quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Projetos analisam segurança alimentar

Elisa Yoko Hirooka, docente líder do grupo de pesquisas em Segurança Alimentar e Toxinas, da Universidade Estadual de Londrina, desenvolve os projetos "Produção de reagentes imunológicos - Transferência de Tecnologias" e "Cianobactérias e microcistinas em água", ambos por alunos e pesquisadores da UEL.
Os alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado dos cursos de Ciência de Alimentos, Farmácia e Bioquímica, Veterinária e Química, estudam como controlar toxinas de fungos (micotoxinas) e cianobactérias. "Isso ajuda os profissionais saírem preparados para o mercado de trabalho e atuar conforme as necessidades nas áreas analíticas, microbiológica, instrumental, biotecnologia e de reagentes", diz.
Elisa afirma que devido o Brasil depender muito do agrobusiness, precisa agilizar a qualidade do controle das pragas agrícolas e o desenvolvimento de tecnologias para garantir a segurança sanitária dos alimentos.
Um problema enfrentado pelo país é a aquisição de kits, específicos por exame, usados em laboratórios químicos para detectar contaminação em alimentos. O Brasil é muito dependente desta tecnologia estrangeira, tendo seu valor muito elevado, com preços que variam de R$1.000,00 a R$10.000,00 a caixa para trinta análises. "O preço é muito alto para os padrões da nossa agricultura".
Outro objetivo da pesquisa é a formação de recursos humanos capazes de criar este tipo de produto, além da importância da tecnologia visar à melhoria do controle de microrganismos e toxinas sobre gêneros de consumo interno e para exportação. "Queremos criar a mentalidade profissional para o cientista discutir e debater o assunto com a comunidade externa à universidade".
Fungos e bactérias, segundo Elisa, são comuns e crescem no meio-ambiente. No entanto, se a situação ficar favorável ao microrganismo, ele pode produzir toxinas nos alimentos e gerar doenças cancerígenas. Estudos procuram descobrir formas de controlar e evitar a contaminação a todos os tipos de alimentos e principalmente da água.


Toxinas em alimentos de origem vegetal

A farmacêutica Simone Fujii, doutoranda em Ciência do Alimento desenvolve o projeto "Produção de Imunoreagente, visando ao desenvolvimento de Coluna de Imunoafinidade para diagnósticos de Ocratoxina". O objetivo é desenvolver kits de colunas de imunoafinidade para análise de micotoxinas em alimentos.
Micotoxinas, segundo Simone, são classificadas como toxinas naturais, principalmente em alimentos de origem vegetal. Produzidas desde o início da cadeia produtiva, a micotoxina gera toxicidade crônica, como a ocratoxina, causada pelo do Aspergillum ochraceus e Penicillium verrucozum. Presente no café, as ocratoxinas podem gerar câncer e deficiência nos rins em longo prazo. "O projeto prevê o desenvolvimento de uma coluna (kit) reutilizável capaz de realizar trinta exames. Isso irá reduzir o custo e a dependência da importação", afirma Simone.
O método usado é o cultivo de células de camundongo (conforme o Código de Ética), para posteriormente produzir o anticorpo que dará possibilidade da criação da coluna. Testes preliminares com a coluna de imunoafinidade conseguiram reter a toxina do ocratoxina, porém, a quantidade de experiências deve ser muito grande para confirmar o método. Simone diz que “esta análise é”
importante para manter e controlar a qualidade dos alimentos, devido os compradores exigirem a análise de micotoxina".
Ela recomenda que o agricultor deve prestar atenção e cuidado com a colheita, armazenamento, manejo e análise dos produtos agrícolas, esses procedimentos, quando feitos corretamente, diminuem a contaminação e proliferação de fungos. Os benefícios da pesquisa são inúmeros, devido o controle, através de metodologias confiáveis e de custo acessível ser essencial para garantir fornecimento de alimentos isentos de contaminação por toxinas.


Monitoramento de água contaminada

Elisabete Hiromi Hashimoto, doutoranda em Ciência de Alimentos, trabalha com monitoramento de água contaminada por microcistinas, toxinas produzidas por cianobactérias freqüentes em água e desenvolve o projeto “Imunohistoquímica, visando ao controle de cianofíceas na piscicultura”. A doutoranda diz que o enriquecimento de água, por descarga de esgoto; lixiviação de solo fertilizado; e piscicultura que enriquece o meio com nutrientes, favorece o florescimento de cianobactérias que produzem cianotoxinas, algumas apontadas como promotoras de tumor. O limite permitido é de 1mg/l.
Elisabete Hashimoto se dedica aos estudos com a tilápia (uma espécie de peixe) devido o uso de ração na piscicultura, que favorece o enriquecimento da água. A cianobactéria produtora de toxina é consumida pelo peixe e afeta a saúde humana através da cadeia alimentar. Para descobrir se o peixe está contaminado, existe a técnica da imuno-histoquímica, que consiste numa reação antígeno-anticorpo diretamente no tecido do peixe. Esta mesma toxina (microsistina) foi encontrada no reservatório de água que abastecia uma clínica de hemodiálise em Caruaru, em Pernambuco no ano de 1996.
A doutoranda diz que muito pode ser feito para controlar as cianobactérias, como a atuação consistente de cada segmento, integrado com o setor produtivo a partir do controle, higienização e monitoramento da água e do pescado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Ciclistas percorrem mais de seiscentos quilômetros em busca de um sonho


De Londrina e São Paulo. Na mochila a esperança

Na noite de treze de setembro deste ano, os ciclistas Jean Lima Moreira, 24 e Edielson Costa, 18, ambos do Maria Celina, Carlos Rodrigo Ferreira de Oliveira, 18, do Jardim Tocantins e Abiel Santos, 21, do José Giordano, saíram de Londrina para São Paulo numa aventura inesquecível a duas rodas. Percorreram 617 quilometros em três dias e duas horas. Nas bicicletas, com garupeiras adaptadas, muita água, mantimentos e uma carta que seria entregue a um possível patrocinador. “Não conseguimos entregar a carta e a jornada não foi fácil. No caminho paramos três vezes para dormir. Fazíamos isso debaixo de àrvores na estrada e em postos de combustíveis. O que vale é a experiência. Tudo que se faz na vida tem que ser com esforço”, diz Jean.
Todos integrantes da viagem compõe a equipe Bike Radical Show, que está junta há três anos. Eles se apresentam em escolas e participam de campeonatos por todo Paraná, onde realizam saltos em obstáculos e acrobacias em rampas.
A equipe, composta por seis integrantes, treina aos fins de semana no fundo de Vale do Maria Celina, em Londrina, Paraná. O patrocínio, que não foi conseguido, seria para a compra de uma Kombi ou uma Van para a logística do material esportivo, que é composto por rampas, obstáculos e bicicletas aro 20. Hoje o frete custa em torno de R$60. “Quando pedimos ajuda a órgãos públicos, como ambulâncias, policiamento e material de sinalização das ruas, raramente somos atendidos. Se a escola não ajudar, temos que tirar dinheiro do próprio bolso”, lamenta o esportista.
Quem quiser contratar ou conhecer o trabalho da equipe Bike Radical Show, pode entrar em contato com Jean, no (43) 84114592 ou (43) 33382241.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Trabalhadores perdem empregos


As empresas, que detêem o monopólio do transporte coletivo em Londrina, viabilizaram ônibus sem cobradores. Além de diminuir o tamanho dos coletivos, foram implantadas na cidade as catracas eletrônicas. Diferente dos cobradores, as catracas geram um custo bem menor. Em contrapartida tiram centenas de empregos e diminuem a segurança do motorista, que percorre o trajeto sem o "companheiro" e corre maior risco de ser assaltado.

O salário de um cobrador gira em torno de R$ 740,00 e muitos sustentam famílias com a renda. "Não sei o que fazer se perder o emprego", diz um cobrador que prefere não se identificar. Com escolaridade de nível médio, ele faz a contabilidade do ônibus e auxilia o motorista.

A assessoria de imprensa da Transportes Coletivos Grande Londrina foi procurada para falar sobre o assunto. Afirmou, em nota, que os ônibus articulados que serviam Londrina foram deslocados para Maringá, devido os altos custos da frota. Quanto a implantação das catracas eletrônicas, a empresa preferiu não se pronunciar.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Conto - Piranã

Cauã saiu muito cedo de casa para estudar. Era antropólogo e vivia na Amazônia, o “pulmão” da humanidade. Lembra-se com saudades da família e da longa viagem, feita de avião, ônibus e barco, que o levou até onde mora, nos confins da Amazônia, muito próximo a divisão do Brasil com o Peru e a Colômbia. Viu botos cor-de-rosa, que, segundo a lenda, transformam-se em belos e sedutores homens, índias que viviam nuas como no período pré-histórico, as belas matas brasileiras, animais e aves em perigo de extinção, a Pororoca (encontro entre os rios Negro e Solimões) e a exuberância de Manaus. Apesar disso tudo, perdera a visão romântica da vida devida sua obstinação pela antropologia e pelo modernismo, que conheceu em São Paulo, a grande Selva de Pedras. Morava na Amazônia há dois anos e lá fez muitas amizades com nativos, índios, bolivianos, venezuelanos, colombianos, peruanos e até europeus e norte-americanos que iam lá à pesquisa ou a turismo.Além da antropologia, Cauã era fotógrafo, profissão na qual tirava grande parte de sua renda. Enviava as fotos, via internet, para serem publicadas em revistas especializadas em São Paulo e também para pesquisas científicas, dessas, onde descobria, aos poucos, fatos inéditos e surpreendentes daquele local. Uma delas foi que numa região isolada da Amazônia, próximo ao Peru, havia há cerca de 400 anos, uma população indígena evoluída em relação às outras tribos, quanto às ciências e cultura. Pesquisas e relatos históricos captados por entrevistas, manuscritos e pictografias, apontam para o conhecimento e uso da roda na produção agrícola e de animais, parentes da lhama, no transporte de mercadorias. O comércio entre as tribos era intenso, eles irrigavam as plantações via dutos subterrâneos e se comunicavam, na forma escrita, por códigos e sinais compostos de letras e números. Alguns desenhos mostram traços físicos diferentes. Se pareciam muito com pássaros, seus lábios eram alongados e seus corpos revestidos de penas. Produziam instrumentos musicais e a sociedade era organizada politicamente de forma igualitária. No entanto, a população desapareceu. Restaram poucos sobreviventes e sabe-se que foram extintos pela gana de conquistadores que os escravizaram até a morte. Alguns remanescentes escaparam e se esconderam na mata densa. Muito do que se conhecia virou lenda, transmitida oralmente para futuras gerações de outras tribos. Cauã viu ali um fato inédito que deveria ser pesquisado mais a fundo e que renderia uma publicação científica. Foi aí que ele conheceu o elo perdido e a lenda de Piranã.

Piranã - Parte II

Abaré era um nativo jovem e seu nome significa “companheiro do homem”. Ele conhecia muitas lendas locais. Dizia que a cidade tinha mais habitantes, atraídos pela imigração, há 30 anos, mas foram embora porque o município era envolto pela selva e isolado das outras cidades. Só era possível chegar lá, em dias de chuva, de barco ou de avião. Devido ao êxodo, era comum encontrar diversos animais, como onças, tatus, capivaras, cervos e lagartos, que andavam tranqüilamente pelas ruas. Foi numa dessas conversas que Abaré lhe contou a lenda da antiga civilização e como ela surgiu:“Quem me contou esta história foi meu bisavô, que escutou do bisavô dele, que nasceu há mais de 200 anos. Ele escutou a história da boca do seu bisavô, que soube dessa história quando era menino. Disse que o cacique da tribo Oxicana prometeu a mão de sua filha, Mré, ao guerreiro Hyn, da tribo Xancaran. As duas tribos viviam em harmonia e não havia guerras em ter si. Trabalhavam e se ajudavam mutuamente para gerar progresso. Tinham atividades políticas e culturais, celebravam o poder da natureza que com tudo os agraciava, desde os alimentos aos vestuários. Não existia religião nem injustiças.Mré, noiva da tribo guerreira, tinha um condor. Numa manhã, ao chegar da pesca, com outras mulheres, não encontrou o pássaro, de nome Piranã, e ficou preocupada. Tinha que alimentá-lo e o medo de que fosse embora e nunca mais voltasse era imenso. Preocupada, foi à tribo de seu noivo perguntar se alguém viu o condor ou enviou algum recado por ele. A resposta de Hyn foi negativa e isso a desolou. O casal foi para a floresta que dividia as aldeias procurar o pássaro, mas foi em vão. Aos prantos, a princesa não sabia o que fazer. Sentou-se num tronco e Hyn enxugou suas lágrimas. Na volta, ouviram uma voz alta perguntar o motivo do choro. Viram um homem alto, de cabelos negros e lisos, que tinha um alforje, vestia uma roupa preta e azul, parecida com um poncho, e, na mão direita levava um cajado. Seu rosto era marcado por pinturas tribais, feitas à base de cascas de árvores, ervas naturais e colorau, usado como tempero e corante.— Choro porque perdi Piranã. Grande índio, não vistes por aí um condor?Ele negou e falou que se Piranã for um amigo verdadeiro, voltará em breve.Tais palavras deram forças e esperança para a linda princesa que lhe perguntou seu nome. No entanto, ele não respondeu, disse apenas que conhecia o belo casal e, apesar de tudo, seriam muito felizes.— Como você nos conhece se nunca lhe vimos? — perguntou Hyn.O sábio disse que conhecia todos os seres do mundo, desde as menores plantas até o mais bravio guerreiro. Pelo fato do casal estar ali, no meio da mata, à procura de um pássaro, seriam agraciado pelas forças supremas.— Quem gosta de animais e da natureza tem muitas virtudes.Ainda triste, a princesa perguntou o motivo de ele estar na mata apenas com um alforje e um cajado. Naquele local, era fácil ser atacado por uma onça. Pela segunda vez, o misterioso nada disse e pediu segredo ao casal, porque ia revelar-lhes algo surpreendente. Eles balançaram a cabeça em sinal de obediência. Com isso, ele tira do alforje um tapete com o qual forrou o chão. Sentou-se e cruzou as pernas. O casal aproximou-se e fez o mesmo. Então, ele contou uma antiga lenda indígena."
"Há muito tempo, quando Tupã fez o mundo, havia somente a Terra sem vida alguma. Só existia água. Um infinito de águas. Tupã, o Todo Poderoso, Criador dos Céus e da Terra e do Universo, achou que o planeta devia ser habitado por homens, criados a sua imagem e semelhança. No alto de seu poder e sabedoria, concedeu infinitos poderes a Quará, o rei Sol, para que secasse um quarto da água que havia no mundo. Com isso, os elementos terra e água viveram em harmonia. Como havia barro em abundância, o Criador usou esta matéria-prima para fazer as criaturas. Tupã criou o homem do barro. Porém, ele não era forte, ao se molhar, desmanchava-se e virava terra. Se exposto a Quará, secava e tornava-se poeira que se esvai com o vento. Tupã, sem saber o que fazer, criou as árvores com seus frutos e embelezou a Terra. Descobriu que as árvores eram fortes, fixas no solo e não se moviam. Resolveu, então, criar o homem de madeira, que daria bons frutos e aroma com suas flores. Quando o homem-árvore começou a crescer e a florescer, disse ao Senhor que precisava caminhar para admirar a beleza da Terra. Tupã explicou que isso era impossível, pois, como a árvore, ele deveria ficar fixo na sua terra e dar bons frutos. O homem-árvore ficou triste e chorou. Suas lágrimas eram suas folhas, que forraram o chão. Clamou a Tupã que o fizesse de outra forma, nem de barro nem de madeira, mas que fosse forte, pudesse caminhar. Tupã lhe pediu que ficasse tranqüilo. Faria uma criatura forte sem que a água ou o poder de Quará o desmanchasse. Ele seria ereto e caminharia sobre a Terra. Tupã descansou e, no outro dia, de manhã, juntou terra, água e madeira. Com a mistura, fez um homem com costelas de madeira e órgãos de barro. Sua obra era perfeita e ele sabia que o homem não podia ser feito apenas com a madeira ou o barro, e sim com ambos. Com sua sabedoria, colocou a criatura em pé e assoprou no seu nariz. Aquilo que era madeira transformou-se em ossos e cada pedaço de terra virou uma célula. Este homem foi criado à imagem e semelhança de Tupã."

Piranã - Fim


Mré se emocionou e ficou interessada, porém, lembrou-se de Piranã. O índio, ao perceber sua preocupação, disse que o condor, um dia, voltaria. Perguntou se eles queriam ouvir a outra parte da história. Concordaram, mas mantinham o semblante preocupado. O ancião se concentrou, fixou o olhar no horizonte e continuou.
Depois daquele dia, o homem tinha vida própria, andava na chuva, no sol, entrava em rios, montanhas, enfim, por onde quisesse. Tupã via sua alegria, mas notava que estava só. Resolveu dar-lhe um irmão. Quando a criatura dormiu, tirou uma costela e dela fez um ser igual e ele. Mas, para que não houvesse confusão e para que não soubessem quem foi criado primeiro, o Criador chamou os gêmeos de Matehuala e Túxpan. Como andavam pela terra, Tupã lhes deu poder para criar animais e se transformarem no que quisessem, no entanto, não teriam a forma humana ao mesmo tempo. Matehuala, durante o dia, seria homem, criaria os animais conforme a sua vontade e, em seu rosto, haveria um círculo. Durante a noite, se transformaria em animal. Túxpan teria riscos no rosto e daria continuidade à criação de Matehuala. Nas trevas, seria humano, e seus animais teriam hábitos noturnos, como a coruja, o morcego, o cachorro do mato, o lagarto e a preguiça. A perfeição de Tupã era tanta que, durante o dia, Túxpan virava uma águia e acompanhava Matehuala e, na noite, Matehuala transformava-se em um cachorro do mato.
Túxpan criava um ser e, quando o sol nascia, metamorfoseava-se em animal, Matehuala então completava o trabalho. Assim surgiu o tamanduá. Uma vez, Túxpan criava um ser quando o irmão, transformado numa coruja, avistou muitas formigas. Elas comiam tudo e devastavam o caminho por onde passavam. Túxpan não sabia o que fazer. Ao raiar do dia, o ser em suas mãos estava inacabado. Transformou-se numa águia e voou bem alto, acima das estrelas, para ver as formigas. Avistou uma sombra que caminhava durante o dia. As formigas eram tantas que formavam uma montanha com mais de dois quilômetros de altura. Matehuala pensou rápido e fez um animal com a barriga e o nariz grande, além de uma boca comprida, capaz de comer um formigueiro com um único sopro. Assim nascia o tamanduá.
— Mas como um homem se transforma em animal? — queria saber Mré.
O ancião respondeu que, para Tupã, nada é impossível e, quem sabe, Piranã transformou-se num homem ou em outro animal.
— Pára com isso, assim você deixará a princesa mais triste — falou Hyn.
Sem perder a postura, o homem disse que os seres que fazem o bem para o mundo e para seus semelhantes podem tudo aos olhos do Criador e perguntou ao casal se queriam saber o fim da história. A princesa, com os olhos lacrimejantes deixou cair várias lágrimas no chão que rolaram pela terra e foram dormir no pé de um ipê. A árvore, imediatamente, floresceu belas flores roxas e aos pés do ipê brotou um imenso e caudaloso rio.
Tupã resolveu que Matehuala e Túxpan deviam ter filhos para habitar o planeta. Os filhos de Matehuala tinham, no rosto, um risco horizontal e os de Túxpan, um círculo. Os descendentes de Matehuala deveriam casar-se com os filhos de Túxpan, mas nunca um filho de Matehuala poderia se unir a um descendente de Matehuala. Assim, quem tivesse a marca de um risco viveria e teria filhos com os que têm círculos no rosto. Se houvesse um casamento errado, as duas tribos desapareceriam da face da Terra por desrespeitar a tradição.
— Mas como saber quem é Matehuala ou Túxpan? — perguntou Hyn.
— Olhe seu rosto refletido na água e saberá quem tu és: Matehuala ou Túxpan. Veja, analise e descubra sua identidade. Em qual animal você pode se transformar? Na águia? No onça? No cavalo? Pense no seu pai. É o homem que determina os filhos Matehuala ou Túxpan. Hyn, peço que vá morar com a família de sua mulher, dê continuidade aos trabalhos de seu sogro, proteja e defenda a família da sua mulher.
Isso mexeu com a cabeça de Mré e Hyn. Anoitecia e eles tinham que ir embora, mas, antes de se despedir, o grande índio falou que faltava o fim da história.
— Como, no mundo, a vontade de Tupã deve ser respeitada, chegará o dia em que os filhos de Matehuala e Túxpan, homens de carne e osso, não habitarão o mundo, em seu lugar, haverá homens de metal com olhos de vidro, corpo resistente à chuva de fogo, tempestade de areia e ao sol escaldante. Seu alimento será a energia de Quará, o rei Sol. Ela será renovada quando a seta de Quará tocar suas cabeças. Sua força durará por muito tempo, mesmo que o mundo esteja em trevas. Ele nunca envelhecerá ou morrerá e seu nome será Robô.
— Porque o homem de metal viverá no lugar do homem de carne e osso? — perguntou Mré.
— Os homens de carne e osso destruirão tudo por ganância. Não existirão mais recursos naturais, como a água e as árvores, e o poder de Quará será intenso.
Depois disso, levantaram-se e despediram-se. O ancião ergueu a cabeça e disse a Mré que Piranã nunca mais voltaria para casa.
— Seu condor foi escolhido por Tupã para levar a mensagem de paz aos homens de carne e osso. Dizer a todos que a preservação do mundo é necessária, senão, em breve, os homens de metal serão os próximos habitantes do planeta. Piranã voará alto, acima das estrelas para cumprir sua missão.
Mré foi para casa e sua tristeza era tal que suas lágrimas formaram uma grande lagoa com peixes e plantas e, ao abraçar Hyn, viu uma estrela brilhar no céu e uma ave condoreira, negra e azul lá no alto. “Era Piranã, que voava longe para levar a mensagem da paz.”

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

OVNI´s invadem o Norte do Paraná - Verdade ou ficção?

Estranhos acontecimentos ufológicos mexem com a imaginação popular

Histórias que envolvem extraterrestres têm como credibilidade o depoimento das personagens, sendo o testemunho, a única forma de confirmar sua veracidade. Jocelino de Matos é um desses personagens. Ele conta que em Maringá, em 1979, então com 21 anos, voltava da casa da irmã, acompanhado do irmão caçula, quando foram abdusidos por extraterrestres.
Na ocasião, a Policia Militar foi acionada e enviou uma viatura ao local em que Jocelino afirmou ter se encontrado com a nave espacial. Ao vistoriar o terreno, a policia percebeu marcas que mostravam que Jocelino e Roberto foram arrastados por quatro metros. Porém, não havia indícios que mostrasse o pouso da nave, radioatividade ou algo extraordinário.
Segundo o ufólogo de Mandaguari, Paulo César de Oliveira, autor do livro "Naves Cósmicas - Portal de Luz para uma grande missão" (120 páginas), o fato teve grande repercussão e trouxe diversos especialistas à cidade para estudar o caso. Exames médicos e psiquiátricos com Jocelino confirmaram a hipótese de que ele fez mais de um contato e que, após a experiência, passou a "psicografar" mensagens supostamente ditadas por extraterrestres. Eram rabiscos sem sentido que não foram traduzidos e nem Jocelino sabia decifrar.
Em 1982, o fotógrafo Mário Mori, registrou um objeto voador, sobrevoando Londrina, no Norte do Paraná. Não muito longe, em Jataizinho, luzes misteriosas assustaram quem estava na praça de pedágio na noite de oito de abril de 2003. O guarda noturno do pedágio focalizou, com seu equipamento de monitoração, luzes semelhantes a uma "água-viva marinha".

Disputa tecnológica: O ufólogo Paulo César afirma que a disputa tecnológica impede a revelação de descobertas como as fotos da superfície de Marte com "pirâmides e tubulações que levam ao centro do planeta vermelho", ou as "viagens por outras dimensões". Um exemplo é o dos foguetes extraterrestres, que para viajar de uma estrela a outra, não utiliza o plano físico, mas "a 4ª dimensão, onde o tempo e o espaço não existem".
Para que isso aconteça, é necessário um reator que tenha força de aceleração tão grande, que a matéria se transforme em luz e entre pela 4ª dimensão. Entretanto, o domínio sobre a matéria deve ser muito avançado. Impossível? Paulo afirma que em 1947, os Estados Unidos, com o experimento Filadélfia 1, conseguiu colocar um navio inteiro na 4ª dimensão. Para isso, aceleraram as moléculas do navio com um redemoinho eletromagnético.
Entretanto, o físico Mário Goto, afirma que tais experimentos ou viagens seriam impossíveis de serem realizados com a tecnologia que existe na Terra.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Preservando a memória - Time de futebol, do Heimtal, tem mais de 50 anos

Reinold Strass e José Caponi arrancaram os tocos de Santa-Bárbara do terreno e fizeram as traves de vigota: estava pronto o primeiro campo do Patrimônio

Em 1952, no Heimtal, Reinold Strass e José Caponi deixaram de jogar bola na rua. Eles arrancaram uns tocos de santa-bárbara que havia no terreno, onde hoje é a praça do Patrimônio, e fizeram o primeiro campo de futebol com traves de vigota. O jogo de estréia foi contra a Fazenda Maria Lúcia e muitas outras partidas se seguiram, movimentando os domingos do lugarejo. Em campo, times das fazendas Santa Ana, Cascatinha e Primavera.
Caponi, que mora até hoje no Patrimônio, chegou em Londrina no dia 8 de dezembro de 1948, vindo de Jacutinga, interior de Minas Gerais. Ganhou, da avó italiana, o apelido de Zizi, trabalhou na Viação Garcia, na antiga empresa de Energia Elétrica do Paraná e foi barbeiro. Por sua iniciativa, foi criado o primeiro time veterano do Heimtal, em 1º de maio de 1980 e que atua até hoje.
Em 1959, quando a rodovia João Carlos Strass era de terra e na Região Norte de Londrina, só tinha café, o campo que hoje é utilizado pelo Heimtal Futebol Clube foi construído num antigo canavial e teve Antonio Caponi, pai do sr. José, como primeiro presidente.
José Marcolino, 69 anos, o Zé Badu, que mora há mais de 50 anos no Patrimônio, veio de Orandi, Bahia, para trabalhar com os pais como lavrador. Entrou no time como quarto-zagueiro e recorda que antigamente as partidas eram disputadas com bolas de capotão e os placarem não passavam de 1 x 0 ou 2 x 1. "Eram partidas difíceis, mas conquistamos vários troféus", comenta.
Zizi observa que hoje pouca gente vai ao campo. "Antes, quando tinha jogos na praça do Heimtal, as pessoas vinham dos sítios e das fazendas da região para assistir as partidas", relembra.
Atualmente, o Esporte Clube Heimtal se mantém com a ajuda de amigos, com a venda de espaços publicitários no campo e com a promoção de bailes.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Moradia Popular - Programa dá acesso a plantas de casas

O Programa Casa Fácil surgiu há mais de dez anos e fornece plantas e projetos gratuitos a famílias carentes. Segundo o professor da Universidade Estadual de Londrina, Hélio Silveira Ribas, do Departamento de Estruturas/CTU, o projeto foi uma idéia do ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), engenheiro Rildo Mendes Lima. Implantado inicialmente em Curitiba e estendido para as principais cidades do Estado, o programa funciona em Londrina, em convênio entre a UEL, CREA e Prefeitura. As famílias, que têm renda máxima de três salários mínimos por pessoa, têm direito ao atendimento.
"O Casa Fácil é um projeto de extensão da UEL, coordenado pela Pró-Reitoria de Extensão (PROEX). O interessado precisa fazer inscrição na Secretaria de Obras da Prefeitura para ser encaminhado à UEL, passar por uma triagem no Serviço Social e só então ser atendido pelo Programa Casa Fácil, que funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial", diz Ribas. Depois, o interessado discute com o estagiário de Arquitetura, para desenvolver o projeto da casa, que terá no máximo 70m².
O profesor Hélio Silveira explica que não há um modelo específico e padronizado de planta. Elas são feitas de acordo com a necessidade da pessoa. Existem projetos prontos, que podem ser adaptados, ou são criadas novas plantas. A vantagem é que as casas não são padronizadas, como as da Cohab.
José Aparecido Pascoal, morador da Vila Yara, em Londrina, é casado, tem dois filhos, trabalha como porteiro e procurou o programa. Ele financiou um terreno e diz que o Casa Fácil ajuda a economizar com o projeto e o dinheiro pode ser investido na compra de material de construção, além de ser uma oportunidade de realizar o sonho da casa própria.
Pascoal sugere que a Universidade, além da planta, poderia dar um curso de pedreiro, para ajudar nos custos da mão-de-obra. Além disso, gostaria que sua futura casa fosse de frente (com espaço no fundo do terreno), com dois quartos, dois banheiros, sala, cozinha e àrea de serviço.
Romário Vinícius, estagiário do 3° ano de Arquitetura e Urbanismo, desenvolve plantas no programa e acredita ter aptidão. "No último ano do curso, o aluno se aprimora. No 1° e 2° ano, tive aulas de desenho, agora trabalho com projetos de urbanismo". Segundo o aluno, o projeto é de responsabilidade social e desenvolvido numa universidade pública. "O aluno deve ter consciência da obrigação de desenvolver algo pela comunidade".

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Comendo bem e barato - Cascas e talos também vão para a panela

Talvez você não saiba, mais existe uma gama de alimentos jogados no lixo que são ricos em vitaminas. Para que não haja desperdício, a comunidade do bairro João Paz, em Londrina, se organizou para ministrar cursos que ensinam as donas-de-casa a melhorarem a dieta da família e a economizar na hora de cozinhar. As aulas são dadas por Dinorá de Paula Fernandes de Lima, 58 anos, pioneira no João Paz, que aprendeu a incrementar as refeições dos quatro filhos sem gastar muito. "Tinha que colocar comida na mesa para as crianças, não podia trabalhar fora, meu marido era viajante e o dinheiro era curto. O jeito era encontrar uma forma de cozinhar bem e com economia", justifica. "Muitas coisas eu comprava, outras plantava no fundo de casa, como cenoura, beterraba, verduras, etc", revela.
Ela aprendeu a utilizar as cascas, talos, sementes e folhas que poderiam ir para o lixo. Além de economizar no mercado, dona Dinorá se orgulha da saúde dos filhos - todos com mais de 20 anos hoje. "Economizei na farmácia e no dentista porque todos têm dentes muito bons. Meu filho de 24 anos nunca nunca teve uma cárie."
Cozinheira profissional, ela aprendeu sozinha a aproveitar as sobras. "Quando a gente está grávida, o médico dá muitas orientações. Com a vinda dos filhos, escutei muita coisa importante", acrescenta. "O que seria jogado fora deve ser bem lavado e deixado de molho com um pingo de água sanitária. Depois de limpos, devem ser cortados em pequenos pedaços. São ótimos no preparo de refogados, sopas e para misturar ao arroz e na carne."
Com os filhos crescidos, Dinorá decidiu passar adiante sua experiência, ensinando que todos estes alimentos são ricos em vitaminas, ferro e cálcio, além de serem indicados para pessoas com anemia e outros problemas de saúde. "As folhas verdes, por exemplo, tem grande concentração de ferro e cálcio", diz baseando-se na cura de um dos filhos. "Couve batida no liquidificador é bom para úlcera também", indica. Apesar do hábito de comer verduras não ser comum entre as crianças, a cozinheira afirma que cabe à mãe ensinar e usar a criatividade na hora de cozinhar. "Meus filhos aprenderam a comer de tudo", acrescenta.