segunda-feira, 7 de julho de 2008

Política

A cada quatro anos o Brasil vê a Copa, as Olimpíadas e a eleição.
Aí aparece o cara-de-pau, abraçando o povão.
Pede votos e aperta as mãos.
Come marmita, beija criança, anda até de busão.
Quem é ele?
É o político bonachão.
Fala muito, conta mentira, é gordo e até parece um porcão.
Roubou muito, aumentou impostos e é da turma do caixa dois e do mensalão.
Dorme no plenário, faz lobby pró-pedágio e até parentes contratou.
Diz que nepotismo não é ilegal e até é constitucional.
Faz aposentado ir para a fila da INSS, é malandro e gosta duma jogatina.
Contaram-me que ele está andando lado-a-lado com a corrupção.
Quando lhe falam a verdade, num quer nem saber.
Rola na lama e o chiqueiro é a sua grande praia.
Mentiroso, como si só, superfaturou a reforma da pracinha que custou mais de um milhão.
Pobre do povo que não percebe a roubalheira e até agradece pelo vale-miséria.
Mas é bom o porcão ficar esperto, porque deste ano ele não passa.
Avise-o que o Natal virá antecipadamente.
O povo vai acender o braseiro e como o porco está gordo, vai ter carne o ano inteiro.

Ong dos Skatistas de Londrina

A formação de uma Organização Não Governamental, a ONG, demanda tempo, dedicação, além de muitas vezes ser um trabalho não remunerado. Assim é a ONG dos Skatistas de Londrina, formada há nove anos e documentada em estatuto desde o dia 10 de julho de 2006.
O atual presidente da entidade, Claudemir de Oliveira, 23 anos, que mora no Ilha do Mel e pratica o esporte desde os 14 anos, diz que tudo começou no Maria Celina. “Havia muitas pessoas que nunca andaram de skate, mas que tinham vontade de praticar o esporte. Aliado a isso, havia a galera que já andou, mas que desejava voltar”. Com muito humor ele lembra que no inicio da ONG, existia apenas um skate, um corrimão e uma rampa para mais de vinte atletas. “A improvisação era total”.
Rogério Clayton de Souza, 22 anos e morador do Parigot III notou que a participação, mesmo com um skate, era maior a cada dia e com isso começaram a fazer outras rampas e obstáculos na rua. Isso trouxe mais membros para a ONG, que hoje tem em torno de 80 voluntários entre locutores, atletas, fotógrafos, montadores e carregadores de pistas. Clayton observa que o skate é uma atividade saudável e ajuda no raciocínio.
Outro membro da ONG dos Skatistas de Londrina é Majel Carlos Moreira, 22 anos e que mora no Maria Celina. Majel diz que a ONG faz diversas apresentações nas escolas, mercados e academias. “São feitas manobras e levamos palestras que abordam o skate contra as drogas, o skate contra a violência, além de outros temas relacionados à saúde, educação, religião, cultura e comportamento”.
A receptividade é tão boa, que eles se lembram dum evento no Patrimônio Espírito Santo, onde a platéia nunca tinha visto algo parecido. “Todos gostam porque as manobras envolvem adrenalina, agilidade, força, técnica, além da determinação”, diz Claudemir. Apesar do skate ser uma prática saudável, que contribui com a formação física e do caráter, os integrantes da ONG observam que há muito preconceito com o esporte. O mesmo é originário da falta de espaços urbanos, além de muitos acharem perigoso andar de skate nas vias públicas.
Aos interessados em conhecer o trabalho da ONG dos Skatistas de Londrina, pode entrar em contato pelo e-mail skatistasdelondrina@hotmail.com ou procurar no Orkut a comunidade Skatistas de Londrina. A ONG lembra que nos próximos dias 26 e 27 de julho, ajudará a organizar, em Apucarana, a I Etapa do Circuito Apucaranense de Skate. Maiores informações podem ser obtidas no telefone 99720381 com Jean Mutante.

domingo, 6 de julho de 2008

MotoCicleta

Carlinhos ia todos os dias com sua moto trabalhar
Passava pelas ruas apressado. Não podia parar
O que valia era à roda do tempo e da fortuna. Não podia vacilar
Era rápido. Não tinha buraco de rua nem tempo para esperar
Mano, que correria. O cara ali quase conseguiu se espatifar
Carlinhos falava: nesse mundo não dá para vacilar
Meu, fica olhando. O cara correndo ali vai se arrebentar
Não deu outra, todos pararam para contemplar
O cara andando. O ônibus chegando. Tudo pronto. Cena espetacular
Foi mais um, não deu tempo para o cara brecar
Mais um na rua, corpo estendido. Lá vem o rabecão buscar
Carlinhos em sua moto, falava que nesse mundo não dá para vacilar
Vou maneirar, andar na moral, nada pode me afetar
A vida é louca, o sistema é bruto. Mano, nessa vida não se pode vacilar
Carlinhos sabia, bastava um olhar
Vou prestar mais atenção, tenho que esperar
Mas um dia para trabalhar
Lá estava Carlinhos. Seu pensamento não podia vagar
Corria demais. Dava 100, 120, 130. O radar não vai me pegar
Sua moto parecia turbinada, se tivesse asas iria decolar
Quem sabe voar
Na estrada era um às. Naquele dia só pensava em acelerar
Carlinhos corria, cortava o ar
Era esperto, sabia pilotar
E mesmo assim, sabia que não podia vacilar
Mas que pena, também não podia derrapar
Sua moto começou a encurvar
Lá foi Carlinhos, vendo sua moto se espatifar
Em seu último respiro, pensou: não podia vacilar

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Festa em Ibiporã na convenção que escolheu José Maria e Sandra Moya para disputar a prefeitura

A convenção em Ibiporã, que indicou José Maria como candidato a prefeitura de Ibiporã e Sandra Moya, ao cargo de vice na coligação PMDB/PT/PHS/PSOL/PSC/PTN/PCdoB/PRTB foi uma festa popular que reuniu mais de quinhentas pessoas no Cine-Teatro Padre Zanelli no último dia 29. Entre os presentes, a participação de associações de moradores, políticos, sindicalistas, lideranças de vários setores, professores das escolas públicas, alunos e autoridades de Ibiporã e região, como a ex-reitora da Universidade Estadual de Londrina e atual secretária de Ciência e Tecnologia, Lygia Puppato; o deputado federal André Vargas; o secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin; o prefeito de Sabaúdia, Almir dos Santos; a coordenadora da Região Metropolitana de Londrina, Elza Correa; e presidentes dos partidos que compõe a coligação. Compareceram ao auditório o vereador londrinense, Gláudio de Lima, representando o ministro do Planejamento Paulo Bernardo e candidatos a vereadores.
Na convenção, Lygia Puppato ressaltou a responsabilidade de governar e o que isso representa a população. A secretária afirmou que as campanhas políticas devem ser feitas com ética e respeito. “Isso fará uma Ibiporã mais humana”, finaliza.
O vereador João Coloniezi, atual presidente do PMDB, diz que o eleitor deve votar conscientemente. “Temos que conhecer em quem votamos para que não haja corrupção. Se ela existir, temos que ser implacáveis no combate”, ressalta.
O deputado federal André Vargas falou que a aliança PMDB/PT tem total apoio do Governo Federal. Ele e o ministro Paulo Bernardo serão os padrinhos da futura administração, junto com o Governo Lula. “Essa é a aliança para a vitória. José Maria já fez como prefeito e Sandra Moya como Secretária de Cultura. Ibiporã vai pra frente com trabalho e competência”, diz. Vargas lembra do empenho feito por José Maria para que fossem destinados recursos estaduais e federais para obras em Ibiporã. O deputado finaliza exaltando a mulher, que tem papel fundamental nos meios políticos, citando o exemplo de Sandra Moya.
Elza Correa, coordenadora da Região Metropolitana, lembrou o período em que foi deputada junto com José Maria. “Defendemos os interesses dos cidadãos com ética e responsabilidade numa época de muita corrupção”. Elza cita que José Maria tem muitas virtudes, onde todos os reconhecem pela sua lisura e credibilidade. Outro ponto, segundo a coordenadora, é que a experiência de José Maria será muito importante para a futura administração.
Irene Ferreira, irmã de José Maria participou da convenção e contou um pouco de sua história e que desde cedo conheceu a responsabilidade. Na trajetória, revelou que aos 12 anos José Maria saiu de casa e foi para Uraí estudar e trabalhar, sendo que a mudança, em 1966, para Ibiporã lhe trouxeram melhores oportunidades. “É impossível que meu irmão não conheça as angústias de um trabalhador. A humildade e o respeito o transformaram num terreno fértil para o exercício da política”, afirmou Irene.
Sandra Moya candidata à vice, disse que a responsabilidade para o cargo é grande, mas que tudo será superado pelo trabalho. De família pioneira, aprova a experiência de José Maria e deseja aprender com o ex-prefeito e ex-deputado. Sandra quer colaborar para o desenvolvimento, além da cidade ter talentos a serem descobertos e valorizados. “Os projetos que serão implantados devem contar com a participação popular”. Sendo a 1ª mulher de Ibiporã a se candidatar à vice-prefeitura, Sandra ressalta que tanto o ministro Paulo Bernardo e o deputado André Vargas, estão com as “portas abertas” para Ibiporã em Brasília.
Por fim, José Maria encerrou a convenção. Em suas palavras agradeceu a presença de todos, o apoio dos companheiros, a indicação a candidatura e ponderou que a família é base dos valores morais. José Maria falou que a coligação do PMDB foi fundamental para essa caminhada. Sem promessas de campanha, devido o clima de confraternização e amizade que havia, o candidato se pautou pelos valores morais e pelo resgate daquilo que a cidade carece. O exemplo está na saúde que precisa de médicos, dentistas e oftalmologistas. Ele relatou que uma moradora do Jardim San Rafael lhe disse, que na época em que sua mãe estava grávida e ele era o prefeito, havia pré e pós-natal às gestantes. Hoje esse serviço não funciona a contento. José Maria ressalta que em hipótese alguma a educação pode ser esquecida. “Povo educado tem saúde. Trabalho e desenvolvimento também são importantes. Precisamos de um novo parque industrial que desenvolva o município, de grandes avenidas que abram a cidade, qualificar os jovens para tenham empregos de melhor qualidade.”
Focado no futuro, o candidato do PMDB falou que em breve será inaugura a Universidade Federal Tecnológica bem perto de nós e Ibiporã precisa aproveitar essa oportunidade se estruturando para atender a demanda com transporte e vias. Outros pontos foram o aumento da receita, a terceira idade e a necessidade da criação de escolas em tempo integral para que haja boa formação aos alunos de Ibiporã. “Assim, a criança será retirada da rua e encaminhada às escolas”.
Durante a convenção, foram apresentados vídeos com a trajetória da cidade e depoimentos a respeito dos candidatos. Num desses vídeos foi contada história de Ibiporã e dos pioneiros que desbravaram a mata acreditando no progresso.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Oração da Pedra Cristalina



"Minha Pedra Cristalina, que no mar fostes achada, entre o Cálice Bento e a Hóstia Consagrada. Treme a terra, mas não treme. Nosso Senhor Jesus Cristo no altar sagrado.

Tremem, porém, os corações dos meus inimigos e dos que me desejam o mal. Eu te benzo em cruz e não tú a mim, entre o Sol, a Lua, as Estrelas e as três pessoas distintas da Santíssima Trindade.

Meu Deus! Na travessia avistei meus inimigos.
Meu Deus! Eles não me farão mal, pois com o manto da Virgem sou coberto e com o sangue de meu Senhor Jesus Cristo sou protegido. Eles tentarão me atingir, mas não atingirão. Suas setas de maldade se desfarão como o sal na água.

Se tentarem me cortar, não conseguirão. Suas lâminas se dissolverão aos raios do Sol. Se tentarem me amarrar, os nós se desatarão por si. Se me acorrentarem, os elos se quebrarão pelo poder de Deus. Se me trancarem, as portas da prisão ruirão para me dar passagem. Sem ser visto, passarei por entre meus inimigos, como passou, no dia da ressurreição, Nosso Senhor Jesus Cristo por entre os guardas do sepulcro.

Salvo fui, salvo sou, salvo sempre serei. Contra mim nada valerá. Contra os meus ninguém se levantará. E para proteger meu lar, com a chave do sacrário eu o fecharei."

Após rezar esta oração, rezar também três Pai Nosso, três Ave Maria e três Glória ao Pai.

*Quando Lampião foi morto em 1938, em Angicos (SE), essa oração foi encontrada em seus pertences. Isso ilustra a religiosidade do cangaceiro e a necessidade de ser protegido contra os males terrenos sobrenaturais, fechando seu corpo.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Projeto de Pesquisa em Comunicação Popular e Comunitária

1 – Apresentação: As rádios comunitárias nasceram com o sentido de dar voz às camadas populares e desfavorecidas. A participação cria condições para que a representatividade seja exercida. Seus membros expressam opiniões, defendem pontos de vistas e buscam forças políticas junto ao poder público.
Uma rádio comunitária é a soma de todas as vozes de uma comunidade, expressa através de uma entidade sem fins lucrativos, com programação plural e gestão coletiva. Chama-se comunitária, dentro do conceito de área geográfica e pela comunidade que reside na mesma área.
Devido à participação efetiva da comunidade, as rádios comunitárias se diferem em muito das comercias. Seus fins e objetivos são justificados não no lucro, mas no desenvolvimento local, no resgate da cultura e na construção da cidadania. São instrumentos de democratização da comunicação e da sociedade, multiplicadora de vozes, organiza a vida comunitária, social, política, cultural. Dinamiza a economia local e, sobretudo valoriza a estima de comunidades e povos esquecidos pelo Estado. Suprem deficiências de emissoras comerciais, já que essas não falam diretamente à comunidade e não estão no dia-a-dia local.
Grande parte da programação das rádios comunitárias é dedicada aos assuntos locais, informação, serviço, lazer, manifestações culturais, folclóricas e tudo mais que contribua para o desenvolvimento da comunidade, sem discriminação de raça, religião, sexo, convicções político-partidárias e condição social. Respeitam valores éticos e sociais da pessoa e da família e dão oportunidades à manifestação de diferentes opiniões sobre diversos assuntos.
De grande alcance, especialmente entre as populações de menor poder aquisitivo, elas são excelentes prestadoras de serviço e formadoras de opinião. Porém, a legislação brasileira para concessão de rádio é envolta em polêmicas e muitas vezes levam casos relacionados à transmissão de emissoras não-comerciais à polícia. Ela considera crime o não cumprimento das normas sobre instalação, programação, administração e transmissão de rádio comunitária. A punição vai duma advertência, multa ou perda da autorização.
A Rádio Cincão FM, objeto de estudo, surge em 1997 com um transmissor, um microfone e uma mesa de som. Sintonizada em 87,9 MHz, possui um site on-line, uma torre que alcança boa parte da região Norte de Londrina, sendo uma das conquistas da comunidade. Seu processo de habilitação começou quando um grupo de pessoas reuniu-se para colocar a teoria na prática.
A “nova rádio”, que funcionava em fase de testes, foi um sucesso e rendeu muitos comentários. Na época, não havia a Lei das Rádios Comunitárias. Mesmo assim, os idealizadores foram ousados ao pleitear uma liminar na Justiça e colocar a rádio no ar. Porém, a liminar foi negada e continuaram a operar. Isso causou um grande estrondo na sociedade e logo a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicação) a lacrou, apreendeu instrumentos e acusou os idealizadores de exercerem ilegalmente a rádio difusão.
Para a regulamentação, foi preciso à compra dum transmissor, toca CDs, microfones, computadores e antena. Após uma laboriosa etapa jurídica e burocrática em Brasília, em 2005, a Cincão FM recebeu autorização do Ministério das Comunicações para iniciar suas atividades legais.
Interligada 24hs a internet, deixa o ouvinte atualizado com as últimas notícias. Seu objetivo é manter a programação, aumentar a audiência e acima de tudo tornar-se a caixa de ressonância da população da Zona Norte de Londrina.
Ela tornou-se uma ONG que preza pela democracia. É um canal aberto de comunicação a todos que queiram reivindicar reclamar, informar e exercer a cidadania. Tendo conhecimento que a democracia se constrói pela participação popular, a Cincão FM é protagonista e agente dessa luta, diferenciando-se de outras rádios.

Projeto de Pesquisa em Comunicação Popular e Comunitária - Parte II

2 – Justificativa: A justificativa se encontra na necessidade da participação popular no processo emancipatório de comunicação. As rádios comunitárias são instrumentos legais e democráticos de participação e colocam representantes populares em contato com diversos receptores. Devido à aceitabilidade do veículo e grande penetração social, são catalisadoras de necessidades para que reivindicações sejam colocadas em pauta, discutidas junto à sociedade e gestores políticos.
Existe escassez de estudos sobre o tema. A operação das rádios comunitárias é algo recente no Brasil e são poucos referências que abordam, explanam e dão exemplos. Difundida em diversas regiões, em específico nas mais populares, tornam-se ponto de referência quando se aborda a democracia pela participação popular e dá espaço ao exercício crítico de contestação para os desfavorecidos. Diferente das emissoras comerciais, o canal, ao estar próximo e fazer parte do cotidiano comunitário, compreende as necessidades locais e busca alternativas para solucionar eventuais problemas e conflitos que envolvam não apenas o todo coletivo, mas indivíduos que não encontram espaços públicos para solucionar suas necessidades.
Além da participação, o estudo abordará como as novas tecnologias diferem a Cincão FM. Transmitida via internet, seu alcance é maior, via web. Isso dá credibilidade e contribui para o aumento de ouvintes.
A pesquisa busca subsídios que comprovem as rádios comunitárias como ferramentas modernas e de cunho popular, instrumentos de participação e representatividade de camadas menos favorecidas. Agentes diretas no processo democrático da conquista e manutenção de direitos coletivos e individuais, onde são poucos os espaços para discussão e atenção as necessidades populares.

3 - Quadro teórico de referência: Por abordar o exercício da participação pela rádio comunitário, são três, as obras de referência. A de maior importância é de Cicília Maria Krohling Peruzzo: “Comunicação nos Movimentos Populares – A participação na construção da cidadania”. Peruzzo ressalta a importância da comunicação popular e a contextualiza em nossa dinâmica social. A obra aborda conceitos de: povo; popular; como os meios dão ferramentas para participação e representatividade; antagonismos presentes na luta de classes entre povo e elite e veículos massivos e populares. Outros fatores, como conquista de espaços; articulação política e cultura; e reelaboração de valores e formação das identidades são tratados. “Comunicação nos Movimentos Populares – A participação na construção da cidadania” aborda as rádios comunitárias como possibilidade de participação democrática, livre, sem fins lucrativos, ou ligados a poderes e exercida pela gestão coletiva.
Outra referência está em Marshall Mcluhan. Em “Os meios de comunicação como extensão do homem”, Mcluhan aborda o rádio como “o tambor tribal que produz a extensão do sistema nervoso do homem e que o envolve com profundidade”. Para Mcluhan, o rádio se opõe diretamente a cultura visual, onde o receptor tem que fazer as devidas leituras para interpretar as mensagens. Com o rádio o indivíduo, que tem menor conhecimento letrado e faz parte das camadas mais pobres e desfavorecidas, encontra um canal direto de recepção.
Mcluhan afirma que o rádio é o “sistema nervoso da informação” que dissemina notícias e liga pessoas às outras. Diferente de outros meios de comunicação possui o tempo a seu favor ao estender o diálogo. Isso aproxima as pessoas do rádio: o convívio direto e a direção objetiva ao público.
Por fim, Dalmo de Abreu Dallari em “O que é participação política”, nos dá artifícios e argumentos sobre participação. Quando se aborda o direito de participação, traz-se a tona que a cidadania se constrói por essa via. A Declaração Universal dos Direitos Humanos considera a participação política um direito fundamental de todos os indivíduos. Diz, entre outras coisas, que “todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país e que a vontade do povo será à base da autoridade do governo”.
A história da humanidade revela a existência de uma luta constante para que o maior número possível de pessoas participe das decisões políticas. Cabe as rádios comunitárias o papel aglutinador de forças aos menos favorecidos para saírem fortalecidos no embate que envolve diversos interesses. Essa árdua conquista amplia a participação e elimina muitas diferenças sociais e políticas.

Projeto de Pesquisa em Comunicação Popular e Comunitária - Fim

4 – Tema: A participação popular nas rádios comunitárias. Estudo de caso da Cincão FM.

5 - Objetivos gerais: Produzir referências sobre rádio comunitária e participação popular na construção da cidadania. O tema cidadania é muito abordado, mas pela comunicação e o exercício, são poucos recorrentes. A Cincão FM é um canal da comunidade da Zona Norte de Londrina. Pretende-se observar e descrever a participação e seus resultados. Hoje, interesses populares não recebem a devida atenção. Cabe a ela, a função organizacional que supre dificuldades e dá voz aos desfavorecidos. As rádios interagem com o ouvinte e a realimentação é visível quando há retorno da participação por estúdio, telefone ou internet.
A pesquisa leva em consideração a educação proporcionada pela rádio e o desenvolvimento do senso crítico dos emissores e receptores. A aplicação desses conceitos é baseada nas disciplinas da especialização em Comunicação Popular e Comunitária.

6 - Objetivos específicos: Apontar que a participação e os direitos populares estão enfraquecidos devido o poder da grande mídia. Existem focos de resistência e canais onde a população se comunica, expressam idéias e reivindica melhorias. A inserção do meio de comunicação, na Zona Norte de Londrina, muda e constrói a criticidade. A massificação da grande imprensa é tal, que acontecimentos que nos desfavorecem são aceitos passivamente, sem questionamentos. É a falta de representatividade que atrapalha a formação da cidadania.

7 – Problema: Qual é o valor da rádio comunitária na comunicação popular e comunitária?

8 – Hipótese central: As formas de comunicação disseminam-se. Criam-se oportunidades aos que precisam de melhorias, sejam estruturais, sociais ou políticas. As rádios comunitárias são ferramentas que dão acesso e “voz” as comunidades. Como essa participação é exercida e aonde são vistos os resultados?

9 – Metodologia: Baseada na bibliografia relacionada, referências teóricas para debate e exposição. Outras maneiras são pelos exemplos, experiência e vivência na rádio, capturas de informações, entrevistas e relatos que comprovem a participação popular. As fontes serão gravações e análises de programas com maior audiência e participação.

10 - Referências Bibliográficas:
- PERUZZO, Cicília M.K. Comunicação nos movimentos populares - A participação nas construção da cidadania. Rio de Janeiro. Petrópolis: Vozes, 1998.
- TEIXEIRA, João Gabriel Lima Cruz. A construção da Cidadania. Brasília. UNB, 1996
- COVRE, Maria de Lourdes Manzini. O que é cidadania? São Paulo. Brasiliense, 1997;
- DALLAN, Dalmo de Abreu. O que é participação política. São Paulo. Abril Cultural. Brasiliense, 1984;
- DENO, Pedro. Participação é conquista: Noções de participação social participativa. São Paulo. Cortez, 2001;
- LOPEZ, Maria Immacolata V. O rádio dos pobres – Comunicação de massa, ideologia e marginalidade social. São Paulo, Loyola, 1998;
- MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensão do homem. 4 ed. São Paulo. Cultrix, 1964;
- THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995;
MEDITSCH, Eduardo. O rádio na era da informação – Teoria e técnica do novo radiojornalismo. Florianópolis. Insular – Editora da UFSC, 2001.

domingo, 29 de junho de 2008

Artigo: A falta de moral que dilapida a segurança

Nos últimos tempos, a sociedade civil organizada, junto com nossos governantes, se preocupa, discute e planeja ações na área de segurança pública. O brasileiro, a cada dia, se sente como refém de criminosos organizados em “sindicatos e organizações” altamente aparelhadas e financiadas pelo dinheiro sujo do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro, que compram, de forma ilícita, armamentos mais potentes que os da polícia. Tamanha corrupção se reflete na organização de ações terroristas contra policias, civis e rebeliões em presídios.
A violência não escolhe suas vítimas. Faz a classe média sofrer os horrores dos seqüestros, assaltos e se esconder em condomínios fechados. Esta inserida nas classes sociais mais baixas, onde jovens passam preciosos anos de suas vidas nas cadeias ou abreviam-na no crime e tráfico de drogas.
Milhões de reais são investidos para criar soluções plausíveis a fim de conter a violência, combater o crime e estabelecer a paz. Medidas socioculturais e educacionais aplicadas a presos, visam sua reinserção na sociedade, no entanto, muitas não levam em conta que o indivíduo, após cumprir uma árdua pena, não encontra trabalho e atraído pelo crime, reincide ou comete piores crimes depois da “pós-graduação” que fez na cadeia. A solução para tais problemas. Não se encontra apenas na mão de Estado, mas nas condutas morais a qual o cidadão deve servir de exemplo àqueles que se encontram marginalizados e excluídos financeiramente de todo processo capitalista. A sociedade deve repensar suas condutas e considerar que passamos por uma transformação negativa de valores e conceitos morais.
A família, base da estrutura da educação dos cidadãos e seio conservador da sociedade, aos poucos vai se desfragmentando e se dilapidando pela valorização de conceitos burgueses que pouco reflete conceitos morais dentro de um lar e essenciais para a boa educação. Enquanto pregam moralidade na política, não fazem jus aos seus discursos e direcionam a educação de seus filhos, para um caminho obscuro, devido à falta mínima de moral no lar. É preciso que todos adquiram novos hábitos e valorizem a instituição familiar, além de valorizar o próximo, esquecendo o individualismo que os tornam inacessíveis. Se essas idéias fossem colocadas em prática, não teríamos grandes índices de violência e com o aumento da compreensão e valorização das pessoas mais simples, as potências bandidos e marginais, teriam mais piedade e pensariam antes de cometer seus crimes.

sábado, 28 de junho de 2008

O mundo redondo é retilíneo

Quando as distâncias eram enormes
e o tempo infinito,
havia dois mundos perdidos,
divididos por monstros gigantes e heróis mitológicos.

Graças aos feitos marítimos,
o homem, a Terra, descobre,
nasce a poesia renascentista
e a ciência se desenvolve.

O futuro é escrito no papiro
e a máquina de Gutemberg nos comove.
Acabou-se o elo perdido
e todos sabem como a Terra se move.

Com a locomotiva,
o homem vê a evolução dos transportes,
abrem-se caminhos
nas estradas de aço modernas.

Tão breve é o mundo evoluído
que a pressa anda de automóvel.
Hoje o seu veículo
é movido pelo petróleo.

Tão rápida é a evolução
que, em menos de três dias, chego lá no Japão.
Isso se for de avião,
já que, de jatinho, corto a barreira do som.

Lá no meu cantinho,
absorvo a informação,
seja pelo rádio de pilha ou pela televisão.
É assim que formulo minha opinião.

O espectro, ao vivo,
foi zapeado,
vejo outra cena,
essa é a interação.

Na interface do micro,
textos são fáceis de serem escritos
e editados.
Meus amigos mais íntimos fazem conexão.

Converso com um amor longínquo,
apertando botões com a ponta dos dedos de minha mão.
quem há muito se queria
se vê na tela da computação.

Esse é o mundo retilíneo
dos satélites e das parabólicas
que mostram mapas e estradas
com definição.

Amanhã já se saberá
que falaram de Marte e de sua população.