terça-feira, 9 de setembro de 2008

Falta de segurança tira passageiros da rodoviária e ônibus têm que parar em Londrina

A ausência de segurança e a inanição do poder público vêm causando sérios prejuízos aos comerciantes que trabalham na região da rodoviária e aos passageiros que transitam pelo local. Devido os constantes assaltos e furtos, as empresas de ônibus que chegam de São Paulo, preferem parar na rodoviária de Londrina. Isso implica em fatores negativos, pois não existe sequer um guarda ou policial tomando conta da mesma. No período noturno a periculosidade é maior e vários comerciantes foram obrigados a lacrar com grades seus estabelecimentos devido as constantes ocorrências.
Bruno Alves dos Santos, morador do San Rafael, diz que a rodoviária tornou-se ponto de usuários de drogas e de alcoólatras, que em plena luz do dia fazem algazarras e promovem brigas, assustando a todos, pois ninguém sabe se estão armados. Não é difícil reconhecer tais indícios. Basta uma volta pela rodoviária e uma observação não muito apurada para constar à falta de policiamento ou de guardas, cabendo aos comerciantes a contratação de vigilância particular.
Taxista há mais de trinta anos, Dirceu Alves da Mota, de 52 anos e morador do Conjunto Ângelo Maggi, confirma que há muito tempo à segurança está precária. “Nunca vi uma rodoviária sem guarda”, lamenta. Ele diz que é comum os ônibus chegarem de madrugada, entre as 4hs30min, e os marginais surpreenderem as vítimas nos banheiros. “É difícil passar uma semana sem que as pessoas sejam assaltadas. Quem sofre mais são os idosos. Devia haver um guarda cuidando”, relata o taxista. Ele afirma que o Terminal Urbano funciona até as 23 horas. Após esse horário, a situação se agrava. “Imagina quando o Terminal mudar? A periculosidade vai crescer com o abandono da rodoviária”.
O desdém é confirmado por quem vai aos banheiros públicos e consta o estado calamitoso, crítico e degradante da conservação. Não existe papel higiênico e as privadas estão sujas. Comerciantes confirmam que as válvulas são furtadas, causando alagamentos e sujeira. Eles são os que mais padecem por ter que conviver com isto.
Com uma loja que vende lembranças, Anunciada dos Santos, de 66 anos e moradora da Vila Rosana, diz que teve seu comércio assaltado várias vezes. Há 14 anos no ponto, buscou solução com a instalação de alarmes. “Alguém tem que cuidar da rodoviária e não deixar a aglomeração de marginais. Tem muito andarilho que pede esmolas e fazem necessidades no meio da rua. Não podemos ser coniventes.” Ela é da opinião de que a polícia tinha que ser mais severa, pois o lucro está se esvaindo. “Quero me aposentar e sair daqui. A quantidade de desocupados é imensa e tem gente que até mora na beira da rodoviária. Ibiporã não merece isso”, lamenta. Anunciada diz que faz excursões e que em outras cidades, isso não acontece. “Em Londrina, os guardas encaminham essas pessoas ao serviço de Assistência Social. Com a marginalidade o movimento caiu até 90%”.
Procuramos a Policia Militar de Ibiporã para obter maiores informações e fomos informados que é impossível um policial ou uma viatura ficar na rodoviária por vinte quatro horas, devido o número reduzido do efetivo. Em relação a denúncias e ocorrências, o cidadão deve ligar para o 190. A Policia Militar confirma que a quantidade de pessoas alcoolizadas, na região, é grande e que a população não deve dar esmolas, pois a mesma será utilizada na compra de bebidas alcoólicas. Ela orienta que, ao ser abordo pelos pedintes que alegam precisar do dinheiro para comprar alimentos, se negue a dar, pois a mendicância é um delito, tornando-se algo proibido pelo Código Penal Brasileiro.
A PM também diz que ao dar esmola, a mendicância é estimulada e cabe a todos dar oportunidades de trabalho.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A crescente onda populista

Em 2002, o ex-operário Luís Inácio Lula da Silva, vencia as eleições presidenciais no Brasil depois das derrotas para Fernando Collor de Melo em 1989 e FHC em 1994 e 1998. Lula, a exemplo de FHC, não têm um opositor representativo e caminha facilmente para um segundo mandato. A política, antes dominada pelas elites oligarquicas, brancas e burguesas, vai perdendo espaço para um novo tipo de líder: o populista.
O fenômeno, tão temido e perseguido por quem detêm o poder econômico e político é de grande importância para as classes sociais menos favorecidas. O motivo, segundo sociólogos, é a da identificação do eleitor com o político, muitas vezes oriundo das classes sociais mais baixas (a exemplo de Lula), pela aplicação de políticas assistencialistas que conquistam e atendem as necessidades do povo e pela corrupção que tomou conta dos partidos e das instituições, que estão sem nenhuma credibilidade.
O populismo é tão crescente na América Latina, que muitos países estão a caminho dele ou adotando-o à sombra de lideranças indígenas, como nos países andinos ou no México, que preserva traços indígenas na população e cultura.
Falta ao Brasil se dar conta desta realidade. Também, é necessário explicar, que não se deve confundir a elevação de indígenas a cargos políticos em países que têm grandes parcelas de índios, mestiços e crioulos, com o populismo aplicado.
O populista, conhecido como “pai do povo” ou “pai dos pobres” esta presente nas classes C, D e E, que há tempos são enganadas e exploradas pelas elites. Assim, ganham confiança e votos desta maioria. Por outro lado, muitos populistas são demagogos, tem posturas radicais, ameaçam a estabilidade econômica com medidas nacionalistas que espantam possíveis investidores, empresas e indústrias que poderiam criar renda e emprego para os pobres e eliminar de uma vez por todas o assistencialismo.
Sabe-se que o populismo está em curva de ascensão não por ideologias ou orientações partidárias, mas, como já dito, pela identificação do povo com estes políticos e por este, angustiado com sua pobreza, esperar uma solução imediata para seus problemas. O povo perdeu a confiança nas elites, que ao chegarem ao poder, criam leis e trabalham em benefício próprio.

domingo, 7 de setembro de 2008

Votar ou não votar, eis a questão - Por Paulo Monteiro

Apesar dos pesares, políticos envolvidos em corrupção podem ser eleitos novamente. Eleitores necessitados tornam-se vítimas frágeis desses candidatos.

Com pouco mais de vinte anos de democracia, o Brasil tem em sua história cicatrizes causadas pela corrupção. Londrina, por exemplo, que é a terceira maior cidade do sul do país e irmã-vizinha de Ibiporã, não escapou ilesa aos ferimentos. Vereadores, deputados e prefeitos, mostraram que apesar do poder de mudança em suas mãos, para transformar a triste realidade de seu povo, se enfraquecem e caem corrompidos. O que seria motivo de humilhação, desgosto e o final de suas carreiras políticas, se torna algo de experiência e, muitos deles estão de volta em 2008 como candidatos a mais uma eleição.
Os eleitores se dividem entre votar ou não votar em candidatos que se envolveram em casos de corrupção no passado. O estudante Jonas Sinfrónio Mendonça expressa sua opinião. Com fisionomia negativa após a pergunta do repórter, Mendonça diz negar voto a um político com o passado ilícito. Ele comenta que "quando as pessoas não sabem que está dirigindo seu voto a um corrompido, tudo bem. Mas, quando se conhece o candidato e mesmo assim vota nele, é tão cúmplice quanto o corrupto". Na opinião do estudante, quem anula o voto é porque está conivente com a situação. "Não acredita em mudança para um novo mandato do político que esteve envolvido em escândalo. Uma vez corrupto, sempre corrupto", finaliza.
Opiniões se confrontam em relação ao assunto. O auxiliar de produção, Genildo Costa Lino, não vê diferença se o político é corrupto ou não. Sobre a reeleição de um político envolvido em escândalos, ele afirma: "posso votar no candidato outra vez. Se ele vai ou não roubar, não me importo, ele rouba, mas faz".
Muitos dos que acusados em esquemas de corrupção ainda permanecem e foram reeleitos, independente da esfera do poder. Mudam-se as figuras do executivo, permanecendo o legislativo. Cabe a população e ao eleitor não confiar em políticos que já se corromperam e os indícios da continuidade dos erros são enormes.
Professor e sociólogo, Wilson Sanchez explica que muitos votam em candidatos de passado negativo porque estes políticos, através do assistencialismo, conquistam a simpatia dos eleitores com ajuda imediata. Necessidades como arroz, feijão, uma casa ou matricular filhos em escolas próximas de sua casa. "Os políticos sabem muito bem como trabalhar este discurso e assim se reelegerem", diz. Sanchez aponta que o maior problema é a lei brasileira que permite políticos corruptos a se candidatarem. "Devido à falta de credibilidade, o povo imagina que todos os políticos são ou serão corruptos. Por conseqüência, votam no que será melhor a ele", completa.

Paulo Monteiro é acadêmico de Jornalismo e contribui para o Jornal Nossa Terra, de Ibiporã.

Carta à redação do Nossa Terra

Boa Tarde Sr. Marcelo Souto.

Referente à matéria "Opinião", da página 02, da 2ª quinzena de agosto de 2008, acho oportuna esta denúncia pelo seguinte e ao mesmo tempo pergunto:

1) Não é proibida a contratação de pessoas para trabalhar no dia do pleito?
2) Uma pessoa não poderá entrar na cabine de votação, simular o voto para um candidato, registrar a foto e depois tentar denunciar o candidato fotografado como quem estaria comprando o voto? 3) Não seria o caso de proibir a entrada de qualquer equipamento que possa registrar imagens dentro da cabine de votação?

Observação: Sou presidente de seção na mesa receptora de votos na eleição.
José Aguimar de Freitas

Resposta: Boa tarde senhor José Aguimar de Freitas. Fico feliz e agradeço o e-mail referente à fiscalização no dia do pleito. Antes de ser um jornalista, sou cidadão e como todo cidadão, tenho que exercer plenamente meus direitos e cumprir os deveres cívicos a mim cabidos. Na minha opinião, a sociedade não pode ficar nas mãos de políticos e de pessoas corruptas, que promovem meios ilícitos para captar votos. Vivemos uma democracia recente e cabe a todos construir e fortalecer as bases para que haja justiça e igualdade. O senhor, como presidente de mesa, sabe que as ações irregulares e a coação para a compra de votos são enormes e todos da sociedade civil organizada temos que combate isso. Quanto à contratação de pessoas, no dia do pleito, essa não é permitida, conforme a resolução 22.718/2008:

CAPÍTULO IX - DISPOSIÇÕES PENAIS
Art. 46. Constituem crimes, no dia da eleição, puníveis com detenção de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de R$5.320,50 (cinco mil trezentos e vinte reais e cinqüenta centavos) a R$15.961,50 (quinze mil novecentos e sessenta e um reais e cinqüenta centavos) (Lei nº. 9.504/97, art. 39, § 5º):
I - o uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata (Lei nº. 9.504/97, art. 39, § 5º, I); II - a arregimentação de eleitor ou a propaganda de boca-de-urna (Lei nº. 9.504/97, art. 39, § 5º, II); III - a divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de seus candidatos, mediante publicações, cartazes, camisas, bonés, broches ou dísticos em vestuário (Lei nº. 9.504/97, art. 39, § 5º, inciso III).
Entende-se como arregimentação, o mesmo que contratação. Mas, caso haja maiores dúvidas, o Cartório Eleitoral pede esclarece-las.

Segundo a lei, é permitido:
Art. 70. É permitida, no dia das eleições, a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato, revelada no uso de camisas, bonés, broches ou dísticos e pela utilização de adesivos em veículos particulares. § 1º É vedada, durante todo o dia da votação e em qualquer local público ou aberto ao público, à aglomeração de pessoas portando os instrumentos de propaganda referidos no caput, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos. § 2º No recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras, é proibido aos servidores da Justiça Eleitoral, aos mesários e aos escrutinadores o uso de vestuário ou objeto que contenha qualquer propaganda de partido político, de coligação ou de candidato.
Caro Freitas, quanto à denúncia de simulação de voto, a resolução 22.712/2008 explica que não é permitida a entrada de aparelhos que capturem imagens. Portanto, cabe aos mesários e presidente de mesa, coibir a ação para que não haja fraudes:
- A Seção II da Resolução 22.712/2008, normaliza as atribuições dos Membros da Mesa Receptora. O artigo 44, explica que: Compete ao presidente da mesa receptora de votos e da mesa receptora de justificativas, no que couber. VI - manter a ordem, para o que disporá de força pública necessária; VII - comunicar ao juiz eleitoral as ocorrências cujas soluções dele dependerem.

Na Seção III, da mesma resolução, é determinado que: VIII - no recinto da mesa receptora de votos, o eleitor não poderá fazer uso de telefone celular, equipamento de radiocomunicação ou outro equipamento que possa comprometer o sigilo do voto.
Caso haja maiores dúvidas, entre em contato conosco ou fale com o Cartório Eleitoral de Ibiporã ou no Ministério Público. Eles funcionam de segunda a sexta, das 8 as 11hs30 e das 13 às 17 horas, pelo telefone 32585421.

Grato pelas considerações.

sábado, 6 de setembro de 2008

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Capítulo I - Do direito à informação
Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I - a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
II - a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III - a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV - a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, deve ser considerada uma obrigação social;
V - a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Capítulo II - Da conduta profissional do jornalista
Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
Art. 6º É dever do jornalista:
I - opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II - divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III - lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV - defender o livre exercício da profissão;
V - valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI - não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII - combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
VIII - respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX - respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X - defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;
XII - respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII - denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
I - aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
II - submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
III - impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV - expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V - usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI - realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VII - permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII - assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
IX - valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.
Capítulo III - Da responsabilidade profissional do jornalista
Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I - visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II - de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
III - obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;
Art. 12. O jornalista deve:
I - ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II - buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III - tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV - informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
V - rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
VI - promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
VII - defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII - preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX - manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X - prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.
Capítulo IV - Das relações profissionais
Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
Art. 14. O jornalista não deve:
I - acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
II - ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III - criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.
Capítulo V - Da aplicação do Código de Ética e disposições finais
Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
§ 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
§ 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
§ 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I - julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
II - tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III - fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV - receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V - processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
VI - recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.
Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único - Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.

Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas

Crime e Castigo - Dostoievski

Para o pensamento crítico literário, a obra de Dostoievski se decompôs em várias teorias filosóficas autônomas mutuamente contraditórias, defendidas pelos heróis dostoievskianos, onde o autor é considerado como um dos maiores inovadores no campo da forma artística. Suas concepções filosóficas não figuram nas obras, mas a exposição dos personagens é mais envolvente, onde as vozes do autor e das personagens se confundem e se transformam numa síntese peculiar de todas essas vozes ideológicas. Em Dostoievski, se cria polêmica, aprende e se desenvolvem concepções que chegam a sistemas acabados.
Para a consciência dos críticos, o valor direto e pleno das palavras do herói desfaz o plano monológico e provoca resposta imediata, como se o herói não fosse objeto da palavra do autor, mas veículo de sua própria palavra, dotado de valor e poder pleno. Essa peculiaridade foi observada por B.M. Engelgardt, que afirma o seguinte:

“Ao examinar a crítica russa relativa às obras de Dostoievski, percebe-se facilmente que, salvo poucas exceções, ela não ultrapassa o nível intelectual dos heróis preferidos do escritor. Não é ela que domina a matéria que manuseia, mas é a matéria que a domina inteiramente. Ela ainda continua aprendendo com Ivan Karamazov, Raskólnikov, Stavróguin e o Grande Inquisidor, enredando-se nas contradições em que eles se enveredam, detendo-se perplexa diante dos problemas que eles não resolveram e inclinando-se para lhes reverenciar as emoções complexas e angustiantes”.

É evidente que não se pode explicar essa peculiaridade da literatura crítica sobre Dostoievski apenas pela impotência metodológica do pensamento crítico e considerá-la completa transgressão da vontade artística do autor. Semelhante a abordagem da literatura crítica, assim como a concepção não preconceituosa dos leitores, que sempre discutem com os heróis de Dostoievski, corresponde de fato à peculiaridade estrutural basilar das obras desse autor. Em semelhança a Prometeu de Goethe, Dostoievski não cria escravos mudos (como Zeus), mas pessoas livres, capazes de colocar-se lado a lado com seu criador, de discordar dele e até rebelar-se contra ele.
A multiplicidade de vozes e consciências independentes e inamissíveis e a autêntica polifonia de vozes plenivalentes constituem a peculiaridade fundamental dos romances de Dostoievski. Não é a multiplicidade de caracteres e destinos que, em um mundo objetivo uno, a luz da consciência una do autor, se desenvolve nos seus romances. É precisamente a multiplicidade de consciências eqüipolentes e seus mundos que aqui se combinam numa unidade de acontecimento, mantendo sua imiscibilidade. Dentro do plano artístico de Dostoievski, suas personagens principais são, em realidade, não apenas objetos do discurso do autor, mas os próprios sujeitos desse discurso diretamente significante. Por este motivo, o discurso do herói não se esgota, em hipótese alguma nas características habituais e funções temáticos pragmáticas, assim como não se constitui na expressão da posição propriamente do autor. A consciência do herói é dada como a outra, a consciência do outro, mas ao mesmo tempo não se objetifica, não se fecha, não se torna mero objeto da consciência do autor. Neste sentido, a imagem do herói em Dostoievski não é a imagem objetivada comum do herói no romance tradicional.
Dostoievski é o criador do romance polifônico, um gênero romanesco essencialmente novo. Por isto sua obra não cabe em nenhum limite, não se subordina a nenhum dos esquemas históricos literários que se costuma aplicar as manifestações do romance europeu. Suas obras marcam o surgimento de um herói cuja voz se estrutura do mesmo modo que se estrutura a voz do autor no romance comum. A voz do herói sobre si mesmo e o mundo é tão plena como a palavra comum do autor não está subordinada à imagem objetificada do herói, uma de suas características, entretanto, tampouco serve de interprete da voz do autor. Ela possui independência excepcional na estrutura da obra, como se soasse ao lado da palavra do autor, coadunando-se de modo especial com ela e com as vozes plenivalentes de outros heróis.
A imagem da polifonia e do contraponto indica apenas novos problemas que se apresentam quando a construção do romance ultrapassa os limites da unidade monológica habitual, assim como na música, os novos problemas surgiram ao serem ultrapassados os limites de uma voz. Vale afirmar que as matérias da música e do romance são diferentes demais para que se possa falar de algo superior à analogia figurada, que é representada pela simples metáfora. Entretanto, é essa metáfora que transformamos no termo romance polifônico, pois não encontramos designação mais adequada, não se podendo esquecer a origem metafórica dos termos.
O problema da polifonia foi levantado com muita precisão e amplitude por A. V. Lunatcharsky, no artigo “O mnogogolósnosti Dostoievskovo” (Acerca da multiplicidade de vozes em Dostoievski). Lunatcharsky partilha a tese do romance polifônico, admitindo que M.M. Bakhtin consegui não apenas estabelecer a imensa importância da multiplicidade de vozes no romance de Dostoievski, o papel dessa multiplicidade de vozes como traço característico mais importante do seu romance, mas também determinar com exatidão a imensa autonomia e a plenivalência de cada voz, desenvolvida de maneira formidável em Dostoievski. O autor ainda salienta corretamente que todas as vozes que desempenham papel realmente essencial no romance são convicções ou pontos de vista acerca do mundo. Ainda há de ser citado que o drama é por natureza estranho a autentica polifonia: pode ter multiplicidade de planos, mas não pode ter multiplicidade de mundos, admite apenas um e não vários sistemas de referência. Em essência, há em cada drama apenas uma voz plenivalente do herói, ao passo que a polifonia pressupõe uma multiplicidade de vozes plenivalentes nos limites de uma obra, pois somente sob essa condição são possíveis os princípios polifônicos de construção do todo. A liberdade inaudita de vozes na polifonia de Dostoievski, que impressiona o leitor, resulta justamente do fato de ser em essência limitado, o poder de Dostoievski sobre os espíritos que ele despertou.
Dostoievski tinha o dom genial de auscultar o diálogo de sua época, ou em tempos mais precisos, auscultar a sua época como um grande diálogo, de captar nela não só as vozes isoladas, mas antes de tudo as relações dialógicas entre as vozes, a interação dialógica entre elas. Ele auscultava também as vozes dominantes, reconhecidas e estridentes da época, ou seja, as idéias dominantes, principais (oficiais e não oficiais), bem como vozes ainda fracas, idéias ainda não inteiramente manifestas, idéias latentes ainda não auscultadas por ninguém exceto por ele e idéias que apenas começavam a amadurecer, embriões de futuras concepções de mundo.
No diálogo de seu tempo, Dostoievski auscultava também os ecos das vozes-ideias do passado, tanto do passado mais próximo, quanto do mais distante, procurando auscultar as vozes idéias do futuro, tentava adivinha-las, por assim dizer, pelo lugar a elas destinado no diálogo já desencadeado a réplica ainda não pronunciada do futuro. Deste modo, no plano da atualidade confluíam e polemizavam o passado, o presente e o futuro. Dostoievski nunca criava suas imagens das idéias a partir do nada, nunca as inventava, como o artista não inventava as pessoas que retrata. Sabia ausculta-las ou adivinha-las na realidade presente. Por isto podemos encontrar e indicar certos protótipos para as imagens das idéias nos romances de Dostoievski, bem como para as imagens dos seus heróis. Assim, por exemplo, os protótipos das idéias de Raskolnikov foram às idéias de Marx Stirner, expostas no tratado “O Único e sua Particularidade”, e as idéias de Napoleão III, desenvolvidas por ele no livro “A História de Júlio César”, um dos protótipos das idéias de Piotr Vierkhoviénsky foi o “Catecismo de um Revolucionário”; foram protótipos das idéias de Viersílov as idéias de Tchaadáiev e Herzen. Nem de longe foram descobertos e indicados os protótipos das idéias de Dostoievski. Salienta-se que não se trata das fontes de Dostoievski, mas sim dos protótipos das imagens das idéias.
Dostoievski absolutamente não copiou nem expôs esses protótipos, mas os reelaborou de maneira livremente artística, convertendo-os em imagens artísticas vivas de suas idéias, rigorosamente como faz um artista com seus protótipos humanos. O que ele fez, acima de tudo, foi destruir a forma monológica fechada das idéias protótipos e incluí-las no grande diálogo dos seus romances, onde elas começam a viver uma nova vida artística factual.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Família Dechavos: Hardcore puro nas veias

Composta por três irmãos, a Dechavos lançará CD pela Lei de Incentivo à Cultura

Para quem gosta de hardcore, um estilo musical que muito têm a ver com o punk-rock, a Dechavos é um expoente deste som.
A banda, que têm por formação os irmãos Murilo (vocal e guitarra), Gabriel (bateria), Felipe (baixo) e o amigo Nelsinho (guitarra), surgiu da inspiração dos músicos pelo rock e por influência dos amigos. Murilo, que hoje conta com 25 anos, disse que aos 20 anos queria montar uma banda de rock. Como já tocava violão, decidiu comprar uma guitarra e investir na carreira de músico se dedicando ao instrumento. Influenciados pelo irmão mais velho, Gabriel, hoje com 18 anos, comprou uma bateria e Felipe, que têm 20 anos, adquiriu um baixo. Foi aí que surgiu a Família Dechavos. Detalhe: todos aprenderam a tocar sozinhos. Depois de um ano, Nelsinho, que é amigo da turma, entrou para tocar guitarra.
Com uma demo de nove faixas, a Dechavos, comemora em abril, quatro anos de existência. “Nestes quatro anos já tocamos em diversos palcos de Londrina, além de participarmos de festivais, programas de TV, eventos sociais e culturais, como a Mostra Zumbi dos Palmares, que acontece todos anos”, diz Murilo.
Esperando lançar um CD pela Lei de Incentivo à Cultura, a Dechavos quer colocar suas músicas nas rádios FM’s, criar visibilidade junto ao público jovem, ganhar fãs e fazer mais shows. “Hoje em dia, deveria haver mais espaço e convite para as bandas da periferia tocar em locais públicos e eventos, já que muitas vezes, isso fica restrito apenas para o pessoal do centro”, critica o vocalista Murilo Dechavos. . Murilo lembra que as letras e as músicas da demo foram escritas por ele e pelo Felipe e que nos shows, que duram 2 horas, tocam as nove faixas e alguns covers do Sistem of a Down, Raul Seixas e Rammstein, esta última, uma banda de hardcore alemã. Para os interessados em fechar shows com a Dechavos, pode ligar no 3326-3735, ou no 84033106.


Música: Já me ganhou (Murilo Dechavos)

Estava lá na festa em uma noite de calor
Quando você veio por trás e e me abraçou
Não reconhecia, mas fiquei aliviado com aquela linda moça sorrindo ao meu lado
Você foi para sua mesa me olhando prá valer
Quando me toquei já estava aos beijos com você

Refrão 2x
Aquela minha, já me ganhou
Com aquele beijo me amarrou

Fim de festa, eu e ela logo se mandou
Fiquei de cara que ninguém acreditou
Foi num motel que a gente acordou
E até hoje eu sinto seu calor

Refrão 2x

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Crônica - O amor na modernidade

Como a modernidade mudou minha vida! Lembro-me dos tempos em que fazia jornalismo e tinha que colar as letras e os tipos no papel, para que pudessem ser impressos. Sem falar no barulho ensurdecedor da impressora. Hoje tudo mudou. Basta copiar e colar que tudo está resolvido. Não que seja saudosismo barato ou que traga as memórias do passado recente. Mas há situações que fizeram parte da vida de muitas pessoas que estão próximas ou já passaram dos trinta anos.
O mundo mudou tanto, que acho até engraçado quando vejo uma revista antiga, de duas décadas atrás, com fotos de roupas e cabelos que causariam frisson hoje. Ver cenas e fotos do passado ajuda o ser humano a se ver como é atualmente e comparar com o passado, para saber se mudou muito. Eu mudei. No pensamento e principalmente quando me observo no espelho.
Tenho a memória avivada quando saio às ruas e vejo os motociclistas de capacetes e protetores. Em seguida, vêem a mente à imagem opaca de vinte anos atrás do motoqueiro sem proteção alguma, como a falta do capacete. São imagens de cores fracas e com uma paisagem deslumbrante, cheia de árvores e porque não romântica? Mas, temos que voltar ao século 21, onde esse absurdo não encontra mais espaço no meio da poluição e das constantes fiscalizações dos policiais, que não inferem em nada ao exercerem a sua obrigação de cuidar do trânsito.
Mas, voltando ao computador, nos idos dos anos oitenta, quando estudava na escola fundamental e nos anos noventa, quando me dedicava aos esportes e ao ensino médio, tenho a lembrança tortuosa do que era fazer um trabalho escolar. O martírio era grande e as páginas de cadernos ficavam em quantidades maiores. Saíamos de casa em direção as bibliotecas em busca de livros e sedentos de informações para que pudéssemos explicar aos colegas de classe e para a professora, como funcionava a fotossíntese ou na apresentação de seminários que contavam a história de Tiradentes.
Idos tempos em que à modernidade não aplicava a fragmentação aos fatos e das informações pela internet. Para conversarmos ou mantermos um namoro à distância, tínhamos que aguardar dias e semanas para receber a carta da pessoa amada que morava em outra cidade ou estado. Graças ao messenger, quem namora a distância pode ser ver e conversar por mensagens instantâneas. Mas será que é só isso?
Vou defender os frankfurtianos e pedir aos cientistas que evoluam as máquinas e que se faça a revolução científica. Não haverá mortes, tiros, a revolução não será televisionada e também não será a favor de causas engajadas politicamente, como o combate à corrupção ou a defesa do meio ambiente, da saúde e educação. Isso existe e todos devem participar. Quero fazer algo que tenha uma nova concepção. Não posso perder a minha essência de ser humano e o desejo de amar, tocar e sentir pelo olfato e pelo tato o beijo e o carinho. Faremos algo diferente e as pessoas se aproximaram cada vez das outras pelo computador. Se eu falar que as relações modernas não são frias, são românticas e tem muito carinho e afeto, vou passar por mentiroso. Temos que se unir para que a humanidade não seja perdida e com elas as relações afetuosas. No entanto, como vamos fazer isso? A resposta é difícil e devemos pensar.
Diante de tanto coisa diferente e se os cientistas conseguirem desenvolver tal projeto, tenho apenas um medo: que no momento do orgasmo, acabe a energia elétrica!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Enquete - O que falta no seu bairro?

A enquête dessa edição, perguntou aos moradores de Ibiporã o que falta no bairro onde ele vive. Entre as respostas, a falta de emprego e segurança é o que mais preocupam as pessoas. Participe. Envie sua sugestão de pauta para: jnossaterra@gmail.com

- Não tempos segurança em diversos pontos de Ibiporã. Na Vila Esperança, onde moro, recentemente um rapaz levou um tiro na perna de bala perdida e vi muita gente morrer de forma violenta. Falta trabalho e capacitação para os jovens. Se existisse algum projeto ou escola profissionalizante, eles estariam ocupados e nada disso aconteceria. – Vitor Gonçalves Mendes, aposentado de 75 anos e morador da Vila Esperança.

- Hoje temos muito vandalismo. O sujeito, que está desocupado, quebra bancos de praças e telefones públicos. A polícia devia monitorar essas ocorrências e direcionar as viaturas para coibir abusos desses infratores. – Batista Amaro Ferreira, vendedor de 69 anos e morador do Padre Rino Nogoroto.

- Faltam empregos para todos, mas principalmente aos jovens. Devia haver mais empresas e indústrias em Ibiporã através de incentivo fiscal. Os tributos são altos e afastam as empresas para cidades como Cambé, onde os impostos são menores. Sem trabalho, temos apenas o desemprego. – Délcio Venâncio de Souza, aposentado de 48 anos e morador do centro.

Não temos empregos, saúde e principalmente falta segurança. Devido a falta de segurança, temos fatores negativos como os freqüentes furtos e roubos na rodoviária, onde trabalho. Aqui não tem sequer um policial ou guarda. Há quatro semanas fui assaltado e tive prejuízo de R$600,00. Os comerciantes tiveram que colocar grades nos vidros e os ônibus que vinham de São Paulo, após a meia noite, só param em Londrina devido à violência. Isso baixou o movimento do comércio. – Rui José Diniz, comerciante de 51 anos e morador do Centro.

A construção social da realidade: A sociedade como realidade subjetiva

A interiorização da realidade

A socialização primária: O ser humano vive em comunidade e o conhecimento/convivência desenvolve seu caráter e personalidade. Isso começa na infância e tem envolvimento biológico.
- Conforme há aprendizagem, ela se retrata ao 1ª Conhecimento. A criança, que é inocente, para se ajustar a realidade, deve absorver as informações pela linguagem adequada.
- Cada sociedade tem parâmetros e as classes sociais também. Essa é a socialização 1ª, onde conceitos são interiorizados e estabelecidos na consciência/biografia ulterior.
A socialização secundária: A Socialização 2ª é a interiorização de “submundos” institucionais ou baseados nas instituições, na divisão do trabalho e na distribuição social do conhecimento. Seus portadores são facilmente reconhecidos pela aquisição do conhecimento de funções específicas, direta ou indiretamente na divisão do trabalho.
Ela exige a aquisição de vocabulários específicos e interiorização dos campos semânticos específicos. É parcial, vive em contraste com a socialização 1ª, mas é
coerente. Depende de aparelhos legitimadores acompanhados de instrumentos materiais, ritos, símbolos e linguagens. Os símbolos são interiorizados fazendo-o ser tornar-se parte disso ao compreender e assimilar a linguagem. Com isso, o ser humano se comunica com seus comuns em alusões ricas na comunidade, mas obtusas a quem não é do círculo. Sua sustentação e legitimação se dá por ritos, máximas, construções mitológicas, cerimônias e objetos físicos.
A Socialização 2ª depende do status do conhecimento no universo interior da totalidade, se dá numa personalidade formada e mundo exteriorizado. Assim, as limitações biológicas são menos importantes e o conhecimento primário é fundamental no embasamento.
As relações 2ª são anônimas devido a qualquer um poder representá-las, tornando o fator afetivo mais distante. Porém é menos subjetivo e mais fácil de anular. Isso estabelece distância do EU total e sua realidade. No entanto a socialização 2ª nos possibilita o saber e o conhecimento, seja intrínsecas ou não.
Na Socialização 2ª há transformação da realidade do indivíduo. Com isso há maior grau de afetividade necessária, quando o ser se “entrega e se sacrifica”.

- Declínio da instituição família: CONSERVAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE SUBJETIVA

Há diversos movimentos e procedimentos para conservar a realidade subjetiva apreendida na consciência individual contra metamorfoses e situações marginais. A rotina é algo que conserva a realidade.
EXEMPLO: TREM
É pela conservação da identidade que define-se a realidade objetiva e a manutenção da realidade subjetiva. Existem os “coros”. São as pessoas ao redor que definem sua identidade e relações que mantém sua realidade. Seja degradante ou não. Conforme o grau de proximidade, maior a influência na realidade.
O diálogo/conversa, são veículos pertinentes na conservação da realidade ao modificar e reconstruir a realidade subjetiva, além de conservar a coerência dum mundo julgado como verdadeiro. A perca da casualidade assinala a quebra de rotinas e ameaça a realidade conservada verdadeira.
A conversa modifica a realidade ao abandonar, acrescentar ou explicar, pela discussão, experiências vividas ou que estão no consciente. É a atualização necessária do ser-humano, que de frente com o emprego da língua, mantém a realidade.
A descontinuidade é uma ameaça as relações. Quem supri a falta dela são as correspondências ou conversas intensas e freqüentes. Mas é a conversa face-a-face que intensifica as relações e a conservação da realidade subjetiva.
A dúvida pode ser uma desintegradora da realidade. Para isso há procedimentos contra colapsos. Rituais coletivos se institucionalizam nas catástrofes ou procedimentos conservadores da realidade são estabelecidos para enfrentar estrangeiros que possuem outra realidade. Se faz uma “higiene mental” ao se ter contato com outra realidade.
Devemos pensar que: Viver em sociedade acarreta processos contínuos de modificação da realidade subjetiva. Isso é ALTERNAÇÃO. Ela se dá pela re-socialização e assemelha-se a socialização primária. No entanto é diferente porque o ser deve desmantelar e desintegrar a estrutura subjetiva. Para isso é necessária a interação.
O maior protótipo da alternação é a conversão religiosa. Sendo importante, também, conservá-la, levar a sério e ser plausível. É a comunidade/meio que dá plausividade a nova realidade (A doutrinação política e a psicoterapia imitam a religião).
Concluí-se que as transformações são comuns na sociedade contemporânea devido a mobilidade social ou treinamento profissional. Ela é aceitável porque se insere na realidade, mas também cria problemas para conservar coerência entre os primeiros e os tardios elementos da realidade subjetiva. Cabe a re-socialização e a interpretação do passado para harmonizar a realidade presente.

A INTERIORIZAÇÃO E A ESTRUTURA SOCIAL: A socialização realiza-se sempre no contexto duma estrutura social específica. Para que haja sucesso, deve haver estabelecimento de um elevado grau de simetria entre a realidade objetiva e subjetiva. A socialização totalmente bem sucedida, antropologicamente é impossível. A mal sucedida é rara e limitada a casos de indivíduos em graves condições patológicas orgânicas.
O sucesso se dá pela simples divisão do trabalho e mínima distribuição de conhecimento. Com isso, as identidades são socialmente pré-definidas e delineadas.
Ao assumir o papel social, suas identidades são definidas (soldado/fidalgo), sendo que tais, são desconhecidas por todos, mas que se tonam definidas pela superfície na sociedade e na escala.
Há casos de socialização imperfeita, como o leproso. Ele não vive na sociedade em geral, mas sim no mundo dos leprosos. Isso imperfeição gera a perfeição mais adiante.
Outro caso da socialização imperfeita é quando o ser, na socialização primária, se separa com biografias distintas. É cito a criança, filha de aristocratas, educada por uma ama camponesa. Pode haver assimetria social escondida em biografia pública e privada. A discrepância é comum, mas a socialização imperfeita cria complexos e crises de identidade externada e materializada.
Discordâncias entre a socialização primária e secundária conduzem a socialização imperfeita. Ela é visível em realidades e identidades subjetivas opostas. O exemplo está no sujeito que não realizou sua identidade subjetiva escolhida, tornando-a fantasia. O fato gera tensões e inquietudes.
A manipulação é comum quando se veste, deliberadamente e de propósito, uma interiorização não afetiva duma nova realidade. Seu uso se dá por diversas finalidades. A consternação é comum em mundos discrepantes e com base no mercado. O papel, no qual pode desliga-se em sua consciência, desempenha, muitas vezes, fins de manobra.
O SER REPRESENTA O QUE NÃO É. SUPÕE SER AQUILO QUE É. ISSO NÃO É DE SE RECRIMINAR, MAS SE TORNA TÍPICO NA SOCIEDADE INDUSTRIAL PLURALISTA CADA VEZ MAIS DINÂMICA.

TEORIAS SOBRE A IDENTIDADE: A identidade, formada por processos sociais, é elemento chave da realidade subjetiva. Uma vez cristalizada, é mantida, modificada ou remodelada pelas relações e estruturas sociais.
A identidade se cria pela dialética entre teoria e realidade. São comuns problemas quando há conflito entre identidade subjetiva e atribuições sociais de identidade. Para reverter quadros patológicos negativos, existem os psicólogos e os psiquiatras. (Cito horário/data. Não sabe porque é louco ou veio do oriente ou casos de possessão demoníaca/neurose, explicadas empiricamente/experiência na vida social cotidiana).

ORGANISMO E SOCIEDADE: O organismo afeta cada fase da construção da realidade, sendo ele também afetado pelas atividades. “A animalidade do homem transforma-se em socialização, mas não é abolida”. A animalidade e socialidade coexistem. Assim a dialética entre natureza e sociedade renova-se em cada indivíduo. É a dialética entre o substrato biológico do indivíduo e sua identidade socialmente produzida.
Fatores biológicos limitam a gama de possibilidades sociais abertas a qualquer indivíduo. Por outro lado a sociedade impõe limites ao ser biológico. Exemplos como longevidade, sexo e nutrição são comuns e determinados pela sociedade.
A socialização causa frustração biológica, quando o esfomeado ou o sonolento não podem atender suas necessidades. Porém a existência social depende da resistência biológica do indivíduo como legitimação ou institucionalização.
Tendo conhecimento de que é um organismo, existe a constante e dialética luta entre o “eu-superior” e um “eu-inferior”. A equiparação é feita entre a identidade social e sua animalidade social. Isso faz o “eu-social” vencer o substrato biológico.