segunda-feira, 10 de maio de 2010

Apreensão de habilitação e suspensão do ato de dirigir podem ser evitadas de acordo com a lei

Infrações de trânsito acarretam em multas, suspensão do ato dirigir, perca de pontos na carteira de habilitação, dentre outras penalidades. A fim de evitar tais constrangimentos o motorista deve ter discernimento e avaliar razões e comportamentos no trânsito. Porém existem situações onde a multa é aplicada e o condutor julga ser algo improcedente. Neste caso é coerente e ético o recurso?
Segundo o advogado Romildo Deodatto Júnior o recurso não fere a ética e é um direito assegurado por lei no artigo 5º da Constituição Federal, em seu inciso 55. “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.

O advogado lembra que recentemente muitas carteiras de habilitação foram recolhidas por falta de conhecimento dos motoristas, que deveriam pleitear a defesa. Ele cita que após assinar o auto de infração, o condutor deve se destinar ao órgão responsável ou procurar uma assessoria, em até trinta dias corridos, a fim de impetrar recurso. “Se comparado ao valor da multa e da penalidade a ser aplicada, o preço cobrado por uma assessoria é muito pequeno e muitos prejuízos e constrangimentos podem ser evitados”, afirma.

No entanto o cancelamento da multa não é possível devido o ato de infração ter ocorrido, além do servidor que a aplicou ter fé pública, presumindo a verdade de todos os fatos alegados. Entretanto cabe a defesa através de orientação, conhecimento técnico e jurídico. “No Código de Trânsito, Civil e resoluções existem casos de inconsistências. Entrar com um recurso não é antiético, pois a administração pública só pode agir nos moldes da lei para não existir arbitrariedade ou abuso de poder”, salienta.

Caso perca o recurso ou não exerça o direito de defesa dentre os trinta dias, a multa será imposta e até a data de vencimento, poderá ser impetrada uma nova defesa. Após o julgamento do 2º recurso há uma 3ª e última possibilidade antes da aplicação da penalidade. “Baseado na lei e de forma legal é possível cancelar multas a serem pagas e pontos na habilitação. Porém é necessário, ao levar uma multa, que se peça o auto de infração, de cor amarela ou verde”, explica.

Em relação às carteiras cassadas, Romildo afirma que muitos casos chegaram a esta situação pelo condutor não se ater ao prazo e deixá-lo expirar, sendo que a apreensão e suspensão do ato de dirigir poderiam ser evitadas através do recurso.

O funcionário do Detran-Londrina, Antonio Donini, aponta que em torno de 60 a 70% dos condutores multados solicitam recurso, procurando a isenção do pagamento ou amedrontados com a perca dos pontos e suspensão ou apreensão da carteira de habilitação.

Porém ele alerta que tudo isso pode ser evitado se a conduta no trânsito for observada e que se assuma as responsabilidades como prestar atenção nas vias, nos pedestres e na dúvida, parar e dar a preferencial.
Aos interessados por maiores informações prestadas pela assessoria de advocacia, deve procurar o Romildo no telefone 33398001 ou 99443322, em Londrina.

Vila Casoni: O bairro pioneiro de Londrina

Originalmente projetado para ser uma granja, bairro transformou-se em loteamento e mantém a arquitetura dos anos 30 e 40.

A Vila Casoni é um dos bairros mais antigos de Londrina, onde os mais velhos foram deixando seus lugares aos mais novos e aos que estão chegando. Ela foi objeto de pesquisa de antropólogos, que analisaram e detalharam a vida social do bairro, mostrando dificuldades enfrentadas pelos pioneiros. Os antropólogos desvendaram um cotidiano que representa a história do bairro e dos segmentos sociais, mostrando gente simples e conservadora.
A pequena vila, que antes de se tornar bairro era uma imensa chácara de fruticultura, foi plantada numa clareira aberta pelos colonos e desempenhou o papel de núcleo de um projeto de ocupação responsável pelo povoamento de um território de 500.000 alqueires, a região de Londrina.
A Casoni aos poucos foi cedendo lugar aos primeiros contornos urbanos, nas décadas de 40 e 50, dados pelos pioneiros paulistas, mineiros e nordestinos que traziam as tradições italianas, portuguesas, espanholas, orientais e eslavas, como o exemplo da família Ruis. A matriarca Carolina Ruis, de 70 anos, lembra que seu avô, João Ruis, chegou à cidade nos meados da década de 40, vindo de Joaquim Távora. Ele comprou partes das terras que hoje é o Jardim Ouro Verde, a fim de cultivar café.
Moradora da rua Tupiniquins, ela lembra que as dificuldades do norte pioneiro eram imensas e falta de trabalho obrigou a migração. “Meu avô tinha dez filhos e com a venda das terras, no atual Ouro Verde, comprou uma casa para cada um”, diz. Saudosista, Carolina conta que na época, as profissões eram as mais variadas possíveis, como a de serralheiro, devido à abundância de madeira, carroceiro, leiteiro e as plantações de café, predominantes no período, gerava empregos e riqueza para Londrina.
Com tristeza ela lembra que muito mudou nestes 58 anos, como as ruas de terra e as casas de madeira, que ainda persistem, conservando os ares coloniais da década de 30, quando a matéria prima era barata e abundante. Porém, algo é evidente: o crescimento da Casoni estagnou-se e a violência aumentou. “Em outros pontos de Londrina, como na Vila Brasil, os bairros cresceram. A Casoni acabou esquecida. Aqui não tem correio, lotérica ou bancos, demonstrando a falta de segurança. Até as tradicionais festas na igreja, as quermesses, não existem mais”, lamenta a pioneira.
As casas de madeira, que abrigam até quatro gerações, tornaram-se comércios familiares das mais variadas especialidades, como tinturarias, bares, mercearias, ferro velhos e bazares, como o de Cristina Moraes, de 42 anos e que guarda no rosto e nos olhos, traços eslavos. Nascida e criada na Casoni, ela viu poucas mudanças e percebe que o bairro mantêm aspectos de cidades pequenas do norte paranaense, marcados pela arquitetura dos anos 30 e 40.
Ex-aluna do Colégio Estadual Dr. Willie Davids, fundado em 1º de agosto de 1947 com o nome de “Grupo Escolar da Vila Casoni”, num prédio de madeira, construído pela Prefeitura de Londrina, com quatro salas de aula num terreno doado por Jorge Casoni, que até hoje permanece na rua Guaranis, Cristina guarda boas memórias do bairro. Mas, como Carolina, acredita que deve haver maiores investimentos num dos bairros que a porta de entrada do município. “A Casoni é um cartão postal de Londrina, onde tem a Rodoviária e o Estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD”.
Os bares, empórios e armazéns podem ser entendidos como o mundo do homem e o espaço intermediário entre a casa e o trabalho. Assim é a visão do açougueiro Joel Vieira Gonçalves Sobrinho, de 58 anos e que mantém um dos últimos Box no Mercado Municipal da Vila Casoni. O mercado, inaugurado em 1963, recebeu a família Gonçalves em 1965. Antes disso, em 1934, seu pai chegou à Londrina, vindo de Paraguaçu Paulista e montou um açougue na esquina da Avenida Duque de Caxias com a Benjamim Constant. Sua mãe, a senhora Maria Tereza Vieira, que leva o nome de uma praça na avenida Inglaterra e duma creche nas proximidades do 2º Distrito Policial, foi uma das primeiras evangélicas a congregar na 1ª Igreja Presbiteriana Independente, localizada até hoje na rua Mato Grosso. “Na época era preciso chegar no açougue, aos fins de semana, às duas da manhã para cortar as carnes devido à antiga Empresa Elétrica de Londrina desligar o fornecimento de energia para manutenção”, relembra.
O mercado acompanhou os tempos áureos do café, quando prefeitos como o renomado advogado Hosken de Novaes, Dalton Paranaguá, José Richa e Wilson Moreira vinham pessoalmente comprar frutas, carnes e verduras, além de verificar o funcionamento e conversar com correligionários a respeito da política londrinense. “Hosken de Novaes, apesar da posição de prefeito, era um sujeito simples, que conversava com todos”, diz Joel.
O barracão que um dia abrigou dezenas de produtores e preserva uma estrutura de madeira viu seu declínio na década de 90, quando os filhos dos produtores, compostos na maioria por orientais, migraram para o Japão. Com isso, os pais não puderam administrar as propriedades e boxes ao mesmo tempo, diminuindo as bancas até seu fim. Outro episódio triste foi este ano, um dia antes das eleições do “3º turno” em Londrina, quando um vendaval destelhou praticamente metade do mercado. “Esperamos 60 dias para o Poder Público tomar as providências”.
Esperançosos pela mudança, os dois comerciantes locais esperam que o município olhe mais, não apenas para o barracão, mas também para a Vila Casoni, atualmente parada no tempo.

domingo, 9 de maio de 2010

Temos uma identidade cultural?

De colonização recente, falta ao Norte do Paraná um ícone que represente sua história, cultura e tradições.

Tendo menos de 100 anos, o Norte do Paraná pode ser considerado uma miscelânea de culturas e etnias que vão desde a colonização japonesa, italiana e alemã, transitando pelos nordestinos, paulistas e mineiros. Mas todos, independente de onde vieram, tinham um objetivo comum: lavrar a terra vermelha.


Assim, o Norte do Paraná desenvolveu-se, sem uma etnia definida e um ícone especifico, mas tendo o café como a principal fonte trabalho e renda dos agricultores. Junto com o café e os agricultores, vieram às cidades, a estação de trem, a igreja e a rodoviária, que tanta gente recebeu. Mesmo após as geadas e a industrialização, a região preserva a cultura da terra, onde as lendas estão ligadas ao matuto e ainda existe o inconfundível sotaque do caipira. Mas, se fossemos construir uma identidade cultural ou ícone do Norte do Paraná, qual seria o modelo? Num local, marcado por agricultores e camponeses, por que não, essas pessoas, os maiores geradores das riquezas, não serem o símbolo de uma cultura?

Fatos e fotos ilustram esta trajetória e eles devem ser expostos para as futuras gerações se identificarem e construírem uma tradição genuína.

O secretário de cultura, Júlio Dutra lembra da nossa colonização, que transcende o ícone rural, visto nos cidadãos e moradores das propriedades afastadas da área urbana. Para o secretario, isso deve ser aproveitado, exemplificando a construção da nossa igreja, feita com doações de sacas de cafés por agricultores e também pela montagem do espetáculo em homenagem a rota turística do café. “Através de um romance, contaremos a vinda de nossos imigrantes em busca do ouro verde. A região do Norte do Paraná se deu por causa do café e o que prevalece na região é a agricultura, gerando a nossa riqueza”. Dutra ressalta o uso, na peça, de roupas e traços rurais comuns a todos nós e que nos diferenciam de outros lugares, criando uma identidade única e especifica do Paraná.

Há mais de 40 anos em Ibiporã e vendo as diversas transformações na sociedade, o artista plástico Henrique Aragão afirma a idéia de que o Norte do Paraná seja muito novo, com poucas tradições e que seja um local a ser desbravado, numa época em que a sociedade é globalizada e muitas culturas estão fragmentadas. O artista lembra que o resgate destas características e a personificação deste ícone podem ser encontrados não muito longe, mas aqui pertinho, nas cidades no Norte Velho como Jacarezinho, Abatiá, Uraí ou Santa Mariana. “É só fazer uma visita a uma feira destas cidades, onde será possível encontrar uma pessoa simples, mas que represente a imagem do norte do Paraná. Nestas comunidades rurais se mantém algumas tradições, principalmente nas crianças. Elas encontram algumas resistência dos pais, porém as mesmas tem acesso às escolas rurais, com ensino voltado ao cultivo da terra e ao trato com os animais”. O artista ressalta que esta cultura popular e genuinamente paranaense está no interior, cabendo a nós não sermos nostálgicos, mas sim, cumprirmos a missão de criar caminhos, através da comunicação, para trazermos isso ao conhecimento de todos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A perda dum líder

O líder palestino Iasser Arafat morreu, devido à falência múltipla dos órgãos, após 14 dias internado em Paris. A morte de Arafat significa uma mudança histórica para o mundo, já que o mesmo foi por mais de 40 anos o líder pela criação do Estado Independente Palestino entre Gaza e Cisjordânia, local ocupado por judeus do estado de Israel.
Sua morte implica diretamente em maiores dificuldades para o processo de construção de paz na Faixa de Gaza, local de maior perturbação nos conflitos e onde Israel conta com poderio militar e político que oprime.
A morte do líder representa a perca das forças de militantes, refugiados, desabrigados e de pessoas que foram expulsas de suas terras e que atualmente lutam pelo processo de independência em Gaza. É possível que grupos terroristas entrem num processo de paz, ou período de armistício jamais visto, entretanto as expectativas do surgimento dum novo líder para a paz palestina, não é visto.
Anunciada a morte, se vê expectativas no Ocidente para que seja reforçada a segurança nos locais de conflito, isso por entender que os países árabes filiados a OPEP (Organização Palestina de Exploração de Petróleo), são alvos constates de atentados, que em casos extremos causam mortes de inocentes e destruição de cidades inteiras. Fica claro que a morte de um líder pacifista de tamanha importância deixa uma lacuna difícil de reconstruir e abre os olhos do ocidente para os possíveis focos de guerra civil e atentados que possam desestabelecer a harmonia.
Portanto, é de se esperar com mais receio às atitudes que vierem do Oriente Médio, devido aos constates conflitos e pela indecisão no processo de paz. Além da perca de tamanha autoridade representar maiores implicações para as negociações pacifistas contra a escalada do terror.

Crime e Castigo – Fiodor Dostoievski

1) - Publicado em 1860, 'Crime e Castigo' é a obra mais célebre de Dostoievski, onde Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado perambula por São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria - grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Raskolnikov angustiava-se no seu pequeno quarto, na verdade uma gaiola desbotada que o sufocava, onde pensava como um ser dotado de inteligência reconhecidamente superior, como a dele, estava reduzido àquela vida miserável, sem tostão e sem futuro enquanto que, naquela mesma cidade de São Petersburgo, a capital do império russo, à bem poucas quadras dali, uma velha usurária, chamada Aliona Ivanovna podia entregar-se livremente à exploração de desgraçados como ele. Porque não eliminar aquele ser parasitário, inútil, e utilizar-se do seu dinheiro para sair daquela situação apremiante, salvando também sua mãe e sua irmã, reduzidas ao opróbrio? Foi nestas circunstâncias terríveis que o jovem estudante desenvolveu sua doutrina do "direito ao crime", na qual todo aquele que se sente além das convenções tradicionais acerca do bem e do mal, que se percebe mais forte do que os demais homens, na verdade tem "direito a tudo", inclusive o direito de eliminar os que considera estorvo e prejudicial ao seu objetivo, pois o homem extraordinário deve, obediente às exigências do seu ideal, "ultrapassar certas barreiras tão longe quanto possível". A narrativa é ilustrada por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de pessoas que lutam para preservar a dignidade e que subsistem à margem da sociedade. Dostoievski retrata homens e mulheres rejeitados, sufocados e perdidos no mundo do século 19 onde são vítimas das diferenças sociais da Rússia daqueles anos. Exemplos como a prostituta Sônia e seu pai Marmelodov mostram que a Rússia e sua população estavam entregues a pobreza e a miséria.
A ligação de Raskolnikov com sua família era distante. Sua mãe, Pulkhieria Aleksandrovna, enviava-lhe dinheiro para custear as despesas com estudos. A irmã Dúnia, junto com a mãe foi a São Petersburgo para viver com Raskolnikov, pois Dúnia era noiva de Piotr Pietrovitch, uma pessoa bem mais velha que ela. No mais, o personagem era marcado por desavenças por ser contrário ao casamento da irmã. Outras ligações intimas do personagem era com o estudante Razumikhin, que sempre que podia o ajudava em seus estudos e principalmente financeiramente. O personagem era de poucos amigos e considerava solitário por não compartilhar com os costumes dos moradores de São Petersburgo. O desfecho é com Raskohnikov se entregando à polícia, após muita investigação e, na prisão é condenado há viver oito anos na Sibéria, onde Sônia aguarda sua liberdade. A mãe do personagem morre e sua irmã Dúnia se casa com Razumikhin.
2 a) - Dostoievski tenta mostrar o indivíduo dentro de seu habitat sócio-histórico, onde a particularização do homem dentro do quadro da sociedade o descreve como um ser inquestionavelmente, brilhante, versátil, inteligente e imaginativo, embora a perversão o tornou sórdido. Dostoievski extravasa sua elaboração inconsciente e criatividade no feitio consciente, deliberado, de sua obra, onde o ímpeto da criação inconsciente do seu mundo psicológico. As contradições, os desencontros, as perturbações, aflorem de modo límpido, reconhecíveis. Está em trazer para a tona o outro lado da consciência, em revelar a complexidade terrível de nosso mundo interior. Sua trama cotidiana é refletida pelo discurso alucinado e veemência desordenada, fluxo contínuo de voz e fala sempre transbordante, além de trazer narração de vazios, reentrâncias e saliências. Raskolnikov se mostra no mundo em movimento pela sua angústia e desordenamento que não permite perspectivas. É um homem perturbado mentalmente e que tem de se haver com seu interior medíocre e insensato, reflexo talvez de um mundo exterior medíocre e insensato. Ele vive em São Petersburgo, lugar onde o abafamento e o mal cheiro causado pelo verão afetou de modo súbito e desagradável os já abalados nervos do jovem. Porfiri, afirma a Raskolnikov que toda a questão do artigo consiste em que todos os indivíduos estariam divididos em ordinários e extraordinários. Este pensamento é um dos componentes centrais do personagem. Bakhtin chama de limiar este limite, como um muro de pedras, podendo ser entendido como as leis da natureza, ou as conclusões das ciências naturais, ou a matemática, ou o racionalismo. De certo é que há um limite ao homem, e cabe-lhe parar diante desse limite e igualar-se ao resto da manada ou ultrapassá-lo, ainda que á custa de terríveis sacrifícios. Na obra encontramos duas afirmações capazes de suscitar diversos questionamentos, especialmente diante da violência que estamos vivenciando no cotidiano de nosso país. O autor diz que "Não é repelindo o homem que ele se corrige; e muito menos um rapaz. Com o rapaz novo é preciso o dobro da prudência". E prossegue, afirmando: "...o meio significa muito na criminalidade..." A afirmação surpreende pela sua atualidade, apesar de ter sido apresentada há muito tempo atrás.
2 b) - "Nina", de Heitor Dhalia, baseado em Crime e Castigo, tenta ao estilo pós-moderno criar uma narrativa própria para explicar como o homem, a partir da pobreza e da miséria, gera situações que podem terminar em desgraças. Nina, a personagem principal do filme, distingue os ordinários dos extraordinários, idéia presente no original. Mas o personagem do livro comete um crime para levar a cabo seus estudos. Crendo ser um extraordinário, matar é algo então justificável. Nina é uma é uma boçal que não honra o aluguel há meses, parecida com Raskolnikov, além de ser uma jovem que passa seus dias perambulando pelo submundo paulistano. Devastada por seu próprio jeito de encarar a vida, ela é humilhada por Eulália, dona do quarto que ela aluga. Fazendo tudo para manter seu emprego de garçonete e não perder suas referências, ela sofre sérias afrontas da proprietária, que viola sua correspondência, rouba o dinheiro que a mãe envia e ainda tranca a geladeira com medo de ter sua comida roubada pela moça. Em seu universo triste e particular, Nina desenha compulsivamente e parece não se ajustar ao cotidiano agitado da metrópole. Seu jeito introspectivo e tolerante quanto às maldades de Eulália muda quando a jovem é despejada. Apresentada ao novo morador da casa, ela toma uma atitude inesperada, que terá conseqüências arrasadoras para o restante de sua existência. Arrogante, se vê acima dos ordinários. Nina seria uma ordinária, e a premissa dostoievskniana não passa de um timbre. A trama consegue traduzir o olhar de Nina e traz ao mundo o distópico que faz de "Nina" necessariamente uma pessoa criminosa. Sua adesão à autocomiseração é covarde e jamais questiona a idéia da vilania da metrópole.
3 a) - O Momento Histórico e as características do período foram muito semelhantes em quase toda a Europa. A desilusão com o fracasso dos ideais do liberalismo, a miséria das cidades e a crise da produção no campo, as más condições de vida da maioria da população, contrapostas aos privilégios da burguesia, implicam pela visão objetiva e desiludida da realidade. Naquela época a Rússia vivia uma das piores crises econômicas de toda a sua história. O atraso econômico e cultural do país e as péssimas condições de vida dos camponeses e operários serviram de estímulo para que os autores Realistas Russos, muito influenciados pelo Realismo do resto da Europa, utilizassem a literatura como forma de critica e instrumento de denúncia social. Dostoievski escreveu Crime e Castigo, como representação de um drama moral de grande profundidade psicológica. O autor que foi preso e condenado à morte foi anistiado em 1859 e passou a dedicar-se ao jornalismo.
O narrador apresenta Ródion Ramanovich Raskolnikov e esclarece as condições psicológicas e sociais em que se encontra: vivendo na pobreza, num país que vivia as amarguras do sofrimento.
b) - “Crime e Castigo” se torna atual ao mostrar os aspectos que move a sociedade, como o dinheiro. A transposição no texto jornalístico e no filme da São Petersburgo do século 19 para a São Paulo de hoje não sofre muitas mudanças. Mesmo porque, apesar da diferença no tempo e na geografia, existe um ponto de contato fundamental entre as cidades: as duas são terras de contrastes. A São Petersburgo de “Crime e Castigo” (1866) era uma cidade com ricos palácios ocupados pelos poderosos locais, cercados por cortiços miseráveis onde se amontoavam bêbados, bandidos e prostitutas. Não é preciso detalhar muito a comparação para encontrar semelhanças com a São Paulo de hoje. Raskólnikov, o pequeno-burguês sem rumo que protagoniza “Crime e Castigo”, circula por casas, becos e tavernas fétidas da capital russa. Não seria difícil encontrar uma boa tradução visual desse universo na São Paulo de hoje. Nina é uma garota do interior que vive de bicos e não consegue pagar o aluguel, se move por apartamentos, lanchonetes e clubes que parecem saídos de uma revista de decoração. Raskólnikov planeja matar uma velha usurária não apenas porque precisa de dinheiro, mas também porque quer provar que é um ser excepcional, acima do bem e do mal, tal como César ou Napoleão, grandes assassinos absolvidos pela História. Para ele, seu ato de crueldade poderia ser justificado pela natureza vil da atividade da usurária e também pelo bem que poderia fazer à sua família com o dinheiro que roubaria. Depois do crime, porém, suas teorias são derrubadas pela culpa. Já a motivação de Nina para desejar a morte da senhora que lhe aluga um quarto está longe de ser metafísica. Ela parece querer assassinar sua senhoria porque esta lhe cobra com justiça o aluguel atrasado, porque é uma velha rabugenta e pão-dura. Há muitos motivos, mas nenhuma moral para os atos de Nina.
c) - As relações de autoridade apresentadas por Fiodor Dostoievski, tem como base o processo em que Porfiri Pietrovitch abre inquérito para solucionar o assassinato cometido por Raskolnikov. Porfiri expressa sua vontade e Raskolnikov se comporta de acordo com ela. Porém há uma qualidade especial: essa obediência de um lado ao outro se dá sem confrontos ou resistências, devido a crença na validade e na importância da vontade. Em outras palavras, acredita-se na legitimidade dessa vontade. A autoridade é, portanto, fruto de uma relação social de dominação legítima. A idéia de autoridade pode ser resumida como um poder fortemente estabelecido, legítimo e limitado. Com relação a família, se mostra presente nas personagens, todo mosaico possível de acepções do humano: os abismos interiores de desejo e culpa, os determinismos materiais e a tentativa de transcendê-los social e espiritualmente, as utopias políticas e religiosas, a fronteira tênue entre sanidade e demência, lucidez e possessão. Aquilo que os une, no entanto, é justamente o que os separa. A percepção do drama humano em sua totalidade fraturada, que se verifica em Dostoievski, aponta para falência. Outros aspectos mostram famílias desestruturadas, como a de Marmeladov e Sônia, que tem pouco dinheiro para viver e o que resta o pai gastava com bebidas. A família de Raskolnikov se mostra unida, apesar das dificuldades. Esta relação mostra que os russos estavam sofrendo pela pobreza. A solidariedade está presente em diversas passagens, como na qual Marmeladov morre e Raskolnikov dá dinheiro para Sônia poder comprar comida e ajudar no enterro. Não só o personagem principal, mas vários outros se mostram solidários naquele período. O oportunismo se mostra com o noivo de Dúnia, que queria aplicar um golpe na mesma e acusou Sônia de cometer um roubo. A saúde dos personagens do livro é muitas vezes citada. Os problemas causados pela bebida são o que mais aflige os personagens, além de mostrar um Raskolnikov atormentado por problemas mentais após ter matado a velha agiota. A agonia é muito mostrada, onde o personagem sofre alucinações e ter problemas alimentares causados pelo sofrimento e angústia. Por fim, as relações sociais estão presentes, sendo que o personagem principal se desentende com freqüência com outros personagens.
3) – Tema a): O sofrimento da juventude sem dinheiro que tem que ir a Universidade: A associação com Raskolnikov, que vivia em São Petersburgo é próxima; b) O alcoolismo: Marmeladov era constantemente visto bêbado, problema que desestruturou sua família; c) Latrocínio: Raskolnikov matou a agiota para roubar, mostrando um ato de latrocínio.
Do texto: Sofrimento da jovem: a velha escravizava Nina, fato que a levou a cometer o homicídio; A cidade grande e suas contradições: Nina veio do interior para São Paulo, onde não conseguiu se estabelecer e teve que desenvolver trabalhos não convencionais. c) A prostituição: Nina, para sobreviver é obrigada a se prostituir.

Texto: Glória e desdita de um dono de butique, de Roberto Pompeu de Toledo

Publicado pela Revista Veja de 6 de julho de 2005

O texto de Roberto Pompeu de Toledo, publicado pela Revista Veja, sobre o atual contexto político brasileiro e as tribulações vividas pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, narra de forma coesiva e coerente, sobre uma parte da vida, história e episódios recentes de Dirceu. Entretanto, as palavras de Toledo dão ao escândalo o caráter de “pastelão“. Toledo é coerente e coesivo não só quanto a questão política, mas também ao explicar a “crise de identidade” vivida por Dirceu. A coerência se torna evidente quando o autor usa a linearidade para narrar o momento da renuncia, passando pela entrega do ministério a sua sucessora e chegando a época em Dirceu viveu na clandestinidade. Sem abstrações, ele narra um período real, sendo de forma coerente e coesa, para que o leitor não se perca, pensando que pode ser algo falso, mas sim, o fruto de pesquisas e leituras, que dão mais relevância ao leitor. Foi nesta época, segundo Toledo, que o ex-ministro, que hoje é alvo de várias denúncias na CPMI dos Correios, adotou o pseudônimo de Carlos Henrique Gouveia de Melo e se tornou proprietário de uma loja de roupas masculinas.
O texto em si não carrega nada de imaginário ou fantástico, mas é repleto de situações e afirmações que nos levam a um sentido real vivido pelo personagem José Dirceu. Fato concreto que é possível de ser encontrado no decorrer do ensaio. Além disso, o nosso conhecimento de mundo nos possibilita a interpretação dos acontecimentos a partir do momento em conhecemos algo ligado a nossa cultura, que obviamente seria a perseguição política ao qual José Dirceu foi submetido. Hoje o contexto histórico e político do Brasil, remonta uma crise política sem precedentes, ao qual o PT, José Dirceu e o publicitário Marcos Valério, sujeito ao qual Toledo cita no final do texto, estão no centro dos holofotes da mídia. Outro ponto observado é quanto aos conectivos de ligação sintática e as seqüências lingüísticas com total lógica. Todas as sentenças tem sentido próprio e são objetivas quanto a seu caráter. A forma lingüística apresentada por Toledo, dissertação e narração, são cercados por sentido unitário e global, mantendo sempre a seqüência das idéias. A afirmação e aceitação disto é tão clara, que podemos usar como exemplo uma parte do texto, que diz o seguinte: “Da biografia do ex-chefe da Casa Civil, caso alguém não se lembre, consta um período de quatro anos em que viveu clandestinamente na pequena Cruzeiro do Oeste, no Paraná. Fazia-se passar por um empresário sem nenhum interesse pela política, tanto que, quando o viam com um jornal na mão, estava sempre aberto na página de esportes”. Este trecho têm sentido próprio, sem obstruções ou falta de conectivos as palavras. Há entendimento do texto para seus leitores e usuários, pois a comunicação presente não é difícil de ser interpretada, que no caso seria José Dirceu se passando por empresário no Paraná.
Quanto a coesão, há situações que evidenciam sua prova. A estrutura linear possibilita que a coesão de ao leitor entendimento do conteúdo. Outro ponto da coesão, é a prova que a mensagem expressa pelo emissor não tem nenhum ruído identificado, possibilitando entender o que acontece, seus desdobramentos, conseqüências e num raciocínio mais lógico, ter a certeza que o ensaísta explica no texto algo que aconteceu na vida de José Dirceu.

Programa de educação fiscal visa sensibilizar cidadão quanto a função do tributo

Em tempos de Caixa 2, sonegação fiscal e de impostos, as Receitas Estadual e Federal (Estado e União), criaram o Programa de Educação Fiscal do Paraná, com objetivo de estimular a mudança de valores e atitudes fiscais, propiciando às pessoas o pleno exercício da cidadania e contribuindo para a transformação da sociedade. Outros objetivos é sensibilização para a função e potencialidades socioeconômica do tributo; levar conhecimento sobre administração pública; incentivar o acompanhamento da aplicação dos recursos públicos; e criar condições para uma relação harmoniosa entre o Estado e o cidadão. A implantação do programa conta com apoio do Ministério da Fazenda e da Educação, devido o programa percorrer escolas, universidades, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral. Entre as atividades, consta a Gestão democrática dos recursos públicos, Orçamento participativo, Fóruns Orçamentários e Ações deliberativas e fiscalizadoras dos Conselhos partidários e de políticas públicas.
Segundo o professor do Departamento de Ciências Contábeis da UEL, Claudecir Paton, o pagamento de imposto é obrigatório em todas as esferas. “O imposto é usado na educação, saúde, rodovias, bem-estar social, etc”. Ele diz que a emissão da nota fiscal é importante para acabar com a sonegação, aumentar a arrecadação de impostos e inserir a educação fiscal como tema social contemporâneo. “É a partir da prática incorreta que surge o caixa 2 e a corrupção fiscal”. Paton afirma que o Programa visa educar a sociedade para se tornar mais exigente. ”Para cumprir as atividades que devem ser oferecidas aos cidadãos, precisa arrecadar, administrar e aplicar os recursos públicos com justiça e para isso é preciso o cidadão estar informado”.
O professor lembra que o cidadão não tem consciência de seu papel como contribuinte. “Sem consciência de que financiamos o Estado, não assumimos uma posição fiscalizadora contra a corrupção, sonegação fiscal e o desperdício. Por isso, a Educação Fiscal deve ser um do pilares do processo educacional e o exercício da cidadania por meio da participação popular no processo orçamentário e controle democrático da gestão pública, onde deve haver o sentimento coletivo de repulsa social contra sonegadores”.
Quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal, que está inserida no Programa de Educação Fiscal, Claudecir Paton é claro ao dizer que a mesma deve ser feita com transparência e ficar a disposição da população para consultas, citando o exemplo de São Sepé (RS). A cidade, de 50.000 habitantes, conta com a elaboração de um mapa social da cidade; registro individual dos indivíduos e dos projetos; organização do 3 setor; e definição dos indicativos de pobreza para criar soluções.
Para quem se interessar pelo assunto, pode acessar o site: www.fazenda.pr.gov.br e procurar por Educação Fiscal.

Apesar de muito antiga, a profissão de “lambe-lambe” resistente ao tempo

Eles são tão antigos, que certamente, o pesquisador que quiser mais dados e imagens sobre Londrina, irão encontrar nestas pessoas valiosas fontes. São eles os “lambe-lambe”, nome popular dado aos fotógrafos que ficam na Praça da Bandeira, em frente a Catedral. Dividindo espaço com artesãos e ambulantes, o fotógrafo “lambe-lambe” cobra a bagatela de R$ 5,00 para fazer o seu retrato. E se o sujeito quiser, a foto pode ser datada, guardando-a para a posteridade, além de poder se observar no espelho, para pentear o cabelo ou passar a maquiagem. Messias Bezerra trabalha como fotógrafo da praça, há mais de 30 anos. “Com as novas invenções, estúdios e máquinas modernas, o trabalho diminuiu, mas ainda é grande o número de pessoas que vêm até a ‘cidade’ para tirar foto”, afirma Messias. Ele lembra que na época que começou a trabalhar, os recursos eram poucos e que hoje há mais material para fazer as fotos. Quanto ao apelido de “lambe-lambe”, Messias Bezerra diz que o nome é devido a um fato curioso do ofício. “Antigamente, para revelar a fotografia em laboratórios era trabalhoso e o processo poderia custar caro. Então, os fotógrafos tiravam a fotografia impressa numa chapa de vidro, depois o profissional “lambia”, literalmente, “lambia” o papel fotográfico e o pressionava contra o vidro. Pronto, a imagem estava impressa no papel, pronta ser recortada e dado ao cliente”, falando isso com muito orgulho de ser de uma época em que nem se imaginava que poderia existir a câmera digital. Antes de ser fotógrafo, Messias Bezerra trabalhou em fazendas da região, devido a sua família ser de Águas Belas, Pernambuco. Mas para quem pensa que o trabalho do “lambe-lambe” é resumido em tirar retratos de pessoas nas praças, está enganado. Entre as outras atribuições, fotografa casamentos, faz reportagens e participa de Bienais de Fotografias. Messias disse que nos casamentos existe até um certo “glamour”, pois os noivos e os convidados gostam faz poses para as fotos e também, pela revelação ser instantânea. Para trabalham em um casamento, que dura em torno de cinco horas de trabalho, ganha em torno de R$300.00. Mas segundo Messias, é a Bienal da Fotografia, que ocorre em Curitiba todos os anos, que lhe possibilita mostrar a sua arte aos que gostam e querem aprender mais sobre a fotografia. “O trabalho em uma Bienal é simples, tem que explicar para visitantes e estudantes, como funciona a máquina e como trabalham. Ao todo são seis fotógrafos lambe-lambe que trabalham na Bienal. Mas o trabalho é compensador devido ao interesse das pessoas sobre a nosso trabalho”. Apesar de parecer um trabalho arcaico e ultrapassado, a máquina de Messias Bezerra tem muita resistência, apesar do tempo de uso. Com uma máquina construida por ele mesmo, Messias usa filme ASA 125, devido as fotos serem 3x4 e de cor preto e branco. Apesar de parecer um trabalho pouco qualificado e de menor valor, o lambe-lambe está sempre se aperfeiçoando e ensinando muitas coisas para quem queira ir lá conhecer um pouco de seu trabalho.