e no espaço condicionada a diversos fatores internos e externos de ordem sociocultural, histórica, regional, situacional e entre outras que contribuem para o surgimento da variação lingüística. Segundo Labov (1982), a variação lingüística é natural e essencial a linguagem humana. Assim, o que exigiria explicação seria a ausência da variação na linguagem e não a sua presença. Logo, a diversidade de uma língua marca também a heterogeneidade dos falantes que usam como instrumento de interação na multiplicidade do contexto de papéis sociais e das próprias mudanças históricas na sociedade. Camacho (1988) há quase um quarto de século propôs uma classificação para as diferentes formas de variação da língua: histórica, geográfica, social e estilística. O aspecto histórico resulta das alterações com a passagem do tempo é possível ressaltar vários exemplos como o termo irmos ele diz que a passagem do tempo. Isto se exemplifica em termos que caíram em desuso, mas que ainda podem ser vistos em obras literárias do passado. A variação social se evidencia nas diferenças falas dos indivíduos, condicionados por fatores como grau de educação, idade, sexo, nível social ou idade. Nesta variação se nota o uso de gírias na fala de pessoas mais jovens e inerentes ao fator de sexo e gênero. Ainda no aspecto social observa-se as classes distintas, caracterizadas por normas de conduta e padrões culturais que geram padrões lingüísticos distintos. Castilho (2010) considera que o fator social engloba as diferenças linguagem entre falantes escolarizados e não escolarizados. Ele usa a denominação variação sociocultural para caracterizar algumas diferenças na linguagem. Quanto à variação geográfica, nota-se as diferentes formas de pronúncia vocabular, estrutura sintática e pronuncias. Um exemplo é a diferença na pronúncia da região nordestina em contraposição a maneira de falar na região sul. Quanto à estilística, ela depende da situação de comunicação e vai conforme o contexto ou grupo onde o individuo se comunica. 

            Variação e mudança: Variação e mudança lingüística são processos que configuram a heterogeneidade da língua. Sendo de natureza sincrônica e diacrônica, estas mudanças se interelacionam. Embora não necessariamente toda a variação implique mudanças nas línguas, elas se modificam continuamente no tempo, alterando aspectos fonéticos, sintáticos, semânticos e morfológicos, configurando o processo de mudança lingüística. Faraco (2005) ressalta que embora as mudanças lingüísticas ocorram continuamente, elas se dão de forma lenta e atinge sempre partes e não o todo de uma língua. Portanto as mudanças lingüísticas no decorrer do tempo são inevitáveis, pois a língua se caracteriza por seu caráter não estático além de se constituir social, cultural e historicamente no seu contexto de uso. O fenômeno de mudança lingüística pode ser um fato continuador do distanciamento entre o português do Brasil e o português europeu, visto que mudanças desencadeadas na fala em território brasileiro pode não atingir território português e vice-versa.

Língua, dialeto e falar: Conforme Boléo (1943, p 10), a língua é um meio de comunicação, uma maneira organizada pela palavra viva a fim de expressar pensamentos, sentimentos, preocupações e sentimentos. Benveniste (1963), afirma que “é pelo exercício da linguagem que o homem constrói sua relação com a natureza e com os outros homens. Nesta perspectiva a língua caracteriza-se como fonte de comunicação e instrumento de relações sociais”. Meillet (1906) concebia a língua como um fato social: “Por ser a língua um fato social, a lingüística é uma ciência social e um único elemento variável que ocorre para dar conta da variação lingüística é a mudança social”. Da mesma forma, Labov (1968) comenta que as análises do contexto social em que a é língua utilizada vieram demonstrar que muitos elementos da estrutura lingüística estão implicados na avaliação sistemática. Isto ocorre tanto na mudança do tempo, quanto nos processos sociais extralingüísticos. Ressalta-se que dialeto e falar são denominações usadas para nomear fatos heterogêneas de uma língua. Porém é complexo estabelecer distinção e delimitação entre uma língua, dialeto e falar.                                                     
Em relação a dialeto, verifica-se a complexidade que envolve o termo, a começar pelas divergências. Em relação a seu conceito é possível encontrar definições que caracterizam um dialeto como algo inferior, linguagem de menor prestígio, fala dos incultos, como uma língua menor, incluída em outra maior, conceitos que tratam o dialeto como qualquer variação da língua.
Embora dialeto, muitas vezes se confunda com falar, vale distinguir os termos. O falar se caracteriza pelas diferenças locais do indivíduo, ou seja, o indivíduo fala diferente da linguagem de determinada comunidade. Mas isto não implica a falta de compreensão e comunicação entre falantes. O falar é um conjunto de meios e expressões empregados por um grupo no interior de um domínio lingüístico. O dialeto configura-se como uma variante da língua em que a compreensão é limitada, enquanto o falar se define por diferenças mais específicas que não prejudicam a comunicação.

O português no Brasil: No Brasil o português foi introduzido após a colonização dos portugueses em 1500 e se desenvolveu, conquistando seu espaço aos poucos ao lado de outras línguas como a tupi-guarani, idioma predominante na época. Silva Neto (1973) divide o período da implantação do português no Brasil em três fases: de 1532 a 1654, em que predominava a língua geral, idioma que remete ao Tupinambá, Tupi Guarani ou Tupi Antigo; de 1654 e 1808 a língua geral perde espaço e o Português se dissemina por toda a costa, ficando a língua geral limitada às povoações do interior e aldeamentos indígenas jesuítas. A partir de 1808 a língua sofre intensa revitalização devido à chegada de cerca de dezoito milhões de portugueses que difundem a língua com maior intensidade. Isto marcou a cultura local ao trazer mudanças sociais no ainda Brasil Colônia. Com o aumento da população Portuguesa no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais houve a migração das elites rurais e famílias do campo para as cidades, acarretando uma divisão social entre Rural e Urbana. No meio rural concentrava-se descendentes de índios, negros e mestiços. A dualidade interferiu na linguagem, pois no ambiente rural ainda se propagava a língua geral.

As hipóteses sobre o português brasileiro: O fenômeno de mudança lingüística das transformações que ocorreram com a língua é fato evidente. Nesta perspectiva, estudiosos se dedicam a pesquisa que explique essas alterações. Castilho (1992) elenca três pontos sobre a mudança no português brasileiro: a evolucionista, crioula e internalista. A evolucionista defende a idéia de uma língua brasileira oriunda da língua falada em Portugal. A crioulista aponta a importância os contatos no Brasil Colônia e a influência das línguas africanas e indígenas. Conforme o autor há duas fases de contatos: o PIDGIN e a fase do crioulo. A primeira é considerada uma língua de emergência rudimentar e não natural e a segunda uma adaptação mais complexa e rica do PIDGIN, ou seja, a adaptação de uma língua por falantes de outras línguas. Desta forma alguns autores justificam características do português brasileiro como resultado de uma língua crioula, adaptada do português por índios e africanos. Já a internalista considera o português brasileiro uma continuação do português europeu, refletindo hoje o que foi em Portugal o português.

Sobre as origens do português brasileiro: No período da colonização do Brasil, a base da população brasileira era composta por índios, escravos e portugueses. Com o passar dos anos, imigrantes estrangeiros como italianos, espanhóis, franceses, japoneses e entre outros começaram a fazer parte da população brasileira. Houve a expansão de costumes, culturas e conseqüentemente línguas foram extintas se fundiram. 

Influência indígena: As tribos indígenas foram o primeiro contato dos portugueses ao chegarem ao Brasil. Ao lado da vasta população indígena havia a dinâmica das línguas. Embora seja possível ter certeza quanto ao número de línguas existentes, havia cerca de 1500 línguas indígenas no período da colonização. A tupi foi a que mais conviveu com o português durante o processo de colonização e deixou heranças na língua. Esta contribuição se manifesta de forma significativa no campo lexical, especificamente nas denominações relativas às cidades, Estados, flora e fauna. Melo (1981) cita exemplos como Andaraí, Brocoió, Cabuçu, caju, carioca, Gambôa, Guanabara, Jacarepaguá, Ipanema, Irajá, Pavúna, Tijuca e outros. Castilho (2010) afirma que o grosso das contribuições lexicais para o português brasileiro, oriundo do tupi-guarani, cedeu mais de 10.000 vocábulos constantes, na maioria topônimos e antropônimos. O autor salienta que não há comprovação da influência indígena na fonologia ou gramática.

A influência africana: A influência mais profunda das línguas africanas no português brasileiros está na morfologia. Conforme o autor, a simplificação e a redução das flexões comuns na fala popular brasileira é herança das línguas dos escravos. Como o exemplo “os homi”, “as prima já chegaro”. Outro fenômeno é a deglutição e aglutinação de fonemas como acontece com o “s” do determinante, que se incorpora à vogal da palavra seguinte, produzido uma nova forma autônoma e fecundante, como no exemplo “zarreio” (resultado de os arreios), “zome” (resultado de os homens).
Já outros fenômenos são tratados como dupla influência: africana e indígena. Spina (1987) traz como exemplo a influência desses dois povos o caso da vocalização do digrama lh em “i”, como muié, mio, fio, espeio, oio, mió (mulher, milho, filho, espelho, olho, melhor); supressão da dental d do grupo consonantal nd, nas formas and, end, ind: falano, dizeno, vestino (falando, dizendo e vestindo); redução dos ditongos ou e ei em porquera, manera, falô, otrora, estora (porqueira, maneira, falou, outrora e estoura).

A língua do Brasil e o dialeto caipira: Entre os dialetos que caracterizam as diferenças do português brasileiro, destaca-se o “dialeto caipira”. Como a colonização do Brasil se deu inicialmente em território rural, pelo fato pelo de antes das cidades existirem fazendas, sítios e engenhos, a mistura da língua portuguesa trazida de Portugal, composta por outras línguas da região, compôs o dialeto caipira. Conforme esclarece Ribeiro (1995): entre colonos portugueses, índios e negros, a eles se juntaram o caipira emergente na região Sudeste, primordialmente no Estado de São Paulo. Ele se expande para o Centro Oeste através das Bandeiras. Após a derrocada da mineração no final do século 18, as populações que se concentravam nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso se dispersam e retomam o modo de vida rústico da antiga população paulista, determinando a cultura caipira. Amaral (1920), afirma que o intitulado dialeto caipira se destaca por questões relacionadas à fonética, morfologia, sintaxe e vocabulário, além da concordância verbal e nominal. O autor afirma que existe a característica do R retroflexo, ausência de consoantes laterais palatais LH, permutados pela semivogal l. A queda do R final de verbos infinitivos terminados em ar e er, além de fenômenos que o distingue das demais variantes.

terça-feira, 25 de junho de 2019

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Telêmaco Borba no Norte do Paraná

A Colônia Militar e Aldeamento Indígena de Jatay (atual Jataizinho) tiveram um personagem ilustre do Paraná, que poucos sabem que viveu um período na região, sendo que no cartório foi registrado o nascimento de uma de suas filhas. Seu nome era Telêmaco Borba ouT Augusto Éneas Morocines Borba. Nascido em 15 de setembro de 1840, em Curitiba, era filho de Vicente Antonio Rodrigues Borba (capitão veterano de guerra) e Joana Hilária Morocines (uruguaia, descendente dos doges de Veneza). Sua obra está intimamente ligada a trajetória de sua vida pessoal. Passou a infância e boa parte da adolescência nas cercanias de Curitiba, em Borda do Campo (hoje Piraquara), sempre acompanhando de perto a atuação de seu pai como militar e vivenciando vários processos políticos, como a emancipação política do Paraná. Não localizamos nenhum material que nos permitisse falar de sua infância. As poucas referências sobre esse período de sua vida estão no livro escrito por VARGAS (1970) que é seu tataraneto e que escreveu uma biografia romanceada sobre a vida de seu tataravô. Telêmaco Borba casou-se com Rita Maria do Amaral, filha do amigo comerciante em 1860, quando tinha 20 anos e com ela teve nove filhos. Em 1861 mudou-se com sua família para a Colônia Militar do Jataí, por estar cansado da vida sedentária do comércio.
A Colônia Militar do Jataí, fundada em 1851, por influência do Barão de Antonina e era um importante núcleo de defesa dos limites territoriais do país. Foi criada, por recomendação de dois exploradores: John Elliot e Joaquim Francisco Lopes. Sua posição geográfica era fundamental aos meios de proteção dos interesses nacionais, pois estava situada no fim da estrada carroçável que ligava o porto de Antonina a uma rede de rios navegáveis. Na hipótese de uma guerra, poderia servir para o transporte de munições e de guarnições para as fronteiras com as nações vizinhas. Também informam as fontes, que o governo decidiu dar a Colônia a atenção merecida. Para “catequizar” os índios que povoam a região ao longo dos rios, o governo decidiu criar um aldeamento na outra margem do rio Tibagi, em frente à colônia militar, chamando Aldeamento de São Pedro de Alcântara. Para dirigir o aldeamento convoca Frei Timóteo de Castelnuovo - “que tinha como dever incutir conhecimentos gerais, de arte e de religião aos índios Kaingang cuja etnia dominava a área”.
Para o Presidente da Província do Paraná, Joaquim do Carmo, não bastava à implantação de uma Colônia Militar no Jataí e a ação missionária dos capuchinhos, que cumpriam a sua parte, na ocupação e posse da região. Era necessário o trabalho paralelo de aproveitamento do braço indígena, pois os Kaingang atacavam e trucidavam as expedições, dificultando o desbravamento e a posse do território. O que estava faltando era o trabalho dos sertanistas para derrubar a mata e atrair os índios. Então decide convidar os irmãos Borba (Jocelim, Telêmaco e Nestor) para atuarem como sertanistas. Jocelim segue para o Aldeamento de Paranapanema, Nestor para Guarapuava e Telêmaco para o Tibagi.

Registro de Nascimento da filha de Telêmaco Borba, que se encontra no Cartório de Jataizinho

N. 4. – Aos vinte nove dias do mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos setenta e seis, neste lugar, districto de Sub-delegacia de Policia da parochia de Nossa Senhora da Conceição do Jatahy, Municipio de tibagy, provincia do Paraná, compareceu no meu cartório Telemaco Morocines Borba e em presença das testemunhas abaixo nomeadas e assignadas, apresentou-me uma criança do sexo feminino e declarou: - Que no dia dous do mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos setenta e seis, na casa de sua residência, nesta Colonia Militar, pelas duas horas da manhã, nascia a referida criança, filha de mulher livre, a qual é sua filha legítima, (ilegível) pela declarante, natural da Provincia de (ilegível) (ilegível), na Parochia de de São Sebastião de Porto Meira, da referida provincia com Rita Maria do Amaral Borba, natural da provincia acima declarada, brasileira, costureira, sendo ambos residentes nesta Colonia Militar do Jatahy; são avós da recem-nascida o capitão reformado do exercito Vicente Antonio Rodrigues Borba, já fallecido e Dona Hilaria digo Joanna Hilaria Morocines, tambem fallecida, pela parte paterna e Lupercio José do Amaral e Maria Marques dos Santos, ambos fallecidos, pela parte materna.
De que para constar lavrei este termo queleio perante o declarante e as testemunhas Antonio Joaquim Moreira Coelho, negociante e Antonio Diniz Gonçalves, feitor, todos moradores nesta Colonia Militar do Jatahy. Eu, Antonio
Crispim de Oliveira Fernandes, escrivão juramentado da Subdelegacia de policia, o escrevi.

Antonio Crispim de Oliveira Fernandes
Telemaco Morocines Borba
Antonio Joaquin Moreira Coelho
Antonio Deniz Gonçalves




Um dos maiores orgulhos de Osmilto Lopes, o popular Português, é ter nascido e se criado na mesma casa na Rua Benjamin Giavarina, onde vive há mais de 63 anos. Seus pais, Joaquim Lopes e Madalena Lopes, desembarcaram de Portugal em Santos no ano de 1910. Posteriormente foram para Barretos, na fazenda da Família Junqueira e de lá para a Colônia Preta a fim de administrar a Fazenda Moça Bonita, de propriedade do Sinofuti Villanoiva, antigo deputado e dono de um hospital em Rolândia. Após anos como meeiro, seu pai veio para Jataizinho, onde em 1953 ele nasceu e logo aos sete anos começou a trabalhar como vendedor. Entre os produtos constam tachos e canecas feitos de lata de óleo, doces, lingüiça, sardinha cavala e frutas, vendidos na antiga rodoviária da Praça Frei Timóteo e nas propriedades rurais da Água Branca e Água do Pari, aonde ia de carroça e tinha como sócios os amigos Mijotela, Chamilete, Paca e Zé Inácio. “Quando o trem ou o ônibus parava, embarcávamos e vendíamos pão com sardinha, refrigerantes, frutas, cocadas, sorvete e demais alimentos. Havia a empresa de ônibus do Lázaro Rivereto, meu padrinho de batismo. Ali vendíamos passagens porque não havia cobrador. Já nos sítios, quando o agricultor não possuía dinheiro trocávamos a mercadoria por leitoa, cabrito e galinha, chegando a voltar com duas carroças cheias por dia”, recorda Osmilto Lopes.                         
Com aptidão para as vendas, junto com seu pai ele encarou um novo ramo: a venda de frangos, no qual se autodenominava “frangueiro”. “Não havia o frango de granja, apenas o caipira. Com a expansão dos negócios começamos a vender cabrito e leitoa e após o aumento dos lucros compramos duas caminhonetes ‘Pé de Bode’ para buscar galinha caipira em propriedades mais distantes. O produto era comercializado em São Paulo, onde caminhões buscavam a carga. Eu tinha uns dez anos e o comprador, de apelido Sabugo, vinha de Cornélio Procópio com um Mercedes Bicudo 1957. Já estocamos mais de 500 galinhas”, afirma. Nesta mesma época, seus pais o deixavam sair à noite para assistir televisão. “Até uma determinada altura não havia energia elétrica nas residências e poucos tinham TV, como Osvaldo Zanini e o Zé Brás, que até hoje mantêm a marcenaria em casa. Era umas 40 crianças e a programação consistia nos filmes do Rim Tim Tim ou Bonanza. As famílias nos convidavam e ficávamos no chão ou olhando pela fresta da janela”, afirma.                            



Desta trajetória, ele também guarda lembranças da infância, como a Escola Joana e as professoras Florípedes e Aparecida Marques. E, quando se formou aos 18 anos, conheceu o amor de sua vida e no qual estão juntos até hoje. Trata-se da esposa Lucélia Lopes, que tinha 15 anos. “Fui a uma Festa de 15 anos e como era boêmio e apaixonado, cantei a música ‘Eu não ou cachorro não’. Tanto a Lucélia, quanto sua mãe Conceição gostaram de mim. A partir daquele momento começamos a viver uma história de amor que resultou em casamento e numa família. Casei-me aos 24 anos e dali para frente virei membro de uma família que me acolheu bem, onde tenho as filhas Daiane, formada em Direito e a Josiane, que é professora, casada com Fabiano e pais de Osmilto Lopes Neto Marques”, relata. Na época, seu sogro Zé Mineiro era um tradicional ceramista, fazendo Osmilto Lopes abandonar o ramo de mecânica dos tratores de esteiras em Londrina para trabalhar na cerâmica, onde está há mais de 40 anos. “O trabalho na cerâmica não é fácil. De empregado tornei-me patrão e isto trouxe responsabilidades. Mas graças ao trabalho adquiri meus bens e tenho sucesso como empresário”, afirma Osmilto Lopes, que via no sogro Zé Mineiro as virtudes do trabalho e da honestidade.                                                                          
Com mais de 63 anos, Português tem saudades da mãe, que foi muito “trabalhadeira”, pois além de cuidar do lar, lavava roupa para fora, criou sete filhos, do pai Joaquim Lopes (falecido com 89 anos) e do filho João Lopes, que nunca andou e viveu numa cadeira de rodas até os 64 anos. Os outros filhos são Manoel Lopes, que teve dez filhos e faleceu com 63 anos; Maria Lopes, que mora em Santa Catarina e; Joaquina Lopes, que mora no Paraguai, tem algumas propriedades rurais, além do seu filho ser o único prefeito brasileiro de uma cidade paraguaia, Santa Fé del Paraná. Com as recordações da casa de peroba da Rua Benjamin Giavarina viva até hoje, ele cita que muitos ainda vivem no local, como as famílias do Manoel Salomão, Goulart, Benedito e Elvira Atanásio, pais do Valentin, Ênio, Nivaldo, sendo que o local onde era a casa da família foram construídos dois edifícios. “A amizade com os vizinhos é grande e se consolidou pelas brincadeiras de jogar bola, correr na rua, caçar passarinho e bola queimada. Pegávamos lenha na mata para as nossas mães e ao lado de casa existia o Matadouro Municipal, localizado no sítio do Nicola Passardi e atual loteamento Maria Júlia”, recorda.                                                                                            

Tendo uma carreira política, que consta o mandato de vereador, ele hoje participa da Rádio Comunitária Nova Geração, do antigo jornal Folha de Jataizinho e do Clube de Carros Antigos. “Procuro ajudar o próximo, as entidades assistenciais e as pessoas carentes”, pontua Osmilto Lopes, que aos fins de semana se reúne com familiares na sua chácara, onde também funciona a Cerâmica Jacutinga.


Conto: Os símbolos cívicos do Paraná na escola: o hino, a bandeira e o brasão (Autor Marcelo Souto)



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Maria Isabela e Juan são de Londrina, um município Norte Paranaense conhecido no passado como a “Capital Mundial do Café” e fundado em 10 de dezembro de 1934. O Norte e Noroeste Paranaense são conhecidos pela “terra roxa” e “vermelha”. Isto ocorre devido à formação rochosa do solo por basalto e nutrientes como o ferro, responsável pela coloração avermelhada. O nome “terra roxa” é uma influencia dos imigrantes italianos e sua língua, que na época diziam que a terra era “rossa”. Em italiano esta palavra significa “vermelha”. Eles, junto com negros, alemães, japoneses, portugueses, espanhóis, além de gaúchos, nordestinos, paulistas e mineiros são povos que colonizaram estas regiões do Estado. Tamanha é a importância deles, que isto influi diretamente na fala dos moradores locais. O nativo, conhecido folcloricamente por caipira, tem características únicas em sua identidade cultural representadas na fala, como o “r” retroflexo, onde há ênfase ao dizer “r” em palavras como “porta” ou “carta”; a troca do “lh” por “i”, como as palavras “palha”, que se fala “paia” ou trabalho, onde se usa a expressão “trabaio” e; ausência de “s” e “r” em alguns verbos. O caipira escreve “vamos nadar”, mas diz “vamo nada”.
Estes são alguns aspectos da língua portuguesa no Norte e Noroeste Paranaense e em Londrina, onde Maria Isabela e Juan todos os dias vão a escola. A rotina deles consiste, após o sinal e antes de entrar na sala de aula, hastear as bandeiras do Brasil, do Paraná e de Londrina, além de cantarem o Hino do Paraná. Juan, em atitude de respeito, fica de pé, em silêncio e tira o boné. Maria Isabela coloca a mão direita em cima do coração e demonstra respeito aos símbolos pátrios. Com o pulmão cheio de ar ela canta o hino bem alto, também manifestando amor ao que faz. Justamente por serem exemplares, ambos com freqüência levantam as bandeiras e cantam o Hino do Paraná com os demais alunos:
Entre os astros do Cruzeiro És o mais belo a fulgir!
Paraná! Serás luzeiro! Avante! Para o porvir!               (Refrão)
O teu fulgor de mocidade. Terra, tens brilho de alvorada
Rumores de felicidade, Canções e flores pela estrada (2x)
Refrão
Outrora apenas panorama, de campos ermos e florestas
Vibra agora a tua fama, pelos clarins das grandes festas (2x)
Refrão
A glória... A glória... Santuário! Que o povo aspire e que idolatre-a
E brilharás com brilho vário, Estrela rútila da Pátria (2x)
Refrão
Pela vitória do mais forte, Lutar! Lutar! Chegada é a hora
Para o Zênite! Eis o teu norte!
Terra! Já vem rompendo a aurora! (2x)
Refrão

Hastear a bandeira e cantar o Hino do Paraná enche Maria Isabela de orgulho e torna o seu dia especial. Como é estudiosa, ela perguntou a professora Dayane o que significa os desenhos na bandeira do Paraná. “A bandeira é um dos símbolos oficiais do Estado, ao lado do brasão e do hino. Aprovada em 31 de março de 1947, é composta de um retângulo verde, simbolizando as florestas exuberantes que cobriam o território no fim do século XIX. O retângulo é cortado por uma faixa branca e representa o espírito pacífico do paranaense. No centro há um círculo em azul que equivale à cor do céu e às cinco estrelas do Cruzeiro do Sul: Alfa (Estrela de Magalhães), Beta (Mimosa), Delta (Pálida), Gama (Rubídea) e Epsilon (Intromedita). A posição corresponde ao céu de Curitiba em 29 de agosto de 1853, quando assinada a Lei Imperial que desmembrou o Paraná de São Paulo. No Cruzeiro do Sul existe uma faixa branca escrito "Paraná" e circunda a esfera um ramo de pinheiro e erva-mate, os principais produtos econômicos do Estado no passado”, falou a professora.
Satisfeito com a resposta cedida a Maria Isabela, Juan ficou curioso quanto a um detalhe citado: o Brasão.
- Professora, qual a mensagem transmitida pelo Brasão do Paraná? – questionou.
“O Brasão de Armas do Estado do Paraná foi desenhado originalmente por Alfredo Emílio Andersen em 1910 e até os dias atuais mantém a imagem do ceifador. Forma o Brasão um escudo português apresentando um campo vermelho que representa a terra fértil e “roxa” setentrionais do Paraná, onde o lavrador cultiva o solo. Acima dele há o sol nascente, que representa a liberdade e três picos simbolizando grandeza, sabedoria, e a nobreza do povo, além de referenciar os três Planaltos do Paraná: Oriental de Curitiba, Central dos Campos Gerais e Ocidental de Guarapuava. Ainda temos os ramos de Araucária e Erva Mate. No brasão também existe a figura da Harpia, um pássaro que encontrou condições para se reproduzir no Paraná, mas que hoje está em vias de extinção”, finalizou a professora.

A veracidade da vida e morte de Frei Timóteo pode ser comprovada perante documentos como registro e certidões lavradas em cartório, como por exemplo, o registro de óbito do próprio Frei Timóteo. O texto, manuscrito do original, que se encontra em Cartório de Jataizinho, é possível observar a grafia e a etimologia do português referente ao fim do século 19. É importante ressaltar, que a transcrição do registro se encontra na linguagem original.
Francisco Alves da Silva
Nº 33

Aos vinte e um dias do mez de Maio de mil oito centos e noventa e cinco, nesta Freguesia do Jatahy. Districto de Juízes Districtal do Jatahy. Municipio de Tibagy. Estado do Paraná, compareceu em meu cartório Ezequiel Jose Pires Martins Ferreira, casado com quarenta e sete annos de idade residente em São Pedro de Alcantara e, declarou que no dia desoito do mesmo – mes e anno pelas cinco horas da tarde falleceu em São Pedro de Alcantara, Frei Thimoteo de Castello Novo, com setenta annos, mais ou menos de idade: deixa de dar nomes de pai e mãe; por falta de conhecimento. A morte foi de Bronchite cronica, e foi sepultado e reverenciado Frei no capelão desta Freguesia. E por mim lavrei este termo e com que commigo assigna o declarante. Eu, Manoel José de Ramos, escrivão interino escrevi.

Escrivão interino do Juiz Districtal
Manoel José de Ramos


Ezequiel J ͤ. P. Martins


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Certidão de um casamento feito por Frei Timóteo, em 1890 (A grafia arcaica é da época).

               Aos des dias do mes de Fevereiro de anno de mil oitocentos e noventa, nesta Freguesia de Jatahy, Districto de Paz da Parochia do Jatahy. Municipio do Tibagy, Estado do Paraná, compareceram em meu cartório Carlos Salustiano Dias e Maria Joana de Farias brasileira esta com quatorze annos de idade casada com Carlos Salustiano Dias, filha legitima de Justino Thomas de Farias, e de sua mulher Anna Gertrudes de Morais, residentes no Aldeamento de São Jeronymo; e aquelle com vinte tres annos de idade casado com Maria Joana de Farias, lavrador, filho legitimo de Antonio de Paula Dias e de sua mulher Joaquina, e perante as tres testemunhas, Antonio Diniz Gonsalves, Francisco Mendes de Morais abaixo assignado, exibindo declaração passado em dez do corrente mês e anno, por Frei Thimoteo de Castelo Novo, declaram que em mesma data de des do corrente mez e anno pelas oito da manha na Capella de São Pedro de Alcantara no Aldeamento do mesmo nome haviam elles declarante se recebido em Santo Matrimonio perante as testemunhas presente, segundo costumes do Estado. 
E para constar lavrei este termo que commigo assignão os declarantes e as testemunhas. Eu João Ferreira de Miranda Mathilde, Escrivão de Paz o escrevi.
O Escrivão de Paz

João Ferreira de Miranda Mathilde
Carlos Salustiano Dias
Maria Joana de Farias


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