sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

157 - Assalto a mão armada (Parte II)

Acreditei nas palavras do Maluco e dei umas "bolas". Somente com um trago minha visão ficou turva e meus olhos vermelhos. O efeito era uma mistura de fraqueza, alucinações, náuseas e tontura. Á noite, em minha cama, meus sonhos consistiam em viagens alucinógenas onde flutuava e voava. No outro dia a ansiedade era tanta que nem esperei Lúcia passar em frente a minha casa. Arrumei um "camelo", furtei uma farmácia e rumei em direção a casa do Maluco para comprar mais droga. Ele disse que não tinha, mas podia ir na favela buscar o tanto que agüentassemos fumar. Não pensei duas vezes. Joguei vinte reais em sua mão, ele montou na bicicleta e em menos de quinze minutos estava de volta com o fumo. Aquele dia foi especial para mim, pois fumamos maconha o dia todo. Ao chegar à minha residência, meus familiares estranharam os olhos vermelhos e marejados. Perguntaram o porquê do agir estranho. Não respondi e fui para o quarto. Deitei em minha cama e sonhei que dirigia um carro novo importado. Num restaurante pedi whisky escocês, ao estilo caubói, que engoli num trago. O garçom se aproximou com uma bandeja: nela minha cabeça decepada e ensangüentada. Meus olhos eram servidos em espetos de madeira. Ao olhar para o garçom, vi um esqueleto que sorria para mim como um convite a morte. Acordei assustado e suado. Voltei a dormir para esquecer o pesadelo. De manhã peguei a maconha que sobrou, enrolei um "baseado" e comecei a fumar no quintal de casa. Por azar passava uma viatura da polícia na rua. A polícia, desconfiada com o cheiro estranho que vinha de casa parou. Assustei-me com o barulho. Era suspeito de praticar assaltos, imagine agora que era usuário de drogas. Bateram palmas e fui atender. No interrogatório neguei até o fim que praticava alguma atividade ilícita.
- Onde já se viu! Fumar maconha não é coisa de gente direita. Quem faz isso são os desocupados.
Podia ser preso, por isso fiquei com muito medo. Mas acreditam em mim e foram embora. Só foi a viatura virar a esquina que lá estava eu acendendo o "baseado" e dando risadas com o papo para o ar por ter os enganado. Após o episódio dramático saí em busca de mais droga. Cheguei numa rodinha e perguntei pelo Maluco. O Moraes, um carinha que usava um gorro, disse que ele foi preso durante a noite numa tentativa frustrada de assalto a uma loja de móveis.
- Estávamos em dois grupos. O primeiro grupo fugiu por um matagal e o segundo, no qual o Maluco estava, saiu por uma rua deserta. Porém foram abordados pela polícia que efetuou vários disparos. Três deles acertaram as costas do nosso amigo que agora está na UTI. Ele pode morrer a qualquer momento...

Continua....

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

157 - Assalto a mão armada (Parte III)


Quando ouvi essas palavras, quase morri de remorso. Mas quem está envolvido no mundo do crime sabe que esse sentimento jamais pode existir. Independente do que aconteceu, ainda estava com vontade de fumar um "beck". Não sabia o que fazer e a "fissura" era maior. Tomei coragem, arrumei uma bicicleta e fui na "boca de fumo". Na favela perguntei onde era a "biqueira". Disse que era ladrão e que gostava da "ervinha". Os malandros que estavam na rua riram da minha cara e disseram que era um cuzão, um mané e um otário.
- Aqui não vendemos maconha. Só vendemos pasta base de cocaína. O verdadeiro crack, a "nóia". Acho melhor você sair daqui com o rabinho debaixo das pernas, senão levará uns tiros e ficará até sem a cueca. Aqui ladrão não é considerado.
"Ralei o peito" rapidinho. Desolado e na maior fissura, entrei outra vez na favela, mas por outro lugar. As pessoas na rua, na maior parte menores de idade, disseram que sabiam apenas onde havia "nóia". Dei vinte reais e em cinco minutos um garoto trouxe a pasta base de cocaína. Como nunca havia experimentado ele me explicou o procedimento:
- Você dobra uma lata de alumínio no meio e a fura com uma agulha na lateral. Depois é só colocar cinza de cigarro na lata, o crack por cima e queimar com um isqueiro. Não se esqueça de puxar a fumaça pelo buraco que fica na tampa. No primeiro trago tive convulsões e em seguida uma alucinação. Aquela viagem foi demais! Desde então passei a roubar todos os dias para comprar "nóia" na favela. Fumava na lata, no cachimbo ou mesclada com maconha. A loucura era tanta que não me satisfazia apenas com uma pedra. Comecei a fazer assaltos audaciosos e comprar os "PC's", que são pacotes com dezoito pedras de crack. Minha mãe estava desconfiada de algo errado e a cada dia ficava magro e abatido. Se antes gostava de usar roupas de marcas e tênis Nike importado, hoje andava maltrapilho e aos farrapos. Tudo o que tinha havia trocado por droga na "boca". O que fazer? Até a Lúcia, minha paixão secreta, nem me olhava ou dava sorrisos discretos. Creio que ela sentia o cheiro estranho que vinha de casa e notara a palidez em minha face. Minha mãe via minha tumba e meu calvário e tentava em vão ajudar. Eu não dava valor a minha família. Para mim, o que mais valia era a emoção dos assaltos e a adrenalina das drogas...

Continua...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

157 - Assalto a mão armada (Parte IV)

O crack era minha inspiração. Com ele me levantava e com ele dormia. Conforme os assaltos rendiam dinheiro, ficava mais viciado e comecei a usar cocaína. Num dia inesperado um amigo, que trabalha como office-boy, disse que sua empresa iria despachar um malote com trinta mil reais. Era para ficarmos atentos, pois os seguranças da empresa andavam armados. Tínhamos que conseguir armas em caso de tiroteio. Contatei meu comparsa, o Alexandre, que se prontificou a ajudar na empreita. Ele entraria na empresa com uma pistola Ponto 40. Roubamos uma moto Twister da cor preta, comprei um trezoitão por R$500 e emprestei dois coletes à prova de balas.
Alexandre era o estereótipo de bandido no qual muitos sonhavam em ser um dia: jovem, forte, corajoso e sagaz. Muito respeitado no mundo do crime ostentava no currículo assaltos a mercados, farmácias e postos de combustível. Era amasiado e tinha uma filha de dois anos. Aceitou o convite porque precisava "pinar". Alguns investigadores da polícia estavam atrás dele e quase o levaram em "cana" por ter dado dois tiros no vigia dum mercado. Embora experientes, iríamos entrar em uma nova modalidade do crime: assalto a malotes. Quem sabe um dia não formaríamos uma quadrilha especializada em assalto a bancos?
Quando ia ligar a moto partindo para a ação, pensei, entre diversas coisas em me aposentar. No crime se morre cedo ou logo a penitênciária é o seu destino. Podia ganhar "a boa", montar meu negócio próprio e ser empresário. Seria o gerente da "boca de fumo" onde haveriam diversas drogas. Quem sabe uma sorveteira. Lá os clientes entrariam para tomar cerveja e cheirar cocaína. Se alguém se metesse comigo ou fosse atrás de confusão daria muitos tiros para o ar. Com o respeito adquirido e o dinheiro lucrado com as drogas montaria um prostíbulo num grande sobrado. Comeria todas as putas e ia cheirar cocaína nas costas delas, igual a um filme nacional que assisti de madrugada na TV. Como num fade as imagens mudaram e vi Lúcia, uma adolescente sem maldade passando em frente a minha casa. Evitava-a para não corromper sua inocência pois minha cabeça só servia para arquitetar ações e planos cada vez mais ousados e perigosos.
Liguei a moto e Alexandre confirmou com o boy que o malote estaria embaixo da mesa do gerente, um senhor calvo, gordo, de bigode e óculos com aros pretos. Ela ficava no fim do corredor da sala principal. Não tinha como errar. Quanto ao rateio do assalto, ficaria assim: deveríamos "rachar" com o boy em cinco mil, já que ele deu a "letra" do assalto e não ia "caguetar". Eu e Alexandre ficaríamos com o restante. Nunca atirei em ninguém, apesar de ter praticado assalto a mão armada num posto de combustível. Esse crime, conforme o Código Penal é classificado e qualificado como 157.

Continua...

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

157 - Assalto a mão armada (Parte V)

As batias do meu coração estavam tão aceleradas que se confundiam com o motor da moto. Trinta mil é uma boa grana! Antes de sair, rezei um pai-nosso e três ave-marias.
O plano era o seguinte: Alexandre, que estava com a Ponto 40, entraria encapuzado para dar voz de assalto. Eu, que estava na moto, tinha que render o guarda, tomar o “canhão” e amarrá-lo num pilar.
Quando chegamos Alexandre caminhou mais ou menos cinqüenta metros em direção à mesa do gerente. Fiquei lá fora e deixei a moto pronta para sair. Depois segui em direção ao guarda para pedir informações. Parei na sua frente e comecei a conversar. Enquanto isso, na gerência, Alexandre perguntava pelo malote. O guarda percebeu a movimentação e antes que pudesse reagir dei-lhe dei uma rasteira e uma coronhada na sua cabeça. Ele caiu e implorou piedade. Com o vigilante rendido e Alexandre na mesa do gerente, tudo parecia certo. Só que um imprevisto aconteceu: ele não queria dar o malote e Alexandre deu tiro na sua mão. Fomos obrigados a correr por causa do barulho.
- Como você me dá uma dessas? Dar um tiro e sair fora sem nada?
Uma viatura nos perseguiu e tivemos que a atirar. Alexandre foi atingido no pescoço e caiu da moto. Não podia parar, então acelerei. Escondido, soube pela TV que Alexandre morreu com um tiro no pescoço e dois na cabeça. Provavelmente foi executado. Fiquei desolado e sem saber como agir. De madrugada, enquanto dormia, ouvi um ruído. Era tarde demais. A polícia me prendeu e as câmeras de TV me filmaram.
Hoje, dentro de uma cela na cadeia, conto esta história triste e me arrependo de tudo que fiz, desde o momento que comecei a roubar e a usar drogas. Sei que a minha mãe e a mãe de outros amigos que estão nesta cela sofrem pelos erros dos filhos. Se tivesse escutado seus conselhos e andado no caminho certo, provavelmente não estaria amargando essa vida dura. Sonho em sair daqui, constituir família, ter emprego honesto, enfim, um futuro decente. Apagar esse passado triste. Que bom seria se a maldade não tivesse invadido meu coração e eu fosse livre! Poderia sair na rua, ficar em frente de casa esperando a Lúcia passar, admirar seus lindos cabelos negros e até quem sabe lhe perguntar como foi seu dia, se está interessada em tomar um sorvete ou passear no parque, juntos e de mãos dadas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O homem e seu ninho

Quem olha o barraco de madeira não imagina que ali irá morar uma família com filhos para criar e dificuldades para vencer.
Como uma pomba, que representa a paz, o "futuro proprietário" monta aos poucos seu ninho. É uma ripa de madeira pela rua que servirá como parede ou uma calha trocada no ferro-velho que se transformará na reluzente cobertura do "ninho".
Diferente dos pássaros, que carregam seus materiais de construção, como gravetos e ramos de folhas, nas patas e no bico, o trabalhador dignamente traz o amontoado entre os braços ou nos carrinhos que servem para a coleta de lixo.
Esse mesmo carrinho lhe ajuda no sustento e dá esperanças de encontrar restos de caixas de papelão ou latas vazias que irão gerar o alimento do dia-a-dia que o confortará.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Gafanhotos Blindados

Com formação recente, mas integrantes experientes a Gafanhotos Blindados é alusão a uma poesia do artista plástico londrinense Agenor Evangelista, que a batizou num bate-papo ao fim de tarde na praça em frente ao Teatro Ouro Verde, no calçadão de Londrina. A Gafanhotos Blindados tem Flávio Lira, 21, o Carioca, que mora em Londrina há menos de um ano, na guitarra; Tiago Nirvana, baixista de 27 anos e morador do Semiramis; a vocalista Vanusa Carvalho, 20, também do Semiramis e Diego Rodrigues, 18, baterista e morador do Parque das Indústrias.
Segundo Tiago Nirvana, a banda surgiu após uma conversa com Flávio, no bar Potiguá. Flávio veio do Rio de Janeiro para Londrina depois de fazer muita musica no bairro de Guadalupe, na Cidade Maravilhosa. ”Na minha rua muita gente tocava violão. Aprendi só de olhar”, comenta Carioca. “Toquei na banda de garagem Descontrole, que adotava o estilo mais agressivo”. Com ensaios ao menos uma vez por semana, eles ainda não se apresentaram e esperam se entrosar para subir aos palcos. “A música é meu mundo. Gosto do cheiro do estúdio. Fiz muitas amizades em Londrina, logo no primeiro encontro houve empatia e simpatia entre todos ao mesmo tempo”, completa Carioca.
Outro músico da Gafanhotos Blindados é Diego Rodrigues. Para ele, tudo começou cedo, logo aos 13 anos, quando escutou Basket Case do GreenDay. “A bateria se destaca muito nessa música”. Porém, o que chama atenção foi sua entrada inusitada para a banda. “Conversava com o Tiago a respeito de música e percebemos o mesmo gosto. Cada um estava com seu instrumento e decidimos, naquele momento, entrar num estúdio. Afinamos os instrumentos e começamos a tocar. Essa parceria já dura mais de um ano”, lembra Diego, ao lado da única mulher do grupo, Vanusa Carvalho. Com passagem por algumas bandas de garagem, muitas vezes o público a chama de Pitty, porque ela interpreta algumas canções da cantora de rock que faz muito sucesso entre os adolescentes. “Com doze anos tocava violão e meu pai sempre gostou. É diferente uma mulher fazer isso”, diz.
“Nosso som busca a critica social e alerta a sociedade contra as desigualdades. O que vemos, fazemos como historia de vida”. Essas são as palavras de Tiago da Silva Moreira, conhecido como Tiago Nirvana e que passou por diversas bandas, como a Garage 38, Nirvana Cover, The Back Three e Crau. Tiago toca desde os 16 anos. “Tinha um mini-sistem quebrado e o troquei por um baixo Magnus vermelho. Nele tirei minha primeira musica: Polly, do Nirvana”, recorda-se. “Cresci ouvindo músicas de Roberto Carlos, Alice Copper, Beatles, Creedance e ABBA. Meu pai ainda tem todos esses vinis guardados em casa”. Com influências do grunge, ele tem o seguinte pensamento: “Você tem que ter atitude. Não pode existir medo de expressar o que pensa e sente, já que na vida nunca pode existir preconceitos”.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Pedras Ruivas e seu Rock Intenso


Quem não poderia faltar nessa “coletânea” é a Pedras Ruivas. Segundo o vocalista Fábio Ruivo, o termo significa - Pedras: Rock e Ruivas: Vermelho, ou Rock Intenso. Na estrada desde 1999, ela animou as tardes e as noites do antigo MPB Bar, na Zona Norte. Na sua formação atual conta com Fábio Ruivo, 24, do Violin, no vocal e violão de 12 cordas; César Amorin V8, 18, do Aquiles na bateria; Júnior, 26, do Centro, no baixo acústico e Marlon Henrique, 20, do São Francisco, no violão e na guitarra.
Com músicas próprias, abordam fatos sociais e filosóficos sobre a vida, amores e coisas afins. Quanto as apresentações, foram muitas. “Em 2002 tocamos no Rock das Mangueiras para mais de 300 pessoas, mas nosso período mais intenso foi em 2004, quando tocávamos quase todos os fins-de-semana no MPB Bar”, recorda Ruivo.
Das vinte músicas do grupo, “Segunda Pagina”, versão de “Jornais”, de Nenhum de Nós, é a que mais faz sucesso. A banda se orgulha de ter participado de programas na Universidade FM e na Cincão FM, onde cantaram ao vivo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Never Land - Terra do Nunca

Num estilo comedido e voltado ao comercial, está a NeverLand. Formada em 2004 por Bruno Sanches, guitarra; Ronalt Sanches, baixo; Robson Mancini, bateria e; Jefferson Melão, vocal, eles tocam músicas covers que possuem grande recepção do público. Conhecidos na região, se apresentam em festas de adolescentes até em inusitados casamentos. Bruno, 19 e morador do Luis de Sá afirma que influenciado por amigos, escutou seu primeiro rock há cinco anos. Foi a música “Come as you are”, da banda grunge norte-americana Nirvana. Apesar do gosto pela bateria, tornou-se guitarrista a partir das aulas de violão. “Sou primo do Ronalt e quando vim de São Paulo, ia a todos os ensaios, até que um integrante saiu e entrei em seu lugar”.
Há alguns anosa atrás, quem passava pela feira de domingo da Saul, provavelmente viu um grupo de crianças que tocavam teclado. Ronalt, 19, morador do Luis de Sá era uma delas. “Desde os oito anos tocava teclado na esquina da Saul com a Félix Chenso. Aprendi sozinho, mas quando teve interesse maior, fui matriculado na escola de música. Fazia apresentações na feira, mas hoje tudo mudou”, completa. Influenciado por Charlie Brown Jr. e Blink, o baixista tocou nas bandas Garage 38 e na 33 HC, onde gravou um CD. Sem maiores pretensões, não pensa em ganhar dinheiro com a música. Esse é o mesmo pensamento de Robson Mancini, 20. “O repertório é composto por quarenta musicas. Todas são covers nacionais e internacionais, como Simple Plant, Charlie Brown, NX0 e outros grupos de sucesso”, diz. Morador do Violin e integrante da Never Land desde o inicio, acredita que a banda de garagem é o início dos que desejam seguir carreira musical. “As dificuldades são imensas, como tocar de graça e as vezes ter que tirar dinheiro do próprio bolso para custos de transporte ou ensaio em estúdio”. Com o publico variado, a banda subiu em muitos palcos, como no Centro Cultural da Saul Elkind; no Rock Solidário, em 2005; no “Proclamasom”, evento em comemoração a Proclamação da República, em Ibiporã. Para Mancini, a apresentação que mais marcou foi na Festa da Leitoa, em 2006 na Warta, onde havia mais de 300 pessoas no público. “Nossa banda é versátil. Certa vez, um casal jovem se casou. Como gostavam de rock, nos chamaram para animar a festa. Ao chegarmos, nos deparamos com um público de maior idade”, lembra-se aos risos, ao lado de Jefferson Souza Motta, 24, mais conhecido como Melão. O vocalista, já andou de skate na Saul, participou de campeonatos amadores e hoje faz motocross numa pista da Warta. Melão ganhou o apelido na infância. “Ouço muito de reggae, rock nacional e nosso estilo é jovem”.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Fora do Tempo - HardCore Agressivo

Fora do Tempo: Tiago Ravache, Andrey Hudson, César Galvão, Alessandro e Tiago Scarelli

A musicalidade na Região Norte de Londrina é diversificada e há várias bandas que tocam músicas próprias. Com o hardcore agressivo, letras de vanguarda engajadas na crítica social, a Fora do Tempo é independente e prefere não se rotular. O grupo é composto por César Galvão, 24, vocal; Tiago Ravache, 21, guitarra; Alessandro Pereira, 23, baixo; Tiago Scarelli, 22, guitarra e; Andrey Hudson, baterista de apenas 14 anos. O nome Fora do Tempo surgiu posteriormente. No inicio chamava-se Fratura, algo que lembra uma queda. “O nome deu-se porque cada integrante gostava de um estilo musical. Nos ensaios, sempre havia um músico que não era afinado com os outros e a música ficava fora do tempo”, diz Scarelli, pioneiro na banda e morador do Aquiles. Para não haver divergências, todos dizem que gostam de rock. “Ele uma ‘árvore’ com várias vertentes”, completa Andrey.
O mais experiente é César Galvão, que mora no Jardim dos Alpes e passou por diversas bandas, entre elas a Surface, onde tocou guitarra. Galvão ouviu muito Ramones, Dead Fish, Dance of Days e é autor das letras e arranjos. “São diversos os estilos e influências que resultaram em baladas a sons progressivos. Algumas julgo confessionais, ao mesmo tempo subjetivas e com múltiplos sentidos. Ao todo, possuímos sete composições e a de maior destaque é “Ilusões”, que aborda a vontade de ficar com uma pessoa”.
Outro integrante da Fora do Tempo é Tiago Ravache, que vive no João Paz e é professor de violão. Com influências de Offspring e músicas clássicas, acha errônea a discriminação de alguns estilos. “Quando se define que existe uma tribo, é porque há divisão”. Apesar da técnica, ele entrou na banda inusitadamente. “Havia um show marcado para o sábado e estavam sem guitarrista. Isso era quarta-feira. Fui convidado, ensaiei e no sábado subi ao palco”, relembra. Guitarrista há seis anos, aprendeu muito através de Mozart e Beethoven. “Eles expressam sentimentos e emoções”. Quem toca baixo, guitarra e violão é Alessandro Pereira, morador do Luis de Sá. “Conheci o César em 1998, quando andávamos de skate e em pistas de madeirite na Saul. Nessa época escutava muitas bandas e sempre tive o gosto eclético”. Como Ravache, ouve Vivaldi, Bach, Mozart e ao mesmo tempo CPM 22. “A música clássica é mais formal. Mas há transições. Música é algo muito aberto”, recordando-se que pegou num violão muito cedo. “Era um Tonante com cordas de aço, do meu avô, que tocava na Folia de Reis. A Folia é tradição e cultura popular relacionada ao violeiro caipira”, diz. Scarelli, do Aquiles e Andrey, do Luis de Sá tem a mesma opinião. Ambos sabem que a banda tem um futuro promissor, pois tocam em escolas e ensaiam todos os sábados. Scarelli completa: “Falta, em Londrina, mais espaços públicos e privados para as bandas mostrarem seus trabalhos. Em compensação, as novas tecnologias, como o celular, mp4 e a internet, possibilitam que mais pessoas conheçam nosso trabalho”.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Dark Flames - Guerreiros que vão a batalha

Horda é um termo que significa guerreiros que vão à batalha e Dark Flames, segundo o guitarrista Murmur, significa “fogo e o lado escuro da mente, que são dois símbolos do Black Metal”. A formação original da Dark Flames deu-se no ano 2000, por Murmur (guitarra), Beemoo (bateria), Mammon (guitarra), Ukobach (baixo) e Behemoth (vocais). Ficaram até 2004. Em 2002, lançaram a demo “O iluminar da morte”. Na introdução, “O Guarani” de Carlos Gomes. “Isso é um símbolo do nacionalismo e as músicas são cantadas em português”, diz Murmur. Na trajetória, consta à saída do vocalista e do baixista, mas os remanescentes mantiveram a chama da banda acesa por mais dois anos, quando por motivos pessoais, Beemoo e Mammon não puderam mais dividir o palco com a Dark Flames. Durante dois anos buscaram novos membros e no ano de 2005, o horda deu uma nova guinada na sonoridade com a entrada de dois novos guerreiros: Lord Fúria (vocal) e Daemon Hael (teclados). Em 2006 entra Tormentor (baixo), e em 2007 Obscure Abaddon (bateria). Todos os integrantes são moradores da Zona Norte. O pseudônimo e a pintura do rosto são práticas comuns do Black Metal, referência a “guerreiros que vão à batalha”.
Influenciados pelo Black Metal dos anos 80 e 90, como Bathory, Venon, Emperor e Satyricon, o horda tem um vocal gutural e ríspido. “Nosso som é pesado e agressivo. A Dark Flames critica a hipocrisia religiosa, a luta entre o bem e o mal, paganismo, mitologia e ocultismo”, diz Daemon Hael. “A sonoridade não é tradicional, mas é inovadora e cada integrante traz algo diferente”, completa Fúria. “Temos uma legião de seguidores em Londrina, interior de São Paulo, Santa Catarina, Salvador e até em Cali, na Colômbia, aonde chegamos pelo selo Goat Music”, diz Tormentor. Com quatro obras no Myspace (http://www.myspace.com/darkflameshorde) a última apresentação foi em 15 de dezembro de 2007, em Londrina, no “Overdeath” e em 22 de dezembro, em Pirajú, São Paulo. Considerados undergrounds, preferem que seus trabalhos sejam conhecidos via demos e fanzines. Para eles, “Black Metal é algo levado a sério”.