terça-feira, 25 de abril de 2017

Quitanda oferece itens de qualidade e com preço diferenciado

História e tradição se veemem famílias e comércios que passam de geração a geração. Uma das famílias tradicionais de Jataizinho é a de Noêmia Passardi Ouro, nascida em 1937 e que exibe muita saúde aos 80 anos. Saudosista, ela cita que o inicio da Quitanda se deu através da banca revistas na antiga rodoviária, nas imediações da Praça Frei Timóteo, em 1965. Com o desenvolvimento da cidade o comércio se expandiu, transformando-se na moderna loja, hoje localizada na Avenida Getúlio Vargas. Foram mudanças significativas, em quase 50 anos de existência.
Na época, com parcos recursos, Noêmia cita que o esposo Valdir Ouro ia de ônibus, todas as manhãs, comprar frutas e verduras para abastecer a quitanda. Com esforço e trabalho, a família comprou uma Variant e os negócios começaram a fluir.
Num período que a comunicação não era moderna e acessível como hoje, Valdir Ouro foi o percussor da comunicação comunitáriaao instalar um alto falante em frente à Praça Frei Timóteo, local que hoje funciona o Móveis Estrela. No alto falante anunciava produtos e serviços de Ibiporã e Jataizinho, afirma Noêmia, que também foi pioneira ao vender Folha de Londrina, Folha de São Paulo, Noticias Populares e outros jornais de grande circulação. “Vendia periódicos a passageiros que embarcavam ou desembarcavam na ferroviária e rodoviária”, recorda.
Viúva em 1977, aos 38 anos Noêmia Ouro criou quatro filhos à custa do trabalho e pode os formar na universidade. Tamanho foi o esforço e dedicação, que a Quitanda passou de geração a geração, chegando às mãos de seus netos, que reformaram e modernizaram o antigo espaço. Além de frutas e verduras, a Quitanda oferece porções, cervejas e refrigerantes, produtos de mercearia, churrasqueiras e carvão, além de ser ponto de encontro de amigos que fazem happy hour. A Quitanda fica na Av. Getúlio Vargas, 696. O telefone é o 3259-3363.



Participativo e engajado, vereador Marcos da Ambulância se destaca na elaboração de projetos voltados a infra-estrutura

Em seu primeiro mandato, Marcos da Ambulância teve o reconhecimento de seu trabalho com a nomeação para a vice-presidência da Câmara dos Vereadores. Nestes dois anos foram diversas solicitações e requerimentos que visam a melhoria da infra-estrutura. Entre elas, a determinação para estudo sobre a viabilidade de implantação de pontos de táxi na Unidade Pronto Atendimento (UPA) e no Supermercado Muffato. A mesma se justifica na demanda da população que reside e freqüenta os locais e encontram dificuldades na rápida locomoção. Outra solicitação foi a melhoria na sinalização viária no Bom Pastor, além da implantação de uma lombada na Rua Ermindo Birelo, visando segurança a pedestres e motoristas.               
Quanto ao bem estar social, Marcos da Ambulância determinou o estudo sobre a viabilidade de elaborar meios legais para remir os valores da Associação dos Servidores Municipais de Ibiporã (ASMI), junto ao SAMAE, bem como a isenção dos gastos futuros do gênero. “O pedido se deve ao fato do gasto com água pesar no orçamento da instituição”, afirma.                                    
O vereador é autor da solicitação junto a OI - Brasil Telecom PR, para avaliar a possibilidade de estender a rede de linha telefônica e internet no Jardim Pedro Baise. O requerimento se baseia na necessidade de atender as solicitações de moradores da região, no intuito de suprir as necessidades de comunicação. Marcos da Ambulância também encaminhou a empresa o pedido de ligação do telefone público na PR 090, entre a Taquara do Reino e Vila Rural. “Os moradores da Taquara do Reino cobram providências, visto que não há o serviço no local e a rodovia fica na área urbana”, pontua.                                       
Para o SAMAE, o vereador solicitou a implantação da rede de água no Recanto Tibagi, em frente ao Clube de Campo do Café, para atender prioridades da região. O pedido, já atendido, foi de encontro às reivindicações locais. “O Diretor-presidente do SAMAE, Cláudio Buzetti, está realizando um excelente trabalho a frente de seu cargo na Autarquia Municipal. Em especial pela implantação do novo Laboratório para Análises de Esgoto na Estação de Tratamento, investindo na saúde e bem estar da população. Cláudio Buzetti merece o reconhecimento pelo trabalho”, declara o vereador.             
Outras duas pessoas que também merecem o reconhecimento pela atuação política, na opinião do vice presidente da Câmara dos Vereadores, é a secretária Municipal de Saúde, Leilane Rodrigues Furlaneto, que faz um excelente trabalho, em especial pela seriedade e comprometimento que tem com a Unidade Pronto Atendimento (UPA). A outra personalidade é o prefeito José Maria Ferreira, que é muito dedicado ao município, principalmente pelos relevantes serviços prestados à comunidade, como diversas inaugurações, obras e ações que estão levando alegria aos ibiporãenses.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Jiu Jitsu leva cidadania às crianças do Lourenço Bacarin, Jamil Sacca, Miguel Petri e Mustafá Issa, em Ibiporã

“O reconhecimento pessoal é mais válido que o financeiro”. Assim pensa Alex Sandro Oliveira de Queiroz, de 41 anos e morador do Jamil Sacca. Vindo de Niterói há cinco anos para viver com a esposa Daniele Moraes Machado, ele viu sua rotina mudar completamente. “Vivia para luta e trabalho, onde treinava e dava aulas de Jiu Jitsu”, recorda. A família de Daniele, pioneira da cidade, fechou os negócios em Niterói e retornou para Ibiporã no intuito de cuidar da avó, de idade avançada. Com isso, Alex vinha quinzenalmente ver o filho e a esposa. Acostumado com o Paraná e orientado pelo mestre Marcos Bragança e a mãe Ana Maria, preferiu ficar mais próximo da família e trilhar novos caminhos.                                                                                                                                  Ao se instalar no município ele foi bem recepcionado e quem lhe ajudou primeiramente foi Carlos Alberto de Oliveira, da Associação de Moradores do Ângelo Maggi. “O Carlos veio de São Paulo e sabe as dificuldades de chegar a um lugar e não ter amigos. Hoje somos companheiros”, afirma.                                              
Com projetos no Lourenço Bacarin e Conjuntos Miguel Petri, Mustafá Issa e Jamil Sacca, ele observa que há pessoas carentes nestas regiões sem condições de arcar com matricula e mensalidades numa academia. “Minhas aulas são gratuitas e se tornaram uma oportunidade para as crianças. Se ficarem ociosas pode seguir maus exemplos e trilhar pelo caminho do crime e das drogas. Incentivo o bom exemplo e faço a prevenção”, declara. Com 60 alunos no Mustafá Issa e 30 no Lourenço Bacarin, o trabalho tem mais de um ano e é patrocinado por comerciantes e empresários locais. Além de Jiu Jitsu são ministrados o Judô e Luta Livre. Professor faixa preta graduado, Alex é reconhecido pela Federação de Jiu Jitsu.                                                                        
As aulas no Mustafá Issa são às 3ª e 5ª, das 17hs às 19hs e aos sábados à tarde. No Lourenço Bacarin são às 2ª, 4ª e 6ª, a partir das 19 horas no Centro Comunitário. Para treinar é preciso ser matriculado e ter boas notas. “Não aceito, dentro e fora do tatame, palavrões, piadas e bullyng. Somos irmãos e amigos. Devemos nos unir para ter ajuda mútua. Respeito e companheirismo são cobrados devido à necessidade de concentração. Isto deve ser transferido para escola, o local onde a criança se transformará num cidadão, além de aprender a ler, escrever e interpretar valores como educação, hierarquia e disciplina. O jiu jitsu, como o futebol, skate, capoeira, natação ou outro esporte, é um agente transformador que engaja e muda a concepção social e psicológica”, declara.                                                                                                       
Vindo de Niterói, Alex inova ao trazer um modo diferente de lutar Jiu Jitsu, devido os lutadores estarem acostumados com Judô, Muay Thay e Capoeira. Por conta do currículo ele também é professor da Academia Olympikus, tendo alunos das mais variadas idades e profissões. Além disso, ensina para as idosas do Lourenço Bacarin a Ginástica Fight. “O Jiu Jitsu trabalha a queima da gordura, flexibilidade, postura e respiração. Tenho alunos com mais de 50 anos que estão saudáveis”, declara.                                 
Mesmo com tamanha dedicação Alex tem dificuldades para manter os projetos sociais, devido a custos com tatame e lanches para os alunos carentes, sendo este último um grande incentivo. “Empresários e comerciantes que contribuírem podem deduzir a ajuda no imposto de renda”, declara.                         
Interessados em conhecer o trabalho do Alex Queiroz podem entrar em contato pelo 984278389 ou visitar o perfil no Facebook, que é Alex Queiroz.  

João Viola e Nicolau lançam trabalho inédito

A cultura sertaneja e “Pé Vermelho” é forte e enraizada no Norte do Paraná. Diversas são as duplas que preservam tamanha riqueza cultural. Uma delas é João Viola e Nicolau ou João Francisco de Mendonça e Raul Nicolau. João Viola, que aos 14 anos aprendeu a tocar violão de cravo afirma que a idéia de fazer um CD surgiu em outubro do ano passado, quando nasceu a dupla. “Participava do Trio Ibiporã, que acabou. Ao ficar sem parceiro conversei com o Raul Nicolau, amigo de muitos anos e cantor solo que encontrava na Praça Pio XII, para fazermos a dupla. Após alguns ensaios lançamos o CD com dez músicas”, diz João Viola. Mesmo com formação recente, ambos têm experiência musical.                                                                                                          

Natural de Monte Sião, Minas Gerais, João Viola chegou aos três anos de idade no Paraná, em Sertaneja. Ele está em Ibiporã desde 1977. Quanto a Raul Nicolau, este canta desde criança e tem na mente a cantiga de domínio popular “Meu limão, meu limoeiro. Meu pé de jacarandá”. “Desde os onze anos me identifico com a música. Pela vida afora formei diversas duplas, cantei solo e gravei LP´s numa época que nem imaginávamos o CD. Este é o primeiro trabalho de João Viola e Nicolau. Todos estão aplaudindo e gostando do trabalho”, declara.                                                                                                                       
As letras foram escritas pela dupla e outros parceiros, com arranjo de João Viola e do maestro Vanderlei Marcos Ilhauneur e mixagem e masterização de Reginaldo Mendonça, filho do João Viola. Entre as músicas preferidas da dupla estão “Maria Júlia”, “Ponta Porã”, “Bezerrinha” e “Outra metade”. “Ponta Porã fala de alguém que partiu de viagem a Ponta Porã. Ao chegar lá viu uma moça bonita, se apaixonou ficou na cidade”, diz João Viola.              
Sertanejos tradicionais, com o trabalho eles mantêm a tradição cultural do campo e, questionados sobre a linha que seguem, logo dizem que são Verde a Amarela. A mesma que representa o Brasil, a natureza, o meio ambiente e as matas. “Não somos caipiras. O caipira, como Tonico e Tinoco, pela cultura, simplicidade e ingenuidade falavam errado. Vivemos na cidade. Na área urbana. Tonico e Tinoco moravam na fazenda”, diz Raul. Ele lembra que trabalhou na roça, mas veio para a cidade e o sistema mudou. “Levamos cultura e pedimos apoio ao sertanejo, a música que leva o nome do Brasil. O sertanejo preserva tradições. Quem é do Norte do Paraná vai se identificar com a música, enraizada no campo. Somos os autênticos pés vermelhos, o homem do campo que um dia lavrou a terra vermelha. Isto é cultura popular e preservação da memória”, diz. Representantes da cultura do Norte do Paraná, a dupla João Viola e Nicolau faz algo que os paranistas admiram: escrevem, resgatam e preservam, pela arte e música sertaneja, a identidade cultural de um povo.                                                                                                                        
Com agenda, a dupla já se apresentou no Canal 36 de Cambé, no programa da Daniela Furlaneto. Lá cantaram quatro músicas. Também se apresentaram no Canal 21, no programa TV na Praça, onde cantaram e foram aplaudidos. Quanto às rádios foram na Alternativa e Nova Geração de Jataizinho. Além disso, o Programa Família Pizzi tocou algumas músicas da dupla. “Gravamos mil cópias. Começamos com 200, mas como aumentaram os pedidos fizemos mais”, diz João Viola.

Patrocinados pela Eletro Nicolau Materiais de Construção, Agropecuária Nossa Senhora da Guia, AgroTerra e JDL Studio, o contato para show e aquisição de cd é feito através dos telefones 43 32584207 ou 43 31583518.


Programa Bom Negócio Paraná capacita empreendedores

Está em andamento no Samae o Programa Bom Negócio Paraná, numa parceria da Administração Municipal com o Governo do Paraná. O curso faz parte do subprograma de apoio ao Empreendedorismo do Programa Universidade Sem Fronteiras e tem como objetivo promover o desenvolvimento econômico dos municípios paranaenses.                                                                                      
Segundo Pedro Henrique Flausino, graduando em Economia pela Universidade Estadual de Londrina e ministrante de Gestão de Pessoas, o objetivo é ensinar, capacitar e orientar micros, pequenos, médios e empreendedores informais para melhor gerenciamento dos negócios, fortalecendo atividades empreendedoras, além de oferecer consultoria aos cursistas. “O Bom Negócio Paraná capacita nas áreas de Gestão Financeira, de Negócios, Comercial, de Pessoas e Estratégica. Milhares de alunos foram capacitados e tivemos a oportunidade, em parceria com a Secretaria de Trabalho, de trazer as atividades para Ibiporã”, afirma.

O curso capacita o empreendedor e é fundamental, uma vez que ele gera emprego e renda. Quanto aos alunos, o perfil é variado, sendo que há desde micros empreendedores que vão iniciar algo novo ou quem deseja se formalizar. “Há donos de bar, choperia, restaurante, peixaria, estacionamento, prestação de serviços, soldadores, arte finalistas e outros perfis. Todos ganham ao se capacitar, uma vez que o curso é gratuito”, declara Pedro Flausino. 
Moradora do Jardim Paraíso, Leila Mara Lemos de 35 anos está se qualificando. “O curso é uma excelente oportunidade para se atualizar, além de possibilitar a diversificação do conhecimento nas áreas de Gestão de Pessoas, Estratégica, Financeira e ser algo aplicarei no dia a dia”, declara. Formada em Eventos, ela abrirá um Buffet de festas infantis e usará o que aprendeu no curso, na área de Gestão Financeira, nos campos de compras e cobrança. “Serei uma boa gestora”, afirma.
Já o revendedor de veículos da loja Manah, Leandro Roberto Costa, de 29 anos, afirma que a qualificação é essencial. Sendo um profissional liberal, ele vê o curso como um diferencial. “É impossível trabalhar de forma simplificada porque hoje tudo mudou. Devemos separar o pessoal do profissional além de contabilizar gastos e lucros através da contabilidade, algo que aprendi no curso. O que aprendo aplico a negócios e aos funcionários”, declara.                                                                                            
Atuando no desenvolvimento de logomarcas, identidade visual e jogos, Alan Vinicius Carvalho Silva, de 40 anos, ressalta que a qualificação é essencial na sua área, uma vez que atua nos ramos de internet, informática, marketing e novas tecnologias da comunicação. “A Secretaria de Trabalho está dando uma excelente oportunidade, pois oferece Gestão de Vendas de Produtos e Marcas. Tudo isto é conhecimento, um diferencial no mercado competitivo. Outro ponto é a parceria da Prefeitura com a UEL possibilitar a gratuidade do curso”, diz.                                                                                              
A Secretária do Trabalho, Lourdes Narciso, afirma que após o encerramento desta turma haverá matriculas para um novo curso do Programa Bom Negócio Paraná. Os interessados devem aproveitar a oportunidade e podem se matricular empreendedores formalizados. Outra novidade da Secretaria de Trabalho é que a Sala do Empreendedor irá oferecer, a partir de junho, consultorias gratuitas aos Micros Empreendedores Individuais, os MEIS. Maiores informações podem ser obtidas na Secretaria do Trabalho, localizada na Rua Dom Pedro II, 294, ou pelos telefones 31780223 ou 31780224.  
Paralisados desde 25 de abril, os professores da rede estadual de ensino público elencam vários motivos para a greve. Eles são contrários a mudança no sistema de previdência dos servidores do Estado, o Paranaprevidência. Com a nova lei, o Governo transfere 33,5 mil beneficiários do Fundo Financeiro Previdenciário, para o Paranaprevidência, arcado por contribuições dos servidores. Outra reivindicação é a reposição salarial de 8,17%, representando a inflação. Em contrapartida, o Governo oferece aos servidores 5%, pago em duas parcelas. A greve paralisou diversos setores e já prejudica a economia. Observando a situação, fomos as ruas no intuito obter opiniões a respeito dos acontecimentos.
            O aposentado João Francisco Mendonça, de 71 anos, afirma que a greve é um direito devido a reposição salarial de 5% ser baixa. “Quem oferece 5% pode dar 8%. Enquanto a legislação permite que políticos subam os próprios salários, de acordo com suas vontades e sem aprovação popular, no Paraná os professores estão sofrendo. As crianças estão desatualizadas devido a greve. Dizem que em breve ela será encerrada, mas não acredito, pois os professores estão firmes em seus objetivos. Quanto a reposição de 5%, não acho justo. Ao menos o índice da inflação deve ser pago”.
            A aposentada Dulce del Pin apóia a greve e afirma que as reivindicações são justas. “Sou contra as mudanças no Paranaprevidência, uma vez que é injusto contribuir a vida toda e da noite para o dia retirar dinheiro do fundo. Não concordo. Quanto aos alunos, os pais estão chateados, pois irão perder o ano e serão prejudicados. Acho que os professores manterão a greve para as coisas serem feitas de maneira correta. O aumento de 5% é pequeno. Compare com o aumento dos deputados. Porque os professores têm que receber 5%, ainda parcelado?”
            O professor Flávio Danques afirma que a greve é legitima, devido os professores e servidores do Estado exigirem que se cumpra a aplicação da data-base de 8,17%. “Não é reajuste, é a reposição da inflação. Para aumentar o salário dos deputados há verbas, mas para os servidores públicos não existe. Algo está errado. Vemos cargos comissionados com altos salários e escândalos de corrupção e propina na Receita Federal. A sociedade deve entender que a greve não é por salário, mas pela reposição, algo de direito e justo”.

            Mara Cristina Rodrigues, de 42 anos, afirma estar indignada com a situação, uma vez que ao menos a data-base e o reajuste inflacionário devem ser aplicados. “A sociedade está consciente da luta. Setores da imprensa declaram que a greve é por aumento, mas ela é pela reposição salarial e a manutenção dos direitos. A escola pública de qualidade deve ser mantida, porém muitas estão sucateadas, faltando merenda, papel higiênico e estrutura física. A sociedade está a nosso favor e os pais compreendem a situação. Ninguém gosta de greve, mas é o ultimo instrumento de luta”. 

5ª edição do livro - DVD “Contos e Causos - História Viva de Ibiporã” é lançada no Cine Teatro Padre José Zanelli

Na última sexta feita (22), o Cine Teatro Padre José Zanelli foi palco do lançamento do livro - DVD “Contos e Causos - História Viva de Ibiporã”. A produção é do Museu Histórico e Artes de Ibiporã (MHAI), órgão da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com apoio da Fundação Cultural, IPHAN e SETI
                                                                                           
Em sua 5ª edição, o Secretário de Cultura Júlio Dutra afirma que “Contos e Causos – História Viva de Ibiporã” é um projeto de recuperação da memória, onde se optou trabalhar com pioneiros. “Havia a possibilidade de montar o museu estático com objetos, mas Ibiporã não está preparada para isto, pois é jovem e há pioneiros vivos. Eles são arquivos em vida que guardam histórias, memórias, contos e causos em diversos segmentos, como política e religião. São pessoas que construíram a cidade e chegaram para desbravar matas”, relata.                                                                                                                       
O projeto reunirá 10 DVDs e cada edição tem 20 entrevistados. Além deste trabalho, a Secretaria de Cultura está com o Circuito das Capelas, que recupera história e memória de 23 capelas rurais. “Quando as famílias chegavam à cidade, iam trabalhar nas comunidades rurais”, declara.                  
Julio Dutra afirma que o trabalho da construção da identidade cultural e histórico do Norte do Paraná, feito em Ibiporã, é um dos poucos na região, uma vez que são gravados relatos de como era o passado. “Hoje há praticidade, conforto e tecnologia. Mas antes não. Temos a memória dos desbravadores que fizeram as primeiras construções, escolas, profissionais variados, professores, as primeiras festas e outros acontecimentos que contribuem para comunidade ter orgulho de viver e conhecer espaços que constituem a memória local”, afirma. O Secretário de Cultura ressalta que o material produzido irá para escolas e associações e ficará disponível no Museu do Café.     Além do “Causos e Contos” e o Circuito das Capelas, outro trabalho de expressão é a Rota e o Museu do Café, onde Ibiporã é única, em meio a trinta cidades do Norte do Paraná, que possui o museu e a rota do café. “Com estes trabalhos vamos criar e fortalecer a identidade cultural. O café foi propulsor e construtor do que existe na região”, cita. Uma referência a este passado é a Estação Ferroviária, tombada pelo Patrimônio Histórico Cultural e construída em função das lavouras de café, que ali eram carregadas e escoadas pela ferrovia. “O morador de Ibiporã deve ter orgulho e reconhecer o trabalho da Secretaria de Cultura. Contamos a história de 200 famílias que tem em vida filhos e netos. A história familiar, com grandes feitos será mantida e preservada”, finaliza.
Os pioneiros que participam neste Volume V são:
 
Anita Del Fraro
Antonio Bigatti
Antônio Maggi
Benvindo Pereira da Gama
Carlos Augusto Guimarães
Eliaquim Soares Marins
Equelina Lopez Garcia
Eugênio Fernandes
Ildeman de Figueiredo Alves Pereira
Jacinto Semprebom
João Rodrigues Tavares
Lourdes Semprebom
Maria Braga Godoy
Maria Lúcia Pierro
Marli Matilde Bruschi Lustosa
Mauro José Pierro
Pompílio Luzardo Vieira Lustosa
Rubens Pires Godoy
Sophia Pelisson Botti
Suely Moya Willy


domingo, 23 de abril de 2017

João Martins: a liderança popular do Jardim União, em Cambé

A vida do líder comunitário João Martins de Sousa (87) é pautada no bem estar social do povo. Armazenista por 36 anos, comprou cereais e algodão em Assai, administrou uma beneficiadora de arroz (antiga “Máquina de Arroz”) em Assis Chateaubriand e foi Agente da Policia em Jardim Alegre. Tudo isto antes de ficar viúvo e chegar ao Jardim Ana Rosa, há vinte anos. O pai de 15 filhos está no 3º mandato consecutivo como Presidente da Associação de Moradores do Jardim União. Segundo ele, “não por minha vontade, mas sim por vontade popular, pois não me deixam sair da liderança do Jardim União”, afirma.                                              
Nesta trajetória, diversas foram às lutas e conquistas, sendo as principais: a construção de duas passarelas na BR 369; em breve a execução do asfalto na Rua 15 de Novembro; duas hortas comunitárias e; a implantação da rede esgoto. No entanto, seu maior sonho é a construção de uma trincheira que atravesse a BR 369, ligando o Jardim União ao Santo Amaro.                                                                
Engajado nas causas populares, João Martins recorda que no início seria apenas uma passarela, em frente à Coca Cola, mas após reivindicações e um protesto que fechou a BR 369 e a PR 445 por meia hora, com autorização da Policia, uma segunda passarela em frente ao Jardim União foi construída. “Reunimos as lideranças de Cambé e junto com as Policias e o Corpo de Bombeiros fechamos as rodovias com tambores. Em meio à manifestação chegou um homem numa caminhonete repleta de pneus. Ele iria os queimar, porém não deixamos, pois aquilo era um ato de vandalismo. Devido o impedimento fui cumprimentado pelo Capitão da Policia”, recorda.                                                                 
A luta de João Martins se justificou nas vezes que via crianças irem à escola do Parque Manela, ou as mulheres com bebês de colo, terem que ir ao Santo Amaro e correr o risco de morte ou atropelamento. Não só elas, mas os trabalhadores também corriam perigo. “Após a implantação das passarelas proibimos a passagem pela rodovia, postura aplicada aos funcionários das empresas no entorno do Jardim União, Santo Amaro e Parque Manella”, afirma.           
Outra conquista da Associação dos Moradores do Jardim União, em parceria com a Prefeitura, foi o Centro Comunitário. Ao todo foram instalados 150 metros de piso num chão antes de cimento, além de terem arrumado portas e paredes, instalação de luz, forro e ventilador.                                                                             
Devido o engajamento as melhorias no Jardim União não pararam por ai. Em breve será instalada a rede de esgoto, que segundo João Martins, é uma benfeitoria solicitada através da Câmara dos Vereadores junto a Companhia de Saneamento do Paraná, a Sanepar. “Não há mais onde fazer fossa e a implantação é necessária para melhorar a qualidade de vida, valorizar o preço dos imóveis e diminuir a quantidade de insetos e animais que possam se beneficiar pelo ambiente. Além disso, foram construídas mais de 250 casas e há previsão para mais 70 na região. Na Rua 15 de novembro, antes do esgoto serão feitas as galerias e rede de águas pluviais pela prefeitura”, afirma a liderança.                         
Ser presidente de bairro, para João Martins, é uma grande responsabilidade. Na última eleição sua chapa teve a vantagem de quatro votos contra um. “Recebo apoio de empresários devido à preocupação da associação com questões primordiais, como segurança, saneamento e iluminação pública, sendo que este último receberá a atenção especial da Copel, que trocará a antiga rede da iluminação, que não comporta o crescimento industrial da região. Estes itens são essenciais para o funcionamento das empresas e o bem estar dos empregados”, finaliza.

Luciana Cristina exerce o papel de mãe, mulher e dona de casa, além de se destacar como liderança comunitária no Jardim Nova Cambé.

Cambé é o exemplo em cultivo de hortas comunitárias. Um dos bairros que realiza esta atividade é o Nova Cambé, presidido por Luciana Cristina Leão Papa, de 39 anos. Moradora do bairro há doze anos e no segundo mandato, diversas foram as conquistas: horta comunitária, implantação de quebra mola, placas de sinalização na entrada do bairro e nas ruas, calçadas, terreno para Centro Comunitário, escola, academia ao ar livre e a implantação da rede de esgoto. “A luta pelo esgoto vinha desde agosto de 2009. Foram encaminhados ofícios, protocolos e abaixo assinados. Após intermédio da COMDEC (Companhia de Desenvolvimento de Cambé) e Prefeitura, a SANEPAR aprovou a implantação do serviço e a instalação da rede já foi executada e interligada”, afirma a líder comunitária. “O serviço é fundamental. Ao perfurar fossas, com dois metros encontramos água e pedras. Há imóveis com três fossas. Para esvaziar é caro”, completa.
Outra conquista foi a horta comunitária. A princípio houve dificuldades para implantar, uma vez que o terreno era particular. “O ex-prefeito João Pavinato foi simpático a questão e abraçou a causa. Conseguimos espaço e a horta atende 30 famílias, sendo que há espaço para outras, interessadas em cultivar”, afirma. Com a prefeitura cedendo água, esterco e sementes, cada família tem a obrigação de cuidar do seu canteiro. Quanto ao que é produzido, há liberdade para doar, trocar e comercializar. As famílias complementam a alimentação e a renda com o que é produzido. Com o lucro é possível quitar dívidas menores de água ou luz. Os canteiros possuem doze metros de comprimento por três de largura e há limitações no plantio devido alguns alimentos atraírem pragas e insetos. Alface, beterraba, repolho, rúcula, couve, almeirão salsinha, cebolinha, cenoura e chicória são os mais comuns. Todos sem agrotóxicos.

Com cerca de mil moradores e 270 casas construídas, muitos terrenos vazios ou em construção, Luciana Cristina reconhece que a maior dificuldade do Nova Cambé é o horário de ônibus, que passa três vezes por dia. Para sanar o problema a Associação de Moradores fez um abaixo assinado solicitando que a TIL (Transporte Intermunicipal de Londrina) faça circular ônibus durante todo dia. Em resposta, a empresa criou novos horários e falta apenas o coletivo para atender a demanda. Deve ser reconhecido que Luciana Cristina representa a liderança popular oriundo dos bairros, além de exercer o papel de mãe e dona de casa. “O presidente de bairro é elogiado e criticado. Por ser mulher sinto dificuldades e preconceito. Alguns devem respeitar este papel de representatividade e ter consciência do nosso trabalho, que é documentado e protocolado. Não ganho nada. O trabalho é voluntário e gratuito”, cita. Tamanha a determinação da liderança popular, que ela recorda um episódio: Na última reunião para decidir a questão da rede de esgoto, ela estava grávida e teve descolamento de placenta. Como não havia substituto, foi assim mesmo. Vendo a situação, o ex-prefeito João Pavinato ficou preocupado e pediu o cancelamento da reunião. No entanto, o senso de compromisso era tamanho, que Luciana Cristina não deixou que isto acontecesse. “Ser presidente é uma responsabilidade. O engajamento com as causas populares é primordial, além de existir a preocupação com o bem estar do próximo. Busco e levo pessoas no hospital, compramos remédios e cesta básica. Prestamos um serviço social, onde conhecemos os moradores e seus problemas”, finaliza.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Resgatando e construindo a memória Norte Paranaense

Os jovens não se lembram. Os mais velhos têm saudades e recordam bons momentos vividos no bar de Domingos João Gardin, que ficava na Avenida Paraná, próximo àrua José Bonifácio, onde há um busto de bronze. O estabelecimento comercial tem sua história ligada diretamente ao auge e decadência do café, ocorrida em 1975 com a geada negra.                                                
Um dos filhos de Domingos Gardin é Wilson Gardin, de 58 anos. Morador de Londrina ele é representante comercial e cita que o pai nasceu em 1º de abril de 1910, vindo a falecer e ser sepultado no Cemitério São Lucas em 30 de setembro de 1987, deixando dez filhos. “Gardin é italiano, herdado do pai. Na data do seu falecimento, ao irmos no cartório descobrimos que a grafia correta é Cardin, algo impossível de alterar devido a burocracia dos cartórios”, afirma Wilson. Natural de Rio das Pedras (SP) e vindo morar em Jacarezinho, naárea rural de Rio Dourado, lá ele conheceu e se casou com Conceição de Sousa. “A casa da minha mãeestá do mesmo jeito que era no século passado. Um dos meus irmãospreserva o imóvel feito de tijolo maciço”, recorda. Casados em meados de 1942, o casal era sitiante e vivia de criações como porcos e galinhas além de cultivar café.                                                                   
A vida de Domingos Gardin mudou quando veio à Ibiporã. Ele gostou da cidade e comprou uma chácara. Porém, um problema de saúde decorrente de paralisia infantilatrofiou seu braço esquerdo e lhe obrigava a usar camisas de manga longa. Por orientação médica mudou a atividade e locou, posteriormente comprando, o imóvel na Avenida Paraná. Foi ali que nascia um dos primeiros bares do município. Wilson Gardin não recorda o ano, mas na memóriacenas de pessoas nas ruas de terra, montadas a cavalo e andando emcharretes. “O bar tinha quatro portas e vendíamos produtos diferenciados como remédios e cristais. Minha mãe, Conceição de Souza Gardin, uma morena clara ede extrema beleza por conta da descendência portuguesa. Atuava no lar e auxiliava nas atividades da cozinha, onde fazia café desde o processo de torrefação. Outro detalhe era que no fundo do estabelecimento havia um salão de festas onde se celebrou diversos casamentos. Os convidados vinham na carroceria doscaminhões. Tábuas e cavaletes serviam como mesas”, recorda.                                           
Com alegria ele cita um dos hábitos do pai e amigos: ficar na frente do bar após o jantar, sentados a conversar, além de aos domingos haver o baralho como passatempo. “O produto mais vendido era mortadela e, quando era Sexta Feira Santa comprávamos inúmeras latas de sardinha. Temperadas com cebola e vinagre, eram o recheio do pão que as famílias, principalmente das áreas rurais, comiam após sair da missa na Igreja Matriz. Outro produto que alegrou minha infância eram os doces tradicionais, como de abóbora, pé de moleque, suspiro e paçoquinha”, diz.                                                                              
Saudosista, por diversas vezes Wilson foi a Londrina assistir o Estrela do Norte jogar no Estádio do VGD, além de conhecer jogadores do Náutico, outro time de futebol de Ibiporã. “Alguns jogadores do Estrela, como o Coruja e Kalil e do Náutico, como o técnico Graxa, iam ao bar. Ali os times faziam reuniões, além de orientar os jogadores. Foram times que marcaram época, onde subíamos no alambrado do estádio para xingar o juiz ou comemorar um gol”.                                       

Desativado em 1975, o bar viveu o auge e a decadência do café e, proveniente do dinheiro ganho, ele comprou um sítio de dez alqueires na Água dos Cágados, onde havia dez mil pés de café e a geração de emprego para duas famílias meeiras. “Com a geada o café virou carvão até a raiz. Devido às dificuldades, em 1977 vendemos o sitio e viemos para Londrina. Meus irmãos estudavam e trabalhavam aqui. Meu pai achou perigoso transitar pelas cidades naquela época, em que não haviam as estradas de hoje”, ressalta.                             
O imóvel da Paraná ainda pertence à família, especificamente ao irmão Antônio Pedro Galdin, que colocou o busto após a morte do pai. “Os antigos, ao ver a imagem retornam no tempo e tem boas recordações”, finaliza.