quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Aplicativo Menor Preço da Nota Paraná
O aplicativo Menor Preço da Nota Paraná indica estabelecimentos com produtos mais em conta. Olha o valor da gasolina em Londrina. Vale a pena...
Circuito das Capelas encerra atividades em 12 de dezembro
O
"Circuito
das Capelas”, de Ibiporã, encerra as atividades no próximo
dia 12 na Capela Nossa Senhora de Guadalupe, a partir das 19h30. O circuito é um projeto de
recuperação da memória com caráter turístico, cultural e artístico. Realizado
pela Secretaria de Cultura, ele percorreu ao longo do ano todas as capelas do município.
O
evento de encerramento, na Avenida 19 de Dezembro, contará a história da
comunidade e a formação dos bairros ao redor, hoje bem populosos. Iniciado em
2014, o Circuito das Capelas consiste em pesquisa e entrevistas, que tem por
resultado livros e documentários
5º ARTDEVI em Ibiporã.
A APADEVI (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais de Ibiporã) convida a todos para o V ARTDEVI. O evento consiste na venda do artesanato produzido pelas “Amigas da Escola”.
Programação:
Abertura: 07/12 às 19h30min
8, 9 e 10/12 - das 9hs às 20hs Exposição e Vendas dos produtos.
Abertura: 07/12 às 19h30min
8, 9 e 10/12 - das 9hs às 20hs Exposição e Vendas dos produtos.
Local: Rua Souza Naves, 257 (ao lado da Floricultura D’Flor).
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Domingos Rosa e Maria de Lourdes completaram 70 anos de união.
As primeiras recordações de Domingos Rosa para o Operário das
Letras e a Folha de Jataizinho foram da infância, quando na sua inocência as
brincadeiras eram o “passa anel” e a “cirandinha”. Nascido em 27 de março de
1918, na memória de 97 anos há lembranças do carro de boi e do pai, que era
violeiro. Vindo de Jacuí (MG) com a família para Santa Mariana, após quatro
anos de trabalho árduo seu pai comprou um sitio de mata nativa, derrubada a
machado, na Água Branca. Com o inventário do mesmo, ele ficou com três alqueires,
posteriormente vendido a familiares. “Havia apenas a ponte ferroviária, uma
rodoviária e a balsa que atravessava o Tibagi rumo a Ibiporã”, recorda
Pai de quatro filhos (João Rosa, Antônio Rosa, José Rosa), oito
netos e onze bisnetos, ele conheceu a esposa Maria de Lourdes Furlan Santos
(88) na Água Branca em 1946, se casando no ano posterior em Assai no dia 28 de
julho. Ela nasceu em Aparecidinha (SP) e é filha de Benedito Furlan e Antonia
Alves Furlan, sendo que chegou à Água Branca na época que o local era coberto
por mata virgem. “Éramos crianças quando nos conhecemos e fui a única namorada
da vida do Domingos”, diz Maria de Lourdes que é ouvinte da Rádio Nova Geração
e todos os domingos liga pedindo músicas. Quanto a esposa, Domingos recorda que
neste quase 70 anos de união, ainda na época de namoro eles foram a um baile e
por algum motivo se desentenderam e ela foi embora, deixando-o sozinho. Mesmo
assim ainda gostava dela. “Passou uma semana e não arrumei namorada, até que
apareceu a irmã do seu cunhado que estava interessada em ficar comigo. Porém o
amor pela Maria de Lourdes era maior e reatamos, ficando juntos até hoje”,
recorda.
Com
o casamento estabelecido eles foram para Grandes Rios, próximo a Ivaiporã. Com
o passar do tempo, em 1963 o sogro Benedito Furlan perguntou se eles tinham
interesse de voltar a Jataizinho. Com isto retornaram e após uma grande
colheita de café compraram o imóvel que vivem. “Na época o prefeito era o
Evilásio Rangel e na área urbana trabalhei na Indústria de Óleos Tibagi
(Irpasa) e como mascate, onde rodei o Paraná vendendo tijolo para as cerâmicas
de Benedito Furlan (Santa Mônica), Edro Germando, Edson do Vale, José Espanhol,
Augustinho Pavão e Zé Mineiro. Este trabalho trouxe riquezas para a cidade e
fui intermediador do progresso ao vender a matéria prima para as construtoras
fazer prédios e casas”, recorda.
A
idade avançada não impede que Domingos lembre fatos inusitados da vida, como por
exemplo o dia que foi de Jataizinho a Bandeirantes de “jardineira” com quatro
grandes latas de mel que vendeu num restaurante. “Além de comprar o mel, o dono
do restaurante pagou o almoço e a passagem de volta num trem”, diz. Outra
memória é de quando a cidade era pequena, havendo apenas a região central e
parte da Vila Frederico. “Quando mudei para área urbana não tinha ‘força’ e
chamamos o ‘Pedro da Luz’ para instalar um poste e junto com ele a energia’”,
finaliza.
Marcos da Ambulância é homenageado por família de aluno na APAE de Ibiporã
A
dona de casa Maria de Lourdes Aben mora no Jamil Sacca há dois anos e procurou
o Jornal Nossa Terra e o Operário das Letras para agradecer o vereador Marcos
da Ambulância. Sua vida mudou há 21 anos com o nascimento dos gêmeos Carlos
Alberto e Ludmila Carina. Após um acidente no parto, na Santa Casa de Londrina,
Carlos Alberto ficou trinta dias na UTI e mais 21 em observação devido a crises
de convulsão. Ele é portador de necessidades especiais e desde o nascimento
recebe auxílio do vereador Marcos da Ambulância, que ainda não havia ingressado
na vida política. “Não vejo o Marcos como um político, mas como amigo por não
medir esforços para ajudar meu filho. Não é função do vereador cuidar de
problemas dos indivíduos. Porém o Marcos da Ambulância é esplendido e nos
auxilia quanto às necessidades. O exemplo é a antecipação de consultas e exames
que demoram meses ou na obtenção de remédios”, cita.
Por recomendação do neurologista
Aparecido Andrade, a dona de casa parou de trabalhar para dar mais atenção ao
filho e para o mesmo não ir a óbito. Com grandes seqüelas mentais, Carlos
Alberto é aluno da APAE desde um ano de idade e ainda tem dificuldades de
coordenação motora. Na APAE ele desenvolve atividades pedagógicas, esportivas e
culturais, além na natação e fisioterapia. “A APAE é tudo na vida dele. Se o
Carlos Alberto anda e fala é graças ao trabalho dos professores que o acompanham”,
diz.
Antes
de viver no Jamil Sacca, Maria de Lourdes morou na Casa dos Vicentinos próximo
ao Asilo São Vicente de Paulo, onde recebia auxilio da Neide Scolari e demais
pessoas na obtenção de medicamentos. Hoje a família vive com o benefício social
e com o trabalho da filha, uma vez que Carlos Alberto toma 18 comprimidos por
dia. Para agravar a situação, a dona de casa sofreu um começo de AVC e anda com
o auxilio de uma bengala. “A ajuda do Marcos da Ambulância não é abuso, mas uma
boa ação. Ele exerce o papel social e as famílias que tem filhos na APAE o reconhecem.
Como ex-funcionário da entidade, o vereador conhece a todos, seus problemas e
dificuldades, uma vez que convive e sabe de perto o que passamos. Independente
da política, ele nunca virou as costas para as pessoas e isto é observado no
trabalho social que faz. O Marcos da Ambulância é uma pessoa humana e de bom
coração. Como vereador é empenhado e atua em vários segmentos”, pontua.
Empenho da Secretaria de Esportes traz bons resultados no futebol de Jataizinho
O
trabalho de Gilberto Oliveira garante a Jataizinho bons resultados no futebol. Servidor
da prefeitura desde 1993, ele é responsável pelo Estádio Dionísio Stricker desde
1995. Além de cuidar do campo ele treina categorias de base dos 8 aos 18 anos.
“Deram uma chance e faço isto com amor. Levo jogadores aos Jogos Escolares e da
Juventude. Outra atividade de grande retorno foram as mini olimpíadas
municipais com alunos de 6 a 10 anos. A base é fundamental”, relata.
Atuante junto aos campeonatos futebol
suíço, de campo e salão, ele incentiva os estudantes dos colégios Adélia
Antunes Lopes e do Parigot de Souza a treinar, a fim de participar dos Jogos da
Juventude, Abertos e Escolares, onde o município sempre obtém bons resultados. Para
treinar o aluno deve estar matriculado, ter no mínimo 75% de freqüência e bom
desempenho escolar.
Um exemplo dos
bons resultados é o futebol feminino, seis vezes campeão dos Jogos Regionais e
o reflexo das conquistas é visto na secretaria da quadra poliesportiva, repleta
de troféus e medalhas. “A Secretaria de Esportes faz o trabalho educacional de
base, onde no contra turno escolar há atividades esportivas. Isto é o principio
da educação em período integral, algo saudável. A prefeitura também apóia com transporte,
uniforme e material esportivo, somado ao empenho, trabalho e disciplina da
Diretoria de Esportes, que tem a frente Celso Ribeiro, João Rogério Beraldeli,
Rodrigo Betiate, Roberto Tanaka e Mateus Leonardo. O suporte possibilita que Jataizinho
seja respeitada”, diz. Apesar dos resultados, o treinador fica triste ao saber
que os “olheiros” não vêm à cidade atrás de jogadores talentosos. “Há convites
de empresários para deslocarmos atletas. Porém o município e as famílias não
têm condições de patrocinar com alojamento e refeição”, relata.
Gilberto
Oliveira diz que no decorrer do ano há vários campeonatos, como Futsal, Suíço e
Interbairros, sendo este com mais rivalidade, jogos emocionantes, grande público
e cerca de 12 a 14 equipes. “Os campeonatos integram e sociabilizam Jataizinho”,
pontua.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Além do happy hour com publico de todas as idades, Bom Bife tem variedade de açougue e restaurante com marmitex a partir de 8 reais.
O Bom Bife é uma empresa familiar
e tradicional há mais de 22 anos em Ibiporã. Os esforços do comerciante Carlos
Bruneli se iniciaram com o açougue. Anos depois ampliou o estabelecimento com
um mini mercado, lanchonete e restaurante, que surgiu para agregar valor e
inovar a partir do espaço ocioso. O restaurante está aberto de 2ª a sábado, das
11 hs às 14hs30min e aos domingos tem marmitex a retirar no balcão ou entrega,
onde motociclistas levam a qualquer ponto de Ibiporã em menos de 15 minutos. Popular
em virtude da diversidade de carnes, o Bom Bife tem almoço a partir de R$15,00
e as marmitex são as mais pedidas, como a de R$ 8,00, com opção de três a
quatro tipos de misturas. Outra grande procura são os pratos executivos de 10
reais. Carlos Bruneli diz que o valor em conta se deve ao fato de agregar o
açougue ao restaurante, oferecendo produtos de qualidade e menor preço. “Graças
a isto forneço condições facilitadas a grupos ou empresários que desejam
comprar em maiores quantidades, como por exemplo, pagamento mensal ou
quinzenal”, diz o comerciante.
O Bom Bife é um ponto de encontro
e happy hour, que funciona desde 1994 e música ao vivo a partir de 2003. Uma opção
a mais de entretenimento aos ibiporãenses. A lanchonete recebe duplas com o
melhor do sertanejo universitário e de raiz. Além da música ao vivo, o
diferencial é o cardápio, com chopp, cervejas, sucos e refrigerantes. Há vaca
atolada, porco no tacho, costela assada na tábua (acompanhada de mandioca e
salada), frango, coxão mole, alcatra, contra file e demais variedades de carnes.
Outra opção são os espetos, nos sabores carne, frango, cafta, linguiça toscana,
calabresa, porco, coraçãozinho, pão de alho, tulipa, carneiro e queijo
mussarela. O público é variado e de cidades como Londrina, Jataizinho, Cambé,
Rolândia, Sertanópolis e Bela Vista do Paraiso. O Bom Bife preza pelo ambiente
familiar e grande presença de jovens. O happy
hour é das 17 hs a meia noite e música ao vivo a partir das 20 hs.
A tradição do Bom Bife também é
lembrada principalmente aos domingos, onde a variedade de carnes assadas é
grande e com preços acessíveis devido à compra direta. É possível encontrar, a partir
das 10 hs, costela, maminha, frango assado recheado ou desossado, coxa
desossada ou recheada, cupim, costela recheada, carnes suínas, lombo recheado e
outras variedades alimentícias como maionese e farofa.
Carlos
Bruneli tem perfil no facebook além da página do Bom Bife, com muitos seguidores,
o comerciante interage com os clientes através de fotos e comentários. Aceitando
cartão de crédito e débito, ele está na Avenida Paraná 1149. O telefone de
contato é o 32585133.
Belagrícola desenvolve programa que incentiva a leitura
O
desenvolvimento de pessoas é uma área de recursos humanos que capacita
profissionais, tornando-lhes membros valiosos na organização. Focado nesta
mentalidade, a Belagrícola, que tem cerca de 250 colaboradores em Londrina e é uma
empresa de atividade comercial do ramo agrícola, lançou o programa que
desenvolve lideranças, coordenado pelo engenheiro civil Murilo Aramaki Bianco. Uma
das partes do projeto consiste na doação de livros e recursos financeiros para criar
uma biblioteca comunitária. A campanha interna e online divulga pontos de
coleta de livros na sede da empresa. Já a financeira busca recursos para aplicar
em livros, infra-estrutura como prateleiras, itens básicos de uma biblioteca e valores
para confeccionar sacolas aos interessados em retirar livros. O escolhido para
o projeto foi o Instituto Pé Vermelho, coordenador da creche “Pintando o Arco
Iris”, localizada no Jardim Franciscato e coordenada por Valdete Cardia. “A Belagricola entrou em contato e fomos selecionados.
Além da biblioteca e sua manutenção, está incluso no projeto a “Sacola da Leitura”,
onde pais e familiares das crianças, além da comunidade, usufruirão da biblioteca
comunitária”, cita Valdete.
Murilo Bianco relata que
o desenvolvimento de lideranças é um trabalho em grupo e busca aprimorar a
participação dos colaboradores em programas da empresa. Em relação aos
critérios internos de escolha, o mesmo inclui colaboradores antigos e
experientes, mas com perfil jovem. “O programa, com cinco meses, melhorou a
comunicação entre áreas da empresa, há maior interação de quem participa dos
trabalhos. O desenvolvimento de pessoas e liderança traz novos pensamentos,
causa efeitos positivos e bons resultados”, diz. O engenheiro cita que valoriza
as ações institucionais e de responsabilidade social internas e externas da
empresa devido isto criar uma mentalidade diferente em ambos os públicos. “O desenvolvimento
pessoal busca mudanças internas, reflete na empresa e oferece crescimento pessoal
e profissional”, complementa.
Colaborador
no departamento de recursos humanos, José Messias aplica o que aprende em atividades
laborais. “A iniciativa é recebida positivamente. Os resultados são maior união
das equipes, colaboradores e o desenvolvimento da comunicação. Saímos da zona
de conforto e há desafios em vários aspectos. Isto não é uma competição, mas trabalho
em grupo para obter um bem comum”, relata.
Rogério Fernandes atua na operação
de insumos agrícolas, dando suporte às filiais. Ele diz que o desafio do
programa é transformar a comunidade e as crianças incentivando a leitura.
“Quando o individuo adquire o hábito da leitura desenvolvem-se formadores de
opinião. A idéia é continuar e melhorar o acervo”, cita Rogério, que observa
mudanças pessoais a partir do desenvolvimento de lideranças e gestão de
pessoas. “O projeto veio a agregar e nunca atuei como voluntário”, complementa.
Experiente na área de educação, Valdete
diz que leitura e conhecimento são fundamentais no desenvolvimento humano e de
pessoas. Em relação ao projeto “Sacola da Leitura”, ele já existia, mas estava
engavetado por não haver recursos financeiros. “Os pais, ao lerem juntos com os
filhos incentivam o hábito saudável. A informação contribui para o cidadão de
bem. A biblioteca esta na fase de instalação e resultados efetivos são observados.
Nesta perspectiva disponibilizaremos tempo e espaço para as crianças
participarem da “Hora do conto”, uma aula de leitura e literatura que abre a
mente e a imaginação, estimula os estudos e abre novos horizontes. “Fui uma
criança carente. Vi meu pai lendo revistas e jornais velhos. Isto foi um
exemplo que me ajudou a crescer como pessoa”, pontua.
Espaço Latino obtém 70% dos votos da categoria escola de dança e fatura o Top de Marcas (Texto Nereu Pereira)
O
Top de Marcas reconheceu o Espaço Latino como à escola de dança mais lembrada em
Londrina e região. Foram 70% dos votos e a premiação da 21ª edição do evento
foi em 17 de novembro no Buffet Planalto. O evento teve a presença de empresas
selecionadas e autoridades. Foi a primeira vez que o segmento Dança de Salão
participou da pesquisa, elegendo o Espaço Latino, uma das mais antigas da
região, como a mais lembrada.
A
escola iniciou suas atividades em 1989, trazendo um novo segmento cultural: dança
a dois. “Embora houvesse eventos festivos e musicais, não existia lugares e
profissionais capacitados que ensinassem a dança e aprimorassem técnicas”, diz Luiz
Carlos “Mumu”, fundador e sócio proprietário da Espaço Latino.
Com
27 anos de tradição a Espaço Latino tem uma equipe de 50 profissionais
dispostos a atender os amantes da dança e nos mais variados ritmos, como
sertanejo, forró, pagode, soltinho, bolero, samba de gafieira, zouk, salsa,
tango e zumba. Os alunos são atendidos em grupo ou em horário particular. Outro
serviço bem contratado são as coreografias para casamento e aniversário.
A sócia proprietária Daianne Gonzales
diz que o Top de Marcas confirma o bom atendimento da empresa aos clientes. “Nosso
maior investimento em primeiro lugar é o aluno. Ele é a melhor propaganda da
escola e traz novos clientes através do famoso “boca a boca”. Outro diferencial
da Espaço Latino é o investimento na formação dos profissionais”, pontua
Daianne.
Cultura e reflexões sobre intolerância religiosa (Por Aldo Moraes)
“Por que com o tempo não volto os meus olhos para o
que é novo?” Esta frase de William Shakespeare nos faz pensar que historicamente
a cultura se coloca na vanguarda dos acontecimentos sociais e atua como
referência de novidade artística e na defesa das minorias. No Brasil, a cultura
também é depositário da memória de personagens e fatos ignorados pela história
oficial. Ela ganha relevância quando tratamos da intolerância religiosa.
Em
nosso país, o advento da República separou religião e Estado, possibilitando
maior liberdade de culto e manifestações que envolvem cultura e religiosidade.
Apesar do avanço, a intolerância permaneceu como resquício do período de subjulgamento
a escravidão, exploração e vidas sem história. Cidadãos sem cidadania, sem
direito ao voto e a educação. E como pano de fundo, o preconceito e a
intolerância.
A cultura brasileira nasce da força e
da identificação de seus criadores com a terra tropical: mitos, verdades e
enfrentamentos. Por isso, a cultura se manifesta como defesa, descobrimento de
problemas e soluções ao país.
O
romance Tenda dos milagres (Jorge Amado) foca na intolerância racial e
religiosa de famílias tradicionais que desconhecem sua origem popular e negra.
O texto aborda o cotidiano de lutas e derrotas do povo que sofrem por conta do
preconceito de homens poderosos da política e da policia, cujas conseqüências
acompanham gerações e aos que não concordam com os abusos. O final da história
é surpreendente: obriga os dois lados a repensar a vida e desenvolver o perdão
e a boa convivência.
Obras
do Romantismo Brasileiro, como O Guarani (José de Alencar); Escrava Isaura
(Bernardo Guimarães) e o poema O Navio Negreiro (Castro Alves) embora não
tenham o foco na intolerância religiosa, mostram como ela afeta a vida social e
a integridade física do perseguidos. Negros e indígenas se vêem sem lei que os
protejam e as voltas com poderosos que são a própria lei.
Do incompreendido culto dos índios
brasileiros, do candomblé, umbanda e a visão do cristianismo humanista e social
surgiram obras primas e gêneros musicais essenciais para o Brasil, como samba,
jongo, ciranda e cantigas que dão dimensão única à canção nacional. Dorival
Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Raul Seixas, Chico César e
Cazuza desafiaram convenções em músicas que desbravaram mistérios religiosos e
intolerâncias em contexto afro, esotérico, budista e no hinduísmo.
Na TV, novelas também
exploraram em releituras e textos inéditos a intolerância religiosa mostrando
que os conflitos vêm do desconhecimento sobre o outro e que todas as religiões
pregam a paz e a comunhão dos homens em amplitude universal. É o caso de A
viagem (Ivani Ribeiro/1975); Sinhá Moça (Benedito Ruy Barbosa/1986); Pacto de
sangue (Regina Braga/1989) e Porto dos milagres (Aguinaldo Silva/2001, baseado
em Jorge Amado).
Recentemente
o cinema trouxe a história de Besouro, capoeirista que vive aventuras e
enfrenta perseguições para manter viva a cultura dos quilombos, já que música,
dança e religião sofriam os mesmos revezes e tudo era proibido. Nos anos 60, o
filme “O Pagador de promessas”, de Anselmo Duarte e baseado em Dias Gomes, trazia
o drama de Zé do Burro e sua dura missão de agradecer o milagre recebido e não
poder entrar na igreja, pois seu sincretismo foi duramente combatido.
Assim,
a cultura provoca debates e reflexões sobre os males causados pela intolerância
religiosa e a necessidade de um pensamento mais próximo dos valores humanos.
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