quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Os Índios Kaingáng

Os índios kaingángs formam um numeroso grupo indígena do Brasil Meridional. Pertencentes ao tronco lingüístico Jê, eles são descendes dos índios Guayaná e ocupam os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, representando um contingente populacional de 25 mil pessoas.
Habitantes dessa parte do Brasil, mesmo antes da chegada do homem branco, os kaingangs foram pacificados no período de 1770 a 1930, tendo seus territórios expropriados, perdendo sua autonomia como grupo e seus territórios de caça e pesca. Neste periodo, viviam em florestas e eram arredios à civilização.
Atualmente, os kaingangs vivem essencialmente de três atividades: A agricultura de subsistência, o assalariamento temporário e o artesanato, que são ornamentados e coloridos com tintas industrializadas. As mulheres que detem o saber e a técnica dos trançados, ensinado suas filhas todo o conhecimento sobre esta arte. Habilidosos na produção de cestos e balaios, desde o final do século 19, os objetos artesanais dos Kaingangs tem sido uma alternativa de renda para as familias, além das mulheres cuidarem dos afazeres domésticos e da educação dos filhos, cabendo a meninas a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos.
A alimentação dos índios kaingangs, era a base de milho e dele, era produzido várias comidas e bebidas, como o kiki, uma espécie de milho fermentado, mistudo com água e mel, que era servido nas festas e rituais indígenas, que tinham muita carne de aves, anta e queixada. Quando mortos, os animais eram moqueados para que se ficassem conservados por bastante tempo. Além dessa técnicas, os índios preparam animais maiores em buracos no chão revestidos com pedras. O fogo, era feito dentro do buraco até as pedras se tornatrem incandescentes, então as cinzas e as brasas eram removidas, e as pedras recobertas com folhas. Por cima era colocada a carne envolta com folhas. Outro alimento importante que os kaingangs utilizavam na sua alimentação era o pinhão. Vale ressaltar que em sua cultura, os produtos pertencem a quem os obteve, mas no momento do consumo, pelas regras de reciprocidade, a produção chega a todas as pessoas.

Outro ponto que marca a cultura kaingang, é que eles preservam a sua língua, sendo que todos os índios da reserva do Apucaraninha, que fica em Londrina, são bilingues, falando o Portugues e o kaingang. Aparentemente, os kaingangs atuais vivem de modo muito semelhante aos não índios e é como se tivessem perdido seus valores antigos e suas tradições, os quais entretanto, permanecem nas camadas mais profundas que orientam todas as suas práticas cotidianas e rituais. Quando se dirigem às matas para caçar ou aos rios para pescar, os kaingangs acionam seus sistemas sociais e simbólicos que orientam e regulam suas relações com os espíritos guardiões das matas e dos rios, com os espíritos dos mortos que podem estar à espreita para fazer contato com um parente vivo.

Desde 1910, procura-se demarcar as terras indígenas no Brasil. Mas o processo nunca foi concluido. Em toda a história, os povos indígenas tem sido expropriados de seus territórios por interesses do capitalismo. Os modos de produção dos povos indígenas são diferentes, tradicionalmente não objetivam a acumulação. Em 1988, com a advinda da nova Constituição, foi definido um prazo de cinco anos para a tal demarcação das terras indígenas. Esgotado o prazo dessa determinação constitucional, em 1993, as terras ainda não estão demarcadas. O território é fator básico na produção e reprodução física, material e simbólica dos grupos indígenas. A identificação, delimitação e demarcação de territórios indígenas exigem conhecimento especifico, uma vez que cada sociedade define e utiliza de maneira muito própria o seu meio ambiente. É preciso garantir aos povos indígenas o direito sobre as terras que ocupam, promovendo a identificação, demarcação, regularização, desintrusão, registro e fiscalização das mesmas, assegurando-lhe a posse e o usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades nelas existentes.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Casos recentes de pedofilia abalam a sociedade

Conselho Tutelar orienta que pais devem estar próximos aos filhos
Na manhã de cinco de novembro, um fato gerou revolta e comoção no Paraná: o corpo da criança Raquel Genofre, de nove anos, foi encontrado numa mala, na Rodoferroviaria de Curitiba. Fontes da Policia Militar indicam que havia sinais de violência sexual e estrangulamento. Jorge Luiz Pedroso Cunha, já condenado por estupro e assassinato, foi preso em Itajaí, mas exames de DNA confirmam que ele não foi o autor do crime. Mesmo assim, Cunha ficou detido por ter cometido outros crimes no litoral. A garota Raquel, apesar da idade, conhecia várias pessoas, virtualmente através da internet e, mantinha uma página no site de relacionamento Orkut. O acontecimento deixou muitos pais chocados e o Zona Norte traz a tona o debate e dicas de segurança sobre o uso e controle da internet para as crianças.
O Conselho Tutelar da Zona Norte, alerta que os fami liares devem ficar atentos e observar com quem seus filhos conversam e o conteúdo abordado no Orkut e MSN. Segundo a conselheira Fernanda Tássia de Oliveira, a falsidade ideológica e o uso da má fé são constantes e infelizmente muitos usam a web para a sedução de menores. Ela afirma que os pais devem manter uma comunicação constante com os filhos e em casos mais graves, imprimir as conversas para que sejam encaminhadas ao Conselho Tutelar. "Isso não é invasão de privacidade. Os pais devem mexer no Orkut dos filhos como medida de cuidado e precaução. A internet é uma realidade virtual e a criança não está preparada para a responsabilidade de alguns conteúdos que acessa". Fernanda diz isso, ao saber que muitos familiares delegam confiança a filhos pequenos, mesmo quando não há amadurecimento ou não estão preparados para tamanha autonomia. Para evitar que se envolva com desconhecidos, ela orienta que os pais devem saber e conhecer quem são os melhores amigos dos filhos na escola, na internet e nas brincadeiras de rua.
Segundo a Conselheira Tutelar Leoni Alves Garcia, o melhor é a atenção e a conversa, mostrando aos filhos que seus melhores amigos são seus pais, que estão dentro de casa. "Cabe aos pais demonstrar a amizade através do sentimento de confiança. Isso não se dá por surras, mas pela conversa". Ela ressalta que, devido à vontade de manter um padrão social, os familiares se afastam das crianças, sendo a falta de diálogo substituída pelas beneficies materiais. "Mesmo que se de tudo aos filhos, deve existir o afeto e o bom relacionamento. A troca do carinho pelos bens de consumo atrapalha." Outras medidas é sempre estarem atentos as amizades, estar presente e oferecer propostas. No caso da internet, mostrar sites educativos e oficiais, como o do SESC ou TV Cultura

Suspeitas e confirmação de abuso devem ser encaminhados ao Conselho Tutelar

Leoni diz que a escola e as instituições de educação, devem prestar atenção e observar sintomas anormais no comportamento das crianças. Se a mesma demonstrar apatia, agressividade e se afastar dos amigos, é sinal que algo errado pode estar acontecendo. O educador deve ter um diálogo adequado e através de metáforas, desenhos e observações, deve elucidar os problemas. Se algo for descoberto, ele tem que procurar o Conselho Tutelar, o Centro de Referência Especializado de Atenção a Criança e Adolescentes Vitimas de Violência ou denunciar anonimamente pelo disque 100.
A psicóloga Cristina Watarai, do Centro de Referência, explica que são encaminhados para a instituição casos de abuso e v iolência triados pelos conselhos tutelares. "Existe uma equipe psico social que atende as vítimas e que tem por objetivo minimizar as seqüelas físicas e emocionais, como o medo, a vergonha, o sentimento de culpa e a mudança de comportamento. Acompanhamos a criança e a família", diz. Cristina afirma que mais de 50% dos casos de abuso sexual é cometido dentro de casa por familiares. "Num lar, onde o agressor foi o pai ou o padrasto, as mães se vêem fragilizadas. Cabe a nós o atendimento psico social e recursos lúdicos para que se superem os traumas e o sofrimento. São raros os casos onde o abuso foi cometido por desconhecidos", afirma. A favor de medidas mais severas para pedófilos, como a aprovada na Câmara dos Deputados, que prevê o aumento da pena, de seis para oito anos e com aumento em um terço, se o agressor comete o crime prevalecendo-se de relações domésticas ou de parentesco, a psicóloga comenta que os pais devem manter diálogos constantes com os filhos, além de existir uma relação de confiança onde os familiares devem estar presentes nas atividades. Outro ponto citado e de alerta é que se evite deixar as crianças sozinhas em casa, ou que fiquem com um responsável.


Alguns sintomas do abuso sexual

Sintomas
- Mal estar pela sensação de modificação no corpo e confusão de idade
- Regressão a comportamentos infantis, como choro excessivo sem causa aparente, micção noturna, chupar dedos, etc.
- Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica. Fraco controle de impulsos e comportamento autodestrutivo ou suicida.
- Comportamento agressivo, raivoso, principalmente dirigido contra os irmãos e um dos pais não incestuoso.
- Prática de delitos.
- Envolvimento em exploração sexual.
- Uso e abuso de substancias como álcool, drogas ilícitas e lícitas.
- Baixo nível de auto-estima e excessiva preocupação em agradar os outros.
- Culpa e autoflagelação.
- Ansiedade generalizada, comportamento tenso, sempre em estado de alerta e fadiga
- Freqüentes fugas de casa.

Sinais corporais
- Doenças sexualmente transmissíveis (DST´s incluindo AIDS) e outras enfermidades de causa psicológica e emocional (doenças psicossomáticas como a dor de cabeça).
- Dificuldades de caminhar ou sentar-se devido a lesões e dores na área vaginal ou anal.
- Roupa intima rasgada ou manchada de sangue.
- Gravidez precoce ou aborto.
- Ganho ou perca de peso. Aparência descuidada e suja pela relutância em trocar de roupa (visando afetar a atratividade do agressor).
- traumatismo físico ou lesões corporais, por uso de violência física.

Sexualidade
- Interesse ou conhecimento súbitos e não usuais sobre questões sexuais.
- Expressão de afeto sensualizada ou mesmo certo grau de provocação erótica, inapropriado para uma criança.
- Desenvolvimento de brincadeiras sexuais com amigos, animais ou brinquedos.
- Masturbar-se compulsivamente.
Desenhos de órgãos genitais com detalhes e características além de sua capacidade etária.

Conseqüências a longo prazo: São efeitos a longo prazo que podem variar de acordo com a idade do inicio do abuso; duração; grau ou ameaça de violência; diferença de idade entre agressor e vítima; grau de parentesco; etc.
- Seqüelas dos problemas físicos gerados pela violência sexual (doenças e gestações problemáticas).
- Dificuldade de ligação afetiva e amorosa.
- Dificuldades de manter uma vida sexual saudável ou tendências de hipersexualizar os relacionamentos sociais.
- Engajamento em trabalho sexual (exploração comercial infanto-juvenil).
- Viciação em substancias lícitas e ilícitas.

Fonte: Centro de Referência Especializado de Atenção a Criança e Adolescentes Vitimas de Violência

Serviço:
- Conselho Tutelar da Zona Norte: Avenida Francisco Gabriel Arruda, 628 (33780375 ou 9991-6752)
- Delegacia da Criança e do Adolescente: Rua Joel Braz de Oliveira, 103 (33342200)
- Centro de Referência Especializado de Atenção a Criança e Adolescentes Vitimas de Violência: Rua Ibiporã, 573 (33362003)

Sites:
TV Cultura: http://www.tvcultura.com.br/
SESC: http://www.sesc.com.br

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cinema - Transformações e relações com as novas tecnologias

A principal dificuldade de produzir filmes no Brasil é o alto custo e a falta de incentivos, que, apesar de terem crescido, ainda são poucos. Essa é a principal reclamação de diretores e produtores, como Flávio R. Tambellini, da Ravina Filmes. "As dificuldades existem: os custos de produção são elevados e a falta de uma distribuição realmente interessada no crescimento do cinema nacional é uma lacuna grave".
A Lei do Audiovisual libera, para a produção de filmes, apenas R$ 3 milhões por filme, mas o longa infantil Tainá 2, ainda em projeto, tem orçamento de R$ 5 milhões. Como alternativa, está surgindo no cenário nacional o cinema digital.
O cinema digital ou DV já está em exibição e a primeira sala de projeção de filmes em digital foi inaugurada no Barra Shopping, no Rio de Janeiro. Campinas também tem sua sala de projeção digital, no Shopping Parque D.Pedro. Em 2001, foram exibidos cerca de dez filmes produzidos em digital, como Janela da Alma, de João Jardim e As Avassaladoras, de Mara Mourão.
Porém, filmes como esses foram, depois da captação em DV, kinescopados, ou seja, transformados em película apenas para a projeção. Apenas o infantil Xuxa e os Duendes foi exibido em um projetor DLP, ou seja, projetado diretamente do suporte digital para a tela. Porém o longa foi filmado em suporte de alta definição (HD), uma tecnologia ainda muito cara para a realidade nacional.

A produção de filmes em DV traz várias vantagens, principalmente o baixo orçamento. O filme A Morte da Mulata, do diretor Marcel Cordeiro, foi todo filmado em DV e consumiu apenas R$190 mil. É um número irrisório se comparado com outras produções. A câmera DV DSR500 da Sony, muito usada em documentários, custa cerca de US$ 18 mil e grava imagens no formato 16:9, ideal para a projeção em cinema. Além disso, não é preciso, com o DV, pensar na produção de cópias em película, o que barateira consideravelmente o custo.
Outra alternativa para o cinema nacional é fazer o que se convencionou chamar de blow up: tudo é filmado em Super 16 e depois passado por intermediação em alta definição para 35mm, ficando pronto para a projeção. Esse processo, de acordo com o diretor da Estudios Mega, José Augusto de Blasiis, permite "uma infinidade de efeitos especiais, com correções de luz e de foco". É o caso de O Invasor, de Beto Brant, premiado no último Festival de Brasília.
Outros filmes também utilizaram esse processo e obtiveram resultados ótimos: Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado, e Caramuru, de Guel Arraes. O próximo longa-metragem a ser lançado, que foi filmado em DV, é Rua Seis, sem Número, de João Batista de Andrade, da produtora Raiz.
A cinematografia brasileira caminha a passos largos. Produtoras surgem em todo o país, leis fiscais possibilitam o levantamento de capital para a produção e parcerias com distribuidoras internacionais e com a TV trazem novas possibilidades.


Abordagem teórico prática
Cinematografia, arte e técnica de fazer filmes. Embora Thomas Edison tenha patenteado o quinetoscópio em 1891, o cinema propriamente dito só surgiu realmente com o lançamento, em 1895, pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, em Paris, do cinematógrafo, capaz de projetar películas sobre uma tela. O som foi conseguido com a invenção dos sistemas de sincronização som-imagem, pela Vitaphone (1926) e a Movietone (1931). O funcionamento do cinema baseia-se em uma propriedade do olho humano, conhecida como princípio da persistência das imagens na retina. Esse princípio foi formulado em 1829 pelo físico belga Joseph Plateau.

ORIGENS
O cinema desenvolveu-se cientificamente antes que suas possibilidades artísticas e comerciais fossem conhecidas e exploradas. Uma das primeiras conquistas científicas que levaram diretamente ao desenvolvimento do cinema foram as observações de Peter Mark Roget, secretário da Real Sociedade de Londres, que, em 1824, publicou um importante trabalho intitulado Persistência da visão no que tange aos objetos em movimento, no qual afirmava que o olho humano retém as imagens durante uma fração de segundo posterior ao momento em que elas desaparecem de seu ângulo de visão. Essa descoberta estimulou vários cientistas a inventarem diversos meios capazes de demonstrar o princípio.

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS
Tanto nos Estados Unidos como na Europa, animavam-se imagens desenhadas à mão como forma de diversão, empregando dispositivos que se tornaram populares nos salões da classe média. Concretamente, descobriu-se que se 16 imagens estáticas de um movimento que transcorre em um segundo são passadas sucessivamente também em um segundo, a persistência da visão as une, fazendo com que sejam vistas como uma só imagem em movimento.
O zoótropo, que chegou até nossos dias, traz uma série de desenhos impressos horizontalmente em tiras de papel, colocadas no interior de um tambor giratório montado sobre um eixo. Na metade do cilindro, uma série de ranhuras verticais pelas quais se olha permite que, ao girar-se o tambor, veja-se imagens em movimento. Máquina mais elaborada foi o praxinoscópio, do inventor francês Charles Émile Reynaud. Ele consistia em um tambor giratório com um aro dotado de espelhos colocado no centro e os desenhos postos na parede interior. Conforme se girava o tambor, os desenhos pareciam animar-se.
Naqueles mesmos anos, William Henry Fox Talbot, no Reino Unido, e Louis Daguerre, na França, trabalhavam em um novo projeto que possibilitaria o desenvolvimento do cinematógrafo: a fotografia. Em 1861, o inventor norte-americano Coleman Sellers patenteou o quinematoscópio, que conseguia animar uma série de fotografias fixas montadas sobre uma roda giratória dotada de palhetas.
Um passo relevante para o desenvolvimento da primeira câmera de imagens em movimento foi dado pelo fisiologista francês Etienne Jules Marey, cujo cronofotógrafo (um fuzil fotográfico) portátil movia uma única faixa, que permitia obter 12 imagens em uma placa giratória que dava uma volta completa em um segundo. Por volta de 1889, os inventores norte-americanos Hannibal Goodwin e Georges Eastman desenvolveram películas de emulsão fotográfica de alta velocidade montadas em um celulóide resistente: sua inovação eliminou um obstáculo essencial para uma experimentação mais eficiente com as imagens em movimento.
Na década de 1890, Thomas Alva Edison construiu a primeira máquina de cinema, o quinetoscópio, que tinha uns 15 metros de película em um dispositivo análogo a uma espiral sem fim, que o espectador individual tinha que ver através de uma lente de aumento. As experiências com projeção de imagens em movimento visíveis por mais de um espectador foram realizadas simultaneamente nos Estados Unidos e na Europa. Na França, os irmãos Louis e Auguste Lumière, em 1895, chegaram ao cinematógrafo, invento que era ao mesmo tempo câmera, copiadora e projetor e que é o primeiro aparelho que se pode qualificar autenticamente de cinema. Produziram também uma série de curtas-metragens, no gênero documentário, com grande êxito. Em 1896, o ilusionista francês Georges Méliès demonstrou que o cinema servia não apenas para registrar a realidade, mas também para torná-la divertida ou falseá-la. Realizou uma série de filmes que exploravam o potencial narrativo do novo meio e rodou o primeiro grande filme a ser exibido, cuja projeção durou cerca de 15 minutos: L’affaire Dreyfuss (O caso Dreyfuss, 1899). Mas Méliès é famoso sobretudo por suas notáveis fantasias, como Viagem à lua (1902), nas quais experimentava as possibilidades de trucagens com a câmera cinematográfica.
O estilo documentalista dos irmãos Lumière e as fantasias teatrais de Méliès fundiram-se nas ficções realistas do inventor norte-americano Edwin S. Porter, que produziu o primeiro filme interessante de seu país, Great train robbery em 1903. Esse filme teve um grande êxito e muito contribuiu para que o cinema se transformasse em um espetáculo de massa. As pequenas salas de exibição, conhecidas como cinema poeira, espalharam-se pelos Estados Unidos e o cinema começou a firmar-se como indústria.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tipos de cinema (Parte II)

FILMES MUSICAIS
Chama-se musical o filme em que as seqüências cantadas ou dançadas predominam. Nasceu com o cinema sonoro e se firmou nos Estados Unidos, com imitações em vários países, segundo o modelo dos espetáculos da Broadway. Entre os grandes criadores estiveram os diretores Busby Berkeley, Stanley Donen e Vincente Minnelli, os atores Fred Astaire, Dick Powell e Bing Crosby, as atrizes Ginger Rogers, Betty Grable e Cyd Charisse, o ator e diretor Gene Kelly e o coreógrafo Bob Fosse.

FILMES COMÉDIA
Baseia-se a comédia no enredo e nas situações bem-humoradas e visa sobretudo ao riso. A mímica, que predominou no filme silencioso, cedeu lugar às piadas de duplo sentido que depois consagraram os Irmãos Marx, Stan Laurel e Oliver Hardy ("O Gordo e o Magro"), Red Skelton, Dean Martin e Jerry Lewis e diretores como Frank Capra, Ernst Lubitsch, Leo McCarey, William Wellman, George Cukor, Howard Hawks, Van Dyke, Gregory La Cava, Preston Sturges, Blake Edwards e Frank Tashlin. Na Europa triunfaram as comédias italianas e o francês Jacques Tati. Nos Estados Unidos, destacaram-se o ator Peter Sellers e o ator e diretor Woody Allen, autor de obras-primas como Annie Hall (1977; Noivo neurótico, noiva nervosa), Zelig (1983) e The Purple Rose of Cairo (1985; A rosa púrpura do Cairo).

FILMES POLÍTICOS
A temática política explícita tem sido tratada com freqüência pelo cinema contemporâneo. Foram muitos os especialistas nesse tipo de abordagem, tanto no documentário quanto na dramatização de episódios autênticos. Nas primeiras décadas da história do cinema, seus principais cultores foram os soviéticos, especialmente Eisenstein, autor de O encouraçado Potemkim e Strachka (1924; A greve). Mais tarde, a partir da década de 1960, cineastas italianos dedicaram boa parte de sua carreira às discussões políticas. São importantes nesse gênero Gillo Pontecorvo, autor de Queimada (1969) e Bernardo Bertolucci, com o épico 1900 (1976). O franco-grego Costa-Gravas, autor de Z (1968) e Missing (1982; Desaparecido), e o argentino Fernando Solanas, realizador de La hora de los hornos (1966-1968), têm lugar privilegiado nessa tendência.

DRAMAS SOCIAIS
Os enredos de conotação social estiveram sempre presentes ao longo da evolução do cinema. Merecem destaque títulos como Fury (1936; Fúria), de Fritz Lang, The Grapes of Wrath (1940; As vinhas da ira), de John Ford; Ladri di biciclette (1948) e Umberto D (1951), de Vittorio De Sica, Nous sommes tous des assassins (1952; Somos todos assassinos), de André Cayatte, e I Want to Live (1959; Quero viver), de Robert Wise.

FILMES POLICIAIS E DE GANGSTERISMO
Os argumentos tradicionais do gênero policial envolvem crimes e criminosos, policiais e detetives particulares, gângsteres e ladrões. O tema preferido tem sido o do submundo onde campeia a miséria econômica e moral. O diretor mais célebre desse tipo de filmes foi Alfred Hitchcock, que usou o suspense para criar atmosferas de tensão e medo. Em mais de setenta filmes, ele criou obras magistrais como Vertigo (1958; Um corpo que cai) e Rear Window (1954; Janela indiscreta).
Também obtiveram êxito filmes inspirados nos romances de Dashiell Hammett e Raymond Chandler, mestres das tramas criminais amargas e violentas. Atores como James Cagney, Humphrey Bogart, Edward G. Robinson e George Raft alcançaram grande notoriedade, sobretudo no período inicial do cinema sonoro. Na longa relação dos clássicos do gênero não poderiam faltar: Underworld (1927; Paixão e sangue), de Josef von Sternberg; City Street (1931; Ruas da cidade), de Rouben Mamoulian, I Am a Fugitive from a Chain Gang (1932; O fugitivo), de Mervyn LeRoy; G-men (1935; Contra o império do crime), de William Keighley; Dead End (1937; Beco sem saída), de William Wyler; Angels with Dirty Faces (1938; Anjos de cara suja), de Michael Curtiz; The Maltese Falcon (1941; Relíquia macabra) e muitos outros em Hollywood. Essencialmente americano, o filme policial também teve bons momentos na França e no Reino Unido.

MELODRAMA
Centrado nas paixões humanas, o melodrama realça o trágico e o dramático e desenvolve conflitos individuais. Nele sobressaíram W. F. Murnau, com Sunrise (1926; Aurora), os austríacos Erich Von Stroheim e Josef von Sternberg, o italiano Luchino Visconti, o americano John M. Stahl, os japoneses Mikio Naruse e Yasujiro Ozu e o francês François Truffaut.

FILMES DE PROPAGANDA
Os filmes de propaganda divulgam idéias sociais e políticas em defesa de determinada ideologia. Os primeiros a usá-los foram os soviéticos. Na Itália fascista e na Alemanha nazista desenvolveu-se a propaganda política de exaltação racista e, depois da segunda guerra mundial, nos Estados Unidos, foram feitos filmes anticomunistas durante o período mais agudo da guerra fria.

FILMES DE ANIMAÇÃO
Os precursores do desenho animado foram os franceses Émile Reynaud e Émile Cohl. O maior impulso veio de Walt Disney e seus seguidores nos Estados Unidos. Entre as principais escolas estão a tcheca, com Jiri Trnka, e a canadense, de Norman McLaren.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Tipos de cinema

DOCUMENTÁRIO OU FILME FACTUAL
O objeto do filme documental é ser o reflexo mais ou menos fiel da vida real. Seus pioneiros foram os irmãos Lumière, com suas tomadas da vida cotidiana, e Charles Pathé, com noticiários. O americano Robert Flaherty foi seu principal cultor, com Nanook of the North (1922; Nanuk, o esquimó). Na antiga União Soviética destacou-se Dziga Vertov, com a "câmara-olho". Também os ingleses foram pioneiros: John Grierson criou importante escola documentarista, mas enquanto enfatizava o caráter propagandístico do filme não-ficcional, outros ingleses, como Raul Rotha e Basil Wright, conceituavam o gênero como uma mensagem não só para a comunidade atual como para a posteridade.
O filme não-ficcional inclui o documentário propriamente dito, o filme factual, o de viagens, o educativo, de treinamento ou didático; os cinejornais ou noticiários em desuso desde o aparecimento dos telejornais e, para alguns, os desenhos animados.
A tradição jornalística dos Estados Unidos consagrou documentaristas como Pare Lorentz e Paul Strand. O holandês Joris Ivens evoluiu desde a realização experimental até a denúncia social. A Alemanha teve em Walther Ruttman e depois em Leni Riefenstahl dois documentaristas de peso. O brasileiro Alberto Cavalcanti, que trabalhou na França e no grupo de Grierson em Londres, foi mais documentarista que ficcionista. Outros brasileiros dedicados ao gênero foram Lima Barreto, Jurandir Passos Noronha, Jorge Iléli, Genil Vasconcelos, Rui Santos e, posteriormente, Vladimir Carvalho.

ÉPICOS E AVENTURAS
O filme épico e de aventuras revela um mundo heróico de conflitos e combates, de grandes cenários, nos quais predomina a ação. Os pioneiros do filme épico foram os italianos, no cinema mudo, que louvaram o passado de seu país, e os soviéticos lhe deram um impulso épico com temas revolucionários. O francês Abel Gance fez um monumental Napoléon (1926). No cinema sonoro, vale lembrar The Private Life of Henry VIII (1933; Os amores de Henrique VIII), de Alexander Korda; Abraham Lincoln (1930), de D. W. Griffith; Cleopatra (1934), de Cecil B. DeMille; Scipione, l'Africano (1937; Cipião o Africano), de Carmine Gallone; e Ivan Grozny (1944-1948; Ivan, o terrível), de Serguei M. Eisenstein.

FILMES DE GUERRA
Em tom patriótico ou crítico, os filmes de guerra apelam à violência como espetáculo. No cinema silencioso, o gênero foi realçado com The Birth of a Nation. As duas guerras mundiais inspiraram muitas produções, das quais são importantes The Big Parade (1925; O grande desfile), de King Vidor; All Quiet on the Western Front (1930; Sem novidade no front), de Lewis Milestone; Story of G. I. Joe (1945; Também somos seres humanos), de William Wellman; e A Walk in the Sun (1946; Um passeio ao sol), de Lewis Milestone. A guerra do Vietnam também inspirou bons filmes nos Estados Unidos, como Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola, e Platoon (1986), de Oliver Stone.

FILMES DE TERROR
A fantasia e o medo, despertos por personagens monstruosos ou sobrenaturais, como fantasmas, bruxas, demônios e vampiros, são os sentimentos a que apelam os filmes de terror. O gênero começou com o expressionismo alemão, do qual Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, de Friedrich Wilhelm Murnau, foi o modelo perfeito. Tornaram-se clássicos os filmes feitos em Hollywood na década de 1930, como Drácula, com Bela Lugosi, Frankenstein (1931), com Boris Karloff, e King Kong (1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack. Na década de 1940, as produtoras R.K.O. e Universal de Hollywood, e na de 1960 a Hammer britânica, se especializaram no tema. O gênero se tornou mais descritivo e violento e alcançou o auge com séries seguidas de monstros ressuscitados dos cemitérios, como a série Poltergeist, o primeiro deles de Tobe Hooper, filmado em 1982.

FICÇÃO CIENTÍFICA
As viagens interplanetárias, as experiências nucleares e as especulações sobre mundos futuros são os temas da ficção científica, gênero próximo ao terror e ao bélico. Suas obras-primas são 2001: A Space Odyssey (1968; 2001: uma odisséia no espaço) e Star Wars (1977; Guerra nas estrelas), de George Lucas, nas quais os efeitos especiais superam a dramaturgia. Estilo muito pessoal mostrou o russo Andrei Tarkovski em Solaris (1972), mas o maior nome no gênero é o americano Steven Spielberg (E.T., Contatos Imediatos em Terceiro Grau).

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O cinema nas décadas de 1980 a 1990

O impacto do cinema europeu sobre os cineastas americanos e a posterior decadência do sistema de grandes estúdios foram as duas linhas de força que, durante as décadas de 1960 e 1970, fizeram mudar o estilo do cinema americano.
Surgiu uma nova geração de realizadores sob a influência das tendências européias e com o desejo de trabalhar com diferentes distribuidores. Muitos deles realizaram filmes de grande qualidade. Pode-se citar Stanley Kubrick, Woody Allen, Arthur Penn, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese.
Diante da filmografia representada pelos realizadores do cinema de autor e em que pese o fato de ser americano e ligado por vezes à indústria hollywoodiana, o cinema dos Estados Unidos deu seqüência a outras linhas de produção para o consumo de massa, especialmente de crianças e adolescentes. Seus filmes baseiam-se principalmente nos efeitos especiais proporcionados pelas novas tecnologias e que bem se enquadram nos temas escolhidos. Dentro dessa categoria, figuram os filmes de catástrofes, como O destino do Poseidon (1972), de Ronald Neame, e Inferno na torre (1974), de John Guillermin e Irvin Allen; as aventuras de personagens das histórias em quadrinhos, como Superman (1978), de Richard Donner, e Batman (1989), de Tim Burton, com suas intermináveis continuações; ou os filmes de guerra e de ficção científica, como Guerra nas estrelas (1977), de George Lucas. Nesses gêneros comerciais destacou-se Steven Spielberg.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Cinema - IV


As experiências com filme colorido haviam começado já em 1906, mas só como curiosidade. Os sistemas experimentados, como o Technicolor de duas cores, foram decepcionantes e fracassaram na tentativa de entusiasmar o público. Mas, por volta de 1933, o Technicolor foi aperfeiçoado com um sistema de três cores comercializável, empregado pela primeira vez no filme Vaidade e beleza (1935), de Rouben Mamoulian. Na década de 1950, o uso da cor generalizou-se tanto que o preto e branco ficou praticamente relegado a pequenos filmes. No pós-guerra, a chegada da televisão colocou um desafio à indústria cinematográfica que ainda hoje permanece. A indústria respondeu com uma oferta de mais espetáculo, que se concretizou no aumento de tamanho das telas.

O FORMATO PANORÂMICO
Em 1953, a Twentieth Century-Fox estreou com seu filme bíblico O manto sagrado, de Henry Koster, um sistema novo denominado CinemaScope, que iniciou a revolução dos formatos panorâmicos que, em geral, usavam apenas uma câmera, um único projetor e um filme padrão de 35 milímetros, adaptando-se mais facilmente a todos os sistemas.

CINEMA EM TERCEIRA DIMENÇÃO
Durante um breve período, no início da década de 1950, uma novidade conhecida como 3D apareceu no mercado. Consistia na superposição de duas imagens distintas da mesma cena, cada uma tomada com um filtro de cor diferente e de um ângulo ligeiramente diferente. Essas cenas eram vistas através de óculos especiais, em que cada lente tinha um filtro colorido na cor equivalente à usada durante a filmagem, de forma a reproduzir a visão estereoscópica e dar impressão de relevo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cinema III - História

A história do cinema é curta se comparada à de outras artes, mas em seu primeiro centenário, comemorado em 1995, já produzira várias obras-primas. Entre os inventos precursores do cinema cabe citar as sombras chinesas, silhuetas projetadas sobre uma parede ou tela, surgidas na China cinco mil anos antes de Cristo e difundidas em Java e na Índia. Outra antecessora foi a lanterna mágica, caixa dotada de uma fonte de luz e lentes que enviava a uma tela imagens ampliadas, inventada pelo alemão Athanasius Kircher no século XVII.

A invenção da fotografia no século XIX pelos franceses Joseph-Nicéphore Niépce e Louis-Jacques Daguerre abriu caminho para o espetáculo do cinema, que também deve sua existência às pesquisas do inglês Peter Mark Roget e do belga Joseph-Antoine Plateau sobre a persistência da imagem na retina após ter sido vista.

Em 1833, o britânico W. G. Horner idealizou o zootrópio, jogo baseado na sucessão circular de imagens. Em 1877, o francês Émile Reynaud criou o teatro óptico, combinação de lanterna mágica e espelhos para projetar filmes de desenhos numa tela. Já então Eadweard Muybridge, nos Estados Unidos, experimentava o zoopraxinoscópio, decompondo em fotogramas corridas de cavalos. Por fim, outro americano, o prolífico inventor Thomas Alva Edison, desenvolvia, com o auxílio do escocês William Kennedy Dickson, o filme de celulóide e um aparelho para a visão individual de filmes chamado cinetoscópio.

Os irmãos Louis e Auguste Lumière, franceses, conseguiram projetar imagens ampliadas numa tela graças ao cinematógrafo, invento equipado com um mecanismo de arrasto para a película. Na apresentação pública de 28 de dezembro de 1895 no Grand Café do boulevard des Capucines, em Paris, o público viu, pela primeira vez, filmes como La Sortie des ouvriers de l'usine Lumière (A saída dos operários da fábrica Lumière) e L'Arrivée d'un train en gare (Chegada de um trem à estação), breves testemunhos da vida cotidiana.

A história do cinema nos mostra que o modelo de linguagem narrativo clássico instituído por Griffith, predominou no decorrer da evolução da produção cinematográfica. Um cinema com estrutura narrativa linear e naturalista, demonstrando respeito pela imagem captada pela câmera. No entanto, desde os primórdios, o cinema também se preocupou em desenvolver gêneros a partir dos quais pudesse expressar suas várias possibilidades de linguagem. Assim, ao lado dos irmãos Lumière, produtores de filmes com estruturas narrativas relativamente simples, temos Georges Méliès que, fascinado pela então nova tecnologia, transforma seus filmes em verdadeiras experiências de linguagem usando efeitos de imagem como substituição de objetos a partir de interrupções da câmera ou sobre-impressão feita com a própria câmera, os chamados trick effects. O objetivo é sempre o de criar uma ilusão próxima à idéia da magia. Méliès adapta seu conhecimento de teatro ao cinema. Ele constrói cenários para seus filmes, de forma a nos dar a sensação de multicamadas e de profundidade de campo no mesmo plano, o corte evidenciando a continuidade temporal e a manutenção do mesmo espaço.

Se para alguns teóricos, dentre os quais destacamos André Bazin, o cinema deveria exprimir a realidade do mundo registrando a espacialidade dos objetos e o espaço que eles ocupam, sem uso de artifícios e respeitando sua unidade; para outros teóricos como S. M. Eisenstein, por exemplo, o cinema está baseado na montagem, que surge como necessidade ideológica uma vez que organiza os códigos para transformá-los em um meio de expressão cinematográfica. Dessa maneira, aquele cinema baseado na simples ação dá lugar a um cinema de idéias.
Nessa perspectiva, é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que, o tempo cinematográfico sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua. Entre 1909 e 1912, todos os aspectos da nascente indústria ficaram sob o domínio de um truste americano, a Motion Pictures Patents Company.

O grupo dissolveu-se em 1912, permitindo assim que os produtores independentes pudessem formar suas próprias empresas de distribuição e exibição. Em 1926, a produtora Warner Brothers lançou o primeiro sistema sonoro eficaz, conhecido como Vitaphone, e, em 1927, produziu O cantor de jazz, de Alan Crosland, protagonizado por Al Jolson. Em 1931, surgiu o sistema Movietone, que passou a ser adotado como padrão. A transição do cinema mudo para o sonoro foi tão rápida que muitos dos lançamentos distribuídos entre 1928 e 1929, que tinham começado seu processo de produção como filmes mudos, foram sonorizados depois para adequar-se a uma demanda crescente.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Cinema - II

Para promover a comercialização dos filmes organizam-se mostras e festivais nacionais e internacionais, nos quais são apresentados os filmes mais recentes ou se fazem retrospectivas de épocas e de realizadores; é o caso de Veneza (o primeiro de amplitude mundial), Cannes, Berlim, Rio de Janeiro e Gramado RS. Os prêmios são conferidos, por categorias, a atores, diretores e demais integrantes da equipe técnica. O mais importante prêmio do cinema é o Oscar, outorgado anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que constitui um incentivo à indústria e ao comércio do cinema.

Da mesma forma como evoluíram as técnicas cinematográficas, desde os processos de filmagem até os de projeção e reprodução sonora, também ampliou-se o número dos centros de produção. Os países menos desenvolvidos, embora com menos recursos que os grandes centros da cinematografia mundial, entraram na competição e nela se sustentaram até meados da década de 1980, quando a recessão econômica mundial, decorrente da crise do petróleo da década anterior, manifestou-se em toda sua plenitude. Poucos anos depois, até mesmo franceses, italianos, ingleses e alemães mergulharam na crise do mercado cinematográfico e os americanos voltaram a dominar as praças de todo o mundo.

Na última década do século XX, após anos de crise, fechamento de casas exibidoras e produção voltada apenas para filmes de efeitos especiais ou dirigidos ao público infanto-juvenil, Hollywood passou a aplicar capital em refilmagens melhoradas de clássicos de outros gêneros, como o melodrama, a comédia romântica, o western, o horror sofisticado, a comédia disparatada e o policial. As rendas milionárias reanimaram os produtores, mas o custo desse renascimento foi o virtual desaparecimento das cinematografias dos países pobres.
Dentre os aperfeiçoamentos técnicos que durante certos períodos pareceram inovar a arte cinematográfica, alguns caíram em desuso. Entre eles se encontra o Cinemascope, inventado pelo francês Henri-Chrétien, que permitia comprimir a imagem ao filmar com uma lente anamórfica e restabelecer a imagem original na projeção mediante outra lente. Também foi abandonado o Cinerama, que abrangia toda a franja de visão do olho humano ao filmar com três câmaras, registrando cada uma um terço da cena, e projetar também em três segmentos numa tela côncava, dando ilusão de tridimensionalidade.
Quando Orson Welles realiza Cidadão Kane (Citizen Kane - 1940) e, logo a seguir, surgem os filmes do neo-realismo italiano no período do pós-guerra, já se elaborava importante alteração na tradição narrativa e de representação Griffthiana em favor de um percurso que, pode-se dizer, vai do naturalismo ao realismo. Em Orson Welles temos a mistura de estilos diferentes (do jornalístico-documental ao expressionismo), a noção de fragmento (o filme constituído por blocos narrativos e seqüências independentes), a preocupação em registrar o tempo interior da ação em sua integridade (plano-sequência), o desenrolar de duas ações diferentes no mesmo plano (profundidade de campo), a narrativa em espiral fechando-se num círculo em oposição à linearidade teleológica de causa-efeito.

Com as novas tecnologias, ampliam-se os recursos para se praticar e desenvolver essas novas formas de realismo, ou, se quisermos, de realidades. O tempo cinematográfico rompe definitivamente seus laços com a noção de continuidade temporal.

sábado, 1 de novembro de 2008

O Cinema

Em seus primórdios, o cinema era um reflexo da realidade, como nos documentários dos irmãos Lumière, mas a partir das fantasias de Méliès passou a ser valorizado como uma verdadeira arte, com seus próprios recursos expressivos. O cinema é um meio de comunicação de massa, uma arte coletiva, concebida como espetáculo que pode incitar à reflexão e ao mesmo tempo divertir. Assistir a um filme supõe isolar-se da vida cotidiana a fim de participar dos sentimentos e emoções que a película provoca, sendo freqüente a interrelação entre o espectador e personagens

O trabalho no cinema combina tempo e espaço, de maneira diversa à de todas as outras artes, que utilizam ou o espaço (escultura) ou o tempo (música) para obter um ritmo narrativo. Cada imagem supõe uma composição plástica e mostra, em duas dimensões, um mundo tridimensional. O fotograma, menor unidade de expressão cinematográfica, é o fragmento de uma obra de arte, levando-se em conta sua composição, proporções, distribuição de pessoas e objetos, contrastes de claro e escuro e combinações de cor. Com o elemento temporal, o filme adquire um significado subjetivo, fazendo com que o tempo de projeção não coincida com o tempo narrativo. O autor escolhe os momentos mais significativos e dispensa as cenas sem valor. Isso o leva a dilatar ou acelerar o tempo, segundo suas conveniências. O tempo se relaciona com o ritmo narrativo: em cenas de grande tensão o ritmo se acelera, em cenas de relaxamento ele se detém. Recursos próprios da literatura (palavras), do teatro (cenografia), da fotografia (imagem, luz), das artes plásticas (decorações, composições) são utilizados pela estética cinematográfica, que se vale, para isso, de recursos como os movimentos de câmara e a tomada de diferentes planos enquanto se roda o filme.
A unidade básica de um filme é o plano, tomada feita pela câmara de uma só vez, sem interrupção. Graças à montagem, diferentes planos podem dar-nos uma visão completa de um objeto. Cada plano cumpre uma função expressiva: os gerais descrevem o ambiente onde transcorre a ação e os próximos realçam os sentimentos e emoções dos personagens, concentrando a atenção do espectador. Com esse objetivo, os planos se classificam também em fixos e móveis, estes ligados aos movimentos da câmara, fator primordial de subjetividade.

As primeiras exibições cinematográficas ocorreram em cafés e feiras. Apareceram nos Estados Unidos as salas chamadas de nickelodeons, porque o preço dos ingressos era uma moeda de cinco cents, ou níquel. As salas comerciais em geral pertencem a grandes companhias exibidoras que, nos últimos anos, dada a redução de público, vêm preferindo reunir várias salas pequenas num só local, como ocorre nos shopping centers.

Existem também salas de projeção especializadas em filmes que, por sua temática ou técnicas, se destinam a um público menor. São os chamados cinemas de arte. Há ainda salas que pertencem a cine-clubes e exibem filmes para platéias especiais ou agrupamento de aficcionados, que combinam a projeção com palestras e debates. Este último modelo se encontra, em geral, ligado a cinematecas, entidades que colecionam, conservam, restauram e exibem os filmes que marcaram a história do cinema e a evolução estética.