sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sem formação necessária, pessoas buscar EJA para se recolocar no mercado de trabalho

Em Londrina ainda há vagas abertas e Núcleo de Educação pede que se tome cuidado com “falsas promessas”.

A formação básica é necessária para que os cidadãos alcancem melhores salários e postos de trabalho. Porém, muitos não tiveram oportunidade de concluir os estudos. A evasão escolar, que ocorre com maior freqüência no período noturno, segundo Eunice Satie Fusita, coordenadora auxiliar do EJA (Educação para Jovens e Adultos), implica em fatores sociais, como desmotivação, mudança, jornada de trabalho, desistência, obrigatoriedade de cuidar dos filhos ou afazeres domésticos. “Não há prioridade quanto à qualificação profissional para ingresso no mercado. Quando existe, o individuo encontra diversas barreiras”. Eunice diz que muitos alunos vêem a escola como uma opção de sucesso e o estudo como ferramenta para melhoria da condição social.
Luiz Cláudio dos Santos Furani, 22, mora no Maria Cecília, Zona Norte de Londrina e parou os estudos na 5ª série. Hoje retorna a escola, deseja terminar o ensino médio e ingressar no curso de mecânica de avião. “Após oito anos parado, vi que a escolaridade faz muita diferença”.
Furani freqüenta o EJA no Colégio Estadual Ubedulha Correa de Oliveira. A professora Rosalina Neves Presses, coordenadora itinerante do CEEBJA (Centro de Educação Básica para Jovens e Adultos), relata que a procura pelo curso é grande e todos os dias há pessoas se matriculando. “No EJA a evasão é pequena. Os alunos têm um objetivo. Caso isso ocorra, se traça um plano e entramos em contato com o mesmo”. Rosalina afirma que as aulas são separadas por disciplinas, cursadas individualmente. “Nas aulas de educação física, por exemplo, trabalha-se a qualidade de vida através de filmes e atividades. Os trabalhos são feitos em grupo para que não haja sobrecarga. A estima do aluno fica elevada. Ele alcança autonomia e independência. Cada professor agrega a teoria, interdisciplinaridade e debates que envolvem temas que resgatem a estima dos estudantes”, completa.
Adão Nunes, diretor do Ubedulha, diz os resultados são diretos e a transformação no modo de pensar logo é percebida. “Isso prevê inclusão social”. Essa também é a opinião de Roberto Gonçalves, Gerente SINE Londrina. Gonçalves observa que a quantidade de vagas que exigem escolaridade de ensino médio é muito grande. “Não há pessoal muito qualificado. É preciso se adaptar. Profissões como porteiro pede conhecimentos de informática, higiene, segurança e outros afins.
Segundo a técnica pedagógica do Núcleo Regional de Educação, Marília Inês Martins Gomes, a rede pública municipal oferece o ensino fundamental I, que consiste da 1ª a 4ª série. A rede pública estadual oferta o ensino fundamental II, que equivale da 5ª a 8ª série e o ensino médio, equivalente do 1ª ao 3º ano. “No EJA o tempo de estudo é menor. São dois anos e seis meses. No ensino regular o período é maior”, completa. “É uma oportunidade única”, diz Edson Faustino dos Santos, 27 anos e morador do Jardim dos Campos, em Londrina. Edson é casado, tem uma filha de cinco anos e parou na 6ª série. “Aos 17 anos trabalhava como gari de madrugada e não conseguia estudar de manhã. Nesse intervalo de dez anos, sempre quis retornar, mas nunca conseguia”. Hoje ele trabalha numa oficina de carros, pretende eliminar algumas matérias, no EJA do Ubedulha, e iniciar o curso de torneiro mecânico.
Eunice lembra que muitas escolas particulares prometem diploma em quatro meses, mas isso não passa de propaganda enganosa, pois muitos cursos não são reconhecidos pelo Ministério da Educação. “Mesmo que demore um pouco, o ensino público é de melhor qualidade.”
Os interessados em concluir o ensino fundamental e médio, podem procurar o CEEBJA. As matriculas estão abertas o ano todo devido o modo de ensino ser por eliminação de matérias. Pode-se entrar em contato pelo telefone 33247199 e os documentos necessários para efetivar a matrícula é a fotocópia da identidade, histórico escolar original e uma foto 3X4.

Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha (11.340/06) é considerada uma importante conquista no combate à violência doméstica e familiar contra as mulheres. Recebeu esse nome como forma de homenagear a pessoa símbolo dessa luta, Maria da Penha Fernandes. Ela sobreviveu a duas tentativas de homicídio por parte do ex-marido, ficou paraplégica, mas se engajou na luta pelos direitos da mulher e na busca pela punição dos culpados.
Esta Lei responde às demandas das mulheres em situação de violência. Isso constitui um marco legislativo para as mulheres brasileiras e uma importante ferramenta para o atendimento nestes casos. Ela estabelece um paradigma ao dar novo tratamento à questão, que passa a ser considerada, uma violação de direitos humanos e não mais um crime de menor potencial ofensivo.
A lei Maria da Penha prevê a prisão preventiva e em flagrante do agressor, além da modificação da pena máxima. Antes era de seis meses a um ano. Agora passou para até três anos, com a possibilidade de ser aumentada em até um terço, caso a mulher agredida seja portadora de deficiência. Proíbe-se a aplicação de penas alternativas pecuniárias como pagamento de multa ou cesta básica pelo agressor, além de tipificar e estabelecer as formas de violência doméstica, como física, moral, psicológica, patrimonial e sexual.
A lei dispõe que a vítima deve estar sempre acompanhada de advogado durante todas as fases do processo e lhe retira a obrigação de entregar a intimação pessoalmente ao agressor. Ela estabelece que a vítima deve ser comunicada caso o ofensor seja preso ou solto.
A lei inova ao retirar dos juizados especiais a competência para julgar tais crimes e prevê a criação de Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar, ampliando os poderes do julgador. Isso permite que ele adote as medidas que julgar necessárias e urgentes para resguardar a integridade física e psicológica da vítima, como o afastamento do agressor do lar comum ou o encaminhamento da vítima a local seguro.
A Lei Maria da Penha obriga as autoridades policiais que receberam a queixa, para que encaminhem, no prazo máximo de 48 horas, pedido a juizes para que sejam tomadas medidas que garantam a proteção da vítima.
Dependendo do caso, a mulher agredida poderá ser levada a uma casa-abrigo ou requerer que seu agressor seja impedido de se aproximar dela ou dos filhos.
Todos devem se inteirar dessa matéria e lembrar o quanto a violência doméstica ainda encontra-se presente em diversos lares. É de grande importância que a sociedade participe para que a Lei Maria da Penha efetivamente possa ter eficácia.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Conto 2079 - Parte I


Em 2079, a vida no planeta Terra é bem diferente da vivida há 100 anos. O mundo é dominado pelos grandes conglomerados industriais, corporações do setor da informação, comunicação, tecnologia e, principalmente, por bancos e instituições financeiras. Nesse ambiente moderno, a cibernética media grande parte dos contatos e relações virtuais. A moeda vigente, em todo o mundo, é o Kbytes, que circula não mais por células de papel ou moeda, e sim, por questão de segurança, via cartões de crédito ou pagamentos reconhecidos por um código definido pela córnea. Essa metamorfose se estabeleceu quando um cientista encontrou, ao acaso, resquícios de um meteorito que reduziu o tamanho dos microprocessadores e chips, aumentando em 7.500 trilhões de vezes a velocidade de transmissão de imagens, voz e dados. Isso ocorreu em 2015.
Lopes, um engenheiro eletrônico, olhou para o céu e viu um astro incandescente cruzar o espaço. O objeto, circular, não caiu muito longe de onde estava e, com 15 minutos de caminhada, pode contemplar aquilo que mudaria não só sua vida, como também o rumo da humanidade. O corpo celeste tinha formas perfeitas, sua circunferência era de, no mínimo, três metros, ele era maciço e leve. Possuía tamanha leveza e poderes eletromagnéticos que apenas o dedo indicador equilibrava o objeto, mais leve que uma pena e reluzente como ouro.
Era tarde e Lopes levou-o para casa sem ninguém perceber. No outro dia, o cientista notou situações anormais a sua volta. Ao acessar seu computador, percebeu que a velocidade das transmissões de dados e informações, na Internet, eram mais rápidas do que o normal. Lopes possuía um dos mais avançados sistemas de informática, mas, naquele dia, a velocidade era surpreendente. Foi algo que jamais viu em toda sua vida científica. Conforme clicava nos links, em fração de segundos, abria-se uma interface. Achou estranho, mas sabia que aquilo não acontecia por acaso. Fez um teste com seu celular. Ao acessar conteúdo de wap e streaming, impressionou-se com a rapidez da abertura das páginas, resolução de voz e imagens, que pareciam tridimensionais. Guardou segredo para não criar alarde. Como era engenheiro, moldou diversas placas e chips para circuitos eletrônicos com microfragmentos daquele precioso metal. Como resultado, obteve instrumentos velozes e pequenos chips com memórias superiores a de um servidor. A partir daquela matéria-prima, construiu sofisticados instrumentos, máquinas e ferramentas jamais vistos pelo homem.

2079 - Parte II


A habilidade, sabedoria e paciência de Lopes eram enormes. Com determinação e horas de pesquisa, ele reproduziu, em laboratório, o meteorito. Em menos de um ano, revolucionou o mundo das telecomunicações e da informática. Porém, nunca revelou seu segredo, que fora criptografado em uma parte secreta de seu corpo. Ganhou prêmios notórios na academia e foi indicado a diversos outros prêmios, com os quais ganhou notoriedade e, junto a ela, premiações em dinheiro. Com tanto sucesso e capital inicial, montou uma fábrica que, em menos de dez anos, se transformou na maior corporação do mundo, com milhões de empregados. Seu nome era Compus. A Compus era líder mundial de produção industrial e tecnológica. Suas invenções eram tão difundidas que sua marca e produtos eram vistos em hologramas tridimensionais com mais de 30 metros de altura. Eram imitações de prédios, aviões e outros objetos maravilhosos, como as grandes naves espaciais. As imagens cruzavam os céus a uma distância muito pequena do solo, causando grande impacto em quem acompanhava as apresentações. Com a produção em massa, seus produtos ficaram populares e acessíveis, conquistando de vez o mundo. Entre as invenções que revolucionaram o mundo, está o holograma tridimensional que projeta objetos gigantescos, com o uso de uma caneta; o circuito eletroencefálico de transmissão, que se parece com um óculos, mas captura pensamentos e os registra no computador; o sistema telepático via ondas de rádio que permite ao telespectador de TV, ouvinte de rádio e usuários de telefonia celular capturarem informações, mensagens e executar ações mecânicas apenas com o uso do pensamento, codificando e retransmitindo via sistemas de ondas. Havia o veículo híbrido solo-aéreo movido a oxigênio que flutuava com imãs magnéticos; o tele-transporte gigante; a máquina que diminui e aumenta o tamanho dos objetos; o telefone público que captura e recebe imagens e o mais impressionante de todos: a viagem virtual pelo chip Ultra-9. O Ultra-9 era um dispositivo implantado no córtex. Com ele, é possível se conectar a computadores, absorver informação da Internet, além de magnetizar o corpo, transformando-o em elétrons para viagens físicas virtuais.
Tamanho era o grau de desenvolvimento dos sistemas de transporte aéreo e de comunicação que o homem já havia dominado Marte. O exemplo estava na aplicação das leis. Havia, na Terra, a Suprema Corte. Devido ao grau educacional e de erudição, não se via mais violência física, mas os crimes virtuais aconteciam a todo instante. A Corte determinava que os piores bandidos e criminosos, acusados de terrorismo eletrônico e fraudes bancárias, deviam ser mandados para Marte. Lá, escavariam rochas, que seriam transportadas, por comboios espaciais, para a Terra, onde seriam transformadas em ouro e diamante.

2079 - Parte III


Com os passar dos anos, cientistas da Compus desenvolveram um telescópio de longo alcance e um emissor e receptor de mensagens intergalácticas radiofônico. Ambos foram instalados num satélite, movido a luz solar, e lançado no espaço. Foi possível conhecer outros planetas e suas civilizações, alguns primitivos e outros mais evoluídos. Porém, havia um planeta, chamado Auríferus, que era a origem daquele meteorito até então misterioso. Lopes desenvolveu pesquisas com mais afinco. Ele conhecia a língua de Auríferus e se comunicava, via vídeo-satélite, com seu povo e governantes. Devido às ferramentas e recursos tecnológicos, descobriu-se que Auríferus era muito evoluída. Seus habitantes eram pacíficos e viviam em harmonia. Suas casas, como redomas de vidro e aço, flutuavam no ar. Havia um poder eletromagnético que mantinha as casas elevadas por cima de árvores. Os seres e criaturas, conforme a vontade do vento, podiam flutuar. Todos eram humildes e sábios. Trabalhavam para o sustento, viviam em família e o alimento brotava da terra. Sua natureza era magnífica e abundante. No céu, cintilavam cinco luas que ditavam a atmosfera e, ao mesmo tempo, os protegia do seu astro maior: um ser incandescente que salta em chamas como um vulcão. Ele era gigantesco, em torno de mil vezes maior que Auríferus. Nos lugares mais longínquos, havia seres e animais de todas as espécies e tipos jamais vistos, como homens com asas, gigantes ou civilizações que viviam no fundo do mar. Porém, não era apenas no sentido animalesco que a vida existia nesse planeta. A engenharia genética era evoluída e lá havia a cyberware, que é a mistura do homem com a máquina. Isso não era visto como anormal ou bizarro, e sim como resultado da evolução científica e de anos de pesquisa. O avanço era visto nas leis, na medicina, nas universidades, meios de comunicação, transporte e, principalmente, na sociedade, que era organizada. Lá, misteriosamente, os seres viviam mais de 1.000 anos, seja naturalmente ou adaptando máquinas em seus corpos. A tribo dos homens com pernas de aço era uma delas. Eram seres altos, com mais de cinco metros de altura, davam passos longos e partes de seu corpo eram transformadas pela engenharia genética, como seus corações, pulmões e rins. Outros seres anormais eram aqueles que voavam. Se pareciam em muito com o ser humano, mas eram robustos como ursos e possuíam grandes asas. Tinham mais de três metros de altura e sobrevoavam vales e montanhas, levando mensagens às pessoas. Eram conhecidos por Hermes.
O líder de Auríferus, o grande Imperador Aquarianus, dizia que o avanço do planeta se deu por não existir conflito interno e por que eles sempre respeitaram seus recursos naturais.
Porém, um dia, Aquarianus foi traído por um correligionário e a vida em Auríferus mudou. Houve discórdia e as guerras. Sabia seu líder que logo não sobraria vida no planeta. O povo foi escravizado e outros morreram em lutas e conflitos sem razão. Mitters, o correligionário que traiu Aquarianus, havia trabalhado para ele no Palácio de Cristal, mas há centenas de anos queria conquistar o poder, mesmo que, para isso, tivesse que fazer as piores coisas.
Neste período de transgressão política, a comunicação entre a Terra e Auríferus, era constante. Em grandes projetores, se via o terror nos céus da Terra. A platéia, nas grandes metrópoles frias, se emocionava com a barbárie ao vivo. Eram berros, vozes e gritos abafados, causados pela autodestruição. Sabiam, os habitantes da Terra, que a amizade com o planeta distante estaria no fim. Eram cenas chocantes da barbárie estampada em imagens horrendas, em que se via o belo destruído e restos de seres inocentes. Assistia-se, com pena, angústia e covardia, os que pediam socorro, jamais seriam ouvidos. O sofrimento aumentava quando os seres restantes eram capturados, mortos ou aprisionados para servirem de escravos. Não se entendia como tamanha beleza podia ser assim exterminada. A distância era imensa, mas Lopes recebia mensagens intergalácticas do líder. Pedia a ele que, mesmo com a grande que distância que os separavam e sem terem esperança de salvar a vida em Auríferus, ele devia ir até lá. Como ele conhecia o planeta e pode ver como ele era, que fosse ele a reconstruí-lo. Isso transformaria a sua vida e de muitos que o acompanhariam para dar vida nova para o planeta, que lhe enviou aquele preciso fragmento um dia.
Não demorou muito e os que lutavam por poder transformaram tudo numa barbárie. Não havia mais comida e os que restaram morreram de fome. Sabia Aquarianus, por meio de sonhos e visões noturnas, que um dia a ganância destruiria seu mundo. Coube a Lopes dar nova vida para aquele lugar.

2079 - Parte IV

Lopes, de alguma forma, sabia que a descoberta do metal e a construção do futuro da humanidade não foram por acaso. Havia um segredo maior naquele planeta e, cabia a ele, como um predestinado cientista, descobrir do que se tratava. Se fizesse a viagem ao planeta inabitado e com recursos naturais abundantes, seria reconhecido pelo resto da sua vida pela humanidade e teria a chance de construir um novo mundo para ela. Com estudos avançados em matemática, física e astronomia, descobriu que a viagem para Auríferus, levaria em torno de oito anos. Suas pesquisas, registros fotográficos e sensoriais apontam que a atmosfera de Auríferus é igual a da Terra e a quantidade daquele meteorito, no mar e nos rios, era imensa. Com esse conhecimento, Lopes, dono da Compus, a corporação que mais crescia e exercia influência no mundo e com capital maior que todos países da Europa, Ásia e América juntos, resolveu investir nesta viagem. Contratou milhares de engenheiros, técnicos, mecânicos e uma imensa equipe para a construção dos comboios estrelares para a exploração da Galáxia. Não tinha a ambição pela descoberta de novos materiais ou de dominação, mas queria provar ao mundo que o homem sempre poderia desenvolver a ciência, mesmo que, para isso, tivesse muitos desafios. Na Terra, após as suas descobertas, não havia escassez de metais, porém, não era mais permitida a exploração. A matéria-prima sempre vinha de Marte e, algum tempo atrás, o Conselho da Corte Suprema criou uma lei que não permitia a extração de recursos naturais no planeta. Isso ocorreu porque, aos poucos, a depredação do meio ambiente tornou-se assustadora e a vida na Terra estava a se extinguir. Quando os problemas de aquecimento global e falta de água começaram a prejudicar os países, o mundo não dormia e as bolsas de valores ficaram tensas. A criação dos campos de exploração de Marte foi a alternativa para a salvação da humanidade, sem que houvesse declínio do seu desenvolvimento industrial e tecnológico.
Após a construção das naves, Lopes, com as imagens dos amigos de Auríferus guardadas na lembrança, convocou a todos que queriam ir naquela expedição. Havia sábios cientistas, nobres filósofos, médicos, bombeiros e uma infinidade de pessoas capacitadas. Seu comboio era gigantesco. Havia mais de 1.000 naves. Naquela longa expedição, os intergalácticos levaram os devidos mantimentos para sobreviver, mas decolaram da Terra sem saber se voltariam. Na despedida, muitos abraços e a convicção de que a Terra já não estava só e que a descoberta do outro planeta deveria ser realizada.
Foram oito longos anos, mas sempre em contato com a Terra, até que as naves espaciais cruzassem em chamas os céus de Auríferus. Lopes, com seus próprios olhos, pode, ao mesmo tempo, contemplar a beleza daquele planeta primitivo e os resquícios do que um dia foi uma civilização. Ao chegar no planeta despovoado, se defrontou com uma rica vida animal e maravilhosas obras na natureza.
Toda a tripulação saiu na nave e Lopes escreveu na tela de seu computador:

“À nossa volta, o mundo infinito. Ao olhar para o céu, fiquei pasmo com as cinco luas no céu, que brilhavam sobre o efeito de um astro que saltava em chamas, bem ali, muito próximo aos meus olhos. Suas explosões são constantes, mas as luas protegem este mundo distante. Ao olhar para o alto, vi montanhas de nuvens no céu azulado. São rochas infinitas em altas colinas embranquecidas pela neve. Ao longe, pude ver a formação da chuva que ofereceu, para a terra, o espetáculo das águas. Ao me aproximar da água que forma longos rios, observei, aos meus pés, o nascimento de uma árvore frutífera. Era a vida e o alimento que ali nascia”.

Aquecedor Solar gera economia e ensina estudantes sobre o valor da energia.

O tema energia renovável e preservação dos recursos naturais estão pautados e discutidos por toda sociedade. Diversos são os projetos e estudos que visam diminuir o custo da geração e uso das fontes de energéticas. Em Londrina, o professor de Química e Educação Ambiental do Colégio Olympia Moraes Tormenta, Márcio Adriano Medina, desenvolve, junto com alunos do curso de Técnico em Meio Ambiente, placas que capturam raios solares que aquecem água de reservatórios. Medina explica que a placa é constituída de material reciclado, tem baixo custo e aquece água para uso em chuveiros e torneiras. “O aquecedor economiza energia elétrica, beneficia o meio ambiente com a reciclagem direta, sem qualquer processo industrial nos descartáveis. As embalagens, após o consumo, têm aplicação útil até no lado social”, afirma. Medina diz que a construção do artefato demanda garrafas pet cristal, caixas de leite, tubos e conexões. Os raios solares incidem no painel e causam o efeito estufa. A água, em constante circulação pelos tubos, aumenta a temperatura, podendo chegar a 60 graus. Para cada garrafa pet, um litro de água é aquecido e mesmo num compartimento único, água quente e fria não se misturam. A instalação é feita no telhado com painéis sempre direcionados ao norte, onde a incidência de raios solares é maior. O mecanismo influência nos custos por diminuir o uso da eletricidade e gerar conforto. Mesmo com o tempo nublado, a água é aquecida e uma família de cinco pessoas economiza até R$50,00 por mês. Para a confecção de um aquecedor, para um reservatório de 500 litros, o custo é inferior a R$100,00.
Medina relata que a idéia surgiu a partir da necessidade de implantar técnicas pedagógicas diferenciadas. Através de pesquisas na internet descobriu o invento, construído por José Alcino Alano, de Tubarão, Santa Catarina. Os resultados foram positivos, tanto em sala de aula, quanto na aplicação prática e de economia. “Temos um aquecedor na escola que foi visto como uma inovação pelo baixo custo. Não há restrições e ele pode ser instalado tanto em residências, escolas e creches”, afirma.
Uedes Lins de Souza, aluno do curso de Técnico em Meio Ambiente, participa da elaboração de um aquecedor, com 500 garrafas pet, que será instalado na Creche do Maria Cecília, coordenada por Aparecida Cândida Araújo. A creche atende 80 crianças em período integral e a água aquecida será usada nos chuveiros e na cozinha. “São boas iniciativas projetos que educam e racionalizam o uso dos recursos. Em breve, devido a industrialização, a demanda por energia será maior e devem ser criadas alternativas”, completa Aparecida.
O aquecedor solar foi à primeira experiência dos alunos e inovou em termos de aproveitamento de recursos renováveis, da reciclagem e inclusão social. A tendência, explica Uedes, é um projeto piloto que deva se expandir às empresas, que tem por objetivo economizar eletricidade e refletir no comportamento do consumidor. “O vilão da energia é o chuveiro, que representa em torno de 25% da conta”.

Em 2003, a Secretaria de Educação do Paraná implantou diversos cursos técnicos, mas com uma visão diferenciada e destinado a alunos que já concluíram o ensino médio e com duração de três semestres. Na época da adoção, a secretaria pesquisou os interesses da comunidade e notou a necessidade da prestação de serviços. Hoje, a forma é integrada ao Ensino Médio e em quatro anos o aluno terá o conhecimento do ensino médio e a qualificação técnica, além de um currículo mais aprofundado quanto a Legislação Ambiental, preservação do meio ambiente, reciclagem, cuidados com rios, solos e reciclagem. Em Londrina, o curso de técnico de meio ambiente é oferecido no Colégio Olympia de Moraes Tormenta e Albino Feijó. Maria Isabel Felix (3371-1341), coordenadora da equipe de ensino do Núcleo Regional de Educação, diz que a aplicação do aprendizado da área ambiental está ligada a esfera pública, como autarquias, e secretarias. Os mesmos oferecem estágios e concursos. “Ainda não existe uma legislação que obriga as empresas a contratar um técnico para conservar e analisar o meio ambiente”.
Existem, no ramo da construção civil, empresas interessadas neste tipo de profissional. Uedes é formado em Segurança do Trabalho e se interessou pelo Técnico em Meio Ambiente. Com a formação marcada para junho deste ano, Uedes diz que o curso abre perspectivas de conhecimento e maiores possibilidades no mercado de trabalho. Com um programa na Rádio Comunitária Dinâmica, que faz parte de um projeto do curso, no sábado, durante uma hora, ele transmite informações sobre meio ambiente, alerta sobre os cuidados e perigos da dengue, e ensina o que é o 3R (Reutilizar, Reciclar e Reduzir). Além disso, Uedes faz estágio numa construtora. “Desenvolvo um projeto ambiental para cumprirmos as normas. Isso agrega valor, conscientiza pela prática da cidadania e na economia dos recursos. É uma tendência às empresas entrarem na onda da reciclagem”.
O professor de Educação Ambiental, Anderson Gomes Vieira, explica que o estágio é obrigatório e tem duração de 360 horas/aula, onde a metodologia é aplicada na prática. São quatro horas por dia. Em Londrina, o Parque Arthur Thomas e Daisaku Ikeda oferecem estágios, onde os estagiários dão palestras sobre a ocupação do solo urbano de Londrina; monitoram escolas a visitas a empresas relacionadas ao meio ambiente e aos parques; discutem temas relacionados ao meio ambiente; atualizam, recolhem e sistematizam material para a Biblioteca do Meio Ambiente; e buscam informações sobre o Programa Rio da Minha Rua. “É um mercado novo, mas promissor. Um técnico em meio ambiente, formado, ganha em torno de R$1.200,00”, diz. Anderson diz que o curso, além de técnico, aborda questões sobre a conscientização e a discernimento para a realidade que cerca o aluno. “O meio ambiente deve ser visto como o homem inserido na natureza e formas de harmonizar essa relação para obter resultados positivos. Tudo isso ajuda na formação do caráter do cidadão”.

Para homenagear os 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, alunos do Olympia criaram cartazes e quadrinhos.

O aprendizado, quando associado às técnicas pedagógicas diferenciadas, instiga ao aluno a pensar e gera a curiosidade. O uso de imagens, associadas a textos, tem maior poder de absorção, facilita a interpretação e desenvolve o interesse. No Colégio Olympia Moraes Tormenta, alunos da 8ª série e 3° ano do ensino médio, utilizaram textos e imagens para aprender e contar a história dos cem anos da imigração japonesa no Brasil e no Paraná. A produção consistiu a confecção de quadrinhos e de painéis. Geni Dias Teixeira, professora de História, diz que o professor, deve criar condições para que os alunos estejam atentos ao conhecimento. “Os estudantes descobriram os motivos que trouxeram os japoneses para o Brasil e traduziram o acontecimento de maneira lúdica. O uso de quadrinhos e painéis dá liberdade para a imaginação e não torna a disciplina monótona. Como o trabalho foi em grupo, isso facilitou a interação”, completa a professora. O grupo de Maisa Brandão da Silva, 13 anos e moradora do Quadra Norte, desenvolveu uma estória em quadrinho. Com o trabalho, descobriu que os japoneses ajudaram a construir um país com a implantação de metodologias na agricultura, indústria e comércio. “Muitos que chegaram fizeram do Brasil a sua pátria e construíram suas vidas e famílias”, completa.

Enquête: O que você aprendeu a respeito da Imigração Japonesa no Brasil? Aprendi que não é fácil sair de seu país e deixar tudo para trás. Os japoneses tiveram força e coragem. Isso é visto pelo esforço de muitos descendentes. – Gregory Vinicius Rodrigues, 19. Maria Cecília. Aluno do 3° ano.

Os japoneses, em 1908, passaram por muitas as dificuldades e sofrimentos. O trabalho e a dedicação contribuíram para o desenvolvimento do Brasil. - João Eduardo Carapina, 13, Maria Cecília. 8ª série.

Não conhecia o motivo que levou a migração. Fizemos pesquisas e descobrimos que até hoje, após cem anos, os japoneses preservam suas tradições. Nayara Eizono, 16, Semiramis. Aluna do 3° ano.

Os japoneses ajudam a construir a nossa cultura e estão presentes na formação de muitas cidades do Norte do Paraná. Kettelyn Karoline Oliveira, 14, Jd. Atenas.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

WeekEnd na Guatemala


"WeekEnd na Guatemala" é uma obra genial do guatemalteco e Nobel de Literatura (1967)Miguel Ángel Astúrias. "Week-end na Guatemala" descreve a invasão desse pequeno país, em 1954, quando se tentava estabelecer um projeto popular. O governo estadunidense, com financiamento próprio e da empresa imperialista American Fruit Company, a La Frutera, que não querendo intervir diretamente, promoveu o recrutamento em massa da escória social em vários países latino-americanos, assolados pelo desemprego e pela miséria, para formar um exército de mercenários. A elite econômica e setores da pequena burguesia guatemalteca forneceram a base social de sustentação interna da agressão, armando o palco para a tragédia. Resultado: milhares de crianças, homens e mulheres, jovens e idosos assassinados, o projeto popular destruído, o país invadido, o povo humilhado.

Pelos bares da vida: Durante um dia exercem uma profissão. Nas noites sobem aos palcos. São os artistas populares

Na Zona Norte de Londrina, há diversos estabelecimentos comerciais como bares, pizzarias e lanchonetes, onde as pessoas se reúnem para conversar, dançar e porque não namorar. Seja durante a semana ou aos fins de semana, há sempre um artista que anima a todos. Não sabem os fregueses, que os artistas durante o dia tem uma profissão.

No Recanto Sertanejo, localizado na Avenida Francisco Gabriel Arruda, 1227, Parigot de Souza III, quem toca os sucessos sertanejos românticos do momento é o proprietário de um ferro-velho na Via Expressa, Marcos Rosário, 40. Conhecido por Marquinho e morador da Vila Casoni, ele se apresenta ás quintas-feiras no Recanto e aos fins de semana viaja com sua caravana por cidades da região.
Durante o dia, Marquinho administra o ferro-velho e nas noites embala romances com músicas sertanejas. Ele canta e toca violão. O grupo, formado há três anos, conta com Luzia Aparecida da Silva, 39, a cantora Lú, que mora na Vila Casoni, e Rodrigo Almeida, o Rodrigo dos Teclados, 30, morador do Residencial do Café. Além dos três artistas a caravana conta com mais duas duplas sertanejas.
Marquinho relata que a atividade artística é mais recente e aconteceu ao acaso, quando comprou os instrumentos. “Em nada atrapalha meu trabalho. Ao invés disso, contribui. Nos intervalos faço amizades com pessoas do público. Elas descobrem minha atividade e nos procuram para fechar negócios, ou vice-versa. Quando vão ao ferro-velho vêem o ônibus da caravana, se interessam e querem assistir a um show.”
A relação fisiológica de trabalho e vida artística é tão próxima, que a cantora Lú, antes de se apresentar com a Caravana do Marquinho, é Luzia, secretária do ferro-velho. “Para mim é bom, porque o patrão paga hora-extra”, diz a cantora.

Tony Marques, 39, é um artista popular da região norte. Com dedicação exclusiva a música e residente no Maria Cecília, Tony é conhecido pelo estilo sertanejo e canta em bailões e rodeios. Com carreira artística há vinte anos, sempre que pode dá uma “canja” no Recanto do Espeto, localizado na Saul Elkind, em frente à Sanepar.
“Comecei na infância. Cantava na escola, em barzinhos e karaokês. Em 2002 conheci o Marcel e montamos a dupla Tony Marques e Marcel”, diz. A dupla gravou o CD “Bom demais”. Em 2006 se separaram e Tony Marques lançou “Tony Marques Solo”, com a música de trabalho “Menina dos olhos azuis”. Juntos, os dois CD’s somam a vendagem de mais de seis mil cópias e Tony fica chateado ao encontrar cópias falsas ou pirateadas. “Recolhi duma só vez trinta cópias. A pirataria é ruim e evita que o fã compre o original”, revela.
Com muitos fãs que pedem autógrafos e apresentações em até Puenta del Leste, na Argentina, recentemente Tony gravou um DVD com a participação de vários artistas. Para o cantor, é comum a presença em programas de rádio e TV. “Fiz muitos shows em Londrina e na região. Em 1997, toquei para mais de trinta mil pessoas no Parque de Exposições Ney Braga quando o show regional era no mesmo palco dos artistas de renome nacional. Foi uma sensação inexplicável”, relembra. O artista ressalta que nas apresentações é acompanhado por uma banda, dançarinas e auxiliares que somam mais de vinte integrantes.